Assembléia Geral aprova 6% de aumento salarial em São Bento do Sul
Reunidos em assembléia geral no último sábado – 16 de maio – às 14 horas na sede do Sindicato dos Moveleiros de São Bento do Sul, os trabalhadores e trabalhadoras da categoria mecânica decidiram aceitar a contraproposta patronal apresentada à direção do Sindicato, que foi de 6%. Esse aumento salarial vale a partir de 1o. de abril, ou seja, deverá ser pago ao trabalhador, em caso de ainda não ter sido efetuado nenhum adiantamento na folha de abril. As demais cláusulas sociais não sofreram alteração, já que ainda atendem aos desejos da categoria na região do planalto norte.
Para o presidente João Bruggmann, que conduziu as negociações e comandou a assembléia geral, o resultado não foi o pretendido pelo Sindicato, mas recupera perdas com a inflação, mantendo o poder de compra dos trabalhadores e trabalhadoras. “As negociações foram difíceis até pelo momento que vive o planalto norte em sua economia já que é quase que totalmente atrelada ao dólar e setor moveleiro. O patronal de São Bento do Sul negocia duro, mas entende e trata melhor os seus trabalhadores. Penso que podemos evoluir nas próximas negociações salariais. Vamos continuar a luta”, destacou Bruggmann.
Nos próximos dias a convenção coletiva estará disponível no site do Sindicato para todos os interessados poder baixar e organizar suas questões legais.
Campanha Salarial: São Bento avança; Joinville empaca!
A Campanha Salarial 2009-2010 avançou em São Bento do Sul na semana passada, mas em Joinville continua empacada. A diferença entre as duas cidades é que um lado compreende o valor dos trabalhadores para a economia e suas empresas e se dispõe a sentar à mesa e negociar seriamente; de outro lado, não há comprometimento, respeito e atenção por quem faz a roda andar e a economia crescer.
Em São Bento do Sul com apenas duas reuniões as propostas foram apresentadas. Até o momento o patronal do planalto norte apresentou proposta oficial de 6% de aumento salarial retroativo a 1º de abril, com 7,7% de aumento no piso inicial e 8,07 para o piso maior. A próxima reunião está marcada para a próxima sexta-feira (8/5) em horário a ser definido. Segundo o presidente João Bruggmann, é possível que uma assembléia possa ser marcada já para a semana que vem, dependendo de como for o resultado da negociação do fim de semana.
Em Joinville, o patronal sequer apresentou uma proposta oficial até o momento. Apenas uma reunião longa (três horas à mesa) na terça-feira (28/4) foi realizada, mas apenas blefes foram colocados para discussão, como por exemplo, o parcelamento do índice de aumento em três vezes, com nada de aumento agora, e outras situações que foram rejeitadas de pronto pelo Sindicato, que espera uma manifestação concreta para esta semana.
“O clima nas empresas é péssimo entre os trabalhadores, já que as folhas de pagamento estão sendo fechadas sem qualquer repasse, e não há a sinalização de nenhum aumento salarial por parte do patronal. Vamos decidir as ações futuras nas próximas horas, não sendo descartada nenhuma hipótese para forçar o patronal a apresentar um número de aumento viável”, disparou João Bruggmann.
Na quinta-feira (30/4) o Sindicato parou a entrada da Metalúrgica Duque com o caminhão de som, e os trabalhadores pararam a produção para ouvir. As manifestações foram de grande revolta. “Vamos radicalizar o movimento se algo concreto não for apresentado urgentemente”, afirmou Bruggmann. O Sindicato pede que a categoria fique alerta e acompanhe o desenrolar da negociação, participando ativamente das ações de pressão para o aumento salarial.
Greves: balanço número maior em 2008 em relação a 2007
Não é mera impressão. O número de paralisações e greves neste ano está maior do que o total registrado no ano passado, quando foram registradas 316 greves, totalizando 28.519 horas paradas, de acordo com Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
“De 2004 a 2007 o número de greves manteve-se mais ou menos o mesmo, na faixa de 300 por ano. Ainda não temos o balanço fechado, mas neste ano o número cresceu consideravelmente, principalmente as paralisações de um dia”.
O fortalecimento das mobilizações decorre em parte do cenário econômico, observa Lucio. Antes do agravamento da crise externa, em setembro, os indicadores sinalizavam uma economia brasileira robusta, com um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 5,2% até junho, demanda interna expandindo-se 6,81% e a produção industrial crescendo 6,3%. “O cenário econômico ainda é favorável e os sindicatos aproveitam para pedir reajustes compatíveis com os ganhos que as indústrias obtiveram ao longo do ano”, afirma Lucio.
Um fator emocional também foi decisivo para estimular os movimentos grevistas, avalia Ricardo Antunes, sociólogo e professor da Unicamp. “Sindicatos ligados ao PT e à CUT, como são muito lulistas, estão cumprindo o chamamento do presidente Lula, quando disse que esse era o momento de os trabalhadores se mobilizarem”, afirma.
Antunes se refere ao discurso que Lula fez em maio, durante cerimônia de celebração dos 30 anos da greve na Scania, em São Bernardo do Campo (SP), a primeira desde a publicação do Ato Institucional nº 5. A mobilização liderada pelo então sindicalista Lula deu origem a uma série de greves no setor automotivo naquela época.
A evolução do cenário econômico também é levado em consideração pelos sindicatos, de acordo com Antunes. Olhando para trás, os sindicalistas vêem quase cinco anos de crescimento econômico e um movimento de recuperação de perdas salariais registradas entre a década de 1990 e os primeiros anos da atual década ainda com espaço para novos ganhos acima da inflação em 2008, afirma Antunes.
“Nunca um governante remunerou tão bem os capitais — e isso vale para bancos, capital produtivo, setor de serviços, comércio, todos. E os sindicatos também têm consciência disso”, acrescenta.
Olhando para frente, pondera, a certeza de que a crise financeira internacional impactará a economia doméstica em 2009, podendo inclusive provocar elevação do desemprego, gera entre os sindicalistas a sensação de que as chances de obter ganhos salariais acima da inflação vão se reduzir drasticamente no próximo ano. “Criou-se uma sensação de que é agora ou nunca”.
Na avaliação do consultor João Guilherme Vargas Neto, não há nada mais desmoralizante para a campanha salarial do que o desemprego. “O desemprego desmobiliza, desmonta o movimento. Quando o cenário piora, a luta fica mais defensiva. Mas num cenário em que ainda ocorre o aumento do emprego formal, os trabalhadores ainda encontram um instrumento de pressão para negociar ganhos reais”, diz.
O balanço entre esses fatores tem sido considerado pelos sindicatos, segundo Vargas. E por isso as negociações no segundo semestre apresentaram maior número de paralisações (de horas ou turnos) e greves.
“A marca dos metalúrgicos deixou uma mensagem bem clara ao patronato: ´eu quero o meu´. E eles tinham condições de fazer exigências, não só pelos ganhos que as empresas apresentaram ao longo do ano, mas também pelo crescimento da categoria, que com o emprego formal voltou a somar 2 milhões de trabalhadores no Brasil”, observa Vargas.
Mesma avaliação faz Lucio, do Dieese, para quem as negociações entre empregados e empregadores ficou mais difícil no segundo semestre. Ele inclui em sua avaliação um fator macroeconômico que dificultou as negociações salariais antes mesmo da crise financeira externa: o repique inflacionário.
“À medida que a taxa da inflação acumulada em 12 meses começou a crescer acima do centro da meta estabelecido pelo governo federal, as negociações foram se tornando mais difíceis e, paralelamente, as greves e horas paradas aumentaram”, afirma ele.
A dificuldade para a conclusão de acordos tornou-se maior nos últimos meses. Até julho, as greves de maior repercussão foram a dos funcionários dos Correios, categoria que reúne 108 mil trabalhadores, que durou 21 dias, e a dos auditores-fiscais da Receita Federal, de 52 dias.
No segundo semestre, houve mais casos. Em setembro, os trabalhadores das montadoras de São Paulo e do Paraná destacaram-se no cenário sindical. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, 40 mil trabalhadores de 27 empresas pararam as atividades por pelo menos uma hora, para forçar o acordo salarial. Já a greve dos 30 mil oficiais da Polícia Civil de São Paulo, iniciada em 16 de setembro, prossegue sem acordo.
Os 900 funcionários da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), que fizeram greve de uma semana em setembro, também sofreram uma derrota. A juíza Cátia Lungov julgou legítima a paralisação, mas indeferiu, no dia 7, os pedidos de ganho real (de 5,41%) e garantia de emprego de três anos. Nesta semana, trabalhadores e empresa discutirão os termos do acordo coletivo. Também na semana passada, mais de 300 empresas das áreas de máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos pararam por 2 horas, também sem acordo.
A greve geral por tempo indeterminado dos bancários, categoria que reúne 434 mil trabalhadores chegou ao seu terceiro dia na sexta-feira, com 4.300 agências fechadas, conforme o sindicato que os representa. “As negociações estão duras com os bancos. Não houve avanço em nenhuma das cláusulas negociadas”, diz Vagner Freitas, presidente do Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro.
Fonte: Agência Sindical
Salário aumenta em média 15% a cada ano de estudo, diz pesquisa
Cada ano de estudo que o brasileiro acumula em seu currículo gera um salto médio em seu salário de 15,07%. O mesmo movimento é observado nas chances de ocupação que, seguindo o mesmo critério, aumentam em média 3,38%. Os dados fazem parte da pesquisa Você no Mercado de Trabalho, apresentada hoje (9) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O estudo aponta, ainda, que esse prêmio da educação (termo utilizado pelos pesquisadores para medir os impactos nos salários e na ocupação obtidos com investimentos em educação pessoal) sofre aceleração na medida em que se somam os anos de estudo. Desta forma, o salário de uma pessoa sem qualquer grau de instrução tem um incremento de 6% quando ela passa a ter um ano de estudo. Já um brasileiro com 15 anos de estudo, que corresponde à conclusão do terceiro grau, passa a ganhar 47% a mais quando agrega ao seu currículo mais um ano (que representa o fim do primeiro ano de um curso de pós-graduação).
De acordo com o pesquisador Marcelo Neri, responsável pela pesquisa, esses dados mostram que principalmente os jovens devem investir em educação contínua.
“O Brasil é um dos países do mundo que apresenta o maior retorno da educação, mas muitas pessoas de baixa escolaridade ficam presas a essa armadilha. Elas estudam um pouco mais e não têm tanto retorno. Para alcançar um trecho de altos prêmios de educação, elas precisam percorrer toda a trajetória”, afirmou.
Neri destacou que embora os prêmios de educação continuem em patamares elevados, já que uma pessoa que completou todo o ciclo de educação (18 anos) recebe em média R$ 4.454,69, o que representa um salário médio aproximadamente doze vezes maior do que o que recebe uma pessoa sem instrução (R$ 392,14), eles vêm caindo nos últimos anos. Isso, de acordo com Néri, pode ser explicado em parte pela maior oferta de pessoas com qualificação.
“De um lado, as pessoas estão indo mais para escola e isso gera mais oferta de pessoas qualificadas. De outro as empresas estão demandando mais essa mão de obra. Nos anos 60, essa disputa foi vencida pela demanda, o que implicou fortíssimo aumento da desigualdade. Já nos últimos sete anos a oferta de educação tem vencido a demanda e está gerando uma forte redução de desigualdade no mercado de trabalho nos últimos anos”, afirmou.
A pesquisa traz também uma análise específica sobre o retorno de educação para o jovem. De acordo com Marcelo Néri, em 2007 a renda dessa parcela da população cresceu duas vezes mais do que a do conjunto da população.
“O jovem viveu uma crise de desemprego e os dados mais recentes apontam que ele está sendo disputado pelas empresas. Como o jovem brasileiro fez o seu dever de casa indo pra escola nos últimos quinze anos, ele está atendendo essa maior demanda de trabalho, reflexo da recuperação do crescimento do Brasil”, destacou.
A análise regional aponta que o Nordeste tem a maior taxa de retorno de educação (17,04% por ano de estudo) e o Sul (12,43% por ano de estudo), a menor. De acordo com Néri, isso ocorre porque o Nordeste está crescendo num ritmo mais acelerado e o Sul conta com uma oferta mais abundante de pessoas qualificadas.
“Um jovem que queria investir em educação pode ir para a Região Nordeste, que é onde ele vai auferir os maiores ganhos por estar educado”, acrescentou.
Entre as profissões, os maiores salários observados no Brasil são obtidos nas profissões de juízes e desembargadores, que ganhavam em média R$ 13.956 em 2007, seguidos por diretores gerais (R$ 7.371) e médicos (7.029). No outro extremo, com as remunerações mais baixas, aparecem os trabalhadores agrícolas (R$ 141.21) e os que atuam na pecuária (R$ 141,56).
Fonte: Ag. Brasil
BC eleva juros para 13,75% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reajustou hoje (10) a taxa básica de juros (Selic) em mais 0,75 ponto percentual, e repetiu a “calibragem” usada na reunião do último mês de julho. Reafirmou, assim, a expectativa média de uma centena de analistas financeiros ouvidos pela pesquisa Focus que o BC realiza todas as semanas. A taxa de juros que remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) estava em 13% ao ano, e passa a valer 13,75% até a próxima reunião do Copom, dias 28 e 29 de outubro.
“Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três pela elevação da taxa em 0,50%, com vista a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”, diz a nota divulgado há pouco pelo Comitê de Política Monetária.
Embora a maioria dos analistas de mercado e de instituições financeiras apostasse na elevação de 0,75 ponto percentual, dirigentes de instituições representativas dos empresários e das centrais de trabalhadores defendem a necessidade de a autoridade monetária conter o aumento continuado da taxa básica de juros, que começou 2008 em 11,25%, e a partir de abril voltou a subir como forma de conter pressões inflacionárias.
Mas não só empresários e trabalhadores são contrários às elevações da Selic. O presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ), João Paulo de Almeida Magalhães, diz que “aumentar a taxa neste momento é uma loucura”. Ele acredita que o corte de gastos seria uma medida mais efetiva no combate à inflação.
João Paulo lembra que um dos maiores gastos do Estado é com o pagamento dos juros da dívida, estimado em R$ 160 bilhões neste ano, o que, por si só, recomendaria corte na taxa de juros. Mas, já que não se faz isso, acrescentou, “acho que a melhor alternativa seria uma política de rendimentos que coloque a remuneração dos agentes econômicos em níveis médios, como se fez no Plano Real”.
Outros defendem aumentos de menor magnitude, uma vez que a inflação perdeu força e dá mostras de chegar ao fim do ano abaixo do teto da meta de 6,5%. É o caso do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Ele entende que a justificativa de aumentar os juros para conter o consumo doméstico tem efeito mínimo: “Não traz qualquer mudança na intenção de compras”. Oliveira disse que a distância entre a taxa Selic e as taxas efetivamente cobradas nos financiamentos era até então de 134,22% ao ano, o que dá uma variação de quase 1.000% entre as duas pontas, e garante que tem financeira cobrando diferença de até 1.500% no crédito pessoal.
Por isso, Ribeiro sustenta que o aumento da taxa básica de juros “não é suficiente para reduzir as intenções de compra”, uma vez que acrescenta apenas alguns reais nos financiamentos, e “para o consumidor o que interessa mais é a garantia do emprego e saber se as prestações do novo financiamento cabem no seu bolso”.
Ao contrário, porém, os representantes dos agentes financeiros querem as taxas mais altas do que já estão, como o economista Fábio Susteras, do Banco Real. Ele afirma que apesar da queda recente nos preços das commodities (produtos com cotação internacional, que compõem mais de metade da pauta de exportações brasileiras), cujo reflexo tem se mostrado no recuo dos preços dos alimentos, “existem outros itens que ainda preocupam o BC, como o descompasso entre oferta e demanda”.
Fonte: Ag. Brasil