Arquivo de novembro, 2009
Colônia de Férias: Sorteio dos apartamentos para Natal e Ano Novo será neste sábado (5/12)
Você que está cansado de tanto trabalho durante um ano inteiro merece férias para recuperar as energias e presentear a família com momentos de alegria. O Sindicato oferece aos associados e dependentes a Colônia de Férias na praia de Itaguaçú em São Francisco do Sul. Para o período entre Natal e Ano Novo, porém, é preciso realizar um grande sorteio para democratizar a ocupação dos 40 apartamentos mobiliados somente naqueles dias, os mais procurados.
Desde 3 de novembro as senhas para o sorteio de vagas na Colônia de Férias entre Natal e Ano Novo começaram a ser entregues na recepção da Sede Central do Sindicato no horário comercial. As senhas serão entregues até o dia 4 de dezembro (sexta-feira). O sorteio acontece às 9 horas do dia 5 de dezembro (sábado) no auditório do Sindicato situado na Sede Central localizada na rua Luiz Niemeyer, 184 – Centro.
Para poder participar do sorteio, devem estar presentes o associado ou seu representante com a senha. As reservas podem ser feitas durante a semana após o sorteio. Com uma estrutura de fazer inveja a muitas pousadas, a Colônia de Férias possui 40 apartamentos mobiliados (beliches, geladeira, colchões), área de lazer ampla, cozinha, churrasqueiras, tudo a apenas 40km de Joinville (SC).
Todos os anos a diretoria realizada obras de manutenção do patrimônio, sempre visando o bem estar dos associados e dependentes. Não esqueça de participar do sorteio democrático para as vagas entre Natal e Ano Novo!
Honduras: eleições não podem ser consideradas legítimas, diz Zelaya
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que as eleições realizadas no domingo e das quais o conservador Porfírio Lobo foi declarado o vencedor não podem ser consideradas legítimas e que contestará os números oficiais. O pleito foi realizado sob o governo de facto de Roberto Micheletti, que depôs Zelaya em 28 de junho após um golpe de Estado.
Segundo os resultados oficiais, 61,3% dos eleitores hondurenhos compareceram às urnas. Com mais de 60% dos votos apurados, Lobo, do Partido Nacional, liderava com 55,9% dos votos. Pouco após, seu rival Elvin Santos, que tinha 38% dos votos, admitiu a derrota. Santos é do Partido Liberal, o mesmo de Zelaya e do presidente de facto, Roberto Micheletti.
Zelaya, entretanto, afirmou que contestará os resultados. Segundo o líder deposto, ele recebeu informações de colégios eleitorais indicando que dois terços dos eleitores não compareceram às urnas, o que não daria legitimidade à eleição. As autoridades, entretanto, não encontraram indícios de fraude durante o processo.
Fiscais eleitorais nos bairros mais pobres de Tegucigalpa, onde o apoio a Zelaya é maior, disseram que o comparecimento às urnas foi baixo. As zonas de classe média, entretanto, onde concentram-se os partidários da oposição, registraram um índice ainda maior de ausências. Na quarta-feira, o Congresso decidirá se reempossa Zelaya até 27 de janeiro, quando expira seu mandato.
Fonte: Ag. Estado
Lula: Na crise, provamos que o papel do Estado é fundamental
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (30) que qualquer um que acompanha o cenário político-econômico internacional sabe que o mundo está saindo da crise. Segundo ele, o Brasil provou, durante o período de instabilidade econômica, que o papel do Estado é importante e que o mercado não resolve tudo.
“O Brasil tomou todas as medidas para que a gente pudesse ser o último país a entrar na crise e ser o primeiro a sair dela, e ter um crescimento extraordinário como estamos tendo nessa fase do ano. Mas o país precisa se manter tranquilo, porque 2010 será um ano muito importante.”
No programa semanal Café com o Presidente, Lula comentou ainda sua participação na 19ª Cúpula Ibero- Americana nesta semana, com destaque para o conhecimento e a inovação. “Essa também é uma área que o Brasil está muito bem”, afirmou, ao enfatizar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Ciência e Tecnologia, que prevê investimentos de R$ 41 bilhões até 2010.
Lula pediu que micro, pequenas e médias empresas invistam em inovação e ressaltou que esta é a única forma de competir em um mundo globalizado, sobretudo nas exportações. Ele ressaltou ainda que os empresários brasileiros estão preocupados uma vez que o país conta com poucas empresas que discutem inovação.
Fonte: Agência Brasil
Mensalão Democrata: OAB decide pedir o impeachment de Arruda
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu abrir um processo de impeachment contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. A entidade planeja uma marcha cívica com o objetivo de influenciar a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Arruda está envolvido em denúncias de corrupção, juntamente com parlamentares locais. A iniciativa foi anunciada hoje pelo presidente nacional da OAB, Cezar Britto, e pela presidente da seccional do DF, Estefânia Viveiros.
“Há duas formas para se fazer o pedido de afastamento. O primeiro é via judicial, o que já está sendo feito tanto pelo Poder Judiciário quanto pelo Ministério Público, e o segundo é pela via política, que envolve o Legislativo local”, explicou Britto em entrevista coletiva.
“À OAB cabe atuar no campo político, mobilizando entidades e população a demonstrar indignação para cobrar ações do legislativo local”, disse Britto. “Não há maioria maior do que a cidadania. Quando a população se mobiliza consegue reverter o que parece impossível. Nossa esperança é que os parlamentares se curvem diante da soberania do povo”, argumentou Britto em referência ao fato de o governador deter maioria na bancada da Câmara Legislativa.
A expectativa é de que até quinta-feira (3) seja aprovado o pedido de impeachment pelo Conselho Pleno da seccional DF e encaminhado à Casa legislativa. “São 45 conselheiros e, para a aprovação, basta apenas que tenhamos a maioria dos votos dos conselheiros”, informou a presidente da OAB-DF. “O apoio popular à causa será fundamental para que o pedido tenha respaldo junto à Câmara Legislativa”, ressalta Estefânia.
“Imagem do governador recebendo dinheiro é avassaladora”
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, classificou de “davastadora” a imagem do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) recebendo um pacote de dinheiro. O DVD, que veio a público no último sábado, consta do inquérito da Polícia Federal que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo diretamente o governador, secretários e deputados distritais. Para Britto, se as denúncias forem confirmadas, o único caminho a ser seguido é o impeachment de Arruda.
“A imagem do governador sentado em uma cadeira recebendo um pacote de dinheiro é devastadora”, disse Britto que convocou para amanhã (30) uma reunião com a presidente da seccional, Estefânia Viveiros, na sede do Conselho Federal da OAB, para avaliar a crise no governo.
Britto comparou as denúncias ao caso de corrupção envolvendo o ex-presidente do Peru Alberto Fujimori e o seu ex-chefe de Inteligência Vladimiro Montesinos. Fujimori foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por ter pago US$ 15 milhões a Montesinos, em setembro de 2000.
O presidente nacional da OAB lembrou que esta não é a primeira vez que Arruda é envolvido em escândalo. Em 2001, ele teve que renunciar ao mandato de senador da República no episódio do painel de votação eletrônico. Arruda chegou a chorar na frente às câmeras de televisão na ocasião, dizendo: “Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos”.
Em 2001, quando foi acusado de violar o painel eletrônico de votação do Senado, Arruda também teve uma estratégia inicial de ficar no cargo. Foi até a tribuna da Casa e jurou pelos próprios filhos que era inocente. Quando as evidências se avolumaram, acabou renunciando.
Na sexta-feira (27), a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora e identificou um suposto e complexo esquema de corrupção envolvendo Arruda, o vice governador Paulo Octávio, o presidente da Câmara Legislativa, deputado Leonardo Prudente, além de secretários do governo. Pelas investigações, existiria um “mensalão” que arrecadou cerca de R$ 600 mil com empresas privadas, que seriam repassados para colaboradores.
As denúncias levaram Arruda a afastar oito de seus assessores diretos. Imagens gravadas pela Polícia Federal em DVD mostram o governador recebendo dinheiro das mãos do assessor Durval Barbosa – responsável pelas acusações e parte das informações repassadas aos policiais.
Desde de setembro deste ano, tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o processo de investigação sobre o suposto esquema de corrupção e distribuição de recursos. Porém, segundo o presidente do PT no Distrito Federal Chico Vigilante, as denúncias são mais antigas e tiveram início na campanha do ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz – hoje adversário de Arruda, mas seu aliado no passado.
Fonte: Ag. Brasil
“A Cúpula Sindical do Mercosul e a integração”
No próximo dia 7 de dezembro, em Montevidéu, será realizada a Cúpula Sindical do Cone Sul com a presença de 300 dirigentes de 13 centrais da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Organizado pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS) o evento acontecerá na mesma data em que os presidentes dos países que integram o Mercosul se encontrarão na capital uruguaia. A expectativa é que já a partir do próximo encontro se incorporem os venezuelanos, cuja entrada no bloco está sendo aprovada nestes dias pelo Congresso brasileiro.
Na agenda dos sindicalistas, o fortalecimento do processo de integração solidário e soberano, com a afirmação de um modelo de desenvolvimento inclusivo que gere empregos decentes, distribua renda, garanta direitos e amplie conquistas. Este projeto, evidentemente, não tem como se consolidar sem a presença de um Estado indutor, sem priorizar a atuação de empresas nacionais fortes, particularmente as pequenas e médias, sabidamente as que mais geram postos de trabalho.
Para a materialização destas bandeiras de luta, é preciso elevar o protagonismo da classe trabalhadora, ampliando as mobilizações conjuntas e elevando a pressão desde a base, ao lado dos movimentos sociais, em cada um dos países. Está claro que nossa força reside na união, que é ela quem potencializa a nossa capacidade para remover obstáculos e seguir em frente, rompendo a lógica de uma integração quase que exclusivamente aduaneira, ainda muito grudada aos departamentos de comércio exterior das transnacionais.
Embora tenhamos hoje no Continente governos progressistas que buscam se desvencilhar das armadilhas deixadas por neoliberais e privatistas, a cadência da integração continua muito sujeita aos humores do capital transnacional, onde as grandes empresas globais acabam impondo o seu ritmo.
O desmonte do Estado nacional nos anos de FHC, Menem e outros entreguistas, que não só teorizaram como praticaram as relações carnais com os Estados Unidos, deixou mais do que seqüelas, cavou verdadeiros abismos sociais a serem superados. Desta forma, a maior parcela dos lucros advindos do comércio intrarregional acaba não sendo apropriado por nossos países e povos, mais indo para o cofre das matrizes das multinacionais. O montante registrado nas próprias remessas de lucros oficiais destas empresas fala por si, assim como as cotas de publicidade destinadas a propagandear esta irracionalidade como algo natural, a ser reproduzido para todo e sempre.
De que forma mantém este perverso controle econômico, se foram em parte deslocados do poder político? Pela forte oposição de setores elitistas, vinculados ao sistema financeiro internacional, aos barões da mídia e latifundiários, que conformam invariavelmente o tripé da reação aos processos de mudança que sacodem a nossa América. Some-se a isso instrumentos de regressão, como o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que ainda respondem por parte significativa dos financiamentos do Continente, sempre com o propósito de alavancar a renda dos seus “investidores”. Gente que elege em última instância o que deve ou não ser construído para facilitar a reprodução do capital – multinacional.
Como camuflagem ou justificativa, se utilizam agora do discurso de “regionalismo aberto”, de países pretensamente unificados, mas escancarados para o mundo, isto é para as economias dos países centrais. Os seus países. O que equivale a dizer que os projetos de infraestrutura, comércio e serviços da região deveriam seguir sendo implementados por garras alheias, obedientes a uma predatória visão externa, estranha à realidade dos nossos povos, alheia às nossas necessidades e, muitas vezes, abertamente contra elas. Em suma, investimentos voltados à desintegração.
Temos condições de reverter este quadro, de colocar os nossos Estados nacionais e mobilizar os nossos Tesouros para inverter esta lógica, somar esforços para defender as pequenas e médias empresas nacionais da região frente à voracidade de multinacionais cuja fome de lucro devora salários, empregos e direitos? Ou estaríamos condenados a manter indefinidamente abertas as veias da América Latina?
Se a força dos nossos mercados internos é evidente, somada é ainda mais surpreendente. Contra a crise da especulação internacional, temos sublinhado, a melhor resposta é a produção nacional e reunimos todas as condições necessárias para não nos deixarmos aniquilar. É hora de investir e acelerar nossos processos de industrialização, de conexão das cadeias produtivas e de conformação de uma dinâmica interna capaz de gerar um novo patamar de desenvolvimento.
Neste contexto, a criação e fortalecimento do Banco do Sul, com capital inicial de US$ 20 bilhões, assim como uma orientação do BNDES mais voltada à integração latino-americana, reforça uma alternativa de financiamento da região sem a necessidade de nos submetermos à adoção de traiçoeiras políticas liberalizantes, como se verificou ao longo dos anos 90. Para se ter uma ideia, o BNDES aumentou o crédito para infraestrutura na região de US$ 120 milhões em 2003 para cerca de US$ 1 bilhão em 2008. Entre as prioridades, rodovias na Bolívia, linhas de metrô na Venezuela e no Chile, redes de transmissão de gás na Argentina e no Uruguai… Vale destacar ainda a estratégica constituição do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), que tem por objetivo reduzir as assimetrias regionais e necessita ser vitaminado.
No ano passado, conforme a CEPAL, o PIB da América do Sul chegou próximo aos US$ 3 trilhões, com o Brasil sendo responsável por mais de US$ 1,5 trilhão ou 55% do total. O PIB argentino é o segundo maior, cerca de 20% do brasileiro, com US$ 330 bilhões. Em 2008, a Argentina tinha 40 milhões de habitantes, enquanto o Brasil alcançava os 192 milhões, quase 50% do total da América do Sul, de 390 milhões. Tais números carregam consigo, além do imenso potencial, uma grande responsabilidade com a classe trabalhadora e a sociedade destes dois países.
Assim, devemos atuar com elevada consciência e redobrado compromisso, somando esforços com as centrais sindicais da região na consolidação de um projeto comum, onde os sonhos de gerações se materializem com independência, soberania e complementaridade. Façamos nossas as palavras do artista uruguaio Joaquim Torres Garcia: “Nosso Norte é o Sul!”.
Escrito por João Antonio Felício, secretário de Relações Internacionais da CUT
Ação liberta 29 de propriedade de fazendeiro da “lista suja”
Pela segunda vez, trabalhadores foram encontrados em condição de trabalho escravo na Fazenda Ilha, em Capinzal do Norte (MA). Fiscalização ocorrida no início de outubro libertou 29 pessoas do local – inclundo um adolescente de 17 anos e uma senhora de 58 anos. A operação foi uma iniciativa da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA), juntamente com a Procuradoria Regional do Trabalho da 16ª Região (PRT-16). Os agentes públicos foram conferir a situação após denúncia de um trabalhador que conseguiu fugir da fazenda, que tem 17 mil hectares.
A área pertence a José Rodrigues dos Santos, fazendeiro que faz parte da chamada “lista suja” do trabalho escravo – cadastro mantido pelo governo federal que relaciona empregadores que exploraram mão de obra escrava. A fiscalização apurou, contudo, que o terreno estava arrendado para seu irmão Edésio Antônio dos Santos. “Nós constatamos que o empregador era o arrendatário Edésio. Ele foi responsabilizado e efetuou o pagamento de todas as verbas da rescisão do contrato de trabalho”, explica Carlos Henrique da Silveira Oliveira, auditor fiscal do trabalho que coordenou a fiscalização.
O aliciamento da maioria dos explorados se deu em Codó (MA), há cerca de três meses. “Os empregados mais antigos estavam há mais de um ano no local. Alguns tinham de cinco a oito meses de trabalho”, acrescenta Maria Elena Moreira Rêgo, procuradora do trabalho que acompanhou a operação.
Segundo ela, o responsável pelo alojamento, pela contratação e pelo pagamento dos trabalhadores era o intermediário Antônio Altino Oliveira. “O proprietário, que reside em outro Estado, depositava o dinheiro na conta de Antônio. E este último repassava aos trabalhadores”, detalha Maria Elena.
Os trabalhadores eram responsáveis pelo “roço de juquira” – limpeza da área para posterior formação de pastagem de criação de gado. O empregador não fornecia Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). “Como é impossível realizar o trabalho sem botas porque o local é cheio de tocos que machucam os pés, os trabalhadores eram obrigados a comprar suas botas no armazém da fazenda por preços superiores aos de mercado”, informa a procuradora.
De acordo com Maria Elena, as vítimas compravam inclusive as ferramentas de trabalho, que também não eram fornecidas. “Tudo era anotado em um caderno que ficava em poder de Antônio Altino. A dívida crescia como uma bola de neve e, no final do mês, a maioria dos trabalhadores não tinha mais nada para receber. E ainda continuavam devendo. A típica servidão por dívidas”, constatou a procuradora do trabalho. O pagamento era feito por produção e o totalizava um salário máximo de R$ 150 a R$ 180 por mês.
A situação dos alojamentos era “precaríssima”, segundo o auditor Carlos Henrique. O alojamento ficava em local de difícil acesso, escondido no meio do mato. Era apenas um casebre de palha, sem qualquer parede, que já tinha sido instalado em diversos pontos da fazenda, conforme as necessidades do trabalho. “O local não oferecia qualquer proteção contra chuva, vento, animais (cobras, aranhas e escorpiões são comuns na região). As redes se amontoavam uma ao lado da outra”, relata Maria Elena.
Não havia instalações sanitárias e os trabalhadores eram obrigados a usar o mato como banheiro. A água de riacho próximo à propriedade era utilizada para banho, para beber e para preparar a comida. Os animais também bebiam no riacho. A comida era feita em fogueiras. A carne ficava estendida ao relento, sem refrigeração.
O proprietário não assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Ele não compareceu ao local durante a fiscalização, segundo a procuradora. “O procedimento foi encaminhado no dia 13 de novembro para a Procuradoria do Trabalho de Bacabal (MA) [o município de Capinzal do Norte (MA) faz parte da jurisição da procuradoria]. Em regra geral, propomos um TAC. Caso haja recusa do proprietário, ajuizamos ação civil pública”.
Histórico
A primeira libertação na Fazenda Ilha/Veneza foi em dezembro de 2007. Na ocasião, os auditores fiscais encontraram 48 trabalhadores dormindo num curral e submetidos à servidão por dívida. EPIs, materiais básicos de higiene pessoal e gêneros alimentícios eram descontados dos “salários” dos empregados. Todos os dias, um dos empregados caminhava 12 km na ida e na volta até a sede da fazenda para pegar a comida dos outros. Por causa do flagrante ocorrido há cerca de dois anos, o proprietário José Rodrigues dos Santos entrou para a “lista suja” do trabalho escravo em desembro de 2008.
Em maio de 2008, o Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) denunciou o fazendeiro José Rodrigues dos Santos e o “gato” Zé Carneiro pelo crime de submeter trabalhadores à condição análoga a de escravo (art. 149 do Código Penal). A denúncia está baseada em relatório apresentado pela equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo assessoria de comunicação do MPF/MA, o processo está sendo analisado agora na 2ª Vara da Justiça Federal do Maranhão.
Fonte: Repórter Brasil
Cresce avaliação positiva do governo e de Lula
A avaliação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo voltaram a crescer segundo a pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta segunda-feira (23) pela Confederação Nacional do Transporte.
Em novembro, o governo Lula obteve avaliação positiva de 70% dos pesquisados, contra os 65,4% registrados em setembro. A pesquisa avaliou também o desempenho pessoal do presidente, que chegou, em novembro, a 78,9% – em setembro esse índice estava em 76,8%.
Realizada entre os dias 16 e 20 de novembro – período posterior ao blecaute ocorrido no dia 10 -, a pesquisa abrangeu 24 estados e entrevistou 2 mil pessoas em 136 municípios das cinco regiões do país. A margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
“A princípio, o blecaute não influenciou negativamente a avaliação do presidente ou do governo nem colou na imagem do presidente ou de sua candidata, Dilma Rousseff”, disse o presidente da CNT, Clésio Andrade.
Segundo ele, isso precisa ser melhor avaliado para ficar mais claro, uma vez que não foram feitas perguntas específicas sobre o tema, como também sobre o desmoronamento de três vigas na obra do Rodoanel. “Mas isso deverá ser feito na próxima pesquisa”.
Para o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, o crescimento da avaliação de Lula tem como carro-chefe a economia. “Está claro para a população que Lula melhorou o país e o projetou no exterior.
Fonte: CNM/CUT
Concentração de CO2 nunca foi tão alta, diz estudo
Apesar de todos os esforços mundiais e discursos inflamados de líderes, nunca a concentração de gases de efeito estufa foi tão alta como agora. Desde 1997, quando foi assinado o Protocolo de Kyoto – um acordo mundial para baixar as emissões – o aumento foi de 6,5%. Os dados divulgados ontem pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), mostram ainda que os números são os maiores desde a era pré-industrial, em 1750. Em menos de 300 anos, a concentração de CO2 na atmosfera – que causa o efeito estufa e leva à elevação da temperatura mundial – aumentou em 38%.
O dano é considerado tão grave que, mesmo que o mundo interrompesse todas as emissões de CO2 hoje, em cem anos haveria ainda uma concentração de gases de efeito estufa 30% superior à de 1750. A entidade estrategicamente divulgou sua avaliação às vésperas da cúpula mundial do clima, que será realizada pela ONU, no mês que vem, em Copenhague. E pede que haja um acordo ambicioso até o fim do ano sobre emissões de CO2.
“O aumento é exponencial”, afirmou Michel Jarraud, secretário-geral da OMM. Segundo ele, 2008 terminou com 385,2 ppm (partes por milhão) de CO2 na atmosfera, com previsão de chegar a 390 ppm no meio do ano que vem. “No último milhão de anos, nunca vimos chegar a 390 ppm”, afirmou o físico John Barnes, diretor do Observatório Mauna Loa, no Havaí. Jarraud disse que o Protocolo de Kyoto “não foi suficiente” para impedir um aumento de emissões e da concentração dos gases. “Mas sem Kyoto, sabemos que a situação seria ainda pior.”
Os maiores responsáveis pelas emissões são as atividades humanas, como nos setores fósseis e agricultura, mostrou o estudo. Jarraud afirmou que a preservação de florestas, como a Amazônica, será também fundamental e que o desmatamento na última década colaborou para o aumento da concentração de CO2. “Se queremos controlar a concentração de CO2, a floresta tropical será fundamental. O desmatamento gera emissões e, preservada, a floresta consome o CO2 que estaria na atmosfera.” As informações são do jornal
Fonte: O Estado de S. Paulo.
Ceia de Natal pode ficar mais barata por conta do dólar menor
A projeção de que o dólar feche o ano valendo cerca de R$ 1,70 leva a crer que a ceia natalina do brasileiro ficará mais em conta do que no ano passado, quando a moeda norte-americana valia R$ 2,33.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, os produtos importados como castanha portuguesa, nozes, avelãs, amêndoas, condimentos, vinhos estrangeiros e outros tendem a ficar mais baratos.
No caso dos produtos tradicionais e de importação contínua, como bacalhau, azeite e mesmo alguns tipos de frutas oleaginosas que passaram a ser vendidas no dia a dia, a variação será menor.
“A variação [dos preços] desses produtos é menor porque, como no ano passado o dólar subiu muito, os importadores procuraram segurar os preços, trabalhando com dólar médio, então o produto não chegou a subir tanto”.
Para Honda, a situação neste ano é bem mais tranquila, porque há previsão de maior oferta de produtos, já que os grandes mercados consumidores – Estados Unidos e Europa, por exemplo – estão enfraquecidos e as empresas têm se voltado para o Brasil.
O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Giuliano Contento de Oliveira, também acredita que o Natal registre preços mais baixos, o que permitirá ampliar o consumo do trabalhador. Para ele, os preços devem cair entre 15% e 20%, levando ao aumento das venda.
“Isso tende a repercutir favoravelmente para as empresas, ainda que não signifique necessariamente a ampliação da margem de lucro, porque a concorrência tende a se intensificar em face da entrada cada vez maior de produtos de outros países, principalmente da China”.
No caso dos brinquedos, o presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos (Abrimpex), Eduardo Benevides, lembrou que no ano passado os consumidores não sentiram os efeitos do dólar, porque as compras já haviam sido feitas antes do início da crise, e os aumentos registrados foram os tradicionais, de 5% a 7%, o que deve se repetir neste ano.
“Neste ano os importadores compraram menos porque não tinham previsão de como o Brasil ficaria com relação à crise. Mas no segundo semestre alguns importadores estão fazendo novas compras, prevendo aumento do consumo por conta da queda do dólar”. Para ele, as vendas devem crescer pelo menos 12%.
Para o coordenador de pesquisas do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar Fia) da Universidade de São Paulo, Nuno Fouto, as condições do Natal deste ano não favorecem preços mais baixos do que os do ano passado, porque naquele período havia forte influência da crise, entretanto os produtos importados tendem a ter os preços menores porque já foram negociados.
“A tendência se mantém, não acho que vai haver quedas muito grandes, suficientes para modificar o quadro ante o ano passado. Os preços devem até ser de 1,2% a 3% mais altos, com a tendência de mais procura do que oferta”.
Quem for comprar os enfeites típicos de Natal também não encontrará preços muito inferiores aos do ano passado. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares (Abipp), Gustavo Dedivitis, o consumidor isso acontece porque os importadores compram os produtos com antecedência de seis a oito meses.
“Então, momentaneamente, o dólar barato não tem relação para produtos do Natal. Os importadores já trabalharam com o dólar em um patamar de R$ 2,00, patamar adotado por conta da volatilidade [altas e quedas abruptas da moeda]”.
Fonte: Ag. Brasil
Indústria prevê início de 2010 a todo vapor
A indústria iniciará 2010 embalada como não se via há muito tempo no País. Empresários e economistas projetam dois dígitos de crescimento da produção industrial no primeiro trimestre, período tradicionalmente fraco, marcado por férias coletivas e demissão de temporários. A consultoria MB Associados prevê expansão de 12,1% para a indústria no período. Já a LCA Consultores espera crescimento maior, de 16,5%.
Parte disso será efeito da base de comparação muito baixa. Basta lembrar que a indústria chegou a cair 17,2% no começo deste ano. Em compensação, as empresas estão diminuindo estoques rapidamente e, com a perspectiva de um bom Natal, o setor deverá chegar na virada do ano sem produtos acabados, o que ajudará ainda mais na reação, no começo de 2010.
“Isso sem falar dos efeitos de política monetária e fiscal acumulados ao longo do ano”, afirma Sergio Vale, economista chefe da MB Associados. “No caso da política monetária, pelas defasagens naturais de política, devemos ter um pico de impacto da redução dos juros no primeiro semestre de 2010.”
A Vitopel, maior fabricante de embalagens plásticas flexíveis da América Latina, fechou o orçamento para 2010 com previsão de aumento de 13,7% na produção do primeiro trimestre. Para o ano todo, a expectativa é de 7%. “O ambiente é bastante positivo para os próximos cinco meses”, diz o presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho. A empresa trabalha a plena carga desde agosto, e mesmo assim terá de cancelar as férias coletivas que normalmente concede entre 20 de dezembro e 5 de janeiro.
A Vitopel não está sozinha. Segundo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Tecnologia e Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a grande maioria das empresas que não dependem de exportação também trabalha neste fim de ano no limite máximo da produção e teve de recorrer ao cancelamento das tradicionais férias de fim de ano. “Os níveis de estoque nos diversos segmentos da indústria continuam muito baixos e os pedidos do varejo ainda não terminaram”, diz o executivo. “A logística vai ter que trabalhar muito para não faltar produtos nas lojas, porque este Natal promete ser um dos melhores dos últimos cinco anos.”
Fabricantes de eletroeletrônicos instalados na Zona Franca de Manaus trabalham em três turnos para dar conta das encomendas. Várias empresas, como a LG e a Philips, tiveram de reduzir ou suspender as férias coletivas. No setor de informática, a expectativa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) é de que as vendas de PCs mantenham no ano o mesmo volume de 2008 (12 milhões de unidades), apesar da queda de 17% ocorrida no primeiro semestre.
Nesse contexto, quase não se ouve mais falar em crise, com exceção dos exportadores, que reclamam da valorização do real e da demanda fraca no mundo. “A economia brasileira voltou ao nível pré-crise nesse terceiro trimestre, que terminou em setembro”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.
A recuperação foi rápida (a crise durou quatro trimestres), comparada com outras recessões ocorridas entre 1980 e 2003, quando o País levava de oito a dez meses para retomar o crescimento. “Foi uma recuperação rápida, que ajuda a explicar por que as taxas de crescimento vão ficar ainda mais robustas no último trimestre deste ano e, principalmente, nos primeiros três meses de 2010″, afirma o economista.
Para Bráulio, a tônica da atividade nesse período será “os bancos privados pisando no acelerador do crédito para o consumo e para as empresas”. Hoje, segundo ele, já não há tanto receio de emprestar, porque a inadimplência do consumidor está em queda e a das empresas parou de subir. “Com os bancos privados voltando ao jogo do crédito, a gente pode esperar uma competição ferrenha pelo consumidor e pelas empresas, o que obviamente vai estimular a atividade econômica”, ressalta o economista da LCA.
No Bradesco, a inadimplência na carteira de crédito de pessoas jurídicas começa a sinalizar recuo, principalmente em grandes empresas. Nesse segmento, a taxa de inadimplência saiu de um nível de 0,5%, em dezembro de 2008, e atingiu o pico de 0,9% em setembro último.
“Não posso dar dados oficiais em números antes da publicação do balanço trimestral, mas nossos indicadores internos apontam para baixo”, conta o superintendente executivo do departamento de empréstimos e financiamentos do Bradesco, José Ramos Rocha Neto. “Os indicadores apontam para uma tendência de regularização no primeiro trimestre de 2010.”
A maior oferta de crédito no cenário atual de vendas aquecidas estimula as empresas a retomar investimentos engavetados por causa da crise. “Nossos números de outubro e novembro são muito positivos”, adianta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto. Os dados serão divulgados na quarta-feira. Até setembro, o setor acumulava no ano queda de 24%.
Números
12,1% – é a previsão da MB Associados para o crescimento da indústria no primeiro trimestre de 2010
16,5% – é a previsão da LCA Consultores
13,7% – é a previsão da Vitopel para o aumento da produção no período
Fonte: Sindicato do ABC