Arquivo de fevereiro, 2008
GM busca abrir diálogo com Sindicato
A diretoria do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região recebeu na tarde desta quarta-feira (27) a visita de dois representantes da General Motors do Brasil para tratar de aspectos legais trabalhistas para a possível implantação da unidade em Joinville ou região.
Segundo o Gerente de Assessoria Legal Trabalhista da multinacional, Artur Bernardo Neto, o contato visou conhecer as formas dos acordos trabalhistas e a convenção coletiva da categoria. “Não queremos trazer um pacote pronto da região do ABC. Queremos compreender a realidade local para atuar corretamente em caso da instalação da empresa”, disse Artur. O advogado Pedro Sérgio Nabarrete, também da GM, participou da reunião.
O presidente do Sindicato, João Bruggmann, e o secretário Geral, Evangelista dos Santos, informaram aos representantes da GM as condições para acordos, sempre por meio de assembléias gerais, com voto secreto e todos os procedimentos legais. Entregaram também uma cópia da atual convenção coletiva da categoria. Joinville é a única cidade do país onde há um sindicato dos mecânicos, e outro dos metalúrgicos.
A GM, ao se instalar em Joinville pode escolher com qual sindicato negociar. Caso se instale em Araquari, a negociação é com o Sindicato dos Mecânicos, cuja base é regional.
“A natureza da produção da GM, fabricação de motores, se enquadra em nossa área. Creio que a vinda da empresa para a nossa região vai modernizar as relações de trabalho na cidade, que hoje ainda são arcaicas, distantes e com diálogo difícil. Também os salários devem melhorar o padrão. E os trabalhadores e trabalhadoras devem buscar ainda mais qualificação profissional. Enfim, será bom para toda a sociedade”, concluiu o presidente João Bruggmann.
A GM decide a cidade sede da fábrica em até duas semanas, segundo o gerente Artur Bernardo Neto. A partir dessa decisão, serão dois anos até que a produção inicie a todo vapor.
MTE muda horários de atendimento em Joinville (SC)
O Ministério do Trabalho e Emprego com sede em Joinville (SC), muda os horários de atendimento para alguns serviços aos segurados e população em geral a partir desta quarta-feira – 27 de fevereiro. Essas medidas visam diminuir as filas em frente ao órgão localizado na rua Abdon Batista, centro da cidade, permitindo maior qualidade no atendimento.
A emissão de carteiras de trabalho será realizada de segunda a sexta-feira, das 8:30 horas às 12:30 horas. Já o seguro-desemprego, Rais e Caged, serão atendidos das 13:30 às 17:00 horas. Recentemente o superintendente Regional do Ministério, Luiz Viegas, visitou a cidade e anunciou melhorias no atendimento, a construção da sede própria do órgão, bem como o convênio com a Caixa Econômica Federal para o recebimento e pagamento do seguro desemprego, que deve iniciar até o final de março.
Justiça cobra condições de trabalho na Sadia
A empresa de alimentos Sadia assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho no Paraná em que se compromete a melhorar o ambiente de trabalho em suas fábricas. O acordo vale para as unidades da empresa nas cidades de Todelo, Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos.
A Procuradora do Trabalho de Toledo, Cinthia Passari von Ammon, relata que o Ministério Público investigou por três anos denúncias de organizações civis sobre o grande número de trabalhadores que vinham sendo afastados por doenças ocupacionais. Os procuradores da região constataram que os problemas de saúde são gerados por esforço repetitivo, em decorrência da jornada de trabalho desgastante. No acordo firmado com a Justiça, a Sadia se compromete em melhorar a rotina do trabalhador.
“Vai ter que fazer alterações em relação à instituição de pausas, rodízios. Vai ter que apresentar uma análise ergonômica dos principais setores em que foi constatada a maior incidência desse tipo de afastamento para que sejam instituídas medidas concretas no melhoramento das condições de trabalho”, afirma.
A empresa tem 90 dias para apresentar ao Ministério Público um cronograma das ações, que será avaliado pela procuradora e por um médico do trabalho. A partir daí, a Sadia tem prazo de um ano para implementar as ações. Caso o acordo seja descumprido, a empresa terá que pagar multa de R$ 50 mil por cada cláusula, a ser revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
No entanto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Toledo, João Moacir Lopes Belino, alerta que as doenças ocupacionais não são um problema somente da Sadia, mas de todas as empresas do setor de frigorífico. Ele avalia que a velocidade da produção, ligada à redução de trabalhadores, faz com que a jornada seja pesada. Na linha de produção do frango, a fase mais crítica para o trabalhador, diz João Moacir, é a desossa, que na unidade da Sadia na cidade emprega cerca de 500 pessoas por turno.
“A linha de desossa do frango. É onde o trabalhador tem o trabalho mais repetitivo, em 8h48min diário numa temperatura entre 10º e 12ª graus. A linha em que o pessoal sofre mais hoje é com a linha de desossa, tanto de frango quanto de suíno”, afirma. Em nota, o diretor de Recursos Humanos e Gestão da Sadia, Eduardo Noronha, afirmou que a empresa já atua alinhada às demandas previstas no TAC. Ele também ressalta que a Sadia permanece aberta ao diálogo entre funcionários e entidades sindicais para aprimorar ainda mais as condições de trabalho.
A unidade da Sadia em Toledo emprega em torno de 8 mil trabalhadores. De acordo com o sindicato, 260 trabalhadores estão afastados, dos quais 80 são por doenças ocupacionais.
Fonte: Repórter Brasil
5º Seminário de Saúde do Trabalhador
O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da Macrorregião de Joinville - Cerest, está realizando o 5º Seminário de Saúde do Trabalhador na próxima quinta-feira – 28 de fevereiro – a partir das 18 horas, no Hotel Slavieiro - Avenida Dr. Albano Schulz (Beira Rio), 815, Centro de Joinville. O evento tem o apoio do Sindicato dos Mecânicos e debaterá a questão nova do “Nexo Técnico Epidemiológico”.
O credenciamento para o seminário inicia às 17:30 horas. A palestra sobre o tema será proferida pela médica especialista em Cardiologia, Medicina do Trabalho, Insalubridade, Periculosidade e Ergonomia Aplicada ao Trabalho, Dra. Maria Virgínia de Medeiros Eloy Sousa. Ela é perita médica do INSS há 24 anos e exerceu a função de Chefe da Divisão de Perícias na Diretoria de Benefícios do INSS em Brasília (DF). Atualmente é Chefe do Serviço de Gerenciamento de Benefícios por Incapacidade na Gerência Executiva de Vitória (ES).
Após a palestra, haverá espaço para perguntas e debate. Para mais informações ligue para (47) 3423.3716 ou (47) 3422.4149. A realização também conta com a participação do Governo Federal, Ministério da Saúde, SUS, Secretaria Municipal de Saúde.
Acidentes: fiscalização registra 157 mil ações
O número de acidentes analisados foi destaque, com 2.001 ações, uma alta em torno de 18% em relação a 2006. Mais de 19,5 milhões de trabalhadores foram alcançados em todo o país. A melhoria das condições de segurança e saúde dos locais de trabalho foi uma das prioridades do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no ano passado. Balanço divulgado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) revela que foram realizadas 157.376 ações fiscais entre janeiro e dezembro, alcançando mais de 19,5 milhões de trabalhadores em todo o país.
O número de acidentes analisados foi destaque neste período, com 2.001 ações, um incremento em torno de 18% em relação a 2006. Este tipo de investigação tem sido medida fundamental para sua prevenção, pois permite a identificação e correção destas situações. “O Ministério do Trabalho tem buscado aperfeiçoar seus processos de planejamento, execução e monitoramento das atividades da inspeção do trabalho. Os resultados obtidos em 2007 demonstram o trabalho realizado, com alcance das metas definidas para o ano”, relatou a diretora do departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE, Júnia Maria de Almeida Barreto.
O número de ações de fiscalização manteve-se no patamar estabelecido desde 2005 (ver tabela). Houve um aumento no número de ações rurais – prioridade do DSST – e em setores de risco, como a indústria da construção. “Notamos também um acréscimo no número de situações regularizadas sob ação fiscal, assim como no número de autuações, retratando uma ação mais eficaz da fiscalização em termos de correção de situações de risco”, relatou. Foram regularizadas 849.795 situações e autuadas 40.565 empresas em 2007.
A inspeção em segurança e saúde no trabalho é o principal instrumento para a redução de acidentes e doenças. Para tanto, são estabelecidas estratégias para o desenvolvimento de ações de fiscalização em setores econômicos com números elevados de acidentes e doenças.
Normas regulamentadoras
A regulamentação em segurança e saúde também apresentou avanços significativos em 2007. Quatro anexos de normas regulamentadoras (NRs), que abrangem um número expressivo de trabalhadores, foram publicados neste período. Os textos complementam as NRs que regulamentam as atividades de telemarketing/teleantendimento, checkout do comércio (caixa de pagamento), trabalho em plataforma aérea na indústria da construção e fabricação de fogos de artifício.
Os textos foram elaborados em um processo tripartite que envolveu representantes de trabalhadores, empregadores e governo. “Essas novas normas representam avanço expressivo, uma vez que tratam de setores econômicos de risco e que estão em crescimento no país”, relata Júnia.
Proteção individual
Outro destaque do ano ficou por conta do acordo firmado, em setembro, com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). A fim de melhorar os padrões de qualidade dos equipamentos de proteção individual (EPI) do trabalhador, a parceria prevê a implantação da certificação de EPI e de alguns tipos de máquinas.
Por meio do acordo, espera-se ter no mercado equipamentos previamente testados por especialistas, com qualidade comprovada às finalidades a que se destinam. “Teremos equipamentos e máquinas mais seguros que melhor protegerão o trabalhador quanto a riscos existentes em seu trabalho. Além disso, haverá uma fiscalização da fabricação e comercialização do material certificado, intensificando-se o controle hoje existente”, explicou Júnia.
Segurança
A inspeção em segurança e saúde no trabalho é o principal instrumento para a redução de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. As principais ações do MTE no segmento são a normatização e fiscalização – desenvolvidas pelo Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST) – e a pesquisa e difusão de conhecimentos, de responsabilidade da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), órgão de pesquisa ligado ao Ministério.
Fonte: Observatório Social
Centrais pedem manutenção da contribuição patronal
As centrais sindicais pediram nesta segunda-feira (25/2) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a proposta de reduzir a contribuição das empresas para a Previdência saia da reforma tributária, que será encaminhada ao Congresso Nacional na quinta-feira (28). Os sindicalistas alegam que a desoneração coloca em risco o pagamento de futuras aposentadorias.
Segundo os sindicalistas, o presidente Lula afirmou que a proposta não fará parte da reforma tributária e será discutida por mais tempo. O governo estudava incluir na reforma um mecanismo para reduzir o percentual pago pelos empregadores, que hoje é de 20%.
Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a redução da contribuição patronal significará uma perda de R$ 30 bilhões para os cofres da Previdência e o governo ainda não apresentou uma forma de repor essa arrecadação.
“Não concordamos de jeito nenhum. O presidente pediu para que o ministro Guido Mantega [Fazenda] reveja essa questão. Ficou definido que não irá para o Congresso junto com a reforma. Ele [presidente Lula] vai se reunir com os empresários e pontuar que essa questão precisa ser discutida com as centrais sindicais para encontrar uma fórmula de financiamento da Previdência”, disse, após participar de reunião com o presidente Lula e o ministro Mantega, no Palácio do Planalto.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, que também participou da reunião, alertou que o aumento da arrecadação e do emprego formal podem não ser necessários para compensar a desoneração da folha de pagamento.
“Desonerar a folha de salário não pode vir apenas como um risco que será compensado com o aumento da arrecadação e da formalização. É preciso acompanhar essa discussão com muita cautela, para que não se tenha um rombo nas receitas da Previdência. Não há garantia de que vai haver contratação de emprego formal”, disse.
“O ministro [Guido Mantega, da Fazenda] disse que a proposta de desoneração da folha não estará nessa proposta de emenda constitucional, mas seria colocada em uma proposta infraconstitucional, ou seja, mais tarde”, completou.
O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, indagou: “Se a Previdência já é deficitária, conforme argumentam economistas, como é possível reduzir a receita? Queremos saber qual será a contrapartida patronal. Ficamos inseguros.”
O ministro Guido Mantega e o presidente Lula concordaram em estudar mais a proposta, informou o Palácio do Planalto. Na quarta-feira (27), será a vez de os empresários opinarem sobre a reforma.
Fonte: Ag. Brasil, CUT
Mecânicos querem 10% de aumento nos salários
A Campanha Salarial dos Mecânicos para 2008/2009 iniciou oficialmente no sábado – 23 de fevereiro – com a realização da Assembléia Geral no auditório do Sindicato dos Mecânicos. Com boa presença de trabalhadoras e trabalhadoras, e com excelente participação na sugestão de reivindicações para a pauta de negociações com o sindicato patronal, inclusive com apresentação de denúncias de irregularidades nas empresas. Após a exposição sobre os índices inflacionários e as negociações em andamento por todo o estado, a assembléia deliberou por apresentar um pedido de aumento salarial de 10%.
A inflação acumulada no período entre abril de 2007 e março deste ano está prevista para ficar entre 5 e 5,5%. Para o presidente João Bruggmann, as negociações deste ano devem evoluir para um bom entendimento que dê ganhos reais compatíveis com os ganhos nos lucros das empresas do setor. “Creio que os empresários vão deixar de alegar, após vários anos de crescimento econômico e nos lucros, que estão quebrando e vão fechar as portas caso dêem aumentos aos trabalhadores. Não há como negar os ganhos expressivos com a economia em franco crescimento. E nós vamos ser intransigentes com a conquista de ganhos aos mecânicos”, declarou Bruggmann.
Piso salarial vergonhoso
Além da reivindicação financeira sobre os salários, a direção quer acabar com o que chama de “piso salarial vergonhoso” para a categoria. Hoje existem pisos diferenciados para empresas com até 60 funcionários e para acima deste número, e ainda com diferenciação para quem entra e depois é efetivado. Para as empresas com até 60 trabalhadores, o piso para quem inicia é de apenas R$ 403,00, elevando para R$ 425 após seis meses de dedicação à empresa.
“Esta é outra prioridade do Sindicato nesta campanha salarial, unificar o piso salarial para todas as empresas da categoria em R$ 650,00. O salário mínimo já tem uma política nacional permanente. Agora em março deve chegar a R$ 412,00 – ou seja – vamos ter um piso menor que o mínimo? Nós não podemos mais aceitar considerar trabalhadores de primeira e segunda categoria. Essa valorização desde o início da carreira tem de ser corrigida já”, avisa o presidente João Bruggmann.
Avançar nas cláusulas sociais
A assembléia aprovou também a inclusão de novas cláusulas sociais, campo onde o patronal nunca quer ceder por não querer valorizar os seus trabalhadores e trabalhadoras. São sete as novas reivindicações, além da manutenção das já existentes. Veja quais são:
- Auxílio Creche: pagamento de 20% sobre o piso da categoria para empresas que tenham trabalhadoras mães com filhos menores;
- PLR (Participação nos Lucros e Resultados): pagamento de participação nos lucros com base na lei existente, com criação de comissão específica para analisar e conceder:
- Vale Transporte: gratuidade para quem ganha até R$ 1 mil mensais, sem qualquer desconto;
- Horas Extras: pagamento de 100% já na primeira hora de trabalho extra, com 150% aos domingos e feriados;
- Pré Aposentadoria: já existente na convenção coletiva reconquistada em 2006. Ela é concedida aos trabalhadores que contarem com mais de 10 anos de trabalho na mesma empresa, e tiverem direito a aposentadoria integral. Sindicato quer redução para 5 anos de serviço na empresa;
- Liberação para cursos: liberação de cipeiros por dois dias/ano, sem prejuízo nos salários, para cursos promovidos pelo Sindicato;
- Substituição de trabalhador: trabalhador que substituir outro em outra função com maior remuneração deve passar a receber o mesmo que o titular após 15 dias. Hoje é somente após 30 dias de substituição.
A pauta de reivindicações já foi protocolada na tarde desta segunda-feira, 25 de fevereiro, junto ao patronal. O Sindicato dos Mecânicos aguarda o posicionamento do patronal sobre a primeira reunião de negociação, alertando que as reuniões devem acontecer no horário comercial.
A Convenção 158 vai frear a rotatividade
Atendendo reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro, e da CUT e suas entidades em particular, o presidente Lula enviou ao Congresso Nacional a proposta de ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que coíbe a demissão sem justa causa.
Ao proporcionar mais garantia e segurança ao trabalhador, a medida cria um novo ambiente nas relações de trabalho, uma vez que põe freio à alta rotatividade e ao arrocho salarial decorrentes da política de demissão imotivada seguida de contratação por salários menores.
Ao contrário do que setores da mídia e do empresariado vêm divulgando – para desinformar – a ratificação da 158 terá impacto positivo para o conjunto da economia, da mesma forma como a política de valorização do salário mínimo possibilitou ao país ter hoje um mercado interno fortalecido e menos sujeito a oscilações e crises vindas de fora.
Diferente do círculo vicioso da recessão, dos tempos neoliberais, temos hoje ampliada a nossa capacidade de geração de emprego e renda, maior consumo dentro do país e, portanto, maior independência em relação aos humores do mercado externo.
Governar é fazer opções. A 158 é o caminho do desenvolvimento com justiça social, com redistribuição de riqueza, com o reconhecimento do papel central do trabalho na economia. A quem esta Convenção ameaça? Aos partidários da terceirização fraudulenta, da rentabilidade e produtividade a qualquer preço; aqueles que, desprezando o ser humano, fazem pouco caso da fome e da miséria, que se acostumaram a ter na legião de desempregados um exército industrial de reserva para trabalhar a qualquer preço; aos que preferem atuar como senhores de escravos do que como empresários, que negociam, dialogam e ganham com o crescimento de todos.
Vamos aos dados. Em 2007, foram gerados 14,7 milhões de empregos formais com carteira assinada, enquanto mais de pouco mais de 13 milhões foram demitidos, deixando um saldo de admitidos positivo de 1,6 milhão. Ao mesmo tempo em que o Brasil bateu um recorde de formalização mais pessoas também foram demitidas.
Com este dispositivo traiçoeiro e anti-trabalhador, nos últimos dez anos, a taxa de rotatividade da mão-de-obra ficou em 25%, chegando a 30%, como no setor metalúrgico, evidenciando uma manobra para não repassar os ganhos das convenções coletivas, substituindo milhões de trabalhadores por outros com salários inferiores ou pelo piso. Conforme o Ministério do Trabalho, os admitidos na indústria em 2006 receberam remuneração 20% inferior aos que foram desligados no mesmo ano.
O mecanismo é tão simples quanto perverso. Em 2006, aponta estudo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), 559 mil metalúrgicos conseguiram trabalho, mas ao mesmo tempo 489 mil foram demitidos. É a lógica do menor custo, para a “firma”, e nada tem a ver com o país que queremos construir. A projeção da CNM/CUT é que com isto o governo federal terá de desembolsar algo em torno de R$ 13 bilhões para atender por meio do seguro desemprego esses trabalhadores, que serão demitidos sem justa causa e com mais de 6 meses de trabalho.
Uma das formas utilizadas pela direita e sua mídia para camuflar o embate que chega ao Congresso Nacional é a publicação de meias verdades e inteiras mentiras, chantageando parlamentares e manipulando leitores para criar um caldo de cultura pela não-aprovação da Convenção.
Do ponto de vista dos trabalhadores, a verdade é, portanto, uma poderosa arma, que precisamos multiplicar. Vamos aos fatos: entre os motivos previstos pela Convenção 158 que não podem ser usados como causa para demissão justificada encontram-se a raça, a cor, estado civil, responsabilidades familiares, gravidez, religião, opiniões públicas, ascendência nacional ou origem social; ausência ao trabalho durante a licença-maternidade filiação ao sindicato ou participação em atividades sindicais fora das horas de trabalho, ou com o consentimento do empregador durante a jornada laboral; ser candidato ou representante dos trabalhadores, ou ter atuado nesta área; apresentar queixa, ou participar de um procedimento contra o empregador por supostas violações de direito, ou ainda recorrer perante autoridades administrativas competentes; ausência corporal por motivo de doença ou lesão devidamente atestada por profissional médico. A Convenção prevê, ainda, que demissões motivadas pelo desempenho ou comportamento não podem ser consumadas sem antes dar oportunidade de se defender das acusações.
Pela justeza do exposto acima, o Brasil chegou a ratificar essa convenção em 1995 mas, um ano depois, ela foi denunciada pelo governo FHC com o argumento de que seria “inconstitucional”. Naqueles tempos, de triste memória, em que trincheira estavam os que hoje nos atacam? Agredindo direitos, promovendo desregulamentações, privatizações, precarizações e outros abusos. Foram disputados na disputa de projeto, onde reafirmamos a necessidade de uma agenda positiva, de desenvolvimento com justiça social, de virar a página do atraso. Com unidade, mobilização e consciência, venceremos novamente.
* Quintino Severo é Secretário Geral da CUT Nacional
Auditório ganha painel com fotos históricas
Desde 1959, portanto há quase meio século, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região vem defendendo os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da categoria, com belas histórias de luta, mobilização e resistência há vários ataques registrados para inibir a força dos mecânicos. Ao longo destes anos, se produziu um material rico em imagens e documentos que pouco a pouco vão ganhando vida nova.
Uma das novas ações da direção foi mandar produzir um grande painel histórico composto de várias fotos de manifestações em Brasília, na cidade, mobilizações de greve, assembléias gerais, e também atividades desenvolvidas pelo Sindicato nos esportes e em frente às fábricas. O resultado pôde ser visto pelos companheiros e companheiras no sábado – 23/2 – na assembléia geral: um painel de lona com nove metros de comprimento por 2,85 metros de altura.
A aprovação foi geral. Muitos se lembraram dos seus tempos de ação sindical, dos tempos em que as assembléias se realizavam ao ar livre de tantas pessoas que se reuniam para discutir as lutas salariais, as conquistas sociais, a luta contra a ditadura, e tantos outros temas importantes. Fotos como a da mobilização pela Busscar estão expostas no painel, o que motivou alguns comentários sobre como os trabalhadores, quando unidos, podem conseguir os seus objetivos.
“Nossa meta é cada vez mais valorizar a história deste Sindicato que representa uma categoria tão expressiva de Joinville e região. Não é fácil fazer a história, e tampouco mantê-la viva na memória de todos. Com o painel avançamos um pouco mais nesa direção”, destacou o presidente João Bruggmann. Quem quiser conhecer o painel histórico basta visitar a sede central do Sindicato – rua Luiz Niemeyer, 184 – Centro de Joinville (SC).
Câncer de mama: nova tecnologia no diagnóstico
A fonte de luz síncrotron, acelerador de partículas que produz feixes intensos de raios-X, ultravioleta e infravermelho usados para estudos de materiais em níveis atômicos, moleculares e arranjos moleculares, se revela como uma ferramenta importante para investigação de novas técnicas a serem aplicadas no estudo do câncer de mama.
É o que revela o estudo “Análise de tecido mamário normal e neoplásico por espalhamento de raios-X a baixo ângulo”, da Universidade de São Paulo (USP) – campus de Ribeirão Preto -, realizado no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do Ministério da Ciência e Tecnologia. O trabalho será apresentado na 18ª Reunião Anual dos Usuários do LNLS, que ocorre nos dias 18 e 19 de fevereiro, no campus do Laboratório, em Campinas (SP).
A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), mostra que o uso da técnica de espalhamento de raios–X a baixo ângulo, do inglês Small Angle X-Ray Scattering (SAXS), permite identificar diferenças estruturais entre os tecidos mamários normais e neoplásicos (benignos e malignos), o que poderá auxiliar em um possível diagnóstico, bem como para um prognóstico do desenvolvimento de um tumor.
“O principal objetivo desta pesquisa é auxiliar no diagnóstico do câncer de mama, eliminando a subjetividade decorrente da biópsia tradicional. Além disso, futuramente esperamos adequar esta técnica para utilização conjunta à mamografia, criando assim, uma nova ferramenta de diagnóstico para atender a população em geral”, afirma André Luiz Coelho Conceição, pesquisador da USP-Ribeirão Preto, responsável pelo estudo.
O câncer de mama é o segundo tipo de câncer de maior incidência no mundo perdendo apenas para o de pulmão. Segundo projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 49,4mil casos devem surgir no Brasil entre 2008 e 2009. Assim como em outras formas de tumores, as chances de cura chegam a 100% se a doença for diagnosticada e tratada precocemente.
Fonte: Portal do Governo Brasileiro