Crise da Busscar: Bancos negam financiamento e situação é crítica
No final da última sexta-feira, 18 de junho, o Sindicato dos Mecânicos recebeu a notícia de que os bancos credores da Busscar negaram o pedido de financiamento em relação ao projeto Guatemala. As razões são o alto risco de refinanciamento e grande incerteza de retorno desses novos recursos, caso fossem liberados, e garantias incompatíveis para o montante exigido em relação à urgência que a empresa precisa. Ou seja, a crise continua e ainda mais grave.
Até o momento os trabalhadores da Busscar Ônibus amargam um atraso de 75 dias nos salários e 202 dias no décimo-terceiro de 2009. Com uma situação desta, não há condições de sobrevivência das famílias de mais de três mil trabalhadores ainda ligados à empresa. O Sindicato inclusive lançou campanha de arrecadação de alimentos para reduzir o sofrimento dessas famílias, e que precisa de apoio da comunidade.
Ontem, segunda-feira (21/6), o Sindicato participou de reunião com trabalhadores da empresa e seu diretor presidente, Claudio Nielson, num clima de desesperança que se via no ambiente. O presidente João Bruggmann apresentou mais duas sugestões para a empresa diante de todos os trabalhadores presentes: liberação dos trabalhadores com baixa em carteira para que possam receber seguro-desemprego e FGTS, e que os acionistas, donos da empresa, apresentem uma carta de intenções aos bancos credores para que entrem como acionistas e façam a empresa funcionar e retomar a produção.
“A situação dos trabalhadores e trabalhadoras é gravíssima, as pessoas passam por graves dificuldades financeiras, faltando alimentos em casa, prestações atrasadas, pensões alimentícias atrasadas e tudo o mais. Se a empresa não paga os salários e não dá solução a tudo isso, que liberem as pessoas que quiserem. O Sindicato homologa a rescisão com ressalvas. Pelo menos os trabalhadores podem ter alguma renda para colocar a vida em dia e buscar um novo rumo na vida”, declarou Bruggmann.
Na questão da carta de intenções aos credores para que entrem como acionistas em troca das dívidas e administrem uma nova fase, João Bruggmann entende ser urgente a iniciativa para que os bancos credores se posicionem se querem ou não assumir a empresa, reerguê-la para continuar a gerar empregos e renda.
“Vejo que há entraves, como já dizíamos tempos atrás sobre mudança na administração. Tecnicamente os bancos credores não admitem conceder mais recursos, faltam garantias e tudo o mais. Então que os acionistas coloquem claramente a intenção de abrir a empresa para os novos acionistas, os bancos credores e até o BNDES, e que eles digam se aceitam ou não assumir esse desafio. Nós pensamos que é a melhor saída porque pode fazer a empresa retomar a produção, manter empregos, gerar renda e deixar forte uma marca forte do Brasil. Seria bom para Joinville, Santa Catarina e o país”, destaca o presidente João Bruggmann.
Hoje uma comitiva formada por trabalhadores da empresa, acompanhados de dois diretores do Sindicato, seguiu à Brasília para ainda tentar alguma coisa sobre créditos do IPI junto ao Governo Federal, assunto do qual o Sindicato já tem posicionamento conhecido. O Sindicato cumpre assim o que prometeu: acompanhar até o fim todos os passos da crise da Busscar, seja o fim qual for.
Além das já conhecidas ações do Sindicato para cobrar esses salários atrasados e décimo atrasado, direitos trabalhistas e outros detalhes, há também a ação na Justiça do Trabalho, ainda sem despacho do Juiz. Essa ação visa impedir a venda dos bens da empresa e acionistas para garantir, em caso de falência, o pagamento de todos os trabalhadores. O Sindicato continua à disposição dos trabalhadores e trabalhando para que essa crise tenha um final, se possível ainda feliz.
Busscar: Sindicato dedica atenção especial para solução da crise
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região está dedicando atenção especial à crise da Busscar há meses, e na semana passada esteve com seu Presidente João Bruggmann à frente das articulações e agendas no BRDE, Badesc, BNDES e até na CUT Nacional em busca de saídas para o pagamento dos salários atrasados, rescisões do PDV, FGTS e também a retomada da produção para garantia de empregos e renda.
Bruggmann esteve na reunião com o governador Leonel Pavan em Florianópolis na terça-feira passada (8/6), na quarta-feira (9) esteve no BNDES no Rio de Janeiro e na quinta (10) foi à São Paulo articular com a CUT Nacional em defesa dos empregos que a Busscar mantém. No BNDES, o Presidente do Sindicato participou ativamente das discussões com os 14 bancos credores, empresa e BNDES, sempre alertando para o desespero dos pais de família que ainda não receberam seus salários.
Na CUT Nacional, Bruggmann buscou alternativas para atuação junto ao Governo Federal caso as outras saídas não sejam viáveis e aprovadas. Lá ele entregou o abaixo-assinado colhido pelos trabalhadores da Busscar que contém 64 mil assinanatura, o que prova claramente a importância da sobrevivência da empresa e seus empregos para as famílias, Joinville e o Brasil.
Para Bruggmann, a saída encontrada para que a empresa retome a produção e quite salários em atraso, e os mantenha em dia, é o Projeto Guatemala no valor de R$ 180 milhões que precisa da aprovação dos bancos credores.
“Eles, os credores, pediram 10 dias para responder, e essa data expira na próxima sexta-feira (18/6) para esse caso. A empresa precisa responder algumas coisas, correr atrás também. Esperamos, e trabalhamos, para que a resposta seja positiva. Os trabalhadores precisam receber”, destaca Bruggmann. Ele ressalta ainda que essa não é a saída final, mas apenas paliativa.
“A saída final todos sabem qual é e está clara para quem participa das reuniões. Mas o Sindicato esteve, está e estará sempre ao lado dos trabalhadores até que a solução final para a crise e empregos seja encontrada e colocada para funcionar”, afirma Bruggmann, dando assim todo o apoio do Sindicato neste momento difícil.
Financiamento de máquinas e equipamentos bate recorde
Os financiamentos disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de máquinas e equipamentos atingiram níveis recordes no acumulado de janeiro a abril de 2010, tanto em valores desembolsados quanto em número de operações, divulgou o banco, ontem, por meio de nota.
O BNDES Finame – subsidiária para financiamentos à produção e compra de máquinas e equipamentos – contribuiu com 44% do total de desembolsos realizados pelo BNDES entre janeiro e abril de 2010, os quais somaram R$ 35,7 bilhões, isto é, alta de 34% sobre o total liberado no primeiro quadrimestre de 2009.
De janeiro a abril, foram disponibilizados R$ 15,6 bilhões em créditos à aquisição de bens de capital por meio da linha BNDES Finame, o que representa expansão de 133% na comparação com os mesmos meses do ano passado (R$ 6,7 bilhões), envolvendo 67,5 mil operações. Ou seja, foram feitas mil operações por dia útil, acima da média histórica de 340 operações diárias (crescimento de 194%), no âmbito do BNDES Finame. Segundo a nota do banco, a principal razão para esses resultados é o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), aprovado em junho do ano passado, com financiamento a máquinas e equipamentos com taxas de juros fixas.
O professor de administração da ESPM, Adriano Gomes, comenta que o resultado sobre o crédito para compra de máquina e equipamento é um fato positivo à medida que mostra que as empresas estão renovando seu parque industrial. “Os números apresentados pelo BNDES é reflexo da economia em ritmo de crescimento em torno de 7%”, diz.
Sobre o total dos primeiros quatro meses de 2010, as aprovações dos financiamentos atingiram R$ 38,5 bilhões (alta de 30%), os enquadramentos registram R$ 46 bilhões, e as consultas, R$ 54,4 bilhões. Segundo a nota, “os dois últimos indicadores tiveram recuo de 32% na comparação com janeiro a abril de 2009, devido unicamente ao efeito do empréstimo de R$ 25 bilhões feito a Petrobras, que deu entrada no Banco em abril do ano passado e que não se repetiu em 2010″.
No primeiro quadrimestre deste ano, o setor de infraestrutura ocupou R$ 14,1 bilhões em desembolsos do BNDES, cujo valor foi 41,3% superior em relação aos R$ 9,9 bilhões liberados no mesmo período de 2009. Segundo a nota, o crescimento foi puxado pelo segmento de transporte rodoviário (R$ 7,6 bilhões). De acordo com o Banco, foram desembolsados R$ 10,5 bilhões entre janeiro e abril em benefício à indústria, com destaque para alimentos e bebidas (R$ 3,2 bilhões), material de transporte (R$ 1,5 bilhão) e mecânica (R$ 900 milhões). No setor da agropecuária, “em fase de recuperação”, o BNDES liberou, no mesmo período, R$ 3,4 bilhões (alta de 100,6%). O setor de comércio e serviços também apresentou elevação expressiva na comparação, de 144% para R$ 7,5 bilhões de desembolsos.
O professor da ESPM, no entanto, afirma que, apesar dos números de desembolsos realizados neste ano serem positivos, o investimento no Brasil, principalmente no setor de máquinas e equipamentos, é tardio. “Dos países do BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China], somos [Brasil] o menor em número de investimentos. Enquanto a China apresentou um patamar de 42% em 2009, nosso total gira em torno de 16%”, alerta Gomes.
Abril
Somente em abril, o BNDES liberou créditos totais de R$ 10,2 bilhões em financiamentos, ou seja, 28% maior do que no mesmo mês de 2009 (R$ 7,9 bilhões).
No quarto mês de 2010, as aprovações de empréstimos atingiram R$ 11,6 bilhões (alta de 26%). Segundo o banco, o bom resultado foi puxado pelos segmentos de química e petroquímica (R$ 3 bilhões aprovados) e alimento e bebida (R$ 750 milhões).
Os enquadramentos subiram 8% em abril para 13,4 bilhões. Já as consultas, caíram 62%, passando de R$ 21,6 bilhões para R$ 8,1 bilhões dentro do período comparado. “A entrada no BNDES de uma parcela do pedido de financiamento à Petrobras, pressionou o resultado.”
Em 12 meses
Nos últimos 12 meses, encerrados em abril, a nota do BNDES revela desembolsos de R$ 146,4 bilhões, valor 58% maior que o registrado em igual período do ano anterior, considerando o empréstimo à Petrobras. Sem a operação da Petrobras, os desembolsos em 12 meses, até abril, cresceram 31%. As aprovações de crédito ficaram em R$ 179 bilhões (alta de 55%), “mostrando vigor no nível de investimentos do País”. As consultas mantiveram-se estáveis em R$ 199 bilhões.
De acordo com Gomes, é possível que o número de pedidos de financiamentos reduza, isto porque a confiança do empresário apresenta índices mensais no mesmo patamar. Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelaram que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) teve queda de 0,6 pontos em maio.
Do Valor Econômico
Busscar: BNDES diz o que Sindicato cobrava, mudança na gestão e recomeço
Mais uma semana inicia sem que os trabalhadores e trabalhadoras da Busscar recebam seus salários atrasados, sim existem pelo menos dois salários atrasados – de abril e décimo terceiro de 2009 – e os demitidos pelo PDV recebam suas parcelas.
Na semana passada trabalhadores foram à Brasília tentar audiência com o Presidente, e ouviram do presidente do BNDES a receita que o Sindicato dos Mecânicos já oferecia aqui mesmo em Joinville: a mudança da gestão e direção, reestruturação financeira e administrativa e abertura para novos sócios para que dinheiro novo apareça e dê nova vida à Busscar, e assim, à manutenção dos empregos dos companheiros e companheiras.
“Para nós o caminho da verdade é o pagamento dos salários e direitos em dia, no bolso do trabalhador”, afirmou o presidente João Bruggmann em conversas com trabalhadores da empresa. Bruggmann também esteve em Brasília no dia 26 de maio para participar de reunião com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, convocada às pressas um dia antes no final da tarde. Junto com ele foram os dirigentes sindicais de base Marcos Joriatti e Nivaldo Senna, ambos da Busscar.
Transparência é fundamental
O Sindicato dos Mecânicos sempre manteve postura racional diante de cada fato que agravou a situação da empresa. A diretoria reiterou inúmeras vezes a sua prioridade principal, a manutenção dos direitos dos trabalhadores em dia, salários em dia, FGTS em dia, enfim, as responsabilidades da empresa com seus colaboradores que a trouxeram viva até aqui.
“Nunca vendemos, e não venderemos, ilusões aos trabalhadores como foi o caso do IPI e de que o BNDES não queria dar dinheiro para salvar empregos. O BNDES dá sim, mas diante de mudanças estruturais, da direção. E isso não é só o BNDES que quer, mas todos os credores e fornecedores, como consta de várias reportagens publicadas na imprensa”, explica Bruggmann.
Sociedade quer mudança para manter empregos
Não há quem seja contrário à sobrevivência da Busscar em Joinville. Mas há uma quase unanimidade de que a mudança da diretoria, entrada de novos sócios com capital para fazer girar o negócio e o retorno da credibilidade é o primeiro passo para sua recuperação.
Qquem deve capitanear esse novo momento deverá ser o BNDES, e os novos sócios poderiam ser os próprios bancos credores, como o Sindicato já sugeriu, haja vista que recolheram muitos juros sobre os empréstimos, e nada mais justo e viável que venham agora a assumir o problema.
Nas matérias publicadas no Jornal A Notícia e Notícias do Dia, empresários, fornecedores e até entidades empresariais respeitadas como Acij e Ajorpeme tem a mesma visão, mesmo que as coloquem de forma comedida. Enquanto a formação e convocação da Comissão formada por Sindicato, trabalhadores, bancos e outros não for iniciada, o Sindicato vai continuar cobrando os salários atrasados, direitos fundamentais para que os trabalhadores da Busscar retomem sua dignidade.
Para a diretoria, o Sindicato vai sempre estar pronto a atender os trabalhadores na luta pelos seus direitos, em qualquer momento. Estará aberto a tudo o que for necessário para defender os direitos dos trabalhadores de forma serena e responsável.
“Enquanto as ilusões campeiam por ai, existem milhares de trabalhadores que estão sem luz e água, que foram cortados. Que não tem comida para por na mesa e tem de se humilhar e pedir porque seus salários ainda não foram pagos. Existe uma situação seríssima, grave socialmente falando, que precisa de solução urgente. Vamos continuar cobrando uma solução definitiva para a Busscar, mas que o que ela deve seja pago urgentemente! São pais de famílias que não tem como manter suas casas”, critica o presidente João Bruggmann.
BNDES prevê R$ 850 bi em investimentos até 2014
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, revelou hoje que os investimentos já mapeados pelo banco até 2014 vão somar R$ 850 bilhões. A cifra é 10,39% superior ao valor registrado no estudo feito pelo BNDES em 2008, antes da crise. Na época, o BNDES previa que os projetos programados para 2010 a 2014 atingiriam R$ 770 bilhões.
Segundo ele, já é possível notar um aumento nos investimentos do setor de petróleo e gás e naqueles voltados para o mercado interno. Mas a novidade, segundo ele, é uma recuperação nos investimentos voltados ao mercado internacional. Coutinho acredita que o maior vigor se deve à elevação nos preços das commodities (matérias-primas) no mercado internacional. Ele destaca ainda o crescimento das exportações brasileiras para a Ásia.
“Os projetos já mapeados mostram um crescimento anual de pelo menos 10% nos investimentos para os próximos anos”, afirmou Coutinho, que participou hoje de um seminário sobre infraestrutura no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.
O presidente do BNDES informou ainda que os investimentos em infraestrutura levantados pelo estudo concluído em abril apontam para um incremento de cerca de R$ 40 bilhões frente ao estudo realizado em agosto de 2008, antes da crise internacional. O valor subiu de R$ 273 bilhões para R$ 310 bilhões, para o período que vai de 2010 a 2014.
Grécia
Coutinho afirmou ainda que a crise da Grécia pode ter um efeito benéfico para o Brasil, de frear o crescimento excessivo da economia. “Neste ano, o problema é crescer demais e ultrapassar a barreira de 6%. Isso aqueceria demais (a economia), o que não é bom”, disse.
Segundo ele, a crise na Grécia será superada e não há motivos para que o BNDES adote medidas de injeção de liquidez na economia, como as anunciadas durante a crise financeira internacional de 2008. Coutinho classificou como positivas as medidas adotadas pela União Europeia para conter os efeitos da crise na região.
As medidas, de acordo com ele, representam uma mudança de postura no Banco Central Europeu (BCE), que além de dar liquidez às economias com as compras de títulos de dívida pública de países da União Europeia abre uma janela ao aceitar a compra de títulos privados de empresas com investment grade (grau de investimento).
Para Coutinho, esta postura mais agressiva vai evitar qualquer perspectiva de contaminação da crise grega para outros países da União Europeia.
Fonte: Agência Estado
Crise da Busscar: Sindicato recebe comissão de trabalhadores
Após realizar manifestações diante da fábrica da Busscar na quinta-feira (12/11) e realizar inúmeras reuniões e contatos de bastidores, a diretoria do Sindicato dos Mecânicos recebeu na tarde desta segunda-feira – 16 de novembro – uma comissão de trabalhadores da empresa para conversar sobre os rumos a tomar sobre a crise na empresa.
O presidente João Bruggmann conduziu a reunião com a comissão formada por 13 trabalhadores, ouvindo o apelo de todos para o apoio do Sindicato ao grupo. Bruggmann anunciou o apoio à comissão provisória formada, observando que o objetivo final é a formalização de uma verdadeira Comissão de Fábrica como acontece a muitos anos no ABC paulista. “Lá funciona muito bem em todos os aspectos. Aqui os empresários pensam que somos inimigos”, explicou o Presidente.
Ainda sobre a crise da Busscar, Bruggmann lamentou a desinformação que alguns diretores da empresa tentaram espalhar aos trabalhadores, afirmando que o Sindicato quer a falência da empresa. Segundo ele, o Sindicato é o maior interessado na solução definitiva para a empresa por conta dos trabalhadores, que sofrem com a falta de informaçoes corretas, salários e direitos pagos em dia, e futuro mais claro.
“Quero reiterar que a nossa direção já atuou decisivamente na primeira crise (2003-4), sem o que não haveria mais Busscar hoje, e agora somos os maiores interessados em que a empresa saia do atoleiro. Já dissemos algumas saídas, agora temos essa comissão que deve ser respeitada, mas os diretores da Busscar tem de abrir a cabeça e dialogar conosco, que é o que sempre pedimos e nos esforçamos para ter”, explicou Bruggmann.
A empresa ainda não pagou os 50% restantes dos salários de outubro, que havia prometido quitar na sexta-feira (13), até o momento de fechamento desta nota. O Sindicato continua em alerta e conversando com todos as lideranças envolvidas em busca da saída que preserve direitos, empregos e salários
Presidente da CNM/CUT recebeu dirigentes da Busscar
O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Carlos Grana, recebeu na semana passada a visita do presidente e do diretor financeiro da empresa joinvilense Busscar Ônibus, Claudio Nielson e Elvin Delmonego. Eles foram agradecer Grana pelo apoio e empenho na busca pelo empréstimo de R$ 25 milhões que a empresa pleiteia junto ao BNDES.
Em agosto, Carlos Grana visitou o Sindicato dos Mecânicos e inaugurou o Centro de Formação que está sediado no Centro Esportivo e Recreativo da entidade no bairro Costa e Silva. Na ocasião, Grana visitou a Busscar e a Tupy para verificar a situação das empresas para poder entrar na luta pela manutenção dos empregos.
Indústria naval brasileira prevê US$ 55 bi em investimentos
Os investimentos projetados pela indústria naval brasileira já chegam a US$ 55 bilhões, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O volume inclui dois novos estaleiros e várias encomendas de plataformas de petróleo e navios pela Petrobrás.
Na opinião do gerente do Departamento de Transportes e Logística do BNDES, Antonio Carlos de Andrade Tovar, tal demanda é suficiente para justificar a construção de novos estaleiros no Brasil. Segundo Tovar, ao volume citado podem ser acrescidos outros US$ 15 bilhões projetados por petroleiras privadas que atuam no País – principalmente a OGX, do grupo empresarial de Eike Batista.
Outro investimento, que deve ser aprovado no ano que vem, são os US$ 4 bilhões de encomendas da Transpetro, subsidiária da Petrobrás, na segunda fase do seu plano de renovação de frota. As petroleiras Shell, Statoil e Exxon devem ser as próximas a anunciar encomendas, disse o executivo.
“Diante desse volume de investimentos, há uma demanda gigantesca por novos estaleiros, novas empresas fabricantes, enfim, novos investimentos na cadeia para atender a essas encomendas”, afirmou Tovar, em conferência sobre o setor naval, no Rio. Ele ressaltou que os 13 maiores estaleiros do País ocupam hoje área total de 3,5 milhões de metros quadrados, menor do que uma única unidade de gigantes mundiais como o Daewoo ou o Hyundai, respectivamente com 4,2 milhões de metros quadrados e 6 milhões de metros quadrados de área.
“O Hyundai é um estaleiro capaz de cortar 2 milhões de toneladas por ano, fabricar 70 navios por ano, o que perfaz a média de um navio pronto a cada quatro dias. Perto disso, o volume brasileiro, com capacidade total de 500 mil toneladas de chapas de aço por ano, fica risível”, disse o gerente do BNDES.
De fato, a percepção da demanda crescente já movimenta os investidores locais. O consórcio Estaleiro Atlântico Sul (EAS), formado por Camargo Correa e Queiroz Galvão, já analisa áreas para a instalação de um segundo canteiro no Brasil – o primeiro está em Pernambuco. “Já estudamos 17 áreas e estamos avaliando a possibilidade”, disse o diretor da companhia Fernando Tourinho, em entrevista após evento do setor naval, ontem no Rio.
Segundo fontes, a Bahia larga na frente na disputa pelo empreendimento, que terá como objetivo construir navios de grande porte e plataformas de exploração e produção de petróleo. Se confirmado, o investimento vem somar-se a vários outros projetos, todos orçados entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, anunciados por OSX (também do grupo de Eike Batista, em Santa Catarina), Odebrecht (na Bahia), Jurong (no Espírito Santo) e outros dois ainda em negociação, no Ceará e em São Paulo.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio, Julio Bueno, os novos projetos podem ajudar a garantir competitividade da indústria nacional de navipeças, até mesmo em âmbito internacional.
Para Bueno, a concentração de um setor em um só Estado – como a indústria naval, que está praticamente 80% no Rio – é prejudicial ao País. “Temos de ter um olho no mercado interno, mas também precisamos nos voltar à descentralização.”
Fonte: O Estado de S.Paulo
BNDES faz desembolso recorde em 7 meses
Maior agente financiador do País, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), liberou, somente no mês de julho, R$ 33,2 bilhões. Quase dois terços desse montante foi alocado em projetos industriais (R$ 21,7 bilhões). O incremento elevou os desembolsos do banco nos primeiros sete meses do ano para R$ 75,1 bilhões, um resultado recorde, 65% superior ao do mesmo período do ano passado.
“Depois dos resultados ruins do primeiro trimestre do ano, verificamos que a decisão de investimento na indústria mudou. As empresas, que estavam em compasso de espera, voltaram a procurar o banco. Já vínhamos notando isso desde abril, mas em julho o saldo foi muito bom”, afirmou o chefe do Departamento de Orçamento do BNDES, Gabriel Visconti.
A indústria foi responsável por 53% do volume de recursos liberados de janeiro a julho e ultrapassou o setor de infraestrutura, com o qual vinha dividindo, quase meio a meio, a hegemonia na destinação da verba do BNDES. No período, foram desembolsados R$ 39 bilhões para o setor industrial (112% a mais do que em 2008), enquanto a infraestrutura respondeu por R$ 25 bilhões.
O banco – que inaugurou ontem um novo procedimento, de divulgação de resultados também durante os fins de semana – já trabalha com a possibilidade de encerrar 2009 com um nível de financiamentos superior a R$ 120 bilhões. Foram aprovados nos primeiros sete meses do ano projetos que totalizaram R$ 87 bilhões e nos últimos 12 meses, as liberações chegam a R$ 122 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: O Estadão
Juro menor pode liberar R$ 160 bi a empresas, diz estudo
Com a queda na taxa de juros, os fundos de pensão vão reduzir os investimentos em títulos da dívida pública e disponibilizar mais recursos de suas bilionárias carteiras para as empresas, principalmente da área de infraestrutura, aponta estudo do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O setor privado poderia ter à disposição a expressiva soma de R$ 160 bilhões, se as aplicações desses fundos em títulos públicos caíssem, por exemplo, para um nível semelhante ao do Chile. Os técnicos do BNDES ponderam, no entanto, que a mudança só ocorrerá aos poucos e no longo prazo.
Segundo a Associação Brasileira de Previdência Privada (Abrapp), em março, 48,8% dos R$ 458 bilhões de ativos dos fundos de pensão brasileiros estavam em títulos da dívida pública. No Chile, esse porcentual é de 13%, conforme dados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) coletados pelo BNDES. As informações mais recentes da OCDE são de 2006.
Para atingir o nível chileno, os fundos de previdência complementar brasileiros teriam de retirar do setor público e migrar para o privado mais de 35% do seu patrimônio. O país vizinho tem um perfil parecido com o das nações ricas. Nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, ao menos dois terços dos investimentos dos fundos de pensão são destinados ao setor privado. Já no Brasil, México, República Checa e Turquia, a concentração de títulos públicos vai de cerca de 50% a 75%.
“A crise trouxe novas oportunidades para os fundos de pensão, com efeitos positivos para o País. Esses fundos começarão a ter um papel complementar ao do BNDES, porque a lógica é a mesma”, disse André Albuquerque Sant?Anna, economista do banco. “Os fundos vão buscar aplicações que assegurem rentabilidade no longo prazo, como a infraestrutura”, completa Gilberto Rodrigues Borça Junior, também do BNDES.
A turbulência global permitiu uma redução agressiva dos juros, sem inflação. Com a taxa Selic em 8,75%, as aplicações em títulos públicos – que garantiam rendimento alto e segurança – começam a ser desvantajosas para os fundos de previdência complementar.
Fonte: Sindicato do ABC