Caso Busscar: ex-sócios propõem plano alternativo
Saiu na coluna do economista Claudio Loetz, do jornal A Notícia, na edição do dia 1º de maio de 2012. Essa informação mostra claramente que há movimentações para que a Busscar possa se recuperar, há interessados, mas falta como sempre faltou, boa vontade, interesse por parte dos acionistas Claudio Nielson, Rosita e Fabio Nielson. Confiram a matéria:
“O advogado Dícler Assunção, que representa ex-sócios e parentes dos controladores da Busscar Ônibus, Randolfo Raiter e Valdir Nielson, apresentou plano alternativo de recuperação judicial para a companhia há aproximadamente 30 dias.
O primeiro ponto do documento é a possibilidade de converter créditos dos credores em participação acionária na empresa, via criação de sociedade de propósito específico (SPE). Outra questão é reduzir os deságios sugeridos no plano encaminhado pela fabricante de carrocerias para a Justiça.
Novo negócio
A nova proposta ainda considera necessário desmobilizar ativos improdutivos e definir indexador e juros na atualização da dívida. E, ainda, montar um negócio novo, “completamente diferente do atual, com governança corporativa, gestão profissionalizada, novo controle e novos controladores, nova administração e novos administradores”, diz o texto. A estratégia sugere a manutenção das empresas e atividades rentáveis, “sem prejuízo de eventuais cisões, fusões e incorporações”, acrescenta.
Os ex-sócios entendem que é adequado chegar a produzir sete mil unidades de ônibus por ano, chegando a 22% de market share, com mais de seis mil empregados. Para isto, é necessário encontrar investidores e parceiros, com entrada imediata de R$ 100 milhões para início de produção, atingindo aporte de R$ 300 milhões em até três anos.
E, igualmente fundamental, a proposta só se viabilizará se for aprovada – ou não houver oposição – dos atuais donos da Busscar Ônibus. Vai ser difícil. Absolutamente improvável.
Fonte: Jornal A Notícia, coluna Livre Mercado de Claudio Loetz
Caso Busscar: Sindicato alerta sobre procurações para votar
Já está decidido: a assembleia de credores da Busscar será realizada no Centreventos Cau Hansen em Joinville (SC) e está marcada para os dias 22 e 29 de maio, em primeira e segunda convocações, respectivamente. O processo para a votação iniciará as 8 horas para o credenciamento dos credores. O início da votação será as 13 horas.
O Sindicato alerta agora para que os trabalhadores que não puderem, ou não quiserem comparecer à votação para que façam com a máxima urgência a sua procuração, dando poderes de voto ao Sindicato na pessoa de seu Presidente, Evangelista dos Santos, com a máxima urgência.
Segundo a advogada do Sindicato, Luiza de Bastiani, é necessário que os trabalhadores, inclusive e principalmente os que estiverem fora de Joinville por trabalho ou outro motivo, enviem com urgência as suas procurações para garantir o seu voto na assembleia de credores. O prazo se encerra dia 10 de maio para que o Sindicato as apresente. O tempo é curto devido ao feriado prolongado do Dia do Trabalhador.
O que é preciso fazer para a procuração
Seguem agora as informações do departamento jurídico do Sindicato dos Mecânicos referentes a procuração e dados sobre a assembleia geral dos credores.
Segundo o Jurídico, a procuração qualquer pessoa pode fazer. Ela é feita para que o presidente do Sindicato, Evangelista dos Santos, represente a pessoa na votação, ou seja, para também votar em nome do trabalhador, conforme foi decidido pela assembleia geral dos trabalhadores realizada no dia 15 de abril passado, pelo NÃO (contra o atual Plano de Recuperação proposto pela Busscar.
Para fazer a procuração é só a pessoa comparecer no Departamento Juridico, com o RG e o CPF. Quem mora em outra cidade deve entrar em contato com as advogadas pelo e-mail jurídico@sindmecanicos.org.br, que vai mandar a procuração a quem solicitar. Esse trabalhador deverá assinar e mandar via correio até dia 10 de maio de 2012 com copia do RG e CPF, aos cuidados do departamento jurídico, tudo constando no envelope. Lembrando que é preciso levar em conta a demora de entrega dos Correios. Melhor usar o meio Sedex.
Para quem quer fazer a procuração na sede central do Sindicato em Joinville (SC), o departamento jurídico se organizou para atender das 8 horas até as 18 horas sem fechar para o almoço – período exclusivo para fazer as procurações da assembléia – visando dar todas as condições aos trabalhadores para que possam comparecer e fazer valer a sua vontade.
Processo da assembleia geral nos dias 22 e 29 de maio
Já está confirmado, portanto, que dia 22 de maio de 2012, uma terça-feira, é a data para a primeira convocação. O local será no Centro de Eventos Alfredo Salfer, anexo ao Centreventos Cau Hansen (na rua Jose Vieira, n.° 315, Centro, Joinville/SC).
O processo acontecerá da seguinte forma: a partir das 8 horas ( oito da manhã) os credores devem ir ao local definido para a assembleia e fazer um credenciamento. Ou seja, todos que tem direito a votar têm de assinar uma lista de presença e retirar um crachá que será utilizado para a votação. A partir das 13 horas inicia a votação e é OBRIGATÓRIO o comparecimento.
A segunda convocação será dia 29 de maio de 2012 (terça-feira), nos mesmos horários, e acontecerá caso não exista o quórum (número de credores presentes) necessário para se realizar a votação, conforme define a Justiça.
Outra informação importante para os trabalhadores: se a pessoa estiver em horário de trabalho, é necessário solicitar declaração de comparecimento para o Recuperador Judicial que estará presente na assembleia geral dos credores, aliás, ele será comandará a votação segundo disse o juiz Maurício Póvoas em entrevista ao jornal A Notícia de Joinville (SC).
Portanto, atenção você trabalhador e trabalhadora que tem ligações com a crise da Busscar, é credor trabalhista – afinal são 24 meses, quase 25 meses que a empresa não paga salários – e tem direito a votar na assembleia que vai decidir o seu futuro: faça contato com o Sindicato pelo email do departamento jurídico, ou diretamente na sede central nos horários acima, e ainda pelos fones (47) 3027.1184 ou (47) 3027.1183.
O Sindicato alerta também para possíveis chamamentos, convocações ou pressões vindas da Busscar, para que os trabalhadores assinem procurações para a empresa, ou ainda, para que votem pelo Sim para o Plano da empresa, que já foi negado por todos os grandes credores: não aceitem e não assinem nada, pois se trata de votar em favor da família Nielson e do atual estado de coisas. Fique atento, e se tiver dúvidas, ligue para o seu Sindicato.
Chegou a hora da decisão, não deixe de participar, é seu dinheiro e seus direitos que estão em jogo.
“Foco nos trabalhadores” – Leia a entrevista do juiz do caso Busscar, Maurício Póvoas
Esclarecedora. Assim se pode chamar a entrevista do juiz Mauricio Póvoas, que está a frente do caso Busscar com o pedido de Recuperação Judicial que ele mesmo deferiu em outubro de 2011. Há menos de um mês da assembleia geral de credores, marcada para os dias 22 e 29 de maio no Centreventos Cau Hansen em Joinville (SC), será a primeira empresa da cidade que se tem notícia a se utilizar dessa brecha para tentar sair do atoleiro. O Sindicato dos Mecânicos, sempre atento para manter a todos os trabalhadores e a sociedade informada sobre os fatos e notícias do Caso Busscar, divulga aqui a entrevista feita pela repórter Larissa Guerra do jornal A Notícia na edição do último domingo (22/4) com o título “Foco nos trabalhadores”. Confira:
“Faltando um mês para a primeira assembleia de credores da Busscar, marcada para 22 de maio, o juiz da 5ª Vara Cível de Joinville, Maurício Cavallazzi Povoas, diz estar focado nos interesses dos trabalhadores daquela que já foi uma das maiores fabricantes de carrocerias do País. “A recuperação judicial da empresa é uma prioridade. Entendo que minha preocupação maior deve ser garantir que os trabalhadores tenham a melhor negociação possível”, afirma.
- Diante da aprovação ou não do plano, o juiz acredita que seu trabalho deve ser mais perceptível após a assembleia. Por enquanto, a rotina de Povoas consiste em analisar documentos e dar pareceres sobre assuntos como o pedido da Busscar de vender um terreno de R$ 7 milhões em janeiro passado. “Não quero inteferir agora, porque poderia influenciar o processo. Passada a assembleia, devo me manifestar”, explica.
- Com calma
“Começo a trabalhar todos os dias às 7 horas, 8 horas. Saio do Fórum no fim da tarde, dou aula e ainda levo processos para casa. A recuperação judicial da Busscar é minha prioridade, mas estou fazendo uma coisa de cada vez. Uma agonia de cada vez. No momento, estou analisando as mais de 300 impugnações ao rol de credores. É um trabalho que precisa ser feito com bastante atenção. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo”.
- Prioridade
“Eu trabalho com uma assessora atendendo especifica-mente ao caso Busscar. Quando chega qualquer coisa relativa à Busscar, paro o que estou fazendo e passo a analisar o que chegou. Desde o início do processo, digo que a Busscar é nosso principal assunto. É um tema que envolve muita gente, que tem um impacto social muito grande. Por isso toda esta atenção”.
- Possibilidades
“Se os credores votarem pela aplicação do plano de recuperação judicial da Busscar, poderei me manifestar. Posso determinar que se cumpram determinados quesitos, mas espero que os credores cheguem a um consenso e votem, seja este plano ou outra proposta que possa vir a ser apresentada. Na assembleia, qualquer credor poderá apresentar uma alternativa. Caso vá à falência, aí é outro processo. Será nomeado um síndico da empresa e ela será lacrada. Sai trabalhador, sai diretoria, para a produção. Nos dois casos, é importante saber que o trabalhador será o primeiro a ser atendido. Se falir, só o patrimônio da empresa já pagaria a dívida trabalhista com folga. Com o plano, talvez recebam menos do que teriam a receber, pois a Busscar propõe descontos nas dívidas de praticamente todos os credores”.
- Trabalhadores
“Acredito que, para a assembleia, é importante que cada credor analise o seu lado, o seu impacto e o seu interesse com relação ao assunto. Meu maior objetivo é que os trabalhadores não sejam prejudicados. Eles trabalharam, ajudaram a construir aquela empresa, mas não receberam salários, benefícios. Tiveram um impacto negativo muito forte com a crise da Busscar. Os bancos e fornecedores sabiam o risco que corriam, tinham contratos, acordos. Os trabalhadores não”.
- Assembleia
“No início, tinha se pensado em fazer a assembleia de credores dentro da Busscar. Mas entendi o que o sindicato argumentava, que fazer a assembleia lá poderia ser uma pressão para os trabalhadores que já saíram de lá. Então, pedi ao Rainoldo Uessler (administrador judicial) que procurasse um lugar fora, e por isso demorou um pouco até chegarmos a um consenso sobre o local e data. O Centreventos Cau Hansen tem uma boa estrutura. Tem pontos de energia necessários para as oito cabines de votação. Não devo comparecer à assembleia. Minha presença poderia influenciar em alguma coisa. Este momento será coordenado por Uessler. Meu trabalho deve começar mesmo depois do que os credores decidirem, seja pela aplicação do plano ou seja pela falência da empresa”.
- Prestação de contas
“Os trabalhadores estiveram aqui três vezes. Uma delas foi quando liberei os R$ 7 milhões da venda do terreno no Itinga. Respondi que era uma quantia para a recuperação da empresa, que teria uma importância social. Quando liberei a quantia, fiz pensando na repercussão que isto teria para a sociedade”. Depois, indagado sobre qual seria a importância social – sobre o fato de que a prestação de contas dos R$ 7 milhões revelou que a Busscar não recolheu tributos, nem pagou benefícios trabalhistas – o juiz respondeu: “Isso eu vou analisar no momento”.
- Impugnações
Recebemos mais de 300 impugnações à lista de credores elaborada pelo administrador judicial. Esperava que fossem mais manifestações, afinal, são quase 7 mil credores. Mas esses 300 e poucos representam cerca de 80% do valor da dívida. As impugnações não devem ter influência no plano de recuperação. Alguns créditos podem mudar, dependendo do que o credor, o administrador e a Busscar dizem. Mas, no todo, a dívida da Busscar é astronômica e as variações serão pequenas se compararmos ao montante da dívida”.
- Perfil
Maurício Cavallazzi Povoas é formado em direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Recém completou seu mestrado em ciências jurídicas pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). É magistrado há 15 anos. Em Joinville, atua na 5ª Vara Cível, na 1ª Vara da Família e na 5ª Turma de Recursos.
ENGAJAMENTO
Acho impressionante o amor que os trabalhadores têm pela Busscar. Por isso, considero que seria ótimo se a empresa voltasse. O que vejo bem claro é que eles querem receber o que têm direito, querem que a empresa os pague. Mas querem voltar a trabalhar. Eles têm orgulho de dizer que montavam ônibus que andavam por todo o País, por outros países. Seria uma pena ver essa empresa quebrar.
A EMPRESA
A Busscar tem uma grande vantagem em ter um nome de respeito no mercado, porque seu produto é muito bom. Ainda conta com um parque industrial em bom estado de conservação. Seria sensacional que a empresa se recuperasse. A cidade não vai quebrar se a Busscar falir, mas pelo menos 5 mil pessoas seriam diretamente beneficiadas se a empresa voltasse a funcionar.
REUNIÕES
Os advogados da Busscar estiveram aqui quatro vezes. Da última vez, pediram-me para que as publicações oficiais saíssem em lotes. Eu concordei e elas sairão de 30 em 30 no Diário Oficial. Não sou muito de conversar. Desde o começo, falei que não adiantava ficar vindo aqui me pedir coisas. Não adianta ficar falando se não está no papel.
Marcopolo e Caio/Induscar entre Joinville e Araquari
Matéria publicada hoje no jornal Notícias do Dia, assinada por Claudio Fernandes, falando sobre a joint-ventura entre duas grandes encarroçadoras, montadoras de ônibus do país. Boa notícia para a cidade, pois a economia fica ainda mais forte, e boa para os trabalhadores especializados que ficaram a ver navios com a situação de crise da Busscar Ônibus. Confiram a matéria:
“Agora é definitivo. A fábrica da joint venture (parceria) resultante da união entre a Marcopolo e a Caio Induscar será instalada no Norte de Santa Catarina. Falta apenas decidir por Joinville ou Araquari.
Mas a decisão sairá logo, pois a nova empresa, que está sendo chamada provisoriamente de FCO (Fábrica de Componentes para Ônibus), tem planos de começar a produzir peças para o mercado interno no máximo até julho.
O galpão que abrigará a empresa nesta fase inicial deverá estar alugado até a segunda quinzena de maio, com as primeiras máquinas chegando. A seleção dos funcionários também deve começar em maio. Até dezembro, a FCO pretende ter entre 50 e 100 funcionários na produção.
O gestor da joint venture será um ex-executivo da Busscar. Milton Mendes Giumelli trabalhou na fabricante de carrocerias joinvilense por 30 anos, onde foi diretor de Tecnologia e Comercial para os mercados interno e externo até setembro de 2008, quando deixou a empresa, ainda antes da crise que afeta hoje a fabricante de carrocerias de ônibus.
“Como resposta aos incentivos já confirmados tanto pelo Estado quanto pelas duas Prefeituras, queremos começar a produção o mais breve possível”, afirma Giumelli.
A joint venture ainda não definiu quais peças serão fabricadas em Santa Catarina, mas o catálogo deve ir aumentando gradativamente, assim como a empresa. A Marcopolo e a Caio Induscar devem ser os principais clientes da FCO, mas a empresa também poderá atender qualquer fabricante de ônibus do Brasil.
E a meta é ainda maior. O investimento pode chegar a R$ 110 milhões, com a instalação de uma fábrica própria para desenvolver ônibus para exportação. O objetivo é chegar a uma produção diária de 10 e 15 ônibus até 2014, podendo empregar até 2.500 funcionários.
A FCO trabalha no desenvolvimento de uma marca própria e independente da Marcopolo e da Caio Induscar, que hoje dominam quase 70% do mercado nacional de ônibus”.
Busscar: Claudio Nielson vai depor como réu
É por essas e outras que a crise da Busscar nunca termina, e também se explica porque está a beira da falência e com total falta de credibilidade a um mês da votação do seu Plano de Recuperação Judicial, rejeitado por quase unanimidade pelos credores. Essa notícia está publicada no jornal A Notícia, edição desta sexta-feira (20/4) na coluna de Claudio Loetz, confira:
“O juiz João Marcos Buch indeferiu, em despacho do dia 6 de março, pedido do empresário Claudio Roberto Nielson, de suspensão de audiência marcada para quinta-feira, no Fórum da Comarca de Joinville.
Nielson, que é presidente da Busscar Ônibus, é réu em ação penal por crimes contra a ordem tributária, econômica e de relações com o consumo. O processo tem o número 038.11.046337-1. Na defesa, os advogados dele queriam o adiamento porque as testemunhas de acusação serão ouvidas mediante carta precatória, em outros municípios, nos dias 19 de outubro e 14 de novembro.
O juiz rejeitou a solicitação, invocando o artigo 222, inciso primeiro do Código de Processo Penal: “A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal”. E também citou, no despacho, o artigo 400 do mesmo código, que trata especificamente da audiência.
E avisa para as testemunhas de defesa comparecerem na data definida, independentemente de intimação”.
Busscar: assembleia de credores dias 22 e 29 de maio
O administrador judicial da Busscar Ônibus, Rainoldo Uessler, recebeu intimação e, na condição da atual função na fabricante de carrocerias, começa hoje a fazer a análise do balancete referente à segunda prestação de contas entregue pelos gestores da companhia à Justiça, como parte do processo de recuperação judicial. O trabalho tem de ser realizado em dez dias. Uessler deve utilizar o prazo integral para apresentar o seu laudo.
Em outra frente, está decidido: a assembleia de credores da Busscar será realizada no Centreventos Cau Hansen e está marcada para os dias 22 e 29 de maio, em primeira e segunda convocações, respectivamente. Só falta a confirmação com os administradores do espaço. O Sindicato dos Mecânicos já está recolhendo assinaturas de trabalhadores e ex-funcionários da Busscar que não possam ir à assembleia, mas autorizam que a entidade os represente na votação da proposta de recuperação.
Mais credores importantes fizeram, em juízo, objeções ao plano de recuperação judicial entregue pela Busscar. Depois do BNDES, desta vez os bancos Itaú, Unibanco, Bradesco e a Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), além de ex-sócios e parentes do presidente da companhia, Claudio Nielson, também apresentaram ressalvas por meio de suas empresas.
Da Coluna Livre Mercado – Claudio Loetz em A Notícia
Assembleia Geral decide pelo “NÃO” ao Plano de Recuperação da Busscar
No domingo, dia 15 de abril, cerca de dois mil trabalhadores ainda ligados ou com créditos a receber da Busscar atenderam ao chamado do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região e participaram da grande assembleia geral que decidiu oficialmente o posicionamento dos trabalhadores em relação ao Plano de Recuperação Judicial apresentado pela empresa à Justiça. O “não” aprovado por unanimidade no Centro Esportivo do Sindicato sinaliza cada vez mais para o fim da novela que já dura dois anos – 24 meses que os trabalhadores não recebem salários – e para a recusa do Plano na futura assembleia dos credores que está marcada para acontecer em dois dias – 22 e 29 de maio.
Se na primeira assembleia em 22 de maio, a partir das 8 horas e possivelmente no Centreventos Cau Hansen em Joinville (SC), não comparecerem 50% mais um dos credores, a votação fica para o dia 29 de maio, aí com qualquer número de credores. Os trabalhadores são cerca de 5,5 mil votos, individuais, e que decidirão sobre o Plano no grupo de Credores Trabalhistas. Portanto é fundamental que todos os trabalhadores fiquem atentos a todas as informações via site do Sindicato porque as datas ainda podem mudar, assim como o local ainda não está definido oficialmente.
É importante ressaltar também que os trabalhadores que não quiserem participara da assembleia geral dos credores, ou não puderem pelo motivo de não estar na cidade ou outra motivação, devem procurar o departamento jurídico do Sindicato e fazer uma procuração específica para que seu voto seja efetuado na assembleia dos credores. Outro dado importante: caso compareçam dois mil trabalhadores na assembleia geral, e mil e um votem pelo “sim”, o Plano é aprovado e aí todos os bens poderão ser vendidos, não restando nada para garantias reais de pagamento dos débitos trabalhistas. Por isso a participação de todos é fundamental.
Seguem agora abaixo as matérias publicadas sobre a assembleia dos trabalhadores nos jornais joinvilenses, A Notícia e Notícias do Dia, que cobriram o evento com os profissionais Maellen Muniz e Claudio Fernandes, para que todos possam saber mais detalhes do que informa a imprensa local sobre o tema. Nos sites dos veículos de comunicação também há fotos e mais informações. E nos jornais impressos também, que podem ser adquiridos nas bancas de jornais. A diretoria do Sindicato agradece a grande participação dos trabalhadores, que mostraram sua força, solicitando a todos que permaneçam ligados ao sindicato, via site, ou diretamente na sede central, principalmente agora que a reta final de votação está chegando. Confiram as matérias dos jornais:
“Trabalhadores vão dizer não” – Maellen Muniz de A Notícia
Depois do BNDES, foi a vez de os funcionários da Busscar afirmarem que vão dizer “não” ao plano de recuperação judicial na assembleia de credores. Com cartazes que lembravam os 24 meses de salários atrasados, eles se reuniram ontem pela manhã na recreativa do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região. Por unanimidade, as cerca de 1,5 mil pessoas que estavam presentes segundo o sindicato, garantiram que serão contrárias à proposta caso ela não seja modificada.
A empresa tem aproximadamente 5 mil credores trabalhistas. Para garantir o direito de voto dos ex-funcionários que não poderão comparecer à assembleia, o sindicato receberá, até 10 de maio, procurações para votar no lugar dos ausentes. “A Busscar é uma empresa viável, mas o plano não é consistente”, afirma a advogada da entidade, Luiza de Bastiani.
“O maior problema foi a falta de garantia para o pagamento dos trabalhadores. Poderiam quitar as dívidas trabalhistas com a venda de algum bem, por exemplo. Só que até agora não tivemos nenhuma resposta desse tipo”, explica o presidente do sindicato, Evangelista dos Santos.
Segundo os dirigentes da entidade, o “não” deve forçar a discussão de uma proposta melhor. “O ideal é que essas questões sejam ajustadas antes da assembleia. Ainda temos alguns dias e o sindicato está disposto a conversar para encontrar uma opção melhor”, defende Evangelista.
Este é o quarto encontro realizado pela entidade para discutir o plano de recuperação. “Tivemos uma participação intensa. É fundamental esclarecer as dúvidas do trabalhador”, complementa o presidente do sindicato.
O advogado da Busscar, Euclides Ribeira Jr, afirmou ontem que, no dia da assembleia, os credores vão poder modificar o plano caso seja necessário e a empresa irá avaliar o que pode ser encaixado.
Assembleia prevista para 22 de maio
A convocação da assembleia geral de credores será feita pelo administrador judicial, Rainoldo Uessler, nos próximos dias, mas a direção do Sindicato dos Mecânicos já indicou uma data. “Tudo está em fase de ajustes finais. Sugerimos o encontro para 22 de maio e a Justiça sinalizou que vai aceitar”, revelou Luiza de Bastiani, advogada da entidade.
O Centreventos Cau Hansen foi outra sugestão. “Queremos um lugar neutro, com estrutura para 5 mil pessoas e de fácil acesso”, explica a advogada. Ela destaca que anunciar uma data não oficial foi uma atitude ousada do sindicato, mas que há um bom motivo para bater o martelo. “A convocação não será individual. Por isso, esta é a última oportunidade antes da votação para divulgar o encontro e informar aos trabalhadores a importância de comparecer e dar seu voto”, acrescenta Luiza.
“Trabalhadores dizem “não” ao Plano da Busscar” – Claudio Fernandes do Notícias do Dia
Com dois anos de salários atrasados, quase 2.000 funcionários e ex-funcionários do Grupo Busscar compareceram à grande reunião promovida no domingo (15/4) pela manhã pelo Sindicato dos Mecânicos, na sede recreativa da entidade. O encontro tinha o objetivo de definir qual o posicionamento dos trabalhadores na assembleia de credores que decidirá se o plano de recuperação judicial da companhia deve ou não ser executado. Com 100% de mãos levantadas, o “não” foi o voto escolhido para ser apresentado em maio.
Dessa forma, se nenhuma nova proposta da Busscar for apresentada para o pagamento dos créditos trabalhistas até o dia 22 de maio, data pré-agendada para a primeira convocação da assembleia de credores, os trabalhadores se encaminham para uma recusa do plano. Se não comparecerem mais de 50% dos credores, a assembleia deve ocorrer na segunda convocação, pré-agendada para o dia 29 de maio, com participação de qualquer número de credores.
Para os trabalhadores que não poderão ou preferem não comparecer à assembleia, existe a possibilidade de deixar procuração para o Sindicato dos Mecânicos, que vão receber os documentos até o dia 10 de maio e votar de acordo com a indicação do trabalhador. A mesma procuração também pode ser feita a qualquer pessoa, parente ou mesmo colega de trabalho.
O posicionamento adotado pelos trabalhadores nesta última reunião ainda não é definitivo, de acordo com o presidente do sindicato, Evangelista dos Santos. “Isso não impede novos diálogos, novas propostas, acordos. Continuaremos abertos a negociações e se houver alguma coisa diferente, colocaremos novamente em votação”, adianta.
Com a antecipação do posicionamento de parte dos trabalhadores da Busscar, confirmam-se as insatisfações nas três categorias de credores que deverão votar na assembleia. Na classe de credores quirografários, a última em preferência de pagamento, os ex-sócios e maiores credores deste grupo, com capacidade para decidirem sozinhos a posição da categoria, já adiantaram que se não houver proposta diferente da apresentada, o voto também será contrário.
Na classe de credores com garantia real, a segunda em preferência de pagamento, depois dos trabalhistas, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que detém 34% de poder de decisão no grupo, também já questionou o plano de recuperação. Se o plano for recusado, a falência da Busscar deve ser determinada pelo juiz responsável pelo caso, Maurício Cavallazzi Povoas, da 5ª Vara Civel, e os bens do grupo leiloados para pagamentos dos credores, de acordo com a preferência das dívidas.
Busscar: Assembleia Geral dos Trabalhadores no domingo, 15 de abril, 9 horas!
A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região está finalizando os detalhes para a realização da grande assembleia geral dos trabalhadores da Busscar, marcada para o próximo domingo – 15 de abril – as 9 horas no Centro Esportivo da entidade localizado na rua Rui Barbosa, 495 no bairro Costa e Silva em Joinville (SC).
O objetivo da assembleia é definir o posicionamento dos trabalhadores na futura assembleia geral dos credores da encarroçadora de ônibus que deve ser realizada durante o mês de maio próximo. Até o momento a tendência é total pelo voto não para o Plano de Recuperação Judicial apresentado pela empresa no início do ano. A Busscar não paga salários há 24 meses, e somente pediu a recuperação judicial no final de outubro do ano passado, às vésperas do início dos leiloes de bens para pagamento da dívida trabalhista, fruto de ações do Sindicato dos Mecânicos.
A escolha do Centro Esportivo visa dar mais conforto e espaço para os milhares de trabalhadores que são esperados. O local comporta entre duas a três mil pessoas em área coberta aproximadamente, sem contar a área externa que pode receber o dobro de pessoas. Reunidos ontem, diretores sindicais e a comissão de trabalhadores formada nas três reuniões preliminares promovidas pelo Sindicato nos dias 5, 7 e 17 de março passado, definiram algumas estratégias para a condução dos trabalhos.
Um edital será publicado para garantir a legalidade jurídica da assembleia, e dos atos nela aprovados, já que as decisões serão assinaladas em ata própria e entregues à Justiça formalmente. Toda a assembleia será documentada em fotos e outros formatos. Profissionais intérpretes em libras já estão contratados para que as pessoas com deficiência tenham acessibilidade a todas as informações de forma igualitária.
Várias listas de presença serão espalhadas estrategicamente no Centro Esportivo para colher assinaturas dos trabalhadores.No site do Sindicato uma campanha em pop-up já está convocando os trabalhadores desde a semana passada. Cinco mil cartas foram enviadas a todos os trabalhadores com processos ou ligados de alguma forma à Busscar. Boletins eletrônicos estão sendo disparados para convocar o máximo possível de pessoas. Para o presidente do Sindicato, Evangelista dos Santos, todos os esforços estão sendo feitos para garantir os direitos dos trabalhadores, tanto via Justiça quanto agora que está chegando a hora da decisão final sobre o futuro da Busscar.
“Nossas ações sempre foram transparentes na defesa dos direitos dos trabalhadores. Nunca pedimos ou trabalhamos pela falência da empresa, mas a própria empresa e seus acionistas percorreram o caminho errado, negaram direitos, fecharam os olhos e ouvidos aos trabalhadores, ao Sindicato e à sociedade, que apelou por mudanças na gestão, na entrada de sócios com dinheiro novo para que a produção retomasse, e os empregos fossem mantidos. Infelizmente, os trabalhadores não vivem de vento, e não podem manter suas famílias sem seus salários e direitos previstos em lei. Agora é hora de tomada de posição pelos trabalhadores, e o Sindicato está permitindo isso com a assembleia dos trabalhadores. O plano que a Busscar apresentou já recebeu o não do Sindicato, e de aproximadamente 200 credores já. Se não mudar drasticamente, a assembleia fatalmente ratificará o não no próximo domingo. Estamos com tudo organizado para uma assembleia histórica”, relatou Evangelista.
A realização da assembleia geral dos trabalhadores em um domingo visou também permitir a centenas de trabalhadores que se transferiram para outras cidades para trabalhos em outras encarroçadoras a participação na assembleia. A promoção das reuniões preliminares também foi uma decisão acertada para que em três momentos e horários distintos os trabalhadores fossem ouvidos e participassem ao máximo.
“Como é uma situação que envolve mais de cinco mil pessoas, com famílias que passaram e ainda passam por grandes dificuldades, contamos com o apoio dos meios de comunicação na divulgação da assembleia, porque é a hora da decisão e o máximo dos trabalhadores precisam participar democraticamente”, destaca o presidente Evangelista dos Santos. A diretoria do Sindicato dos Mecânicos apela a todos os trabalhadores que acessam ao site, a todos que comparecem à sede central e que leem e acompanham de alguma forma essa longa crise da Busscar para que compareçam na assembleia, e mais que isso, avise os colegas e cobrem a presença de todos na luta por seus direitos no domingo.
Agenda
O quê – Assembleia Geral dos Trabalhadores da Busscar
Quando – dia 15 de abril, domingo
Hora – 9 horas
Onde: Centro Esportivo do Sindicato dos Mecânicos – rua Rui Barbosa, 495 – Costa e Silva em Joinville (SC)
Para: decidir o posicionamento de voto e outras ações na assembleia geral de credores a ser realizada pela Justiça em maio
Informações: fone 3027.1183 ou diretamente na sede central do Sindicato, rua Luiz Niemeyer, 184 – Centro
Busscar completa 24 meses sem pagar salários, um deboche com trabalhadores
A Busscar Ônibus acaba de completar dois anos, ou 24 meses, sem pagar salários aos seus trabalhadores, hoje em torno de mil pessoas ainda ligadas à empresa que está sob processo de recuperação judicial desde o dia 31 de outubro do ano passado. Nesse longo período a empresa mantém cerca de 250 a 300 trabalhadores pagando diárias, de forma ilegal que atenta à dignidade dos demais que não tem esse benefício, e de aproximadamente quatro mil trabalhadores que ficaram sem receber suas rescisões, FGTS, e demais direitos previstos em lei. Em 2011 quando completou um ano sem pagar salários, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região promoveu uma manifestação com direito a bolo para marcar o descaso da empresa com a sua força de trabalho.
Esse ano a entidade sindical organiza uma grande assembleia geral dos trabalhadores para o dia 15 de abril, próximo domingo, às 9 horas no seu Centro Esportivo localizado na rua Rui Barbosa, 495 no bairro Costa e Silva em Joinville (SC). Lá serão colocados em discussão e votação o posicionamento do Sindicato e dos trabalhadores em relação ao Plano de Recuperação Judicial apresentado pela empresa – e já rejeitado em primeira mão pela entidade e demais credores – e também na futura assembleia geral dos credores prevista para a primeira quinzena de maio.
A assembleia tem caráter legal, com edital publicado, visando garantir todos os direitos de representação dos milhares de trabalhadores na votação que vai decidir o futuro da Busscar. A iniciativa também quer oportunizar aos trabalhadores que já não moram mais na cidade o direito de se manifestar e ver sua posição defendida junto aos credores. Para o presidente do Sindicato, Evangelista dos Santos, a idéia é permitir que todos possam participar da decisão democraticamente, visando defender os direitos dos trabalhadores que já foram descumpridos pela empresa.
“Desde o início da crise nos portamos com transparência, buscamos o diálogo, propomos várias soluções para a empresa. Fomos ignorados, e até atacados várias vezes, mas mantivemos a luta pelos direitos dos trabalhadores. Conseguimos até chegar ao ponto de colocar os bens disponíveis para o leilão, mas a empresa recorreu à recuperação judicial. Apresentaram um plano fajuto, fraco, inconsistente e que retira ainda mais dos trabalhadores, e é claro que negamos. Agora, ao completar dois anos dessa história vergonhosa da Busscar, está chegando a hora dos trabalhadores se posicionarem oficialmente na assembleia de credores. Nós vamos realizar a nossa assembleia dos trabalhadores e definir nossa posição. Está na hora de acabar essa novela que afetou a vida de milhares de famílias”, afirma Evangelista.
Caso Busscar: BNDES diz que empresa tem que mudar, na coluna de Claudio Loetz em AN
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pede, em ofício, mudanças efetivas na gestão do Grupo Busscar, sob comando de Cláudio Nielson. O documento foi protocolado na 5ª Vara Cível de Joinville, responsável pelo processo de recuperação judicial da fabricante de carrocerias, na segunda-feira.
Além de afirmar que não concorda com a exclusão de juros e correção monetária anteriores à assembleia dos credores, o banco alega que o pagamento de juros de 4% ao ano, que seria aplicado sobre o valor da dívida após a aprovação do plano de recuperação, são “significativamente inferiores” aos estabelecidos em contrato vigente, de 8% ao ano.
Amortização
O BNDES ainda discorda da proposta apresentada pela Busscar, que prevê o pagamento da dívida em oito anos, com carência de quatro anos. “Ou seja, tal amortização dar-se-á, de fato, em 12 anos”, escreve o banco no documento. O terceiro e decisivo ponto reclamado é que “não há previsão da retirada dos atuais controladores da gestão da empresa”. Na prática, significa que quer a saída de Cláudio Nielson do comando da Busscar. A dívida da empresa com o banco é de R$ 57,3 milhões. A Busscar continua produzindo carrocerias sob encomenda de clientes.