Arquivo de julho, 2010
Mais tempo com a mãe, adulto mais saudável
Os seis primeiros meses de vida da criança são essenciais para o desenvolvimento do seu cérebro, por que nesse tempo a velocidade de crescimento do órgão, de duas gramas ao dia, é a mais acelerada durante a vida do ser humano. O dado reforça o benefício do aleitamento materno e do convívio com a mãe no período para a formação de um adulto seguro e com plena capacidade afetiva.
A afirmação é da médica pediatra Valdenise Martins Laurindo Tuma Calil, membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), para destacar a importância da ampliação da licença maternidade. Ela foi uma das expositoras do debate A importância da licença de 180 dias, realizado na última sexta-feira pela Secretaria da Mulher da Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM) CUT.
Segundo a pediatra, é fundamental que os sindicatos abracem a causa. “Vocês têm um papel social muito forte. Temos que conscientizar os empresários e as trabalhadoras de que o aumento da permanência da mãe com a criança nestes primeiros seis meses contribuirá para a formação de homens e mulheres saudáveis”.
Ao adotar o programa, segundo ela, a empresa também ganha porque cai o índice de faltas de mães por motivo de saúde dos filhos.
Valdenise alertou que, muitas vezes, as trabalhadoras têm medo de serem discriminadas no emprego ou de perderem seus postos nas empresas, se pleitearem a ampliação da licença. “Isso é um absurdo. As mães não podem ter este medo. Afinal o momento mais importante da vida de uma mulher é quando são mães”, frisou.
Um direito da mãe e da criança
A nova lei que garante às trabalhadoras mães a ampliação da licença-maternidade de 120 dias (quatro meses) para 180 dias (seis meses) e a dedução de impostos para a empresa participante está assegurada pelo Programa Empresa Cidadã, criado pela Lei Federal 11.770 em janeiro deste ano.
O auditor fiscal da Receita Federal, Eduardo Newman de Mattera Gomes, outro expositor do debate, falou que para aderir ao Programa Empresa Cidadã as empresas devem estar em situação regular com o fisco, ou seja, em dia com os pagamentos de seus impostos. Ele explicou que não podem participar do programa as micros e pequenas empresas (MPEs), porque foi vetado no texto da nova lei.
A MPEs representam 98% das empresas brasileiras, totalizando cinco milhões de micro e pequenas empresas. “Vocês do movimento sindical podem mudar esta realidade, reivindicando que as MPEs também façam parte do Programa Empresa Cidadã”, contou o auditor.
Do Sindicato do ABC
Autoridades ainda resistem a condenar tortura no Brasil, diz relatório
O Relatório sobre Tortura: uma Experiência de Monitoramento dos Locais de Detenção para Prevenção da Tortura, elaborado pela Pastoral Carcerária, mostra que juízes e promotores ainda resistem a combater esse tipo de prática no Brasil.
De acordo com o documento, as denúncias dos presos raramente são levadas a sério. A Agência Brasil teve acesso à integra do relatório, que será divulgado na próxima segunda-feira (2).
“Fica patente que as autoridades competentes para investigar, processar e condenar os torturadores – juízes, delegados de polícia e promotores de Justiça – geralmente têm pouca ou quase nenhuma motivação para fazer cumprir a lei e as obrigações assumidas pelo Estado brasileiro de debelar e prevenir a tortura”, diz o documento.
De acordo com o assessor jurídico da Pastoral Carcerária, José de Jesus Filho, a entidade denunciou 211 casos de tortura entre 1997 e 2009. Porém, a maioria dos torturadores não sofreu punições. “Os juízes e promotores acham que estão enfraquecendo a autoridade pública. O que o criminoso diz é sempre mentira. Em vez de julgar com isenção, eles preferem julgar a favor do agente público”, disse.
Para José de Jesus Filho, o sistema prisional passa por um momento crítico. “Há uma tensão entre agentes públicos que ainda carregam a tradição ditatorial e praticam a tortura e aqueles que querem mudar isso e se colocam contra esse tratamento cruel”, afirmou o assessor jurídico, que coordenou a elaboração do relatório.
O documento contém um trecho da pesquisa da coordenadora-geral da Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura (Acat-Brasil), Maria Gorete de Jesus. A entidade analisou 51 processos criminais de tortura na cidade de São Paulo, no período de 2000 a 2004. Dos 203 réus, 127 foram absolvidos, 33 foram condenados por tortura e 21 por outros crimes (lesão corporal ou maus-tratos).
“O que significa dizer que apenas 18% foram condenados e 70% foram absolvidos. Dos 203 réus, 181 eram agentes do Estado acusados de crime de tortura. Entre os 12 civis acusados, a metade foi condenada”, afirma o relatório.
Segundo o documento, nos casos de tortura envolvendo agentes do Estado, a produção de provas é frágil e o corporativismo policial interfere diretamente na apuração das denúncias. Além disso, o governo raramente coloca em prática os mecanismos internacionais contra tortura ratificados pelo Brasil.
“Nas sentenças é comum encontrar questionamentos quanto às lesões constatadas na vítima, colocando em dúvida não somente a palavra da pessoa agredida, mas também a autoria do crime. Chega-se ao ponto de dizer que a própria vítima teria sido responsável pelos ferimentos”, diz o texto.
A Pastoral Carcerária registrou casos de tortura em 20 estados brasileiros, sendo o maior número de casos em São Paulo (71), no Maranhão (30), em Goiás (25) e no Rio Grande do Norte (12). De acordo com o coordenador nacional da Pastoral Carcerária, padre Valdir João Silveira, em alguns estados, as equipes ainda não estão treinadas para fazer o levantamento de dados e o acompanhamento dos casos.
“[Os dados] foram levantados por agentes da Pastoral Carcerária, pessoas que semanalmente vão aos presídios para evangelizar e catequizar, mas, perante a violência nos presídios, buscam também o direito das pessoas que estão aprisionadas, que o Estado está tratando com tortura e maus-tratos.”
Da Ag. Brasil
Vox Populi: Dilma abre 8 pontos sobre Serra no 1º e no 2º turnos
A pesquisa eleitoral do Instituto Vox Populi, contratada e divulgada sexta-feira (23) pela Band e pelo Portal IG, mostra mais uma vez a liderança da candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff. Dessa vez, a petista tem 8 pontos percentuais de vantagem em relação ao segundo colocado, José Serra (PSDB).
O levantamento aponta Dilma com 41% das intenções de voto, contra 33% do tucano. Marina Silva, candidata do PV, tem 8%. Na sondagem anterior, divulgada no dia 29 de junho e que incluía 11 nomes, Dilma tinha 40% contra 35% de Serra e 8% de Marina.
O Vox Populi aponta ainda que os demais candidatos somam 1% da intenção de votos. Os votos brancos e nulos chegam a 4%. E 13% dos entrevistados disseram que ainda estão indecisos.
Esse foi o primeiro levantamento desde a oficialização das candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O instituto ouviu 3 mil eleitores nesta semana, e a margem de erro é de 1,8 ponto percentual.
Voto espontâneo
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado não recebe uma lista para escolher o candidato preferido, Dilma também lidera. A petista tem 28%, contra 21% do candidato do PSDB e 5% de Marina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo sem estar concorrendo, tem 4% das intenções de voto.
A rejeição do candidato tucano também é a maior entre os concorrentes: 24%. A de Dilma é a menor e ficou em 17%.
Segundo turno
Numa possível disputa entre Dilma e o candidato tucano no segundo turno, a candidata do PT também venceria segundo o levantamento. Dilma teria 46% das intenções de voto e Serra apenas 38%.
A candidata que representa a continuidade do governo Lula tem o melhor desempenho na região Nordeste, onde abre 30 pontos de vantagem em relação ao concorrente da oposição (54% a 24%). O tucano só leva vantagem na região Sul, onde a pesquisa aponta uma vantagem de 4 pontos em relação à Dilma (39% a 35%).
Na região Sudeste, onde se concentra o maior eleitorado do país, há um empate técnico. O tucano tem 36% da intenção de votos, e Dilma está com 34%.
A petista lidera tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Ela tem 43% das intenções do eleitorado masculino contra 34% de Serra e 7% de Marina. No eleitorado feminino, Dilma tem 38%, o tucano 32% e a verde 9%. Dilma também é a preferida em todas as faixas e níveis de ensino.
Da Fecesc
Crise Busscar: empresa está totalmente paralisada
Com quatro meses de salários atrasados, sem o décimo-terceiro de 2009, faltando comida em casa, com o iminente corte de água e luz nas suas casas, sem a carteira de trabalho liberada para ter a dignidade de receber e buscar novos empregos e trabalho, e com as dívidas aumentando a cada dia, os trabalhadores da Busscar Ônibus estão contando os dias para o fim do prazo dado pela Justiça do Trabalho para que a empresa pague alguns dos atrasados.
Na semana passada cerca de 500 trabalhadores assinaram procurações para o encaminhamento das rescisões indiretas. No dia da assembleia geral eram aproximadamente 1,3 mil que aprovaram a saída. O departamento jurídico do Sindicato, após o mutirão realizado para atender o que foi decidido em assembleia, mantém uma tarde – todas as terças-feiras a partir das 14 horas na sede central – para atender aos interessados que ainda entendem ser essa a sua melhor decisão.
A empresa está totalmente paralisada. A Justiça do Trabalho determinou no dia 9 de julho que a Busscar pague salários atrasados e décimo-terceiro de 2009 em até 15 dias, e esse prazo vence dia 24 (sábado) e deve valer então a segunda-feira como data final. A Justiça bloqueou também todos os bens móveis e imóveis das empresas do Grupo e dos acionistas para garantia de pagamento dos direitos dos trabalhadores. Caso a empresa não pague os salários no prazo estipulado, a Justiça deve determinar arresto de bens para leilão, e a partir da venda, o pagamento dos atrasados.
Intransigência e descaso
Diante de todo esse quadro caótico que envolve pessoas e suas famílias – seres humanos que precisam se alimentar e viver dignamente – a diretoria da empresa e seus acionistas não se manifestam. Não dizem se vão pagar os atrasados, se vão disponibilizar alimentação aos seus trabalhadores, se vão abrir o capital e deixar novos acionistas tocarem a empresa, enfim, estão tratando a mais de 10 mil pessoas, aproximadamente, com um descaso que agride a consciência de quem teme a Deus.
Diante dessa intransigência e descaso, os trabalhadores buscam no Sindicato sua guarida, e o Sindicato tem mantido sua postura e lado que é o dos trabalhadores e seus direitos. Desde o início a entidade se posicionou claramente, e tem até os últimos dias buscado saídas, mas a Busscar não abre qualquer possibilidade de acordo. Querem tudo,mas não abrem mão de nada. Preferem deixar seus trabalhadores presos ao liberá-los para uma nova vida. Dessa forma forçam a que entrem na Justiça para se verem livres do pesadelo.
O Sindicato, mais uma vez, procurou os remanescentes de cargos de confiança que ainda estão na empresa para ouvir algum sinal, mas nada de concreto veio. Insistem em não liberar os trabalhadores, em não abrir para novos sócios, e assim arruinam não só a marca Busscar, mas também endividam ainda mais a empresa, e seus trabalhadores que ainda acreditam na retomada. Afinal, a cada dia aumentam as dívidas com os trabalhadores, fornecedores, bancos e tudo o mais. Que administração racional faria isso?
Segundo o presidente do Sindicato, João Bruggmann, os trabalhadores comentam diariamente na sede central sobre todo o apoio que deram a empresa, e que agora queriam o retorno, mas o que recebem é o desrespeito à sua dignidade.
“O Sindicato está ao lado dos trabalhadores, e espera as decisões finais da Justiça. Tentamos de todas as formas negociar com os acionistas, buscamos saídas para novos acionistas lá no BNDES e bancos credores, buscamos resguardar os direitos dos trabalhadores com as ações, e ainda assim insistimos com acordo, mas a intransigência, a falta de solidariedade, de Deus no coração, impede essa gente de ver o sofrimento dos trabalhadores. Mas nós não vamos parar, ainda acreditamos na solução que atenda a retomada da produção e manutenção dos empregos e renda”, declarou Bruggmann.
Governo eleva projeção de crescimento da economia para 6,5%
A previsão oficial de crescimento da economia em 2010 saltou de 5,5% para 6,5%. Os números foram divulgados há pouco pelo Ministério do Planejamento que liberou o relatório de avaliação de receitas e despesas do terceito bimestre.
A nova estimativa está no limite mínimo previsto pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada. Após reunião com empresários da União Europeia, o ministro afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar o ano com crescimento de 6,5% a 7%.
O relatório também revisou para baixo a projeção da inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que caiu de 5,5% para 5,2%. A média da taxa Selic (que mede os juros básicos da economia) aumentou de 9,19% para 9,6% ao ano.
Da Ag. Brasil
Metalúrgicos da Nilko conquistam redução de jornada em Pinhais
O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba (Simec) informa que os metalúrgicos do Grupo Nilko, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, conquistaram a jornada de trabalho de 40 horas semanais, sem redução de salário. A redução valerá para todos e começará a vigorar a partir de 1º de outubro deste ano.
A conquista na empresa, fornecedora de produtos e serviços a montadoras de produtos de telecomunicações, informática e distribuição de energia elétrica, veio após pressão dos trabalhadores que, na sexta-feira (16), paralisaram as atividades por várias reivindicações.
Além da redução da jornada, os metalúrgicos querem vale mercado de R$ 150,00, política de cargos e salários, plano de saúde e melhoria na forma de pagamento da PLR.
Da Ag. Sindical
Eleitorado cresce 8,5% e chega a 135,8 milhões
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta terça-feira (20) dados consolidados sobre o eleitorado brasileiro que mostram que 135,8 milhões de eleitores estão aptos a votar nas eleições de outubro. O número é 8,5% maior que o da última eleição presidencial, de junho de 2006, quando o total de eleitores brasileiros era de 125,9 milhões. Os dados foram repassados ao TSE pelos tribunais regionais eleitorais (TREs).
O principal colégio eleitoral do país continua a ser o estado de São Paulo, com 22,3% do total de eleitores brasileiros –30,3 milhões de pessoas aptas a votar neste pleito–, seguido de Minas Gerais, com 14,5 milhões de eleitores (10,6% do eleitorado).
Em seguida, os estados com mais eleitores são o Rio de Janeiro (11,5 milhões de eleitores e 8,5% do eleitorado nacional), a Bahia (9,5 milhões e 7%) e o Rio Grande do Sul (8,1 milhões e 5,9%). O menor colégio eleitoral é Roraima –271,8 mil eleitores (0,2% do total).
A maioria do eleitorado brasileiro é composto de mulheres –51,8% das pessoas aptas a votar, ou 70,3 milhões de eleitoras. Os homens representam 65,2 milhões de votantes. Em 2006, o eleitorado feminino correspondia a 51,5% (64,8 milhões de votantes) e o masculino, a 48,3% (60,8 milhões).
Com 984,6 mil eleitoras (53,6% do total), o Distrito Federal é a unidade da federação com o maior proporção de mulheres votantes, seguido do Rio de Janeiro, com 6,1 milhões de eleitoras (53,2% do total).
Segundo o TSE, 200,3 mil eleitores devem votar no exterior. O voto para quem está fora do país vale apenas para os cargos de presidente e vice-presidente.
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, o perfil básico do eleitor brasileiro são pessoas do sexo feminino com idade entre 25 a 34 anos. A maioria dos estados tem maior percentual de mulheres eleitoras, com exceção de Mato Grosso, Pará, Roraima e Rondônia.
“O aumento do eleitoral ele se estende em todos os outros números, como sessões, pontos de votação e de mesários convocados e tudo corresponderá a esse aumento”, afirmou Janino.
O assessor da Corregedoria-Geral Eleitoral do TSE, Sérgio Cardozo, afirmou que o aumento total do eleitorado brasileiro e a predominância feminina já eram esperados pela Justiça eleitoral.
“É difícil de estabelecer circunstância determinante da movimentação do eleitorado. De acordo com o padrão vegetativo do eleitorado, de uma eleição para outra, a média de crescimento é de 4%. Não apresentou-se surpresa em relação ao aumento e ao número maior de mulheres. Não há como explicar essa tendência de maior participação feminina, talvez interesse maior das mulheres ou fator genético do eleitorado”, afirmou o assessor do TSE.
Do G1
Caio/Induscar contrata em Joinville quinta e sexta-feira
Com a Busscar em situação falimentar, sem pagar salários a quatro meses e desrespeitando direitos básicos dos trabalhadores, muitas empresas estão interessadas no talento dos trabalhadores que estão sendo abandonados pela empresa.
Semana passada empresas vieram à Joinville para contratar essa mão de obra especializada que está em busca de um futuro melhor para sua família. A partir da próxima quinta-feira (22/7) e sexta-feira (23/7) a empresa Caio/Induscar estará na cidade para recrutar os interessados. O atendimento será feito na Recreativa do Sindicato em horário comercial.
A Caio/Induscar oferece vagas de Soldadores, Pi OPntores, Operadores de Máquinas, Montadores, Modeladores, Eletricistas, serralheiros; Engenheiros, Desenhistas Mecânicos, Projetistas, Project Leader, Técnicos e Analistas de Processos, Assistente de Produção, profissionais com experiência em CKD, profissionais de logística, de manutenção industrial; Supervisores, Chefes de Produção, e de Áreas Técnicas.
Seus recrutadores estarão atendendo no Centro Esportivo e Recreativo do Sindicato dos Mecânicos localizado na rua Rui Barbosa, 495 no bairro Costa e Silva a partir das 8:30 horas. O Sindicato está disponibilizando a sede recreativa para atender pedidos dos trabalhadores que precisam garantir o sustento de suas famílias.
Alimentos
A Campanha de Alimentos para os trabalhadores da Busscar deve ser finalizada ainda esta semana. Ainda há cestas básicas para quem necessitar, bastando se dirigir até a sede do Sindicato no centro da cidade, onde pessoas autorizadas e responsáveis pelo armazenamento farão a entrega. Não há mais alimentos na Busscar.
Essa foi mais uma iniciativa do Sindicato para atender emergencialmente a quase três mil trabalhadores que foram abandonados pela empresa, sem salários a quatro meses, sem 13o. de 2009, e que sequer tem suas carteiras de trabalho liberadas para trabalhar em paz em outra empresa.
Segundo o presidente João Bruggmann, o Sindicato fez e está fazendo sua parte, mas a Busscar tem de fazer a sua, pagando os atrasados, abrindo o capital para novos acionistas retomarem a produção, e inclusive se esforçar então para oferecer alimentos aos seus trabalhadores.
“Essas pessoas merecem mais consideração pelo que já fizeram pela empresa e seus acionistas. Falta mais Deus no coração dos acionistas da Busscar, mais solidariedade para com esses seres humanos”, afirma Bruggmann.
Empresas são excluídas do Pacto pela Erradicação do Trabalho Escravo
O Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo divulgou uma lista de empresas excluídas de sua relação de signatárias. O motivo da exclusão foi o não cumprimento de obrigações no processo de monitoramento do acordo. As empresas abaixo relacionadas não responderam a Plataforma Digital de Apoio e Monitoramento, parte essencial do processo de verificação, desde dezembro de 2009, tendo sido alertadas mais de uma vez sobre a importância do cumprimento desta etapa.
Confira abaixo a nota divulgada pelo Comitê de Coordenação e Monitoramento:
O Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo tem como missão envolver e dar subsídios para que o setor empresarial e a sociedade civil atuem no combate a esse crime contra os direitos humanos. Hoje, ele congrega mais empresas e associações cujo faturamento equivale a mais de 20% do Produto Interno Bruto Nacional que se comprometem a não fazer negócios com quem se utiliza dessa prática. A decisão foi tomada após deliberação do Comitê de Coordenação e Monitoramento do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que tem o objetivo de zelar pelo cumprimento desse acordo.
As empresas abaixo relacionadas não responderam a Plataforma Digital de Apoio e Monitoramento, parte essencial do processo de verificação. As instruções de como completar o questionário e os códigos de acesso ao sistema foram encaminhados a todos os signatários do Pacto Nacional em dezembro de 2009 por correio e e-mail. Em 15 de janeiro de 2010, o Comitê de Coordenação e Monitoramento enviou um novo alerta.
No dia 29 de janeiro, mais um aviso foi feito pelo site do Pacto. No dia 08 de fevereiro, foi disponibilizada no site do Pacto Nacional (www.pactonacional.com.br) uma “lista de atenção”, com a relação dos inadimplentes bem como uma solicitação para que entrassem em contato com o Comitê o mais breve possível.
Em 08 de março de 2010, o Comitê de Coordenação e Monitoramento do Pacto Nacional suspendeu essas empresas e as comunicou por escrito que, a partir daquela data, teriam 90 dias para regularizar a situação, caso contrário seriam retiradas do acordo em definitivo. Mas, infelizmente, durante esse período, essas empresas continuaram ignorando os apelos para participar do monitoramento. Todo o processo obedeceu ao que está previsto no Código de Conduta do Pacto Nacional.
O cumprimento das obrigações do monitoramento é fundamental para a continuidade do compromisso pelo combate à escravidão. Sem transparência e sem prestar contas à sociedade, é impossível construir processos de responsabilidade social sustentáveis e que tenham credibilidade pública. Por isso, as empresas estão sendo excluídas do acordo em definitivo.
Atenciosamente,
COMITÊ DE COORDENAÇÃO E MONITORAMENTO DO PACTO NACIONAL
PELA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Instituto Observatório Social
ONG Repórter Brasil
Organização Internacional do Trabalho
Lista de empresas excluídas:
ABCRED – Associação Brasileira dos Dirigentes de Entidades Gestoras e Operadoras de Microcrédito, Crédito Popular Solidário e Entidades Similares
ABOI – Consultoria
Advocacia Grassi
Agência Sherlock Holmes Investigações
Aisha Consultoria
Ampla Energia e Serviços S/A
Apex Brasil
ARAM Cursos e Planejamento
Arantes Alimentos Ltda
Arizona – Gráfica
Arno S/A
Assessoria Educacional Recanto do Saber
Associação Brasileira de Preservadores de Madeira
Associação Pestalozziana do Conhecimento
Benagri Agrícola Ltda.
Benalcool Açúcar e Álcool S/A
BT Consultoria
BTE – Brasil Transportes Executivos
Canaã Alimentos Ltda
CHESF – Cia. Hidroelétrica do São Francisco
Civitas – Consultoria
Coelce – Companhia de Energia Elétrica do Ceará
Comgás
Conexão Social Organização e Gestão Empresarial
Consulte – Consultoria e Assessoria em Relações Governamentais Ltda
Cormeq Agropecuária e Comércio Ltda
Dindinhos Turismo
E2 Educação e Eventos
Ecos Bio – Engenharia e Estudos Ambientais
Editora Montag Ltda
Editora Panorama Ltda – ME
Fazenda São Luiz
Federação das Indústrias do Paraná
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
Folha do Taquaral
Freeway Brasil
Frical Frigorífico Ltda
Frigorífico Frimat
Frigorífico Silva Indústria e Comércio
Frigorífico Vale do Guaporé S.A.
Frigorífico Vangélio Mondelli Ltda.
Gabarito de Marketing Editorial
Iandê – Inovação e Desenvolvimento Sustentável
IBGS – Instituto Brasileiro de Gestão Sustentável
Imobiliária Estrella
IMPA – C&T
Interativa Informática Ltda
Intercade – Centro Internacional
Instituto Neo Pesquisa e Desenvolvimento
JA Narciso Brindes ME
José Ruy
Juína Frigorífico Ltda
Midiavix Comunicação Ltda
Mundo Azul
Nassan Engenharia Ltda
News Empreendimentos e Construções Ltda
Newswire Comunicação Ltda.
Nova Carne Ind. de Alimentos
Nutrimental
PATRI – Relações Governamentais e Políticas Públicas
PPP Associados Ltda
Projel Engenharia Especializada Ltda
Rodopa Exportação de Alimentos e Logística Ltda
Rodovias das Colinas
Roseservice
SIMPI – Sindicato das Micro e Pequena Indústrias
Sistema Nova Mensagem de Comunicação
SSB – Selos de Segurança do Brasil Ltda
Statoil do Brasil Ltda
Susa Ind. Ltda
Synergia Consultoria Urbana e Social
Ticket Serviços S/A
Translogistics Consultoria
Tribal
Unimed Litoral
Unisuam
Vandilson Joaquim de Souza – Comércio de Material Esportivo
Wessel Culinária e Carnes Ltda.
Winsdata Sistemas de Inf. e Automação
WTG – Promotora de Vendas Ltda
Fonte: Repórter Brasil
“Caminhando sobre camada de gelo fina”
Alguns países da União Européia seguem “caminhando sobre camada de gelo fina” em relação à possibilidade de eclosão de uma crise financeira de grandes dimensões. A Grécia foi mais uma vez rebaixada por agências de avaliação de risco na primeira quinzena de junho.
Vários países adotam programas pesados de austeridade, envolvendo forte ajuste do setor público, cortes de gastos sociais, reformas previdenciárias, cortes de salário do funcionalismo público e cortes de pessoal do setor
público.
Esses programas são adotados tanto em países onde a crise é evidente (Países Bálticos, Grécia, Portugal, Espanha), quanto em países em que as fragilidades financeiras não estão tão explícitas, como a Alemanha (este país anunciou no fim do mês passado cortes de gasto público da ordem de US$ 80 bilhões).
O receio é que os programas de ajuste abortem a recuperação das economias que estavam começando a dar alguns sinais, após a crise aguda em 2008, ampliem o desemprego que seguiu elevado mesmo quando aconteceram sinais de recuperação, e coloquem ainda mais incerteza sobre a recuperação da economia mundial, prolongando a crise.
Além disso, os movimentos especulativos em relação às economias européias têm provocado instabilidades financeiras no mundo, esporádicas até aqui, mas que podem se tornar mais permanentes.
A crise da Europa não acalmou nem após a mobilização de cerca de US$ 1 trilhão de dólares, talvez, neste caso, pela demora de resposta da UE, o que ajudou na instalação do pânico entre os investidores, especialmente quando estes perceberam que os bancos europeus eram os principais detentores dos títulos dos países mais atingidos pela crise, chamados depreciativamente de “Pigs” (“porcos”, em inglês, referindo-se a Portugal,
Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).
Segundo dados do BIS (Banco de Compensações Internacionais), os bancos europeus (basicamente alemães e franceses) detêm US$ 1,58
trilhão, ou 62% de toda a exposição de instituições internacionais junto a residentes na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. Em face de números como estes são normais as dúvidas acerca da capacidade de recuperação da economia mundial.
É crescente o temor, inclusive, de que as medidas de austeridade fiscal provoquem uma segunda recessão no Continente, com possível contágio para o resto do mundo. A crise na zona do euro está colocando em xeque a própria recuperação da economia dos Estados Unidos, em função de sua gravidade e pelo potencial de contaminação da economia mundial.
Os números da economia dos EUA são positivos no primeiro semestre, com crescimento da massa salarial e recuperação do nível de atividade. Mas é uma retomada ainda muito lenta, comparada com crises anteriores e o desemprego permanece em quase 10% da População Economicamente Ativa (PEA).
Não está descartada uma nova recessão decorrente do efeito-contágio da crise na Europa. A dúvida é saber que tipo de medidas podem ser tomadas, considerando que os juros anuais já são zero e o déficit fiscal atinge os dois dígitos.
O dilema dos EUA não é brincadeira: com o déficit atual, um novo pacote de estímulos fiscais pode provocar uma tremenda crise de confiança, com resultados imprevisíveis; por outro lado, cortes de gastos para melhorar a situação fiscal, podem matar a discreta retomada da economia.
Um aspecto que piora a situação dos EUA é o aumento das políticas de controle no mundo, especialmente na zona do euro, como forma de redução do déficit público. Medidas de controle começam a pipocar em vários países, como mecanismo de defesa em relação a eventuais movimentos especulativos e volatilidade financeira.
No último dia 13 a Coréia do Sul voltou a ativar mecanismos de controle sobre o câmbio, buscando deter a valorização do won, e o efeito negativo sobre a sua balança comercial. É possível que, além da Coréia do Sul e da Indonésia, que já trilharam esse caminho, outros países estejam, ao menos na área da Ásia, avaliando a implementação de medidas similares (vale lembrar que na China e Índia vigoram medidas de controle sobre fluxos cambiais).
Reunião de Ministros de Fazenda preliminar à reunião do G-20 (realizada em 25 a 27 de junho no Canadá) aponta apoio a pacotes de ajuste europeus, orientação contrária a de anteriores reuniões do G20 que falavam da necessidade de manter as políticas de ativação de gastos para suplantar a crise econômica mundial.
Outra possibilidade que também complica a economia estadunidense é uma eventual forte desvalorização do euro, o que certamente melhoraria a situação dos países exportadores da Europa, especialmente Alemanha, Itália e França, mas reduziria a competitividade dos produtos exportados pelos EUA.
Está para ser aprovada no Congresso dos Estados Unidos uma das maiores mudanças na regulamentação do sistema financeiro daquele país desde a década de 1930. Esta proposta, gestada e negociada no interior do Partido Democrata, irá aumentar consideravelmente o controle do governo sobre os bancos e mercados financeiros, questão fundamental na eclosão da crise de 2008.
Os comentários veiculados na mídia indicam que a legislação que está sendo proposta é bastante rígida, e o seu objetivo é proteger mais as pessoas físicas e evitar a necessidade de socorrer as empresas do setor
financeiro. A proposta visa também aumentar o poder das autoridades perante as atividades das grandes instituições bancárias, que teriam poder inclusive para obrigá-los a conservar reservas de capital maiores para se proteger das crises.
É um projeto ousado para o atual estágio do capitalismo nos EUA – autocraticamente gerido pelos donos do capital financeiro –, e avançado inclusive para os atualmente rebaixados padrões liberais dos EUA, ao tentar diminuir o risco sistêmico e proteger o consumidor. Mas, com forte
oposição dos republicanos, a aprovação da lei ainda está sendo garantida.
* Artigo escrito por Adhemar Mineiro e José Álvaro Cardoso, respectivamente Técnico do DIEESE da equipe do RJ e Técnico do DIEESE da equipe de SC.