Arquivo de junho, 2010

Crise Busscar: Sindicato convoca assembleia para quinta-feira (1/7) em frente à empresa

Publicado por Administrador 30 junho, 2010 (22) Comentários Imprimir

Após meses de agonia – no próximo dia 5 de julho completam-se três meses sem salários e sete meses sem o décimo terceiro de 2009 – os trabalhadores da Busscar decidiram realizar uma assembléia geral para cobrar uma posição definitiva dos acionistas da empresa sobre o futuro dos seus empregos, salários atrasados, décimo-terceiro atrasado, FGTS atrasado, e principalmente se a empresa vai continuar a produzir ou fecha as portas.

O Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região ouviu diariamente cerca de 200 trabalhadores da empresa nas duas ultimas semanas, todos buscando informações jurídicas para demissão indireta, processos judiciais para receber atrasados e outras duvidas que pairam sobre três mil trabalhadores que tem sobrevivido de bicos e ultimamente das cestas básicas doadas ao Sindicato em uma campanha de arrecadação de alimentos. Na tarde de ontem, terça-feira, o desabafo foi enorme e chegou ao apelo para a realização da assembléia geral.

Para o presidente do Sindicato, João Bruggmann, a situação chegou ao limite para os funcionários da Busscar. “Desde o início dessa nova crise nos alertávamos que o problema está na gestão, e que somente capital novo pode dar uma nova vida à essa empresa que gerou riqueza, renda, empregos e desenvolvimento para Joinville, Santa Catarina e o país. Nosso desejo é defender os direitos dos trabalhadores, ver os salários pagos em dia, e a empresa voltando a produzir. É isso que nós queremos, e os trabalhadores agora acordaram e querem também essa solução. Por isso estaremos na frente da fábrica junto a eles, cobrando um final para essa agonia. Eles precisam saber o que fazer das suas vidas, com Busscar ou então sem ela”, explica Bruggmann.

A assembléia geral está convocada para iniciar as 9 horas da manhã. Os próprios trabalhadores estão se encarregando de convocar os colegas, e o Sindicato conta com apoio da imprensa para a divulgação do ato.

Agenda
:

O que
:     Crise da Busscar – Assembléia Geral dos trabalhadores em frente à fábrica
Quando: quinta-feira, 1 de julho de 2010
Onde:      em frente a fábrica
Hora:       9 horas
Para:       cobrar posição definitiva sobre salários atrasados, reestruturação da empresa com reinício de produção, venda – solução final
Presenças: todos os trabalhadores da empresa ainda com vinculo empregatício e demitidos pelo PDV, mais o Sindicato da categoria

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Crise Busscar: suspensão de contrato de trabalho é sugerida

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 (16) Comentários Imprimir

A cada dia que a crise sem fim da Busscar avança, sugestões de toda ordem aparecem sem no entanto apontar para o fim da agonia que deixa três mil famílias em situação quase desesperadora. Agora a tese da suspensão do contrato de trabalho de trabalhadores da empresa está sendo cogitada como forma de amenizar o sofrimento de pais e mães de família com o pagamento de uma bolsa pelo período em que o contrato estiver suspenso, em valores que variam de R$ 510 a R$ 880,00.

O trabalhador que aderir ao programa terá que frequentar curso de formação ofertado pela empresa com frequência mínima de 75%. É importante ressaltar aos trabalhadores que durante a suspensão do contrato de trabalho, os direitos relativos ao FGTS e outros também ficam suspensos, e que ao final do programa, caso a empresa feche ou os trabalhadores sejam liberados ou demitidos, não terão direito ao seguro-desemprego, já que essa proposta está atrelada a esses recursos que vem do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Para o Sindicato dos Mecânicos, essa medida é apenas paliativa e não atende aos anseios dos trabalhadores que precisam sim é dos salários em dia e a retomada da produção para manter seus empregos e um futuro na empresa.

“Seria vantagem se a empresa pagasse em dia, e não existisse produção a ser efetuada como aconteceu no caso da Renault. No caso da Busscar os trabalhadores estão sem salários a quase três meses, sem direitos, e ainda podem ficar sem o seguro-desemprego em caso de encerramento das atividades, algo que estamos lutando o tempo todo para que não aconteça, mas que não depende do Sindicato, depende exclusivamente dos acionistas”, destaca o presidente João Bruggmann.

A diretoria do Sindicato entende também que é preciso que a empresa finalmente apresente uma proposta robusta e verdadeira de reestruturação para que a marca Busscar se mantenha, a empresa produza e gere empregos, salários e lucros para todos. “Essa proposta não muda a vida dos trabalhadores, no máximo atende demanda imediata de aluguel, luz, água atrasada, mas que depois sem uma solução definitiva, pode ser pior sem o seguro desemprego. Os trabalhadores  precisam refletir muito”, alerta João Bruggmann.

Assim que a empresa apresentar a documentação o Sindicato vai realizar uma assembleia geral de esclarecimento para que aí sim as pessoas decidam se aderem ou não ao plano. Não haverá votação, e quem entender aderir à proposta a fará por escrito. Um documento será produzido com os nomes dos trabalhadores e será protocolado no Ministério do Trabalho, que fiscalizará a realização dos cursos e presença em aulas.

Decisão esta semana
A falta de decisão dos acionistas, a intransigência e até falta de solidariedade para com milhares de trabalhadores que deram o seu melhor durante anos para que a Busscar estivesse no auge – e não são eles que colocaram a empresa em crise – e que hoje passam por seríssimas dificuldades financeiras a ponto de o Sindicato promover campanha para arrecadar alimentos, é inadmissível.

Para o Sindicato, não há mais tempo para nada. “Os acionistas têm de ter a coragem de definir se querem a empresa aberta, funcionando e gerando renda, impostos e movimentando a economia, ou se a querem fechada para Joinville, Santa Catarina e o país. Não há mais como aguentar com três salários atrasados, 90 dias sem receber, e sete meses sem ver a cor do décimo de 2009. Chegou a hora de decidir”, afirma o presidente do Sindicato João Bruggmann.

No final de semana o jornal O Estado de São Paulo – Estadão – publicou matéria especial sobre a crise da empresa mostrando o que essa falta de decisão implica para milhares de pessoas. A reportagem mostra que esse é um caso único no segmento que mais cresce e produz atualmente no país, em um momento de plena economia em alta. A Busscar é a única na contramão da história.

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Campanha de Alimentos da Busscar ganha doação de mil cestas

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 (5) Comentários Imprimir

Prestes a completar duas semanas de arrecadação a Campanha de Alimentos para os trabalhadores da Busscar Ônibus recebeu importante contribuição da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) esta semana: a doação de mil cestas básicas que devem ser entregues nos próximos dias.

Até a chegada dessa grande doação de alimentos o placar da solidariedade estava em 913 cestas básicas somente em Joinville. Agora a Campanha de Alimentos chega a quase duas mil cestas básicas, mas que ainda é pouco diante da grande necessidade dos companheiros. Em Rio Negrinho foram doadas 400 cestas por parte da Prefeitura do município segundo informações  recebidas.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville também realizou uma arrecadação junto à categoria, um grande apoio para ajudar cerca de três mil famílias que estão sofrendo diante da crise e sem receber salários a quase três meses. Empresas, entidades e até pessoas físicas estão apoiando a causa. O Sindicato dos Mecânicos, que lidera essa campanha, alerta que ninguém está autorizado a bater nas portas de empresas e residências pedindo alimentos em nome da Busscar ou Sindicato. “Os alimentos devem ser enviados ao Sindicato ou ligar para 3027.1183 e pedir que alguém busque”, explica o presidente João Bruggmann.

Mesmo com o andamento razoável da Campanha de Alimentos, Bruggmann apela para que a comunidade continue ajudando, agora com outros produtos como de higiene pessoal e coisas do gênero, já que a situação é realmente preocupante. “Estamos trabalhando e pressionando a empresa e acionistas para que dêem solução, e ao mesmo tempo, atendendo a necessidade de alimentação dessas famílias contando com apoio de Joinville e quem mais quiser ajudar”, explica Bruggmann.

Quem recebe as cestas em primeiro lugar são os salários mais baixos, e assim por diante, critério adotado pela comissão de trabalhadores da Busscar e diretores do Sindicato que lá trabalham, responsáveis por fiscalizar, organizar e entregar as cestas básicas.

Quem quiser participar e doar alimentos ligue para 47 – 3027.1183 e peça mais informações de como proceder. O Sindicato dos Mecânicos e trabalhadores da Busscar agradecem imensamente a solidariedade.

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Trabalho infantil e escravo é flagrado na colheita de cacau

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 (1) Comentário Imprimir

O Grupo Móvel de Fiscalização e Combate ao Trabalho Escravo libertou 42 trabalhadores de situação análoga à de escravos. Entre as vítimas estavam três adolescentes – uma menina de 12, um menino de 11 e outro adolescente com mais de 16 anos – que ajudavam os pais na colheita do cacau. Os empregados trabalhavam na fazenda Sombra da Tarde, em Medicilândia (PA). O proprietário Antônio Celestino dos Santos, conhecido por “Antônio Mineiro”, culpou o pai das crianças e disse que não sabia do trabalho infantil.

Os fiscais foram alertados por moradores da região que essa era a realidade local: crianças trabalham com os pais nas plantações de cacau. “Nós encontramos muitas famílias trabalhando, mas somente em duas havia adolescentes”, explica Jonas Ratier Moreno, procurador do Trabalho que acompanhou o Grupo Móvel nesta ação.

A operação aconteceu entre os dias 8 e 18 de junho e contou com a participação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal (PF). A região de Altamira (PA) é grande produtora de cacau e foi alvo de denúncias de trabalho escravo. “Temos que ficar de olho nessa região, espero que esta ação sirva de lição aos outros produtores”, disse.

O sistema utilizado pelo empregador é um “contrato de parceira” no lugar do contrato de trabalho o que, na opinião do procurador, não passa de um mecanismo para sonegar direitos trabalhistas dos empregados. “Esse sistema se repete em várias fazendas da região”, acrescenta. Os fiscais apuraram que poucas crianças frequentam a escola e as que estão matriculadas utilizavam transporte precário: caminhões conhecidos como “pau-de-arara”.

O empregador não fornecia água potável, as famílias utilizavam água retirada de uma cacimba (pequeno poço). Além disso, não havia instalações sanitárias nos abrigos. As famílias eram obrigadas a utilizar o mato como banheiro. Nenhum tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI) era utilizado pelos empregados. As casas onde as famílias moravam eram feitas de palha e lona e chão de terra batida, sem instalação elétrica ou sanitária.

O empregador assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MPT e pagou a primeira parcela do valor referente às verbas rescisórias dos trabalhadores. O valor total foi de R$ 168 mil. Os trabalhadores são da região de Altamira (PA).

Outras propriedades
A fiscalização seguiu para as fazendas São Miguel, de propriedade de Miguel Portela da Silva, e Entre Rios, cujo proprietário é Jailto Luiz Biguelini. De acordo com o procurador do Trabalho Jonas Ratier Moreno, nos dois locais foi possível regularizar a situação, sem a necessidade de retirar os trabalhadores.

Os dois proprietários assinaram TACs se comprometendo a sanar os problemas encontrados pelos fiscais. As principais irregularidades eram a falta de registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS); salários com valor inferior aos da categoria; e jornada de trabalho sem controle.

Em relação às condições de saúde e segurança do trabalho na lavoura, os fazendeiros se comprometeram a realizar exame médico admissional e a fornecer, gratuitamente, Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados, água potável em condições higiênicas, locais para refeições e alojamentos e instalações sanitárias em condições adequadas. Em cada frente de trabalho deverá haver caixa de primeiros socorros, sob supervisão de pessoa capacitada para ministrá-los, e abrigos para proteção dos trabalhadores contra intempéries.

No caso de descumprimento das obrigações, os TACs prevêem multa no valor de R$ 1 mil, por trabalhador prejudicado multiplicado pelo número de obrigações violadas, reversíveis ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Aos trabalhadores da Fazenda São Miguel foram pagos, aproximadamente, R$ 56,5 mil referentes a salários atrasados.

Do Repórter Brasil

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Mercado espera crescimento de 7,13% e inflação a 5,5% em 2010

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

O mercado financeiro segue otimista com relação à economia brasileira neste ano. Segundo relatório Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), os analistas entrevistados esperam que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 7,13% em 2010, alta comparada à previsão observada no documento anterior, 7,06%. Para 2011, a projeção se mantém a 5% de expansão há 17 semanas.

Por outro lado, houve uma queda na perspectiva para a inflação, passando de 5,61% para 5,5%, um ponto percentual acima da meta prevista para 2010 (4,5%). Para o próximo ano, os consultados aguardam alta de 4,80% do principal índice que me de a inflação, o IPCA (mesmo patamar há 11 semanas).

Queda também ocorreu na expectativa para o IGP-DI, ao passar de 9,09% para 9,05%. Também caiu o prognóstico para o IPC-Fipe, mas de forma bem menor (de 5,30% para 5,29%). Já o IGP-M apresentou ligeira alta na previsão alcançando 4,08%, ante 4,07%, verificada no último Focus. Com relação a 2011, as estimativas não foram alteradas. Tanto o IGP-DI (há oito semanas), quanto o IGP-M (há cinco semanas) estão na casa dos 5%, e o IPC-Fipe é previsto para fechar em 4,50% (há 23 semanas).

Sem muitas alterações sobre as expectativas para os índices inflacionários, a perspectiva para a taxa básica de juros (Selic) permanece a 12% ao ano para fechar 2010, e a 11,75% (há duas semanas) para 2011. As projeções para o câmbio deste ano estão estabelecidas em R$ 1,80 conforme os 14 últimos relatórios, porém sofreu alteração para 2011, passando de R$ 1,89 para R$ 1,90.

Segundo os especialistas entrevistados pelo BC, a dívida líquida do setor público deve terminar em 41% do PIB, enquanto no próximo ano deve ser de 39,50%, queda com relação ao registrado no documento anterior (39,70% do PIB).

O mercado projeta que a produção industrial deve apontar crescimento de 11,94% em 2010, ante 11,32% observado no último Focus, e expansão de 5% em 2011 (mesmo patamar há 17 semanas). Com relação à conta corrente, os consultados revisaram suas expectativas de déficit de US$ 47,57 bilhões para recuo de US$ 47,78 bilhões, em 2010. Para 2011, houve ligeira queda, ao passar de déficits de US$ 57,99 bilhões a US$ 58 bilhões. A balança comercial é esperada a encerrar este ano em US$ 15,10 bilhões, ante US$ 15,36 bilhões conforme previsão anterior, e 2011 em US$ 7 bilhões, alta comparada à estimativa passada de US$ 6 bilhões.

O relatório Focus do Banco Central mostra que o mercado elevou sua projeção para o crescimento econômico em 2010 de 7,06% na semana passada para 7,13% ontem.

Do Portal Gestão Sindical

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No RS, Hospital São Pedro guarda resquícios de modelo manicomial

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 (1) Comentário Imprimir

O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado brasileiro a ter uma lei de reforma psiquiátrica. Em 1992, nove anos antes da aprovação da lei nacional, o estado determinava, por meio da Lei nº 9.715, a proteção aos portadores de transtorno psíquico e a substituição progressiva dos leitos nos hospitais psiquiátricos por uma rede de atenção integral em saúde mental. Dezoito anos depois, o Rio Grande do Sul ainda guarda resquícios do antigo modelo.

Em Porto Alegre, o Hospital Psiquiátrico São Pedro, criado em 1884, é a lembrança ainda viva dos tempos de encarceramento da loucura. O prédio de arquitetura neoclássica, com 12.324 metros quadrados e seis pavilhões, chegou a abrigar 5 mil pessoas.

Hoje são cerca de 500 pacientes; 293 ainda vivem no modelo asilar. A maior parte é de mulheres que estão há mais de dez anos na instituição. O restante, cerca de 200, recebe tratamento de urgência e emergência e fica hospitalizado por períodos curtos. Destes, 70% buscam atendimento por uso de drogas, principalmente crack.

Segundo o diretor do hospital, o psiquiatra Luiz Carlos Coronel, 80% dos moradores precisam de ajuda para comer e fazer a higiene pessoal. Além do distúrbio mental grave, 90% têm doença clínica e 20% são cegos. “A maioria deles tem mais de 60 anos, metade é esquizofrênica e a outra metade tem retardo mental, mas são bem cuidados”, afirma.

Luiz Carlos Coronel discorda da necessidade de fechamento dos hospitais psiquiátricos. “Não é possível uma sociedade sem hospitais psiquiátricos como não é possível sem prisões. O sonho acabou. Eu também faço parte da geração que era contra as prisões e os manicômios na década de 70, mas não dá para abrir mão dos hospitais.”

A irmã Paulina, que dedicou boa parte de seus 80 anos ao atendimento a doentes no Hospital São Pedro, diz que o trabalho da instituição foi importante e relembra com entusiamo o surgimento de métodos de tratamento hoje em desuso no país.

“O eletrochoque foi a salvação do São Pedro. Quantos doentes catatônicos e esquizofrênicos que morriam, que não queriam comer nada. Depois com dois ou três eletrochoques eles melhoravam. Era o começo do viver”, destaca a irmã, que é técnica em enfermagem, mas hoje apenas presta orientação religiosa aos pacientes. Atualmente, o Serviço Único de Saúde (SUS) não repassa recursos para o tratamento com eletrochoques.

De acordo com a psicóloga e professora de residência integrada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Sandra Fagundes, o Hospital São Pedro ainda mantém muitas características do modelo anterior à reforma antimanicomial, com regras disciplinares extremamente rígidas e descuido com os internos. “Os pacientes ainda adoecem por descuido, contaminação por doenças de outros pacientes e desnutrição”, diz.

Segundo a representante do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul Fátima Fischer, é forte a resistência dos psiquiatras do hospital às mudanças determinadas pela reforma. “O que está em questão é o poder da ciência psiquiátrica, que agora está fragilizado, já que a reforma trabalha com uma equipe multidisciplinar.”

A direção do hospital autorizou a reportagem da Agência Brasil a conversar com alguns pacientes indicados que vivem na Unidade Morel, considerada exemplar pelos gestores da instituição por estimular a autonomia dos internos com atividades artísticas e na área de culinária. No local, há pessoas internadas há mais de 15 anos. Cerca de 30% são oriundos da antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem).

Um dos pacientes é Carlos Langoni, 56 anos. Ele afirma que quer ir embora para Esteio onde vivia antes de ser levado para o Hospital São Pedro. “Aqui é bom e é ruim, por isso quero ir embora para Esteio [cidade da região metropolitana de Porto Alegre]. Eu não tenho mais família lá, mas quero ir embora.”

Da Ag. Brasil

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Congresso da CSI exige igualdade de gênero e respeito aos direitos de trabalhadores

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

“A igualdade de gênero é um objetivo chave na relação com os direitos humanos e um componente de justiça social”. Assim começa a resolução final sobre igualdade de gênero do Segundo Congresso Internacional da CSI, encerrado no último dia 25 em Vancouver, Canadá. A resolução é resultado de cinco dias de intensas discussões, e estabelece uma série de princípios para a luta das mulheres. Além dessa resolução, o Congresso da CSI liberou um segundo documento, tratando da promoção e defesa dos direitos fundamentais de trabalhadores e trabalhadoras.

Com essa resolução sobre igualdade de gênero o Congresso pede que a CSI, trabalhando junto com os sindicatos internacionais, intensifique a campanha por vida decente para a mulher trabalhadora. Para tanto, pede que sejam ampliados os esforços na busca pela igualdade de gênero no local de trabalho e nos sindicatos, além de estimular a organização das mulheres trabalhadoras.

A CSI aponta também a preocupante diferença de gênero que surge em estatísticas ligadas ao acesso ao mercado de trabalho, frisando que a mulher é vítima mais acentuada da onda de desemprego global. Pede que essa diferença de impacto seja levada em conta na elaboração de políticas econômicas e de emprego. Exige o respeito pleno aos direitos fundamentais dos trabalhadores nas zonas francas industriais (ZFIs), onde as mulheres chegam a representar 80% da força de trabalho. E conclama os sindicatos a uma integração maior das mulheres em seus quadros, tomando a iniciativa e incorporando mais a mais as demandas das mulheres trabalhadoras em seus planos políticos e de ação.

A segunda resolução da CSI é focada nos direitos fundamentais dos sindicatos e da classe trabalhadora em geral. Na abertura do documento, a CSI afirma que “os direitos sindicais são direitos humanos e a promoção e defesa dos direitos fundamentais dos trabalhadores deve ser uma prioridade essencial”.

A divulgação da resolução foi precedida por um vídeo da CSI, mostrando uma série de crimes, agressões e assassinatos cometidos contra sindicalistas durante o ano de 2009. Agnes Jongerius, da FNV holandesa, anunciou logo depois que, durante os cinco dias de Congresso Internacional da CSI, três companheiros sindicais haviam sido assassinados no mundo – um professor colombiano e dois iraquianos.

Em sua resolução, a CSI qualifica como inaceitável a situação de mais de 200 milhões de crianças ao redor do mundo, forçadas a trabalhar ao invés de cursarem a escola e se integrarem em atividades mais adequadas a um ser humano em formação. Sublinha a necessidade dos sindicatos de todo o mundo estarem unidos e engajados na luta contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. Por fim, propõe um plano de ação em caráter de urgência para combater os abusos ligados ao atual modelo de globalização.

Com informações da CSI
Igor Natusch – Instituto Observatório Social

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Recuperação de rodovias do Nordeste deve custar mais de R$ 70 milhões

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

Os Estados de Alagoas e Pernambuco deverão receber do Ministério dos Transportes mais de R$ 70 milhões em recursos para recuperação das rodovias danificadas pelas chuvas dos últimos dias. A informação é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O decreto para a liberação dos recursos deve sair ainda esta semana, após término do levantamento feito pelas equipes do órgão e apresentado à Presidência da República. O valor pode ultrapassar a previsão de R$ 72 milhões para a recuperação das vias devido às chuvas que persistem na região deixando mais estragos às estradas, segundo o Dnit.

Em Pernambuco, o Dnit prevê a necessidade de R$ 57 milhões para a execução de obras emergenciais para reparar danos provocados pelas chuvas na BR-101. O valor é R$ 17 milhões mais alto do que o previsto anteriormente, pois inclui a celebração de convênio entre Dnit e Governo de Pernambuco para recuperação em pontes e rodovias estaduais.

O tráfego na BR-101/PE está interrompido em Palmares (km 185,6), onde duas pontes sobre o Rio Una foram destruídas. O tráfego na divisa com Alagoas (km 213 – ponte sobre o Rio Jacuípe), cuja cabeceira tinha sido afetada pelas chuvas, foi restabelecido no último dia 23.

O tráfego na BR-101 será restabelecido, com a reconstrução das duas pontes sobre o Rio Una – serviço que será concluído em 180 dias. As pontes têm 160 metros de extensão cada, e agora serão reconstruídas em altura superior à da última enchente. Além disso, será reconstruído mais um quilômetro de pista que foi totalmente destruída – esse trabalho será concluído em 60 dias.

Em Alagoas, serão necessários R$ 15 milhões, segundo estimativa do Dnit, para a execução de obras emergenciais para reparar e prevenir danos provocados pelas chuvas. Esse valor é R$ 6 milhões mais alto do que a previsão anterior, pois o Dnit fará convênio com o Governo do Estado de Alagoas para recuperar rodovias estaduais que servirão de desvio enquanto o tráfego na rodovia federal não for restabelecido.

Do Estadão

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Indústria naval deve contratar 300 mil trabalhadores até 2014

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

A verdadeira revolução vivida pelo Brasil na indústria naval está multiplicando empregos em terra firme. O país, que já foi o terceiro maior construtor de navios na década de 1970, viu o setor praticamente falir nas duas décadas seguintes. Hoje, os estaleiros comemoram a retomada do crescimento. O sucesso é puxado principalmente pelo setor petrolífero, impulsionado pelas descobertas no pré-sal, e também pela decisão do governo de impulsionar o transporte marítimo e fluvial, que há muito estava esquecido, substituído pelo transporte rodoviário.

Nos últimos dez anos, os empregos diretos gerados na área pularam de 1,9 mil em 2000 para 46,5 mil em 2009. Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, os postos de trabalho diretos devem chegar a 60 mil e os indiretos, a 240 mil, gente suficiente para lotar três estádios como o Maracanã. Os dados são do relatório Cenário 2010 – 1º Trimestre, do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

A continuidade deste crescimento deverá recolocar o Brasil entre os países líderes na construção naval mundial, graças à decisão do governo de privilegiar os investimentos em estaleiros nacionais, segundo informou o ministro dos Portos, Pedro Britto. Ele previu que, em pouco tempo, o Brasil deverá disputar mercados com potências asiáticas que hoje dominam a construção naval, tanto de navios quanto de plataformas. “Nós temos que estar preparados para competir com os gigantes da área naval que hoje dominam o mercado, como a Coreia do Sul, a China e o Japão. Para isso, é preciso desenvolver nossas competências para disputarmos em igualdade de produtividade, com mão de obra qualificada”, frisou.

Além da força impulsionada pelas descobertas de petróleo na plataforma continental brasileira, o ministro ressaltou a decisão de se investir em outra matriz de transporte, retomando a vocação natural do país para utilizar os mais de 8 mil quilômetros de costa e a extensa rede de rios. “O Brasil tem mais de 40 mil quilômetros de vias interiores navegáveis. Nós precisamos investir em cabotagem [navegação costeira]. Atualmente, só 13% do transporte brasileiro são feitos por hidrovias. Nos próximos 15 anos, precisamos mudar isso para 29%, o que vai reduzir o custo de transporte e os impactos no meio ambiente”, avaliou.

Para evitar gargalos justamente na área que administra, Pedro Britto lembrou da necessidade de mais investimentos nos portos, que precisam ser modernizados, e, principalmente nas vias de acesso. “Os investimentos que estão sendo feitos na dragagem dos 20 maiores portos brasileiros e no reequipamento dos portos menores vão reforçar a posição brasileira de transferir grande parte do transporte rodoviário – que hoje detém 58% da movimentação de cargas no país – para hidrovias e navegação de cabotagem. Com isso, a cadeia logística se tornará muito mais competitiva e o país vai poder exportar com menor custo”, disse o ministro.

Um exemplo desse tipo de iniciativa é a decisão da Petrobras de investir em transporte hidroviário, como informou na semana passada o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Segundo ele, a estatal estará recebendo até a próxima quarta-feira (30) propostas de empresas interessadas em participar da licitação para a construção de 20 navios empurradores e 80 barcaças. Os comboios, que serão construídos por um estaleiro da região, vão atuar na no transporte de gasolina e álcool combustível na Hidrovia Tietê-Paraná, com potencial para substituir 40 mil viagens de caminhões por ano. O início das operações está previsto para 2012. A construção das embarcações deve gerar 3 mil empregos.

Da Rede Brasil Atual

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Transtornos mentais atingem 23 milhões de brasileiros

Publicado por Administrador 29 junho, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros (3% da população) sofrem com transtornos mentais graves e persistentes. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar de a política de saúde mental priorizar as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais prevalentes estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.

Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por distúrbios mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mental ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados da OMS indicam que 62% dos países têm políticas de saúde mental, entre eles o Brasil. No ano passado, o país aplicou R$ 1,4 bilhão em saúde mental.

Desde a aprovação da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), os investimentos são principalmente direcionados a medidas que visam a tirar a loucura detrás das grades de hospícios, com a substituição do atendimento em hospitais psiquiátricos (principalmente das internações) pelos serviços abertos e de base comunitária.

Em 2002, 75,24% do orçamento federal de saúde mental foram repassados a hospitais psiquiátricos, de um investimento total de R$ 619,2 milhões. Em 2009, o percentual caiu para 32,4%. Uma das principais metas da reforma é a redução do número de leitos nessas instituições. Até agora, foram fechados 17,5 mil, mas ainda restam 35.426 leitos em hospitais psiquiátricos públicos ou privados em todo o país.

A implementação da rede substitutiva – com a criação dos centros de Atenção Psicossocial (Caps), das residências terapêuticas e a ampliação do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais – tem avançado, mas ainda convive com o antigo modelo manicomial, marcado pelas internações de longa permanência.

O país conta com 1.513 Caps, mas a distribuição ainda é desigual. O Amazonas, por exemplo, com 3 milhões de habitantes, tem apenas quatro centros. Dos 27 estados, só a Paraíba e Sergipe têm Caps suficientes para atender ao parâmetro de uma unidade para cada 100 mil habitantes.

As residências terapêuticas, segundo dados do Ministério da Saúde referentes a maio deste ano, ainda não foram implantadas em oito unidades federativas: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Tocantins. No Pará, o serviço ainda não está disponível, mas duas unidades estão em fase de implantação. Em todo o país há 564 residências terapêuticas, que abrigam 3.062 moradores.

Da Agência Brasil

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