Arquivo de março, 2009
Ampliação do seguro-desemprego já está no Diário Oficial
O Diário Oficial da União traz publicada hoje (31) a norma que estende por mais dois meses o pagamento de parcelas do seguro-desemprego. De acordo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao anunciar a medida na última semana, pessoas que perderam o emprego em 42 setores – entre eles, os das indústrias têxtil, metalúrgica e mecânica – passarão a ter o benefício a partir de amanhã (1º).
De acordo com a Resolução n.º 595, do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), o benefício será ampliado para os empregados que foram dispensados em dezembro de 2008. O valor a ser recebido varia entre R$ 465 (valor do salário mínimo) e R$ 870,01. O ministério estima que o gasto será de R$ 126 milhões.
Fonte: Ag. Brasil
Contribuinte individual: Previdência amplia atendimento eletrônico
A partir desta quinta-feira (2), os contribuintes individuais poderão fazer o agendamento eletrônico de serviços previdenciários que atualmente só podem ser agendados pessoalmente em uma Agência da Previdência Social (APS). A partir do dia 2, será possível telefonar para a Central 135 ou acessar a internet para agendar o acerto da atividade exercida ou da inscrição, de dados cadastrais, de recolhimento, de vínculos e remunerações, além do cadastro de senha para acesso às informações na base de dados da Previdência.
A ampliação do leque de serviços que podem ser agendados eletronicamente é uma medida que não apenas gera mais comodidade aos segurados, como também melhora a gestão do atendimento do INSS. Isto porque facilita ao gestor conhecer melhor o serviço que será atendido na APS. Pela internet (www.previdencia.gov.br), basta solicitar seu atendimento na Agência Virtual do Segurado. Pela Central 135, tecle a opção um (falar diretamente com o atendente).
Perfil – Os contribuintes individuais representam 16,3% dos 51,2 milhões de segurados da Previdência Social (um total de 8,3 milhões de pessoas). Estão nesta categoria os que trabalham por conta própria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vínculo empregatício.
São considerados contribuintes individuais, entre outros, os sacerdotes, os diretores que recebem remuneração decorrente de atividade em empresa urbana ou rural, os síndicos remunerados, os motoristas de táxi, os vendedores ambulantes, as diaristas, os pintores, os eletricistas, os associados de cooperativas de trabalho e outros.
Disponibilidade – Assim como as demais categorias de segurados, os contribuintes individuais podem, pela Central 135 e a Internet, fazer o agendamento de perícias médicas; agendar o requerimento de benefícios e a emissão da Certidão de Tempo de Contribuição (CTC). Por meio do telefone, também podem inscrever-se na Previdência Social; autorizar o débito em conta do recolhimento ao INSS; solicitar a análise ou cálculo de contribuições em atraso ou solicitar a Declaração de Regularidade de situação de contribuinte.
Já a restituição de valores pagos indevidamente é de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão ao qual o contribuinte deve se dirigir para fazer a solicitação. Informações no site www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/restituicao.htm.
Fonte: Previdência Social
Perícia técnica não pode ser suprida por laudo do empregador
A necessidade de prova pericial técnica, para aferição de condições insalubres de trabalho, não deve ser suprida por outros documentos, ainda que estes comprovem situações que firmem convencimento. Essa é a decisão da Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao conhecer e prover recurso de revista da Abbot Laboratórios do Brasil Ltda., por entender não ser permitido ao juiz da segunda instância dispensar a confecção da perícia oficial para aferição das condições de trabalho, ainda que convencido por outras provas.A Segunda Turma do TST, em voto do ministro Renato de Lacerda Paiva, acolheu recurso em que a Abbot questionou entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ). O TRT/RJ entendera que os documentos referentes aos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRAs), elaborados por iniciativa do próprio laboratório, supririam a necessidade das perícias técnicas para averiguação de insalubridade e o consequente pagamento de adicional.
Trata-se de uma reclamação trabalhista em que a funcionária requer pagamento do adicional com base em laudos internos da empresa que comprovariam a exposição a níveis de ruído acima do tolerado, podendo até causar redução da audição. O laboratório, por sua vez, comprovou a entrega de protetores auriculares aos seus empregados. Estes, no entanto, eram de caráter genérico, e não do modelo e potencial específicos recomendados nos PPRAs.
Nesse contexto, o relator do recurso entendeu que a necessidade de prova pericial, nos moldes do artigo 195 da CLT, não pode ser substituída por documentos confeccionados pelo próprio empregador, no caso o laboratório. Assim, determinou o retorno dos autos à Vara de origem para a reabertura da instrução processual, a fim de que se realize a perícia nos moldes oficiais e prossiga-se no julgamento da causa. A decisão foi unânime, acompanhada pelos demais ministros.
Fonte: TST
Sindicato processa devedores por apropriação indébita
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região oferece aos seus associados e dependentes toda uma estrutura física de atendimento médico, odontológico e de lazer, com preços subsidiados, além de oferecer uma enorme gama de convênios médicos, odontológicos, psicológicos, laboratoriais, clínicas e muito mais. O sistema utilizado é o de desconto em folha de pagamento, onde o valor gasto por cada associado ou dependentes é retido pela empresa, que posteriormente repassa ao Sindicato os valores para que a entidade pague os compromissos assumidos em seu nome.
Infelizmente, algumas empresas cultivam a prática de descontar o valor de seus funcionários, mas não repassar ao Sindicato, o que caracteriza apropriação indébita, como nos casos em que a empresa desconta o INSS ou Imposto de Renda de seus funcionários mas não paga os órgãos públicos, causando sérios problemas na hora da aposentadoria ou mesmo em casos de afastamento do trabalho. Após tentar exaustivamente receber os valores devidos por empresas costumeiramente inadimplentes, a diretoria do Sindicato resolveu radicalizar: vai processar as empresas devedoras por apropriação indébita dos valores descontados de seus funcionários pelos convênios utilizados.
Segundo o presidente João Bruggmann, os maus pagadores serão processados, e a partir daí, não haverá negociação de retirada de processo ou o que seja. “Quem tem débitos com o Sindicato, que venha urgentemente quitá-los conosco, porque após darmos entrada na Justiça, não voltaremos atrás. É uma vergonha que pessoas que se dizem empresários façam um ato tão ilegal como esse de se apropriar do que não é seu. Precisamos manter a atenção aos associados, e esse dinheiro não é nosso, é para pagar fornecedores dos serviços. Vamos cobrar prá valer”, disparou Bruggmann.
As empresas devedores terão seu nome divulgado no site e outros meios de comunicação do Sindicato assim que os processos forem protocolados na Justiça.
1964: O golpe contra a classe trabalhadora
O golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e instalou uma ditadura no Brasil completa 45 anos nesta terça-feira. A maior parte das matérias jornalísticas que lembra a data costuma destacar a violenta restrição das liberdades públicas e políticas que marcaram o movimento.
Nos textos que publica a partir desta terça-feira, a Tribuna Metalúrgica procura mostrar um aspecto pouco lembrado do golpe: os trabalhadores também estão entre as primeiras vítimas da ditadura.
Os militares usaram a violência para esmagar a organização da classe operária e dos camponeses e impor a implantação de uma nova fase do desenvolvimento do capitalismo no Brasil, baseada na superexploração da mão de obra.
A partir de abril de 1964, a classe operária e os camponeses voltaram a ser tratados como caso de polícia. A intervenção do governo nos sindicatos e a repressão a qualquer manifestação de oposição ao regime eram parte dessa estratégia.
Jânio Quadros, o início da tragédia
A renúncia de Jânio Quadros a Presidência da República, em 25 de agosto de 1961, acelerou as engrenagens do mecanismo que, menos de três anos depois, promoveria o golpe de Estado que derrubou o seu sucessor, o presidente João Goulart.
Ex-professor secundário, Jânio teve uma carreira meteórica na política paulista, elegendo-se sucessivamente vereador, prefeito e governador de São Paulo. Chegou em Brasília com um discurso de falso moralista que, na verdade, ocultava um governo conservador.
Suas primeiras orientações econômicas tiveram caráter recessivo. Promoveu o corte de investimentos públicos, a restrição do elitescrédito, a desvalorização da moeda e o incentivo às exportações. As medidas tinham endereço certo, pois agradavam os setores empresariais que apoiaram sua candidatura. Por outro lado, prejudicariam a classe trabalhadora, pois provocavam o aumento do desemprego, carestia, arrocho salarial etc.
No plano administrativo, Jânio procurou centralizar ainda mais o poder através da adoção de uma mecânica de decisões que diminuía o poder do Congresso Nacional e ampliava a esfera de competência da Presidência da República.
A renúncia
Setores políticos da situação e oposição perceberam a intenção de um golpe de Estado nas movimentações do presidente. Tudo foi aparentemente interrompido no dia 25 de agosto, quando Jânio mandou uma mensagem ao Congresso Nacional anunciando sua renúncia ao mandato.
Durante muitos anos especulou-se sobre os reais motivos que levaram o presidente a abandonar o cargo. Em 1996, Jânio John Quadros, seu neto e secretário-particular, publicou um livro que trazia a confissão do ex-presidente sobre os motivos da renúncia, feita no quarto de hospital onde passou seus últimos dias.
A renúncia foi uma estratégia política que não deu resultado. Jânio esperava que o povo, seguido pelos militares, não aceitasse a sua renúncia e o reconduzisse ao cargo, o que não aconteceu.
Debate e exposição de fotos na Sede
Com o debate Ditadura nunca mais e com a exposição de fotos Direito à memória e à verdade – A ditadura no Brasil, o Sindicato quer lembrar de forma crítica os 45 anos do golpe.
Para o debate estão convidados o deputado federal José Genoíno, que lutou na Guerrilha do Araguaia, o ex-sindicalista ferroviário Raphael Martinelli, e o procurador da República Marlon Alberto Weichert, que move ação contra o coronel Brilhante Ustra por crime de tortura.
O debate acontece a partir das 18h da sexta-feira, dia 3, na Sede do Sindicato, quando a exposição será aberta. Algumas das mais marcantes cenas dos 21 anos de repressão que dominaram o País entre 1964 a 1985 podem ser revistas na exposição, montada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos.
Para o ministro Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos, a exposição fotográfica é mais uma forma de saber o que aconteceu nesse período da vida brasileira. “São registros de uma passado marcado pela violência e por violações de direitos humanos. Só de posse desse conhecimento o País saberá construir instrumentos eficazes para garantir que esse passado não se repita nunca mais”, disse.
Fonte: Sindicato do ABC
PAC antecipou a crise e protegeu o Brasil, diz Paul Singer
O secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paul Singer, aponta dois fatores cruciais para o Brasil não estar sofrendo o mesmo impacto da crise mundial que enfrentam, hoje, os Estados Unidos e a Europa, por exemplo. Para ele, o fato de cerca de 50% dos bancos brasileiros serem públicos tornou o país menos suscetível às operações financeiras especuladoras de alto risco. Mas o principal, na opinião do secretário, foi a adoção, pelo governo federal, de políticas anti-cíclicas antecipadas. “O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) foi lançado há dois anos. Trata-se de uma política vigorosa de investimentos determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países”, afirmou Singer, durante o seminário “Alternativas à crise: por uma economia social e ecologicamente responsável”, realizado nesta sexta-feira, 27 de março, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Confira a entrevista:
Como e com qual intensidade a crise mundial pode afetar os programas sociais do governo Lula?
Eu diria que, se a gente atingir uma realidade de forte queda da economia, poderia haver cortes de recursos para esses programas. É possível, mas eu, sinceramente, não prevejo essa possibilidade. O Brasil se antecipou á crise. O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) foi lançado há dois anos. Trata-se de uma política vigorosa de investimentos determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países.
O senhor crê, portanto, que a crise não afetará o Brasil como está afetando os Estados Unidos e a Europa?
Creio que não. Além do PAC, que o Obama (Barak, presidente dos Estados Unidos) está tentando fazer ao seu modo, agora, o Brasil, graças a Deus tem a sorte de ter cerca de 50% dos seus bancos públicos. São bancos que priorizam o investimento e os empréstimos para fazer crescer a economia real – e não a especulação pura e simples. Por tudo isso, a crise é menos violenta do que em outros países. Porque é incompatível que você tenha, como nos bancos privados, um sistema bancário que só tenha como objetivo lucrar o máximo.
Para os setores mais fragilizados da sociedade, quais os efeitos mais nocivos da crise mundial – e como superá-los?
Sem dúvida, é o aumento do desemprego e a queda nos investimentos. Atualmente, o país não está em decréscimo, mas acabou o ritmo de crescimento que vinha tendo nos últimos anos. Entre 2003 e 2008, reduzimos 50% do desemprego, mas agora haverá um recuo nisso. Um exemplo de como superar esses problemas é o programa de habitação anunciado pelo governo federal recentemente, que projeta a geração de pelo menos 2 milhões de empregos diretos.
De que forma o governo Lula pode estimular, ainda mais, a economia solidária? O que falta para que ela seja efetiva e eficiente?
Falta muita coisa. Por exemplo: permitir que cooperativas de gente pobre participem do Super Simples, que corta aproximadamente 90% da carga tributária. Porém, muitas pessoas têm a impressão de que o governo federal não se esforça para isso, o que não é verdade. Há uma parte do governo lutando constantemente por essas mudanças e, junto conosco, órgãos como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Durante palestra no seminário realizado pela PUC, Plínio de Arruda Sampaio, do PSol, afirmou que não existe transformação social no país. O senhor concorda?
Não, não concordo. Para mim, está havendo, sim, uma grande transformação social no Brasil. É meio invisível, pois a maior parte das pessoas não sabe. Mas essa transformação está acontecendo e é muito encorajadora. Muitos dizem que ela só será percebida dentro de dez ou 15 anos. Eu acho que não vai demorar tanto assim.
Fonte: Revista Fórum
Pressionados, trabalhadores ficam mais sujeitos a acidentes
Muitas empresas do ABCD que optaram por reduzir o quadro de profissionais como solução para a queda na produção, motivada pelos impactos da crise financeira mundial no País, estão enfrentando outro problema. É o clima de insegurança que afeta, principalmente, trabalhadores da cadeia do setor automobilístico, um dos mais afetados.
“Já vi amigo meu chorando no banheiro com medo de ser demitido. A gente trabalha sem saber se vai voltar amanhã”, contou o montador M. da Autometal, que não quis se identificar.
Depois da demissão de 30 funcionários em janeiro o clima na fábrica piorou. “A precupação mexia com a cabeça dos trabalhadores. Eles não se alimentavam bem e tinham até insônia”, conta o diretor do CSE (Comitê Sindical de Empresa) da Autometal, Marcos Augusto Nunes de Oliveira, o Bigode.
O caso da Autometal não é isolado e as notícias da conjuntura econômica ao redor do mundo potencializam a aversão ao fantasma do desemprego. O psicólogo do trabalho, Bernardo Svartmam, explica que o impacto sobre a saúde das pessoas é muito grande numa situação de crise. “A ameaça de perder o emprego desestrutura o projeto de vida da pessoa. Aumenta muito o nível de stress, distúrbio do sono, ansiedade e até depressão.”
Acidentes
Na semana passada a unidade de Santo André da TRW anunciou a demissão de 55 trabalhadores. O anúncio deixou apreensivos outros 600 profissionais.
Outra fábrica da TRW, em Diadema, passou recentemente por experiência semelhante após anúncio de 86 demissões. O coordenador da regional do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na cidade, José David Lima Carvalho, afirma que junto com o anúncio veio a queda na produtividade dos trabalhadores. “Além disso, o índice de pequenos acidentes aumentou”, aponta.
Durante o ano de 2007, foram registrados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cerca de 653,1 mil acidentes de trabalho no Brasil. Se comparado com 2006, o número de acidentes aumentou 27,5%. O médico do trabalho, Théo Oliveira, que atua no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, diz que os problemas psicológicos não afetam significativamente o setor, mas há dificuldades, especialmente quando o lançamento de um produto não atende à expectativa de vendas, situação fora do controle dos trabalhadores. “Isso tem trazido um aumento do estresse e outras preocupações. Por isso aumentou o uso de calmante e uso de antidepressivos por causa do nervosismo.”
Fonte: ABCD Maior
Manifestação vai marcar o Dia Mundial da Saúde em Joinville
A CUT de Santa Catarina e a Federação dos Metalúrgicos da CUT/SC, sindicatos e trabalhadores realizam uma manifestação em favor da saúde do trabalhador no dia 7 de abril, a partir das 15 horas na Praça da Bandeira, centro de Joinville. Segundo Liliana Piski, da CUT, o evento visa chamar a atenção para o grande número de acidentes de trabalho que afastam trabalhadores da vida produtiva, e pior, não recebem a devida atenção do INSS nos casos.
“É preciso que esses órgãos olhem para essas pessoas como seres humanos e não máquinas. E ao mesmo tempo, façam um diagnóstico das ocorrências e fiscalizem as empresas para evitar que pessoas tenham de parar de trabalhar por conta de acidentes que poderiam ser evitados”, revelou Liliana. O presidente do Sindicato dos Mecânicos, João Bruggmann, concorda e ressalta a necessidade da prevenção.
“Chega a ser inacreditável o número de ocorrências de acidentes de trabalho em Joinville e região. E a fiscalização não age como deveria. Prevenir é muito mais inteligente, mas as empresas não buscam melhorar as condições de trabalho, e os órgãos que deveriam fiscalizar, não fiscalizam adequadamente. Queremos mudar essa situação”, destacou Bruggmann. Após o ato na Praça da Bandeira, os sindicalistas e trabalhadores seguem em caminhada até a sede do INSS e Ministério do Trabalho para protocolar um documento que cobra melhorias urgentes.
Centrais nas ruas contras as demissões e a crise
Contra a crise e as demissões, mais de 30 mil manifestantes marcharam durante três horas pelo centro da capital paulista até o Teatro Municipal, onde foi feito o grande ato de encerramento com as principais lideranças das centrais sindicais e dos movimentos sociais. Desde a concentração pela manhã em frente à Fiesp, na avenida Paulista, passando pelos atos realizados em frente à sede do Banco Central e da Caixa Econômica Federal, o colorido das bandeiras das dezenas de entidades falou mais alto, deixando claro que os trabalhadores não vão pagar pela crise do capital financeiro internacional.
Faixas e cartazes reproduziam as reivindicações, recebendo o apoio da população desde os ônibus, nos prédios e nas calçadas: “não às demissões; redução dos juros; redução da jornada sem redução de salários e direitos; reforma agrária, já; por saúde, educação e moradia; em defesa dos servidores públicos”. Apesar da seriedade das propostas, os manifestantes esbanjavam bom humor. Havia de tudo: a guilhotina do desemprego com o seu carrasco paramentado, o Tio Sam preso numa jaula pedindo esmola, o Tio Sam solto suplicando a operários que paguem pela crise, grupos de estudantes batucando por mais investimentos na educação pública, aviões da Embraer ganhando os céus com a retomada do controle público da empresa, mulheres desfilando com lenços árabes – simbolizando o dia da terra palestina, comemorado na data, contra a política de terrorismo de estado de Israel.
De forma coordenada, CUT, MST, UNE, UBES, Marcha Mundial de Mulheres, entre tantas entidades, fizeram uso da palavra para expressar o compromisso coletivo de lutar pela redução dos juros, pelos investimentos públicos e em defesa dos direitos trabalhistas e sociais. O fortalecimento do mercado interno, da capacidade do Estado, do poder aquisitivo da classe trabalhadora, frisaram, é a melhor vacina contra a crise internacional, cujos impactos ameaçam o país.
“A manifestação foi uma demonstração de maturidade, de unidade das centrais e movimentos populares que estão nas ruas contra as demissões, exigindo medidas dos governos federal, estaduais e municipais para combater o desemprego e a alta rotatividade”, declarou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique. Na sua avaliação, a principal ação contra a crise que emana do centro do capitalismo é o investimento público: “precisamos de crescimento econômico, geração de emprego e renda, esta é a saída”. A liberação de recursos para empresas em dificuldades, advertiu, precisa ser criterioso e vinculado a garantia de contrapartidas sociais, priorizando o fortalecimento do mercado interno. Ao condenar a apatia do governo estadual, Artur denunciou que “diante da crise internacional, Serra vendeu a última empresa de energia elétrica, vendeu o último banco público, e continua seguindo o fracassado receituário neoliberal, de entrega e privatização do patrimônio”.
Membro da executiva nacional da CUT e da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Antonio Carlos Spis lembrou que a ação oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale, CSN e Embraer, privatizadas a preço de banana, levaram à demissão de mais de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco meses. “Agora essas empresas chantageiam com demissões, arrocho e corte de direitos e ainda querem receber dinheiro do BNDES. Nós defendemos recursos públicos para investimentos sociais, para saúde, educação e saneamento”, declarou Spis, manifestando apoio à luta pela readmissão dos 4.270 demitidos da Embraer.
O secretário geral da CUT-SP, Adi dos Santos Lima, também condenou o governo tucano pela “entrega do patrimônio público à iniciativa privada”, numa concepção de “Estado mínimo que atenta contra o desenvolvimento”. “Neste momento em que o sistema financeiro mundial está se derretendo, com os grandes bancos, latifundiários e empresas preferindo a ciranda financeira do que investir na produção, estamos juntos para lutar contra os juros exorbitantes, que queremos menos juros e mais empregos”, acrescentou Adi.
Rosane Silva, da Secretaria Nacional Sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, alertou que em momentos de crise são sempre as mulheres as mais penalizadas com o desemprego, o arrocho salarial e a precarização das condições de trabalho. A sindicalista exortou os participantes a se manterem mobilizados para derrotar as investidas dos neoliberais, que clamam pelo retrocesso, cerrando fileiras para afirmar uma agenda que dialogue com a melhoria das condições de vida da classe.”Nenhuma demissão. Estabilidade no emprego, já! Exigimos medidas concretas do governo que protejam os empregos. Chega de dinheiro para empresas e banqueiros”, defendeu Júlio Turra, da executiva nacional da CUT.
Fora Meirelles!
Discursando no ato em nome da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), João Antonio de Moraes, dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), lembrou que a categoria saiu de uma greve vitoriosa de cinco dias, que mobilizou o país do Rio Grande do Sul ao Amazonas. “Nossa greve tem tudo a ver com esse ato. Lutamos contra a redução de postos de trabalho na Petrobrás, garantindo o emprego de mais de 200 mil contratados e arrancamos na negociação o compromisso de cessar a política de terceirização e combater a precarização”. Moraes explicou que a direção da Petrobrás se comprometeu a fazer com que a revisão dos contratos firmados com as empresas vão impactar na redução dos preços das matérias-primas e não nos valores da força de trabalho, nem nos empregos.
A Petrobrás também vai passar a registrar todos os pequenos acidentes e incidentes com a mão-de-obra, a fim de garantir a melhoria das condições de saúde e segurança no trabalho, e apoiar a realização do Encontro Nacional de Cipistas (membros eleitos das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes). Além disso, acrescentou, a empresa não pagava hora extra, e passará a remunerar o 1º de Maio, no que foi interpretado como uma inflexão, que se soma ao pagamento do trabalho nos dias de Natal e Ano Novo. Finalmente, esclareceu, a FUP reverteu a proposta de PLR, que agora será distribuída mais justamente para o peão, em vez de ficar concentrada na gerentada, como havia sido exposta inicialmente.
O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sintapi/CUT), Epitácio Luiz Epaminondas (Luizão), destacou que a luta contra o fator previdenciário é uma prioridade, já que esse mecanismo de arrocho inventado pelos tucanos diminui os proventos das trabalhadoras em 42% e dos trabalhadores em 38%. Luizão também lembrou que 26 milhões de aposentados e pensionistas necessitam da Previdência Social e que embora 18 milhões tenham o índice de reajuste das aposentadorias vinculado ao aumento do salário mínimo, há oito milhões que estão à margem desta política, mantendo seus proventos extremamente arrochados.
Ao final do ato foi reafirmada a determinação dos manifestantes de seguirem mobilizados unitariamente, ampliando a comunicação com as bases e ampliando a pressão em defesa do salário, do emprego e dos direitos.À medida em que forem sendo enviadas as matérias sobre os atos nos Estados, o Portal do Mundo do Trabalho estará disponibilizando os textos na página e as fotografias na galeria.
Fonte: CUT Nacional
Confiança da indústria na economia aumenta pelo terceiro mês
O setor industrial demonstrou, pelo terceiro mês seguido, que está mais otimista em relação ao crescimento da economia brasileira. Segundo apuração feita pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), na Sondagem da Indústria de Transformação, o Índice de Confiança da Indústria aumentou de 76,2 pontos, em fevereiro, para 77,9 pontos, em março, uma variação de 2,2%.
Essa pontuação, conforme a metodologia da pesquisa, reflete as expectativas de 1.066 representantes de empresas, que têm faturamento total em torno de R$ 540 bilhões, com participação de 23,1% nas exportações.
Apesar de essa evolução ser pequena, na avaliação técnica do Ibre/FGV, indica um quadro bem mais favorável do que no mês passado, porque, em fevereiro, parte da melhora do desempenho estava concentrada na recuperação do segmento da indústria automobilística. O resultado ainda está entre os mais baixos verificados desde fevereiro de 2007. Até setembro do ano passado, a média de pontuação ficou acima dos 100 pontos.
A pesquisa indica ainda variações favoráveis em outros dois indicadores: o Índice da Situação Atual (ISA), com 79,5 pontos, ante 77,8, e o Índice de Expectativas (IE), que passou de 74,6 pontos para 76,3.
A proporção de empresas com expectativa otimista sobre o aumento das vendas cresceu de 4% para 11%, enquanto a parcela com percepção de que haverá queda subiu de 36% para 40%,1%.
Fonte: Ag. Brasil