Arquivo de maio, 2007
Universidade Federal é prioridade Nº 1
Ao longo do primeiro mandato do presidente Lula, acompanhamos o esforço do governo em recuperar o esquecido e abandonado ensino público federal gratuito. Reportagens mostraram a falta de recursos orçamentários, que regrediram gradativamente ao longo dos também longos oito anos de governo do tucano FHC. Mostraram também o resultado desta política deliberada para desconstruir o ensino público gratuito, tanto para os cursos técnicos quanto para os de nível superior. Universidades estavam caindo aos pedaços, escolas técnicas federais também, e os professores não vislumbravam um futuro diante daquele quadro. Tal política visou deixar um mercado emergente nas mãos somente da iniciativa privada sob o discurso que o Estado não deve cuidar do setor.
A recuperação do ensino federal público e gratuito reforça o país no que mais precisamos para nos tornarmos definitivamente uma grande nação: o acesso à educação pública e gratuita, a formação de pensadores e cientistas – massa crítica necessária – e a pesquisa e o desenvolvimento científico. São pontos fundamentais para estabelecer ao longo dos anos um processo de autonomia brasileira em relação à tecnologias de países como EUA, França, Alemanha, Canadá, Inglaterra e tantos outros. Graças a essa posição firme do Governo Lula, por todo o Brasil as universidades federais estão novamente despontando como grandes centros formadores de profissionais altamente qualificados, e as escolas técnicas federais – agora conhecidos como CEFETs – estão sendo expandidas para várias regiões.
Joinville não ficou fora destes investimentos federais, mesmo que ainda tímidos para a grandeza da cidade. No ano passado foi inaugurada a primeira escola técnica federal da história do município, o CEFET Joinville, que já oferece três cursos técnicos para estudantes que saíram do ensino médio. Mecânica industrial, eletroeletrônica e técnico em enfermagem são os primeiros embriões de uma futura universidade tecnológica a ser implantada no Estado.
Agora está em questão a vinda do campus avançado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para Joinville, que disputa com Araquari e Jaraguá do Sul principalmente, a primazia de contar com a excelência dos cursos federais gratuitos e um corpo docente de altíssimo nível. Durante longo tempo vimos o envolvimento de parlamentares petistas defendendo essa possibilidade, enquanto outros defendiam a federalização da Univille, que já é uma referência da cidade. Por questões puramente ideológicas e políticas, a Prefeitura não deu respaldo à instalação do Pólo da UFSC, que seria o embrião do futuro campus na cidade. Isso enfraqueceu o pleito do campus para Joinville, e nos deixou temporariamente atrás de Jaraguá do Sul nesta corrida.
Agora é a hora de unir os esforços municipais, estaduais e federais ligados à cidade, e também a sociedade civil com sindicatos patronais e laborais, escolas, e todos os outros segmentos para garantir a vinda deste benefício para Joinville. Não basta agora apenas a oferta dos terrenos, mas sim a firme intenção de ganharmos o campus. Deixar de lado as picuinhas políticas e pensar na cidade e em seus filhos, que precisam de mais oportunidades para serem cidadãos de verdade. Os cidadãos joinvilenses não perdoarão as lideranças que deixarem a cidade perder um investimento tão fundamental.
A Direção
ProUni abre inscrições nesta quarta-feira (23/5)
A partir de amanhã (23), os estudantes interessados em bolsas de estudo nas instituições particulares de ensino superior podem se inscrever programa Universidade para Todos (ProUni). As inscrições, que seguem até 9 de junho, podem ser feitas exclusivamente pela internet na página do programa.
Segundo a assessoria do Ministério da Educação (MEC), a expectativa é de que sejam oferecidas 50 mil bolsas para o segundo semestre. Atualmente, o ProUni atende 277 mil estudantes. Em Joinville, 565 estudantes foram beneficiados pelas bolsas do ProUni no primeiro semestres, sendo que destes, 464 receberam bolsa integral. Em Santa Catarina foram atendidos 3,7 mil estudantes, o que deve se ampliar agora para o segundo semestre.
Para concorrer, o candidato deve ter obtido média superior a 45 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2006; cursado todo o ensino médio em escola pública ou na rede particular, na condição de bolsista integral; comprovar renda familiar por pessoa de até um salário mínimo e meio (R$ 570,00) para concorrer à bolsa integral e de até três salários mínimos (R$ 1.1140,00) para a bolsa parcial, de 50% do valor da mensalidade.
A relação dos pré-selecionados deve ser divulgada em 14 de junho, na página eletrônica do ProUni. Ao fazer a inscrição, o candidato pode escolher até sete opções de instituições de ensino superior, cursos e turnos, conforme a renda familiar por pessoa e o perfil socioeconômico. Essas opções podem ser alteradas a qualquer tempo, dentro do período de inscrições.
Com informações da Ag. Brasil
Ato Nacional contra a Emenda 3
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) organiza nesta quarta-feira (23) às 10h em frente à sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na Avenida Paulista, o maior ato no Estado contra a emenda 3 e em defesa do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A central espera reunir mais de 10 mil trabalhadores logo pela manhã na federação. Todos os sindicatos cutistas estão mobilizados para o protesto. O Sindicato dos Mecânicos participa do ato na capital Florianópólis com a presença de vários diretores, apoiando a luta contra a emenda que propõe a escravidão de volta aos trabalhadores.
A escolha do local é uma resposta ao apoio da Fiesp e da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) à parte do texto da lei de criação da Receita Federal do Brasil – a Super-Receita. A emenda proíbe fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego de cessarem relações entre pessoas jurídicas quando verificado de fato vínculo empregatício.
“Estamos convencidos de que, para garantia dos direitos dos trabalhadores, a emenda 3 tem de ser derrubada já no Congresso Nacional, em concordância com o veto do presidente Lula. A emenda pauta pontos de uma Reforma Trabalhista que não está em discussão neste momento”, afirma o presidente da CUT-SP, Edílson de Paula. A aprovação da emenda abre precedente para desaparecimento de direitos como 13º salário, férias e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
A CUT Nacional convoca as entidades filiadas para mobilizações, paralisações e panfletagens de rua nesta quarta-feira (23) em todo o país. A pauta das manifestações cresceu e, além de emenda 3, os sindicatos cutistas reivindicam a retirada de proposta de lei que limita as greves no setor público, Previdência Social pública e universal, reforma agrária e política, educação pública de qualidade e redução do superávit primário.
Este será o terceiro dia nacional de protestos, convocado por todas as centrais sindicais, contra a emenda 3. As primeiras ações foram realizadas nos dias 10 e 23 de abril. A CUT e seus sindicatos filiados, com a ajuda das entidades da Coordenação dos Movimentos Sociais, querem fazer das mobilizações da próxima quarta as mais aguerridas e amplas de todas as feitas até agora contra a emenda 3 e a favor do veto presidencial.
“Ainda temos tempo para trazer outros companheiros para os atos. Durante toda a terça-feira devemos realizar assembléias e reuniões nos locais de trabalho para garantir novas adesões”, afirma Artur Henrique, presidente da CUT. Na opinião dele, os grandes atos já programados, como o protesto que vai acontecer diante da Fiesp, devem estimular mobilizações menores entre os trabalhadores que não puderem comparecer, e jamais o contrário. “A luta é de todos, e não pode ficar restrita às grandes mobilizações”, afirma.
Além do combate à emenda 3, o movimento da próxima quarta também lutará por:
- retirada do PLP 001/07
- retirada de qualquer proposta que ataque o direito de greve do servidor público
- Previdência Social pública e universal, com inclusão dos trabalhadores que estão fora da cobertura do sistema e manutenção dos direitos atuais
- reforma agrária e política agrícola que valorize o trabalhador rural
- educação pública de qualidade
- redução do superávit primário e direcionamento de mais recursos para políticas públicas
Confira a seguir algumas das manifestações já confirmadas para o dia 23:
São Paulo - ato público diante da sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) a partir das 10h. Todas as categorias estão convocadas. A CUT espera reunir mais de 10 mil trabalhadores na manifestação.
Já às 11h, os trabalhadores públicos do Estado de São Paulo realizam sua concentração no vão livre do Masp. Além do combate à emenda 3, os servidores discutem também a possibilidade de greve para forçar abertura de negociações com o governo estadual – entre os temas, a perseguição do governo Serra contra organizações sindicais e o projeto de previdência estadual.
Petroleiros vão realizar paralisações em diferentes unidades, acompanhadas de atos públicos em rodovias. Em diversas cidades do interior haverá mobilizações e atos, organizados pelas subsedes da CUT-SP.
Rio de Janeiro - grande passeata, com início às 13h, saindo dos fundos da Igreja da Candelária. A passeata será pontuada por atos públicos e protestos diante do prédio da Caixa Econômica Federal, da Biblioteca Nacional e da sede da Justiça Federal, da Vale do Rio Doce e do prédio do Ministério da Fazenda. Em cada um dos atos, uma bandeira de luta será explicitada.
Brasília - milhares de trabalhadores rurais filiados à Contag e à Fetraf realizam grande mobilização nas ruas da cidade. Servidores públicos de diversos órgãos e ministérios realizam protestos e paralisações.
Paraíba - passeata na região central de João Pessoa. Concentração a partir das 9h diante da estação ferroviária. A passeata será pontuada por atos públicos diante da prefeitura, da câmara municipal e na Praça dos Três Poderes. Às 16h30, no parque Solon de Lucena, grande ato público.
Rio Grande do Sul - passeata na região central de Porto Alegre, com concentração às 7 horas em frente à Rodoviária.
Santa Catarina - concentração de manifestantes, a partir das 15h30, na praça Fernando Machado. Passeata em direção à praça XV, onde haverá ato público.
Paraná - a partir das 8h, concentração na praça Santos Andrade, em Curitiba. Às 9h30, início da passeata em direção à sede da DRT. Ato público. Logo após, a passeata recomeça, em direção à Boca Maldita, onde haverá novo ato público, a partir das 10h30. A mobilização se encerra com um ato de rua diante da sede da Associação Comercial do Paraná, a partir das 11h30.
Fonte: CUT, CNM CUT e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Empregada demitida ganha indenização por broche
A terceira turma do Tribunal Regional do Trabalho condenou a empresa M. S. Perfumaria Ltda a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais por ter mantido a funcionária E.R.C. durante três dias no estoque da loja, impedindo-a que trabalhasse e coagindo-a a pedir demissão.
A decisão da juíza relatora, Gisele Pereira Alexandrino (que adaptou o voto baseando-se na fundamentação da juíza revisora, Ligia Maria Teixeira Gouvêa), confirmou a sentença de 1º grau, proferida pela juíza Sonia Maria Ferreira Roberts, titular da 1ª Vara do Trabalho de Balneário Camboriú. O motivo do conflito: um broche de papel em forma de anjo.
A discórdia começou quando a autora da ação trabalhista recusou-se a usar o ícone em razão da religião que professa – Testemunhas de Jeová – não comemorar o Natal e não acreditar em imagens religiosas. O broche fazia parte da campanha natalina da empresa franqueadora (O Boticário) da ré, que dispensou a funcionária assim que ela comunicou a recusa.
O problema maior aconteceu quando E.R.C foi assinar sua rescisão contratual: no termo constava como se estivesse pedindo demissão. Mandada de volta à loja pela empregadora para acertar de vez sua situação, a funcionária manteve sua posição de não utilizar o broche e acabou sendo deslocada para o setor de estoque da perfumaria, onde foi proibida de trabalhar e recebeu advertências durante três dias. No quarto dia, assinou o pedido de demissão.
“A situação a que a autora foi submetida, sem dúvida, gerou uma violência psíquica à trabalhadora. Além de privada de seu direito ao trabalho, o deslocamento ocasionou humilhação e sentimento de inferioridade. Houve, sim, lesão a direito indisponível por ato comissivo e conduta abusiva da ré”, relatou a decisão de 2ª instância.
O juízo de 1ª instância destacou ainda outro aspecto: a prevalência do direito fundamental à liberdade de religião, garantido pela Constituição Federal, sobre o direito de mando ou direção do empregador. “A empresa não equivale a uma zona franca, segregada da sociedade, na qual, em nome do poder disciplinar, os direitos fundamentais do cidadão deixam de ser aplicados”, sustentou a sentença da juíza Sônia Roberts.
Fonte: TRT da 12ª Região
População pode comprar notebooks por R$ 1,2 mil
A partir de agora, a população poderá comprar computadores portáteis pelo programa Computador para Todos. Uma portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) publicada na segunda-feira (14/5) no Diário Oficial da União inclui os notebooks no programa. Antes, o programa de inclusão digital do governo federal só permitia a compra de computador de mesa, desktop.
A portaria traz ainda outras mudanças, como a diminuição do crédito oferecido à população para a compra do computador de mesa de R$ 1,4 mil para até R$ 1,2 mil. O financiamento é oferecido pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal com juros de 2% ao mês e pagamento em 24 meses, segundo informações do ministério. O financiamento dos notebooks poderá ser de até R$ 1,8 mil.
A portaria também traz a atualização das características mínimas dos equipamentos a serem financiados pelo programa. O Computador para Todos foi lançado em setembro de 2005 para permitir a inclusão digital de famílias de baixa renda.
Fonte: Ag. Brasil
Abertas as inscrições para os cursos do Cefet
O Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (CEFET) – Unidade Joinville, abriu inscrições para o teste seletivo de seus cursos. A partir de 14 até 31 de maio você pode se inscrever para os cursos de enfermagem, mecânica industrial e eletroeletrônica que são ministrados na Unidade Joinville. São 152 vagas em disputa para os cursos, que são totalmente gratuitos. O Cefet é uma instituição federal de ensino, uma grande e excelente oportunidade de qualificação para a categoria mecânica e seus dependentes.
Para se inscrever, o candidato deve ter concluído o ensino médio (segundo grau), ou concluí-lo até a data da matrícula. O valor da inscrição é de R$ 18, e o candidato deve preencher formulário via internet (www.cefetsc.edu.br) ou procurar a sede da unidade, que fica na rua Pavão, 1337, bairro Costa e Silva. A confirmação da inscrição deve ser feita também via internet nos dias 4, 5 e 6 de junho. As provas acontecem dia 12 de julho às 14:30 horas na sede Joinville. São considerados documentos de identidade a carteira de identidade emitida pela SSP, a carteira de identidade profissional, ou ainda a carteira de habilitação.
Mais informações você consegue via internet, endereço eletrônico acima, ou ainda via o telefone 0800-722.0250. Não perca essa grande oportunidade de conquistar uma profissão e o seu espaço no mundo do trabalho.
A unidade do CEFET Joinville foi inaugurada em agosto de 2006 pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e logo após já realizou o processo seletivo, cujos alunos que passaram estão estudando há seis meses. Um novo bloco está em construção para receber todos os laboratórios previstos. O CEFET é conhecida como uma escola técnica federal, existe há mais de 90 anos no Brasil, mas somente no governo do presidente Lula é que recebeu toda a atenção e recursos para sua expansão.
As verbas para que a unidade Joinville fosse realizada foram garantidas pela senadora Ideli Salvatti e deputado federal Carlito Merss. O terreno foi doado pela Prefeitura após a gestão do vereador Marquinhos Fernandes.
Déficit da Previdência é mito, informa a CUT
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) divulgou na última sexta-feira (11/5) dados preliminares de um estudo inédito que demonstra que a Previdência Social pública pode ganhar em superávit e ainda possibilitar a redução da carga tributária global sem que nenhum direito seja reduzido ou eliminado.
Os principais resultados do estudo foram apresentados pelo presidente da CUT, Artur Henrique, no dia 10 de maio, durante reunião do Fórum Nacional da Previdência, que aconteceu no 9º andar da sede do Ministério.
A fórmula para atingir o objetivo de alavancar a Previdência é incluir os trabalhadores que atualmente estão fora do sistema. O estudo comprova que a Previdência e a formalização dos trabalhadores, combinadas, alavancam o crescimento econômico, e não o contrário.
Os dados desmontam alguns mitos sobre a Previdência, como o de que o sistema é generoso demais ou de que os brasileiros se aposentam mais cedo que a média dos demais países. Logo a seguir, destacamos alguns pontos:
- o ingresso na Previdência de apenas 3% dos trabalhadores ocupados hoje na informalidade traria receitas adicionais da ordem de R$ 3 bilhões (ver tabela na lâmina 34 do arquivo em anexo);
- se o PIB tivesse crescido anualmente apenas 0,5% a mais no período entre 1995 e 2005, a receita de contribuição de empresas e trabalhadores teria crescido pelo menos 5% a mais (ver lâmina 30);
- caso o PIB houvesse aumentado anualmente 2,5% a mais no mesmo período, só a receita de contribuição de empresas e trabalhadores cobriria todas as despesas com aposentadorias e pensões (ver lâmina 30);
- em um cenário de crescimento como o apontado acima, o aumento das receitas permitiria que o Brasil pudesse eliminar ou reduzir tributos como a CPMF;
- a alegação de que o brasileiro em geral aposenta-se cedo é mentira. A idade média de aposentadoria no Brasil é de 60,8 anos – maior que na Argentina, Bélgica, China, Costa Rica, França e Itália, por exemplo (ver lâmina 19);
- se a Previdência Pública brasileira não existisse nos moldes preconizados pela Constituição de 1988, até 70% dos idosos brasileiros viveriam abaixo da linha da pobreza, com menos de US$ 2 ao dia (ver lâmina 8);
- o orçamento da Seguridade Social já é superavitário (ver lâmina 27).
Por esses e outros motivos, a CUT entende que a pirâmide etária brasileira (lâminas 32 e 33) representa uma oportunidade histórica para que o país inclua desde já no sistema previdenciário os trabalhadores que estão de fora, com o objetivo de garantir a viabilidade financeira do sistema e ampliar seu inegável papel de proteção e justiça social.
A Previdência Pública, na condição de poupança interna, pode ainda alavancar investimentos produtivos, diferentemente do que ocorre com recursos de fundos privados investidos na ciranda financeira.
Clique aqui para ler o estudo CUT-Previdência.
Fonte: Ag. CUT Notícias
Rebarbação: saúde do trabalhador é esquecida
Imagine você trabalhando em um local fechado, tomado por poeira de ferro, barulho ensurdecedor, sem ventilação adequada, e ainda quando algum cavaco ou cisco de ferro lhe ferir os olhos, você poder ir ao médico somente após o fim do expediente. E no final do mês, após sofrer tudo isso diariamente, receber menos que R$ 2 a hora. Isso acontece em Joinville em algumas empresas que atuam no setor de rebarbação, que é a atividade de acabamento em peças de ferro ou outro metal que são produzidas em indústrias da cidade.
Depois de prontas, as peças são enviadas por essas indústrias para suas terceirizadas para que se retire as rebarbas que sobram quando da retirada dos moldes. Ou seja, as grandes indústrias, até multinacionais, ficam apenas com a parte limpa do processo produtivo, transferindo o trabalho pesado, sujo e insalubre para as terceirizadas. As grandes multinacionais ganham então seus certificados de ISO – qualidade total – mas na verdade são e muito co-responsáveis por essa grave situação que afeta a saúde de centenas de trabalhadores.
Segundo o secretário geral do Sindicato, Evangelista dos Santos, vão ao médico por semana para ser atendidos entre cinco e seis trabalhadores e trabalhadoras. “As denúncias chocam pela insensibilidade com que os empresários do setor tratam a questão. Eles alegam que as pessoas que trabalham nisso são rejeitadas pela sociedade por não terem escolaridade, ou ainda por que passaram por algum problema com justiça, essas coisas. Ou seja, não são vistos como seres humanos”, protesta o Secretário.
Além das péssimas condições de trabalho, da ocorrência de vários acidentes de trabalho, vários deles não notificados, há ainda denúncias de não pagamento de insalubridade, pressão para que o trabalhador se demita ou faça acordos, assédio moral, falta de condições de uso de EPI (equipamentos de segurança), e o excesso de horas extras. “Eles chamam a gente de vagabundo, sem-vergonha”, desabafou um trabalhador que não quer se identificar por medo de perder o emprego.
O Sindicato está acionando o Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Secretaria de Saúde do Trabalhador e Cerest – Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, para que façam uma dura fiscalização nestas empresas para acabar com o abuso frequente à saúde dessas pessoas. “Não vamos permitir que isso continue assim. Queremos uma fiscalização dura por parte dos órgãos competentes porque com saúde não se brinca. E vamos pedir também que as grandes indústrias que empurraram o pepino para as terceirizadas sejam também responsabilizadas, pois se trata de peças que integram o produto final, que é montado em suas fábricas”, destaca o presidente João Bruggmann.
Câmara aprova novos direitos para mulheres
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou na última quinta-feira (10/5), quatro projetos de interesse das mulheres. Um está relacionado ao combate à exploração sexual, o outro garante às servidoras e empregadas dos setores público e privado a dispensa do trabalho para realizar exames preventivos anuais de saúde, e o outro obriga estabelecimentos comerciais a divulgarem que exploração sexual é crime.
O substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 1.542/91, do deputado Ricardo Izar (PTB/SP) aprovado na quinta (10/5) garante à mulher servidora ou empregada dos setores público e privado a dispensa do trabalho para a realização de exames preventivos anuais previstos em programas de atenção integral à mulher do Ministério da Saúde.
Entre os exames estão o de câncer de colo uterino, de ovário, de mama e de pulmão, Aids, osteoporose, endometriose e mortalidade materna. Para garantir a realização dos exames, o projeto determina o encaminhamento da servidora ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou a instituições privadas conveniadas com notificação (na qual deve constar o cumprimento da lei).
O texto garante ainda outros dias de dispensa caso necessário à retirada dos resultados dos exames e a outros procedimentos recomendados pelo serviço de saúde. A matéria seguirá agora à sanção presidencial.
Exploração sexual
Entre os aprovados, está o PL 4.852/05, que prevê o fechamento definitivo de hotéis e similares que hospedarem crianças ou adolescentes sem a autorização escrita dos pais.
Já o PL 4.851/05, da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Exploração Sexual, muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para especificar melhor as situações consideradas como crimes relacionados à produção e à divulgação de cenas de sexo explícito ou pornográficas envolvendo criança ou adolescente. Como houve mudanças, a matéria retorna ao Senado.
Outra proposta da CPMI, o PL 4.125/04 obriga a afixação de cartazes em estabelecimentos comerciais – hotéis, postos de gasolina, salões de beleza e casas noturnas, por exemplo – com o alerta de que a exploração sexual é crime.
Avanço
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), considerou um avanço a aprovação das propostas: “Elas produzem mudanças legislativas que visam a coibir a prática de crimes sexuais contra crianças e adolescentes”.
Integrante da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente e relatora de vários projetos relacionados ao combate à exploração sexual, a deputada Maria do Rosário (PT/RS) destaca a aprovação do PL 4.851/05.
“Votamos uma questão absolutamente nova, que é a possibilidade de identificar o agenciamento de crianças por salas de bate-papo na internet e que são agenciadas para exploração sexual, transformando isso em crime também.”
14.05.2007
Fontes: Obs. Social/DIAP/Agência CUT de Notícias
Assembléia Geral aprova 4,5% de aumento salarial
Reunidos em assembléia geral na tarde do último sábado – 5 de maio – os trabalhadores e trabalhadoras da categoria mecânica aprovaram a contraproposta patronal de 4,5% de aumento salarial. O aumento é válido desde o dia 1º de abril, data-base da categoria, e as empresas que não repassaram nenhum reajuste devem fazê-lo em folha complementar, ou ainda na folha do próximo mês.
Os pisos salariais também subiram. Para empresas com até 60 funcionários, o piso inicial ficou em R$ 403,00, sendo que após 180 dias o trabalhador passa a receber R$ 425,00. Para empresas com mais de 60 funcionários o piso vale R$ 544,00 na contratação. Todas as cláusulas já existentes continuam a valer, pois o patronal foi irredutível e não aceitou nenhuma nova cláusula social. Os pisos salariais da retífica foram aumentados em 5%, e os salários seguem o aprovado na indústria.
“Não é o ganho que queríamos, mas foi o possível de conseguir na luta de negociação com um sindicato patronal que não tem compromisso social com os trabalhadores, e ainda menospreza toda a categoria”, afirma o presidente João Bruggmann.
Foram nove rodadas de negociação até se chegar a esse acordo. O pedido inicial do Sindicato, aprovado pelos trabalhadores em assembléia geral no dia 3 de março foi de 7,30% de aumento, sendo quatro pontos percentuais de ganho real mais a inflação do período entre abril de 2006 e março de 2007, que foi de 3,30%.
A Convenção Coletiva 2007/2008 deve ser homologada pela Delegacia Regional do Trabalho em Florianópolis nos próximos dias. A partir da homologação, empresas e contadores poderão ter acesso no site pelo botão Convenções Coletivas. Para informações detalhadas ligue (47) 3433.1188.