Arquivo de novembro 7th, 2005

MTE vai qualificar trabalhadoras domésticas

Publicado por admin 7 novembro, 2005 Nenhum Comentário Imprimir

Será lançado na terça-feira (8), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Plano Setorial de Qualificação (Planseq) – Trabalho Doméstico Cidadão. É a primeira iniciativa de governo exclusivamente voltada para a qualificação social e profissional das trabalhadoras domésticas e integra o Plano Nacional de Qualificação (PNQ), financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A solenidade de lançamento será no auditório do Anexo I do Palácio do Planalto, às 14h45.

Baseado em uma experiência iniciada na Bahia em 1999, o Planseq – Trabalho Doméstico Cidadão foi construído com a participação das trabalhadoras, por meio de suas organizações. Vale salientar que o PNQ em 2003 já tinha inovado quando do seu lançamento, ao incluir as trabalhadoras domésticas como público prioritário, mas o PlanSeQ Trabalho Doméstico Cidadão vai mais longe.

O Trabalho Doméstico Cidadão compreende três subprojetos, que, além da qualificação social e profissional, abrangem questões fundamentais para o exercício da cidadania, como a elevação de escolaridade, o fortalecimento da auto-organização das trabalhadoras domésticas e o desenvolvimento de projetos para intervenção em políticas públicas. A ação tem o apoio da Secretaria de Políticas Públicas para a Igualdade Racial (Seppir), da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e alcançará, inicialmente, 350 trabalhadoras em seis estados. Também serão elaboradas campanhas sobre a valorização do trabalho doméstico, para serem veiculadas nacionalmente.

O subprojeto 1, que começa este mês, será o de Qualificação Social e Profissional Integrada à Elevação de Escolaridade. Com duração de 12 meses, atenderá 210 trabalhadores domésticos em sete cidades: Aracaju, São Luiz, Salvador e Recife, na Região Nordeste; e Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas (SP), na Região Sudeste. O custo total desse subprojeto é de R$ 880 mil, sendo R$ 800 mil do FAT.

Destinado àquelas que têm entre quatro e sete anos de estudo – o equivalente a 42,7% do universo de trabalhadoras domésticas – o subprojeto de elevação de escolaridade, após essa etapa de validação, deverá ser expandido em parceria com o Ministério da Educação e prefeituras, na modalidade de Educação de Jovens e Adultos – EJA, integrada à qualificação social e profissional de modo a atingir milhares de trabalhadoras de todo o Brasil, como uma política pública permanente.

Como projeto integrado e inovador, além dos conteúdos exigidos nos cursos de elevação de escolaridade (linguagem e ciências exatas, naturais e sociais), as participantes discutirão cultura e mundo do trabalho, envolvendo temas como psicologia, relações humanas, ética, valor social do trabalho doméstico, história e cultura africana, legislação (qualificação social).

No campo da qualificação profissional serão trabalhados conhecimentos, entre outros, de economia doméstica; organização e gestão de estoque; técnicas de limpeza, arrumação, lavagem e conservação de roupas; puericultura; higiene e manipulação de alimentos; cozinha básica, regional e étnica. Os cursos serão desenvolvidos de forma que as trabalhadoras domésticas participem ativamente das aulas, mobilizando os saberes que desenvolveram na experiência de trabalho ou em outros programas de qualificação.

O Subprojeto 2 é dedicado à Qualificação Social e Profissional para Fortalecimento da Organização das Trabalhadoras Domésticas. Esse subprojeto surge da necessidade de garantir melhor intervenção por parte das trabalhadoras e suas representantes nas políticas públicas e de dotar as organizações (associações, sindicatos e outras) de condições para um pleno exercício dessa atividade.

O trabalho está dividido em três módulos – Trabalho Doméstico no Brasil: História e transformações; Direitos e Cidadania; e Estrutura, Organização e Gestão Sindical – e será realizado de março a junho de 2006, atendendo 140 lideranças de trabalhadoras domésticas. O investimento será de R$ 284.240, 00. (R$ 251.016,00 do FAT).
Já o subprojeto 3 – Qualificação Social e Profissional e Intervenção em Políticas Públicas prevê a valorização do trabalho doméstico a partir de campanhas, parcerias, ações nas áreas de Direitos Humanos e Violência contra a Mulher; Moradia; Saúde; Trabalho; Previdência Social e Erradicação do Trabalho Infantil Doméstico (TID). Serão utilizados R$ 48 mil do FAT nesse subprojeto, que será realizado a partir deste mês e irá até agosto de 2006.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que existem 6 milhões de brasileiras no desempenho dessa função, na sua maioria mulheres negras, que recebem em média o salário mínimo. O número, porém, se refere àquelas trabalhadoras com visibilidade no mercado. O diretor do Departamento de Qualificação do MTE, Almerico Biondi Lima, explica que pode haver mais 2 milhões de pessoas não contabilizadas, trabalhando em residências. “Em geral, são aquelas crianças e jovens que passam por afilhados, sobrinhos, mas que, na realidade, arrumam, lavam, cozinham e sofrem humilhações”, diz. Ele destaca ainda que, considerando os dados do IBGE, apenas 25% das trabalhadoras têm carteira assinada. “Trabalho doméstico é profissão. É preciso tornar esse trabalho, tão importante socialmente, em trabalho cidadão”, finaliza Lima.


Fonte: MTE

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Marcha à Brasília pedirá mínimo de R$ 400,00

Publicado por admin 7 novembro, 2005 Nenhum Comentário Imprimir

Reunidos semana passada, CUT, CGT, CGTB, CAT, SDS e Força decidiram que a II Marcha Nacional pelo aumento do salário mínimo e pela redução da jornada, convocada para os dias 28, 29 e 30 de novembro, em Brasília, terá como principais bandeiras o mínimo de R$ 400,00 e o reajuste de 13% na tabela do Imposto de Renda.


 


O valor atual do mínimo é apenas 1,35% do maior salário do país, o do presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim (R$ 22.000,00). Pelo aumento proposto, o mínimo chegaria a 1,8% do maior salário, sendo feita uma projeção para que atinja ao longo dos próximos cinco anos 7% do salário do presidente do STF, o equivalente a R$ 1.500,00, o salário mínimo indicado pelo Dieese.


 


“O mais importante é estabelecer uma política permanente de recuperação gradual do poder de compra do salário mínimo, que abarca a parcela das categorias com menor poder de fogo, nas regiões mais pobres do país”, afirmou o presidente nacional da CUT, João Antonio Felício, lembrando que recebem o mínimo 14 milhões de aposentados e 6 milhões de trabalhadores. Para garantir os recursos do aumento no Orçamento, ressaltou Felício, “vamos ampliar a nossa mobilização por mudanças na política econômica, com a redução dos juros e do superávit primário. Os recursos existem, o que falta é dar prioridade para o salário”.


 


Uma das propostas da CUT, esclareceu Felicio, é a taxação sobre grandes fortunas, por meio da cobrança de 1,5%, em uma única vez, de quem possua patrimônio declarado superior a oito mil salários mínimos ou R$ 2,4 milhões. “Esta é uma das formas que a CUT encontrou para garantir um aumento real de 9% no salário mínimo durante sete anos”, acrescentou. 


 


MOBILIZAÇÃO -Conforme o secretário-geral da CUT, Artur Henrique da Silva, “é hora de colocar o conjunto da militância nas ruas para dar visibilidade à reivindicação, fazendo pressão sobre o governo e o parlamento”. Para isso, ressaltou, a presença de dirigentes da Central no dia 19 de outubro em Brasília contribuiu para somar força e voz pelo aumento do mínimo.


 


O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, sublinhou que o movimento sindical deve continuar “remando pra frente e sincronizado” para conquistar uma política de perenização do reajuste do salário mínimo, “pois não há nada que redistribua mais renda, que tenha tanto impacto positivo sobre o conjunto da economia”.


 


De acordo com Enilson Simões de Moura, presidente da Social Democracia Sindical, “o foco é a redistribuição de renda, pois hoje o Estado absorve renda para transformar em pagamento da dívida e dos juros. Nossa luta é unitária e firme em defesa de uma política econômica redistributivista”.


 


UNIFICAÇÃO - “O mais importante é que conseguimos nos unificar em torno destas duas bandeiras que dialogam com o conjunto da sociedade: o aumento do salário mínimo e o reajuste da tabela do Imposto de Renda”, frisou o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva.


 


Na avaliação de Reginaldo Bedra. presidente regional da CAT, “a unificação da marcha, com propostas conjuntas consensuadas, mostrará a força da classe trabalhadora brasileira”.


 


Ficou acertado que as centrais realizarão um grande acampamento-vigília em frente ao Congresso Nacional na noite do próximo dia 29.

 

Com informações da AgCUT

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CEF abre financiamento para computador popular

Publicado por admin 7 novembro, 2005 Nenhum Comentário Imprimir

Desde ontem (7/11), a linha de financiamento para a compra de computadores populares está disponível em todas as agências da Caixa Econômica Federal (CEF) do país. Cada equipamento será vendido pelo preço máximo de R$ 1,4 mil como parte do Programa Cidadão Conectado – Computador para Todos, uma ação do governo federal para promover a inclusão digital no Brasil. Na Caixa, os interessados terão acesso ao financiamento de até R$ 1,2 mil, no prazo de até 24 meses, com juros de 2% ao mês.

“Quem está interessado em comprar, adquirir um computador dentro do programa Computador para Todos, pode se dirigir à Caixa Econômica Federal, munido de seus documentos, comprovante de residência, de renda e documentos pessoais, e a Caixa fará a sua avaliação. Com o crédito aprovado, ele se dirige a qualquer loja que esteja vendendo o computador, dentro das condições estipuladas pelo governo federal”, explicou o superintendente da CEF José Humberto Maurício de Lyra.

Segundo ele, quem não for correntista da CEF poderá abrir uma conta para usar a linha de crédito. “No ato da avaliação, a gente já abre a conta e faz a avaliação para o cliente, no mesmo ato, na mesma hora”. O superintendente afirmou que quem optar pelo financiamento em 24 meses, pagará uma prestação mensal de cerca de R$ 60.

De acordo com Lyra, não há limite de renda para ter acesso ao crédito. “Não tem limite de renda, a pessoa só tem que demonstrar a capacidade de pagamento da prestação, então se ela comprovar que tem capacidade de pagar os R$ 60, em média, o financiamento é liberado para ela”.

O Ministério da Ciência e Tecnologia definiu as características mínimas que os computadores populares deverão ter, tanto em termos de equipamentos quanto de programas. O computador terá um monitor de vídeo de 15 polegadas, teclado, mouse, CD-ROM, disco flexível de 1,44 MB, memória de 128 MB e fax modem. O ministério também é responsável pelo credenciamento dos fabricantes que poderão produzir os computadores para o programa. Eles vão ter isenção total de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o que permite uma redução no preço final do produto.

Os recursos para o financiamento são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em agosto, o Banco do Brasil já havia anunciado uma linha para os correntistas, que também prevê o financiamento de até R$ 1,2 mil, em 24 meses, com juros de 2% ao mês.


Informações da Agência Brasil

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Artigo: A economia com o freio de mão puxado

Publicado por admin 7 novembro, 2005 Nenhum Comentário Imprimir

A análise de uma série de indicadores relevantes de desempenho macroeconômico do governo atual, na comparação com a média dos últimos anos, vai revelar uma melhoria substancial em quase todos eles. A exceção fica por conta da taxa de juros básicos reais (isto é, descontada a inflação), que supera atualmente os 14%. O pior é que os juros básicos dos títulos públicos nem de longe se aproximam das taxas cobradas no varejo: segundo o Banco Central, em setembro, a taxa média em empréstimos livres de pessoas físicas e jurídicas alcançou 49,5% ao ano. 

Com juros tão elevados, o Brasil é, de longe, o campeão mundial da modalidade. Se compararmos com os juros praticados em países que guardam semelhanças com o Brasil (grandes populações, extensos territórios), Rússia, Índia e China, nos deparamos com taxas reais incrivelmente menores: 0,5%, 1,0% e 3,1% respectivamente. Com esses níveis de juros fica fácil entender porque o Brasil cresce a uma taxa inferior ao crescimento mundial e aos países citados. Enquanto o PIB brasileiro cresceu 3,9% nos primeiros seis meses do ano, a Rússia cresceu 6,1%, a Índia 7,0% e a China 9,5%.

A taxa de juro não é certamente o único fator, mas explica em boa parte o baixo crescimento da economia brasileira. O Brasil não tem aproveitado as potencialidades oferecidas por um cenário externo singularmente favorável, que combina crescimento acima da média histórica, grande demanda por commodities, abundante oferta de crédito e baixas taxas internacionais de juros.

O conservadorismo da política de juros colocado em prática pelo Banco Central, apóia-se na idéia de que se o PIB crescer um pouco mais do que os previstos 3,5% para 2005, a inflação aumenta. Os juros altíssimos, ao esfriar a demanda global, segurariam os preços, centro da estratégia do governo. Esta é hipótese de comprovação prática bastante discutível. Aparentemente, a recente queda da inflação está muito mais ligada à diferença dos juros brasileiros em relação aos juros praticados nos mercados internacionais, fortíssima fonte de atração de capitais especulativos externos.

Este diferencial de juros, ao atrair compradores para os papéis brasileiros, explica uma boa parcela da valorização do real, da ordem de 25% desde maio de 2004. Este fator tem sido decisivo para a queda da inflação verificada nos últimos meses, e vai possibilitar ao Brasil atingir o centro da meta inflacionária definido para 2005. Ao mesmo tempo tende a reduzir o superávit comercial em 2006, já que as importações estão crescendo mais fortemente e as exportações vêm diminuindo o seu ímpeto. É natural que a moeda brasileira se valorize em relação ao dólar, que vem se desvalorizando em relação as principais moedas do mundo. O que não é natural é que o real lidere esta valorização em todo o mundo.

Além de segurar o consumo, taxas de juro como essas atingem diretamente
a produção. A produção industrial brasileira, segundo o IBGE, cresceu apenas 1,1% em agosto em relação ao mês de julho, descontadas as influências sazonais, depois de uma forte redução em julho (-1,9%). A partir de fevereiro deste ano o crescimento da indústria tem sido irregular, ora sendo puxado pelo comércio exterior, ora pelo crédito, principalmente o consignado. Na comparação com agosto de 2004, a produção industrial cresceu 3,8%, inferior ao crescimento dos últimos 12 meses verificado em julho, que tinha sido de 5,9%. Isto demonstra que o ritmo de expansão da indústria está caindo.

Uma razão que poderia justificar a manutenção de juros exorbitantes, a dependência brasileira do crédito interno e externo, foi aliviada nos últimos meses com os superávits comerciais recordes nos últimos dois anos. A dívida líquida do Setor Público caiu em 2005 para 52% do PIB, e a dívida externa, que representava 3,5 vezes as exportações brasileiras, representa em 2005, 1,7 vezes as exportações. 

Por outro lado, mais da metade dos bens e serviços apresentou, no último quadrimestre, comportamento predominantemente estável e os preços concorrenciais, que representam grande parte do consumo familiar, aumentaram bem menos do que a média da inflação do período. Mais do que uma opção técnica por esta ou aquela política, hoje no Brasil, trata-se de romper com a total falta de ousadia da equipe econômica.

José Álvaro de Lima Cardoso é e
conomista e supervisor técnico do DIEESE em Santa Catarina.

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