Pressionados, trabalhadores ficam mais sujeitos a acidentes

Publicado por Administrador 31 março, 2009 Imprimir

Muitas empresas do ABCD que optaram por reduzir o quadro de profissionais como solução para a queda na produção, motivada pelos impactos da crise financeira mundial no País, estão enfrentando outro problema. É o clima de insegurança que afeta, principalmente, trabalhadores da cadeia do setor automobilístico, um dos mais afetados.

“Já vi amigo meu chorando no banheiro com medo de ser demitido. A gente trabalha sem saber se vai voltar amanhã”, contou o montador M. da Autometal, que não quis se identificar.

Depois da demissão de 30 funcionários em janeiro o clima na fábrica piorou. “A precupação mexia com a cabeça dos trabalhadores. Eles não se alimentavam bem e tinham até insônia”, conta o diretor do CSE (Comitê Sindical de Empresa) da Autometal, Marcos Augusto Nunes de Oliveira, o Bigode.

O caso da Autometal não é isolado e as notícias da conjuntura econômica ao redor do mundo potencializam a aversão ao fantasma do desemprego. O psicólogo do trabalho, Bernardo Svartmam, explica que o impacto sobre a saúde das pessoas é muito grande numa situação de crise. “A ameaça de perder o emprego desestrutura o projeto de vida da pessoa. Aumenta muito o nível de stress, distúrbio do sono, ansiedade e até depressão.”

Acidentes

Na semana passada a unidade de Santo André da TRW anunciou a demissão de 55 trabalhadores. O anúncio deixou apreensivos outros 600 profissionais.

Outra fábrica da TRW, em Diadema, passou recentemente por experiência semelhante após anúncio de 86 demissões. O coordenador da regional do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na cidade, José David Lima Carvalho, afirma que junto com o anúncio veio a queda na produtividade dos trabalhadores. “Além disso, o índice de pequenos acidentes aumentou”, aponta.

Durante o ano de 2007, foram registrados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cerca de 653,1 mil acidentes de trabalho no Brasil. Se comparado com 2006, o número de acidentes aumentou 27,5%. O médico do trabalho, Théo Oliveira, que atua no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, diz que os problemas psicológicos não afetam significativamente o setor, mas há dificuldades, especialmente quando o lançamento de um produto não atende à expectativa de vendas, situação fora do controle dos trabalhadores. “Isso tem trazido um aumento do estresse e outras preocupações. Por isso aumentou o uso de calmante e uso de antidepressivos por causa do nervosismo.”

Fonte: ABCD Maior

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