CUT: 25 anos como referência dos trabalhadores no Brasil*

Publicado por Administrador 26 agosto, 2008 Imprimir

Com muito orgulho pelas conquistas e com muitas lutas em construção, chegamos à marca de vinte e cinco anos de batalha em torno da organização dos trabalhadores. A maior central sindical da América Latina alcança essa idade histórica, marcada por momentos que permeiam a lembrança de quem lutou e luta pelo Brasil dos trabalhadores. Fecho os olhos e vejo camisas vermelhas, balões vermelhos, bonés vermelhos e as três letras imponentes vermelhas – CUT, que são sinônimos de esperança e garra, sendo empunhadas em bandeiras mil pelas mãos de pessoas das mais diferentes idades, origens, cores, sexos, atividades, classes sociais em busca da afirmação e da ampliação dos direitos de um país marcado pelo constante conflito das relações de trabalho. Independentemente da ligação com o movimento sindical, essas imagens emocionam e contam importantes capítulos da saga contemporânea do Brasil.

A CUT nasceu como instrumento de luta para organizar os trabalhadores e mudar um cenário de repressão causado por longos anos de ditadura. Definitivamente, o nascimento da central foi decisivo para a redemocratização do Brasil e a redefinição de suas políticas. Atendendo as necessidades dos brasileiros, ela já nasceu plural em suas lutas. Em 1983, depois de alguns anos de movimento pró-CUT, a entidade foi criada em meio à pauta de combater às políticas econômica e salarial do governo, contra o desemprego, pela reforma agrária, em defesa da liberdade e autonomia sindical, com o fim das intervenções nos sindicatos. Esse caráter de pluralidade é presente até hoje, de modo que a Central, como agente político, popular e coletivo, defende os interesses imediatos e históricos dos trabalhadores e da sociedade.  

Os últimos vinte e cinco anos da história dos trabalhadores se confundem com a trajetória da CUT. Recordo-me da marcha à Brasília por Diretas Já, em outubro de 1984. Anos depois, em 1988, da Campanha Nacional de Recomposição das Perdas Salariais. Um pouco mais à frente, da Jornada de Abril contra o presidente Collor e em defesa do serviço público, em 1991. Já em outubro do ano seguinte, da campanha pelo impeachment de Collor, ingressando no Movimento pela Ética na Política. Já no final de 1993, do Movimento Nacional contra a Reforma Constitucional. Em 1994, a Jornada de Luta Contra as Privatizações do Governo FHC foi o início de um longo período de lutas. Em 1997, a campanha Reage Brasil foi uma resposta às políticas neoliberais de FHC. A Marcha dos 100 mil sobre Brasília, em 1999, mostrando que o governo precisava mudar foi um dos momentos inesquecíveis da história do movimento sindical. Em 2001, o povo voltou às ruas em uma grande Marcha Contra a Corrupção e pelo Reajuste Salarial dos Servidores Públicos.  

Mesmo após a eleição do presidente Luís Inácio da Silva, em 2002, a CUT continuou sua política de independência em relação ao governo. No primeiro ano de mandato de Lula, a luta contra a Reforma da Previdência pautou nossas caminhadas. Em 2007, vivemos Dias de Luta pelo fortalecimento do serviço público e contra o arrocho salarial. E agora, em 2008, fortalecemos o nosso desejo pela redução da Jornada de Trabalho e pela ratificação da Convenção 151, que garante a negociação coletiva para o setor público. 

Como se pode observar, nas últimas décadas, os trabalhadores puderam comungar da força dessa entidade, comemorando avanços importantes, como questões de carreira e salário. Por inúmeras vezes, somei-me às caravanas, passeatas, dias de luta, jornadas e outros atos organizados pela CUT carregando a bandeira de luta dos servidores públicos do Judiciário e do Ministério Público, categoria a qual represento, ou dos trabalhadores de modo geral. A Fenajufe e o Sindjus/DF, entidades em que exerço o papel de coordenador-geral, comemoraram relevantes conquistas nestes anos de filiação a Central Única dos Trabalhadores. Afinal, a CUT fortalece e legitima as batalhas cotidianas em prol de melhores condições de trabalho e maior qualidade de vida para a classe trabalhadora.  

Para alegria do movimento sindical, o presente de aniversário da Central Única dos Trabalhadores chegou de forma antecipada com a regulamentação das centrais sindicais brasileiras, aprovado pelo Congresso em março de 2008. Tendo reconhecida juridicamente sua legitimidade, a CUT se fortalece a partir de uma maior autonomia e do direito de representar os trabalhadores na Justiça. Essa é uma conquista fundamental para os trabalhadores que vivem em um país onde o trabalho e o capital travam um conflito antagônico. Não podemos deixar o capital destruir os regulamentos de proteção social e minar o poder de representação dos sindicatos. Por isso, é fundamental intensificar a organização dos trabalhadores, desde os locais de trabalho até os processos de negociação coletiva.

São muitas as conquistas, mas ainda há muita luta pela frente rumo a uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais igualitária que tanto almejamos. Aos 25 anos, a CUT tem muitos desafios pela frente. Valendo-se do amadurecimento obtido ao longo do tempo e das batalhas, temos consciência de que é necessário alimentar a busca pela valorização do trabalho e do trabalhador, a ampliação dos direitos e o fortalecimento da nossa organização no intuito de promover a democratização da vida sindical de cada trabalhador. Parabéns CUT, pelo aniversário. Parabéns, trabalhador, por fazer parte desta central de lutas e sonhos coletivos.

* Por: Roberto Policarpo é coordenador-geral da Fenajufe e do Sindjus/DF, publicado no Site da CUT Nacional 

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