Criação de Fundo Internacional de Segurança Alimentar em debate
s programas sociais brasileiros, que estão diminuindo a desnutrição e a desigualdade e mudando a realidade das famílias brasileiras, foram destacados em encontro do ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Patrus Ananias, com o diretor geral das Organizações das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, e a diretora de Cooperação Internacional do Ministério de Assuntos Estrangeiros da Espanha. Os três participam da Reunião de Alto Nível sobre Segurança Alimentar para Todos, que começou nesta segunda-feira (26/01), em Madri.
“Está na hora do mundo, como fez América Latina e Caribe, assumir esse compromisso explìcito de erradicar a fome e agir energeticamente para alcançá-lo, traduzindo em ações e recursos efetivos esta decisão política”, afirmou o ministro Patrus Ananias, que representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na mesa de abertura do evento. “Dou meu apoio pessoal e o do Governo brasileiro à convocação de uma nova uma Cúpula Mundial de Chefes de Estado e de Governo sobre Segurança Alimentar, neste ano de 2009. Queremos uma cúpula com compromissos explícitos, acompanhamentos periódicos, metas e objetivos claros”, afirmou o ministro. O economista Jeffrey Sachs, diretor da ONU para os acordos internacionais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milenio, também participou da reunião.
Na solenidade de abertura, representantes de diversos países, ONGs e organismos internacionais concordaram que os investimentos para erradicar a fome – estimados em 30 bilhoes de dólares anuais – são relativamente modestos. Por isto, está em discussão a criação de um fundo financeiro para auxiliar os países com déficit em recursos agrários e segurança alimentar. O governo do Quênia, por exemplo, informou que 60% da população vive em regiões áridas ou semiáridas e que 10 milhoes de pessoas passam fome.
Em vídeo, Hillary Clinton informou que o governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Barack Obama, apóia as ações de erradicação da fome e a constituição de um fundo internacional. A expectativa de autoridades da FAO é que o presidente norte-americano participe da Cúpula das Américas, em abril.
O encontro de dois dias na capital espanhola é um desdobramento da Conferência de Alto Nível realizada em Roma em junho do ano passado, quando chefes de Estado discutiram a alta de preço dos alimentos. A Reunião de Madri será encerrada nesta terça feira (27/01) pelo presidente da Espanha, Jose Luis Rodrigues Zapatero, e pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon.
Experiência brasileira – Os programas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) atendem a 63,8 milhões de pessoas, em todos os municípios, e os investimentos – R$ 28,7 bilhões em 2008 – têm contribuído para que o Brasil avance no enfrentamento da pobreza, da fome e da desigualdade.
Na área internacional, o MDS já tem cooperação formalizada com diversos países e é parceiro de organismos internacionais como Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), Banco Mundial (BIRD), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), FAO, Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID), Fundo das Nações Unidas (UNICEF), Organização Internacional para o Trabalho (OIT) e Organização dos Estados Americanos (OEA).
Cuidado com o que você come
A coordenadora de Vigilância das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Greice Madeleine Ikeda do Carmo, autora do trabalho, alerta que um surto de DTA ocorre quando duas ou mais pessoas têm síndrome gastrointestinal (náuseas, vômito, diarréia) depois de ingerir alimento ou água da mesma origem. Segundo ela, é importante que nesses casos a vigilância epidemiológica do município ou do estado seja notificada. “A vigilância sendo informada, ela vai investigar as causas do surto”, afirma Greice Madeleine, ao acrescentar que, para isso, é essencial que os profissionais de saúde reconheçam a definição de surto da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O estudo revelou que os alimentos com ovos crus ou mal cozidos provocaram 874 surtos de doenças. A maionese caseira é a que mais provoca danos à saúde das pessoas. Os mistos – pratos com ingredientes de origem animal e vegetal – foram responsáveis por 666 ocorrências e as carnes vermelhas por outros 450 surtos. Segundo a coordenadora, a notificação à Vigilância Sanitária permitirá identificar o produto contaminado que afetou a pessoa.
A pesquisa identificou que 1.979 surtos foram pelo consumo de alimentos em residência, contra 22 por ingestão de produtos vendidos por ambulantes, o que não significa que a comida caseira seja mais nociva que a da rua. “A pessoa pode comprar a comida em um restaurante para consumir em casa. Se ela teve algum problema não foi pelo alimento feito em casa. Além disso, há outros fatores que podem comprometer a qualidade da comida e afetar a saúde do consumidor. Um deles é o tempo em que a comida levou para chegar à residência e em quais condições”, explica Greice Madeleine.
A coordenadora lembra que a maioria das pessoas tende a responsabilizar o último alimento consumido pelo mal-estar que sente. E nem sempre esse entendimento corresponde à verdade. Determinados organismos nocivos à saúde, como a Salmonella spp, levam mais de 24 horas para provocar problemas de saúde. Ainda de acordo com Greice Madeleine, as doenças transmitidas por alimentos se apresentam de três formas. A intoxicação alimentar ocorre quando há ingestão de toxinas pré-formadas no alimento, como a que provoca o botulismo. Há a toxinfecção alimentar. Ou seja, quando as toxinas são produzidas no organismo da pessoa que ingeriu alimentos com microorganismos patogênicos. Por último, há a infecção alimentar, quando são consumidos produtos já contaminados por microorganismos patogênicos