Produção de máquinas recua 2,9%
A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) recuou 2,9% em abril ante março, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE). Em relação a abril de 2010, houve leve alta de 0,1%. No acumulado de 2011, a produção de bens de capital cresceu 6,2% e, nos 12 meses encerrados em abril, avançou 13,7%.
De acordo com os dados do IBGE, a produção industrial, de forma geral, recuou 2,1% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. Já o crescimento de março ante fevereiro foi revisto de 0,5% para 1,1%. O Ãndice de média móvel trimestral da indústria, conforme os dados do instituto, fechou o mês de abril em alta de 0,3%, ante o aumento de 0,9% registrado no trimestre encerrado em março.
Recuo acentuado
O recuo de 2,1% na produção industrial em abril ante março foi o mais acentuado desde dezembro de 2008, quando o Ãndice registrou queda de 12,2%, segundo o IBGE. “É preciso lembrar que dezembro de 2008 era o auge da crise (econômica mundial)”, disse o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Luiz Machado.
Entre março e abril, 13 dos 27 ramos pesquisados registraram redução na produção, com destaque para a perda verificada em máquinas e equipamentos, de 5,4% em abril, após quatro meses de crescimento – perÃodo no qual acumulou expansão de 4,9%. Outras influências negativas relevantes foram verificadas em produtos de metal (baixa de 9,3%), veÃculos automotores (queda de 2,8%), alimentos (recuo de 2,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (baixa de 7,6%) e refino de petróleo e produção de álcool (queda de 1,4%).
Entre as atividades que apresentaram alta da produção aparecem a farmacêutica (3,3%), a de indústrias extrativas (2,5%), a de fumo (20,6%), a metalurgia básica (1,4%), a de equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (6,6%) e a de outros produtos quÃmicos (1,1%).
Entre as categorias de uso, ainda na comparação com março, houve taxas negativas em todos os segmentos, sendo que bens de consumo duráveis (baixa de 10,1%) teve a queda mais acentuada, o que eliminou o avanço de 4,5% registrado em março. O setor de bens de capital, que recuou 2,9%, mostrou redução acima da média da indústria, após avançar 7,7% nos últimos três meses. Os segmentos produtores de bens de consumo semi e não duráveis (baixa de 1,5%) e de bens intermediários (queda de 0,6%) também apontaram Ãndices negativos.
SMABC
Bens de capital lideram retomada de investimentos industriais, diz FGV
O setor de bens de capital é o que mais se recuperou do baque causado pela crise econômica na indústria brasileira no ano passado. Em torno de 41% das indústrias do setor pretendem expandir a capacidade produtiva este ano, enquanto o percentual chegava a apenas 20% em 2009, de acordo com a Sondagem de Investimentos da Indústria, realizada pela Fundação Getúlio Vargas.
O setor bateu recorde entre as empresas que não têm programa de investimento, com o percentual mais baixo da série histórica, iniciada em 1998. As indústrias de bens de capital que não vão investir somam apenas 7%. O recorde anterior, registrado em 2008, era de 14%.
“A recuperação do setor de bens de capital consolida totalmente a recuperação da indústria brasileira, não só em termos de produção, mas de retorno ao investimento. Isso mostra que todas as fases estão recuperadas”, disse o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre- FGV), AloÃsio Campelo.
Outro recorde foi registrado pelo setor de bens duráveis de consumo. Muito voltados para o mercado interno, com a produção de eletrodomésticos de linha branca, dos bens duráveis que desejam expandir a capacidade produtiva chegam a 56% do total, enquanto no ano passado somavam apenas 36%. “Ainda estamos influenciados pela aceleração bem mais forte dos segmentos voltados ao mercado interno, que puxam os investimentos em expansão da capacidade produtiva”, disse Campelo.
Os não duráveis também tiveram grande avanço, passando de 23% para 40%. E as indústrias voltadas para os bens intermediários que desejam ampliar a capacidade produtiva passaram de 19% para 39%.
Entre os setores de uso, o de materiais de transporte – que inclui tanto montadoras como autopeças – foi o de maior percentual entre as empresas que estimam investir prioritariamente em expansão de capacidade produtiva. No setor, 96% das empresas planejam investir, sendo que 60% são para expansão da capacidade. Este é o segundo maior percentual, atrás apenas do registrado em 2008, quando foi de 68%.
Outro setor de destaque em expansão de capacidade produtiva foi o de materiais elétricos e telecomunicações, que inclui eletrodomésticos, eletroeletrônicos, televisores e celulares, registrou 39% das empresas buscando expansão da capacidade produtiva.
Fonte: Valor