Arquivo de maio 30th, 2006
Greve paralisa INSS por três dias em 19 estados
Brasília - Os funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 19 estados e no Distrito Federal estão em greve desde hoje (30). A paralisação vai durar três dias, em protesto ao não cumprimento, pelo governo federal, do acordo assinado durante a greve de 2005.
Se as reivindicações não forem atendidas, o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, Pedro Luís Totti, disse não descartar a possibilidade de mobilização por tempo indeterminado. “A nossa base está chamando a greve para alertar o governo no sentido de que as coisas precisam começar a acontecer porque, se não, não vamos ter outra alternativa senão começar a discutir a greve por indeterminado”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Segundo ele, como a paralisação termina na sexta-feira (2), as agências do INSS estão com as portas totalmente fechadas. Nem mesmo os serviços mínimos, como perícia médica, estão funcionando. “São três dias, então, não fizemos essa discussão de manter os 30% [de atendimento, como determina a legislação]“.
Totti afirmou que os trabalhadores ainda não receberam o reajuste salarial previsto no acordo da paralisação do ano passado, que durou 72 dias. A categoria deveria ter recebido aumento entre 4% e 8% retroativo a fevereiro e de 3% a partir de março, como parte dos 47,11% de reajuste conquistado pela categoria em decisão judicial. A previsão, acrescentou, é que o aumento seja concedido por medida provisória, mas ainda não há informação sobre a data de publicação.
De acordo com o diretor, o plano de carreira também não foi aprovado pelo governo. “Por enquanto, não tem nenhuma sinalização que o acordo será cumprido”, afirmou. “Estão sendo feitas reuniões para discutir essa carreira faz seis meses, mas até agora, de concreto, não conseguimos avançar em praticamente nada nessas discussões”.
Segundo Totti, confirmaram em assembléia a adesão ao movimento os seguintes estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Amazonas, Rio Grande do Norte, São Paulo, Santa Catarina, Ceará, Goiás, e o Distrito Federal. O levantamento sobre o índice de participação dos funcionários ainda está sendo feito. No próximo sábado (3), a coordenação do movimento deve se reunir para avaliar os resultados da paralisação.
São Paulo – Os previdenciários aguardam do ministro da Previdência, Nelson Machado, a apresentação de um plano de carreira para a categoria por parte do governo e querem participar das decisões finais de sua formulação. Além disso, querem discutir a reposição das perdas salariais, segundo um dos diretores do sindicato da categoria em São Paulo (Sinsprev), José Rubens Decari.
Segundo Decari, os previdenciários reivindicam a adoção de um plano de carreira há cerca de 20 anos. Após a greve do ano passado, o governo criou um grupo de discussões em que os previdenciários apresentaram uma proposta, discutida nacionalmente, mas na última reunião sobre o assunto, teriam sido informados que suas participações seriam apenas consultivas. “Ontem, nós tivemos uma primeira audiência com o ministro Nelson Machado. Ele, aparentemente, colocou que desconhecia isso e ficou de nos dar uma resposta”, disse.
O sindicalista disse a categoria realiza uma paralização de 72 horas para pressionar o governo. “Queremos discutir as propostas que foram feitas pela categoria a nível nacional”, afirma Decari. Sobre as reposições de salários concedidas pelo atual governo nos anos anteriores, Decari diz que vieram na forma de gratificações. “Essas gratificações podem ser retiradas a qualquer momento pelo Supremo Tribuna Federal, e elas são variáveis em termos de produtividade; os aposentados recebem menos dos que estão na ativa. Queremos ter essas gratificações incorporadas, ter um piso salarial decente e ascensão funcional”, cobrou.
O ministro da Previdência Social, Nelson Machado, afirmou que o ponto dos funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que estão em greve deve ser cortado. “O corte de ponto já é dado com um dia, dois dias. O corte de ponto já é feito. Isso é da lei, e vamos cumprir a lei”, disse.
Machado disse estar surpreso com a greve iniciada pelos funcionários do INSS em 19 estados e no Distrito Federal. A paralisação deve durar mais dois dias. Segundo Machado, o governo desde o início do ano já reajustou os salários – a medida estava prevista no acordo que terminou com a greve no ano passado.
Outra reivindicação dos grevistas é o plano de carreira da categoria. O ministro respondeu que, no acordo de 2005, o governo teria prazo até o dia 30 de junho deste ano para apresentar o plano de carreira. “Avaliamos que é uma greve injusta, todas as cláusulas que nós negociamos com as federações foram cumpridas. Estamos fortemente empenhados na construção de uma carreira dos servidores da previdência e do INSS”, disse.
Com informações da Agência Brasil
CUT denuncia projeto sobre a “terceirização”
Em tramitação na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comercio (CDEIC) da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que dispõe sobre o contrato de prestação de serviço a terceiros e as relações de trabalho decorrentes, “atenta contra os direitos dos trabalhadores”. A proposição é do deputado Sandro Mabel (PL/GO). Na avaliação da CUT, “o projeto tira a co-responsabilidade do empregador e dos usuários da terceirização sobre os trabalhadores das empresas terceirizadas, transferindo a essas suas obrigações”. O projeto é altamente prejudicial aos trabalhadores, pois altera todo o conceito de empresa preponderante, que tem a obrigação de manter sob sua responsabilidade as relações de trabalho dos empregados envolvidos nas atividades meio e fim da empresa. Dessa forma, quem fica responsável pelas relações de trabalho é a empresa terceirizada. Caso seja aprovada na CDEIC, a proposição deverá passar em seguida pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC). A reunião será nesta quarta-feira, 31/5, às 10h.
Com informações da Ag.CUT
Metalúrgicos entram em greve na Volkswagen
Os 12.400 trabalhadores da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP), vão fazer uma greve de 24 horas nesta quarta-feira, dia 31, em protesto contra o anúncio de 3.672 demissões só nesta fábrica, até 2008. A empresa pretende ainda fazer uma série de cortes em direitos adquiridos pelos trabalhadores em um grave desrespeito à legislação brasileira. A fábrica de São Bernardo produz 960 veículos por dia (Fox Europa, Gol, Kombi, Santana, Polo Reti e Sedan).
Será feita uma assembléia no pátio dos ônibus da Volkswagen às 6h40 e depois haverá uma passeata com o objetivo de mostrar à população que as demissões da empresa também vão repercutir no comércio local e afetam toda a cadeia de produção. Para cada trabalhador de montadora, existem outros 47 empregados em 27 setores da economia envolvidos na produção de um veículo.
A greve vai acontecer simultaneamente nas fábricas de São Bernardo e Taubaté, em São Paulo; e São José dos Pinhais, no Paraná. A Volkswagen do Brasil emprega mais de 21 mil funcionários e anunciou que pretende demitir 5.773 trabalhadores.
Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Busscar: empregos gerados superam números de 2003
A imagem que está estampada na abertura da notícia no site mostra o auge da crise da Busscar, no final de 2003, quando a empresa estava prestes a fechar as portas. Problemas de gestão e brigas entre sócios levaram uma das maiores fábricas de Joinville e do estado de Santa Catarina a demitir, entre fins de 2003 e início de 2004, cerca de 1,1 mil trabalhadores. Hoje, graças a participação responsável e decisiva do Sindicato dos Mecânicos, apoio de algumas lideranças políticas e comunitárias, e liberação de recursos federais pelo Governo Lula, a Busscar já gerou 1 mil e 672 empregos, superando o número de trabalhadores que tinha em 2003.
Estes dados foram informados pela diretoria da Busscar à diretoria do Sindicato dos Mecânicos, e faz parte da política de transparência e participação dos trabalhadores no processo de recuperação da empresa. No final de 2003 e início de 2004, havia rumores de que o Sindicato iria promover uma mobilização da categoria para cobrar salários, e caso não fossem pagos, inviabilizar o que restava da produção, fechando definitivamente a fábrica. De forma moderna, e preocupada em garantir os empregos e o sustento de milhares de famílias, a diretoria do Sindicato optou pela negociação, e o resultado que se vê ratifica o acerto da decisão. Novos empregos que garantem a movimentação econômica forte em Joinville e região.
Segundo o presidente do Sindicato dos Mecânicos, João Bruggmann, a Busscar produziu ano passado (2005), 3.225 ônibus e faturou R$ 450 milhões. Em 2006 a projeção é fechar o ano com 4,2 mil unidades produzidas, que representarão R$ 570 milhões de resultado. O otimismo com o novo modelo de gestão permite à Busscar planejar até 2007: produzir 4,6 mil ônibus e chegar a R$ 660 milhões de faturamento.
“Mensalmente a direção da empresa nos chama para mostrar a quantas anda o negócio, produção, metas, problemas. Os trabalhadore são reunidos em grupos de 500, quando tudo também é explicado. A recuperação da empresa é o mais forte exemplo local de que os trabalhadores podem ser parceiros, desde que também tenham seus direitos respeitados e sejam ouvidos”, ressaltou Bruggmann.
Em 2003 a Busscar tinha descido à 5% de participação no mercado nacional. Hoje já está chegando a 22%, voltando a ocupar lugar de destaque na concorrência do ramo de carrocerias. Para João Bruggmann, em um futuro bem próximo, talvez daqui há dois anos, a empresa já poderá reconhecer financeiramente, nos salários ou mesmo com participação nos lucros, o esforço e o voto de confiança que os trabalhadores deram para a retomada da produção.
“Em 2003 nós poderíamos ter fechado as portas da Busscar, já que os trabalhadores estavam dispostos a tudo para verem seus direitos respeitados. Escolhemos o caminho da negociação para manter empregos, e creio que estamos conseguindo resultados bons para tão pouco tempo, ou seja, não só a manutenção de empregos como a geração de novos postos de trabalho. Tenho a convicção de que a empresa saberá recompensar o trabalho de cada companheiro da categoria que se empenhou e garante esta retomada forte da produção”, finalizou Bruggmann.
Compensação de horas só com Assembléia
O Sindicato dos Mecânicos alerta à todas as empresas ligadas ao ramo mecânico que qualquer acordo de compensação de horas sem a realização de assembléia geral com a participação do Sindicato, é ilegal. Só não há obrigatoriedade para as empresas que concederem as horas, por exemplo em feriados ou até jogos da Copa do Mundo, sem cobrá-las depois por meio de realização de horas extras ou atos parecidos. Como estamos entrando em um mês que terá Copa do Mundo e também feriado de Corpus Christi (5/6), muitas empresas estão programando suas atividades. Após realizadas legalmente, a ata de realização é protocolada no Sindicato e Ministério do Trabalho.
Esta semana o secretário Geral, Evangelista dos Santos, vai realizar duas assembléias para tratar destes assuntos nas empresas Somar e Herten. Na semana passada (22/5), a KS Chapelins chamou o Sindicato para mediar a forma de compensação para os jogos do Brasil na Copa, e também sobre o feriado, que será em uma quinta-feira (15/5). Na Somar a assembléia será nesta quarta-feira (31/5) às 13 horas, e a proposta é trabalhar neste sábado (3/6) para folgar dia 16 de junho. Para os jogos da Copa a idéia é antecipar o início do trabalho em duas horas, liberando os trabalhadores mais cedo antes da partida. A Herten ainda não marcou a data da assembléia.
Evangelista alerta ainda os empresários que não estão querendo nem compensar e muito menos liberar os trabalhadores das horas em que a Seleção Brasileira estiver jogando. Segundo ele, o resultado da insatisfação dos trabalhadores é muito maior em possíveis prejuízos. “O empresário que não quer dar folga e nem compensar horas, deixando seus funcionários sem poder assistir aos jogos do Brasil corre riscos desnecessários na produção, prejudica o ambiente de trabalho e também o empenho de cada um para o crescimento da empresa. Afinal, é preciso respeitar a cultura do brasileiro”, destaca o secretário Geral do Sindicato.
Para marcar as assembléias ou obter informações sobre como realizá-las, as empresas devem ligar para 3433.1188 e falar com a Secretaria Geral, com Evangelista ou Jaqueline.