Crise da Busscar: Sindicato não reconhece comissão “chapa branca”

Publicado por Administrador 11 maio, 2010 (12) Comentários Imprimir

A diretoria da empresa Busscar Ônibus insiste em buscar culpados para mais esta grave crise financeira que a está levando, nessas atuais condições, à falência. Depois do BNDES, do IPI, do Sindicato, do Prefeito, todos culpados segundo a empresa tenta fazer crer, agora os responsáveis pela situação parece que deverão ser a senadora Ideli Salvatti, o deputado Claudio Vignatti e também o presidente Lula. Pelo menos é isso que se traduz da carta entregue aos parlamentares por parte de uma “representação dos trabalhadores da Busscar Ônibus”, cuja existência o Sindicato não reconhece. Para a diretoria do Sindicato, essa é uma comissão “chapa branca”, ou seja, para defender a empresa e não os trabalhadores.

A diretoria do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região alerta aos trabalhadores e trabalhadoras da Busscar que o único representante legal, jurídica e moralmente falando, é o Sindicato. Essa “representação” foi formada para ser o escudo dos acionistas da empresa diante da imprensa, e para enrolar os trabalhadores diante da falta de pagamento dos salários em dia, do décimo-terceiro atrasado há meio ano, do não pagamento das rescisões dos companheiros que aderiram ao PDV proposto pela empresa, sem aprovação do Sindicato, não depósito do FGTS, e por aí afora. Semana passada a dita “representação” dos trabalhadores não deixou outros colegas se manifestar em reunião dentro da empresa, somente eles podiam falar. Essa é a “comissão” que diz representar os trabalhadores?

“Seria cômico se não fosse ridículo a forma como usam esses trabalhadores para manobrar os demais trabalhadores, tentando fazer crer que são mais importantes e que representam a categoria. Vamos reiterar aos companheiros e companheiras: essa representação ou comissão, como queiram, não existe perante a lei, não tem poder jurídico algum, e vários deles ocupam cargos de chefia e bem próximos da direção geral, dos acionistas, ou seja, defendem o quê, ou quem?” questiona o presidente João Bruggmann.

A carta que não defende os trabalhadores
No sábado (8/5), essa “representação” entregou uma carta aos parlamentares Ideli e Vignatti. Nesta carta, em nenhum momento cita o atraso da folha de pagamento de abril, e de inúmeras folhas de pagamento anteriores; não cita o não pagamento do décimo-terceiro salário desde dezembro de 2009 e que sequer data tem para ser quitado; não cita a falta de depósitos do FGTS que já chega a cerca de R$ 25 milhões; não diz em nenhum momento que o BNDES já entregou R$ 30 milhões para a recuperação da empresa em 2004 com apoio deste Sindicato; não cita que a empresa nunca deixou garantias físicas, bens, para os débitos trabalhistas com seus trabalhadores; ou seja, em nenhum momento defende os trabalhadores!

Pelo contrário: a carta joga no colo de terceiros a solução para uma gestão ruim que vêm fracassando gradativamente ao longo de pelo menos 10 anos, não cobra posicionamento dos acionistas – ou alguém não sabe que a empresa é de capital fechado, de três donos apenas – Claudio, Fabio e Rosita Nielson – e que eles têm de colocar recursos próprios para que a Busscar reaja. A diretoria do Sindicato entende, e a sociedade também, que uma empresa privada é de responsabilidade dos seus donos, dos acionistas. Se eles não possuem recursos para salvar a Busscar, que busquem parceiros com recursos financeiros.

“O Sindicato dos Mecânicos não é administrador da empresa, mas tem compromisso e responsabilidade com os trabalhadores e trabalhadoras e seus direitos que não estão sendo respeitados pela empresa. Não podemos aceitar que os companheiros sejam tratados como joguetes, enganados. Nós falamos a verdade, já oferecemos nossas soluções, saídas. E não vamos compactuar com essa busca por culpados. Queremos e vamos continuar cobrando soluções dos acionistas, que paguem salários, FGTS, décimo-terceiro e coloquem a empresa para funcionar. Ou então deixem que outros administrem”, dispara o presidente João Bruggmann.

Alertas aos trabalhadores
Por fim a diretoria do Sindicato alerta para mais algumas questões. Primeiro à senadora Ideli Salvatti e ao deputado Claudio Vignatti: que o representante legal dos trabalhadores da categoria, e nisso se inclui da Busscar, é o Sindicato dos Mecânicos. E mais, que essa carta colocando a faca no pescoço deles e do presidente Lula, portanto, a verdade é que a empresa e algumas das suas chefias quer culpar alguém pela situação de quase falência.

Segundo, aos trabalhadores da Busscar e da categoria: o único representante legal, moral e juridicamente perante a lei é o Sindicato dos Mecânicos. Essa “representação”, ou “comissão” de trabalhadores da Busscar é apenas um grupo, quase todos, que ganharam cargos de chefia já na crise de 2003/2004, e que agora estão colocados para se fazer passar de representantes dos seus direitos. Não são, e não serão. “O Sindicato tentou, pediu, cobrou a implantação da comissão de fábrica, eleita, com estatuto e estabilidade para quem dela participasse, mas a empresa não aceitou. Não aceitou porque só quer pessoas que diga sim, digam amém ao que a diretoria, seus três acionistas, querem. Portanto, não existe comissão de fábrica legalizada. O Sindicato é o seu porto seguro, sempre”, destaca o presidente João Bruggmann aos trabalhadores da Busscar e da categoria mecânica.

Finalmente em terceiro lugar: O Sindicato dos Mecânicos vai continuar a trabalhar em defesa dos direitos dos trabalhadores da Busscar, pelo pagamento dos salários em dia – de abril não foi pago até agora – do décimo terceiro atrasado desde dezembro de 2009, das rescisões dos demitidos no PDV que também estão atrasadas, do FGTS, e para resguardar todos os direitos com garantias reais. Não existem outros culpados pela situação da empresa, existem três acionistas que devem assumir definitivamente suas responsabilidade jurídicas, morais e legais, mesmo que para isso seja preciso abrir mão de ações, patrimônio e orgulho, em favor de milhares de famílias joinvilenses.

“Já lutamos em 2003/2004 pelos empregos dos companheiros da Busscar, avalizamos a vinda dos R$ 30 milhões do BNDES liberados politicamente com a força do presidente Lula, já que a empresa não tinha condições técnicas para receber o financiamento. Agora desde o início de 2009 tentamos saídas, mas a empresa se fecha, cometendo erros após erros, colocando em risco milhares de empregos. Afinal, se a empresa realmente fechar, quem vai pagar os salários atrasados, rescisões atrasadas, FGTS atrasado, INSS? O grupo que se autodenomina “representantes dos trabalhadores”? Representar uma categoria é coisa séria, de alta responsabilidade, e é isso que o Sindicato dos Mecânicos faz e não deu procuração para ninguém fazer, especialmente na Busscar”, finaliza o presidente João Bruggmann.

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