Saques do FGTS para pagar casa própria crescem 57%
Os saques de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a compra da casa própria saltaram 57,2% no acumulado do ano até julho no confronto com igual período em 2008.
Entre os motivos, destaca José Maria Oliveira Leão, superintendente nacional do FGTS, estão o aquecimento do mercado imobiliário e o programa Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo federal em março de 2009 com o objetivo de reduzir o deficit habitacional no país.
Já na comparação com o mesmo período no ano passado, o aumento foi de 13%, segundo dados da Caixa Econômica Federal, agente operadora do fundo.
Na média, considerando todas as formas de saque autorizadas, os acréscimos foram de 23,4% e 11,0%, respectivamente, nesses períodos.
O dinheiro pode ser usado na compra do imóvel, para reduzir as prestações do financiamento, para amortizar o saldo devedor ou para liquidar o débito com o banco, mas é preciso ficar atento aos períodos de carência.
Quem já teve uma moradia financiada pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que engloba os empréstimos para a compra de unidades até R$ 500 mil, pode usar o FGTS para adquirir um segundo imóvel desde que não esteja na mesma localidade: município ou região metropolitana (se houver).
Vale lembrar ainda que o saque só será autorizado se o consumidor possuir pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, somando-se todos os períodos com carteira assinada, na mesma ou em empresas diferentes.
De acordo com Mario Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil, o trabalhador ainda não dá a devida atenção ao dinheiro depositado na sua conta “porque não o põe no bolso” todos os meses.
“É uma poupança compulsória, mas rende menos [do que a caderneta] e tem regras para o saque”, resume.
Criado há 45 anos, em setembro de 1966, o fundo, inicialmente, tinha o objetivo apenas de garantir uma poupança ao trabalhador demitido sem justa causa.
Ao longo dos anos, foi passando por reformulações e, atualmente, pode ser sacado em 30 situações, como quando o trabalhador se aposenta, ao completar 70 anos ou por necessidade devido a doenças graves.
O trabalhador pode acompanhar o saldo da conta pela internet, pelo celular, em uma das agências da Caixa ou receber em casa o extrato dos lançamentos realizados.
“Não deixe para saber só quando for precisar [sacar]“, aconselha Leão. Avelino lembra ainda das empresas que não efetuam o depósito. Esse é mais um motivo para o trabalhador ficar atento ao saldo da sua conta.
Rendimento
O dinheiro depositado todos os meses pelo empregador na conta do funcionário rende menos (3% ao ano mais TR) até do que aquele aplicado na caderneta de poupança (6,17% mais TR).
Não raramente, a variação é inferior à inflação, o que significa que o montante perde poder de compra ao longo do tempo. Por isso, a dica de especialistas é que o dinheiro deve ser sacado na primeira oportunidade.
Da Folha Online
Empréstimos para compra da casa própria cresce 50% em um ano
O aumento nas operações de crédito para a compra da casa própria teve impacto na concessão geral de empréstimos no Brasil, informa o Banco Central (BC). A nota sobre política monetária e operações de crédito do sistema financeiro, divulgada nesta quarta-feira (27), mostra que, em 12 meses, contabilizados de julho de 2010 a junho de 2011, o volume de empréstimos para aquisição de imóveis cresceu 50%.
Nesse período, o total emprestado passou de R$ 116,1 bilhões para R$ 167,4 bilhões. O chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Tulio Maciel, disse que o crédito habitacional, incluindo imóveis financiados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Programa Minha Casa, Minha Vida, é a modalidade que “está puxando” os empréstimos para a pessoa física. O saldo habitacional passou a representar 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB), 1 ponto percentual acima do verificado em junho de 2010.
Maciel acredita que não haja no Brasil ameaça de bolha de crédito como ocorreu nos Estados Unidos durante o epicentro da crise financeira internacional, deflagrada no final de 2008 e cujos efeitos foram sentidos a partir de 2009. “A participação é muito restrita”. A avaliação é de que os empréstimos continuem crescendo, mas com efeito estatístico menor.
A maior parte do crescimento do crédito habitacional foi verificada no ano passado. No primeiro semestre deste ano, o percentual acumulado é 20,7% (em junho, o crescimento foi 3,8%). “A gente espera que continue crescendo em taxas significativas, mas que arrefeça”, disse Maciel.
O aumento do financiamento habitacional compõe o crescimento das operações de crédito do sistema financeiro, que, segundo o BC, teve a maior alta desde 2000 (início da série): 47,2% no primeiro semestre. Para o chefe do Depec, o crescimento “está em linha” com as previsões do BC e pode chegar a 48%.
A expectativa de que os empréstimos continuem sendo procurados tem relação com o aumento da massa salarial (empregos gerados e salários pagos), o que também favorece a diminuição da inadimplência. O percentual de aumento da massa salarial, que ficou em 6,7% em março, manteve-se nesse mesmo patamar em maio e, em junho, ficou em 6,3%. “A massa salarial maior favorece o cumprimento de obrigações”, observou Maciel.
O BC também observou uma tendência de alongamento do pagamento da dívida, o que colabora para a diminuição da inadimplência. O prazo médio de pagamento da dívida, que era 383 dias em dezembro de 2009, fechou em 482 dias no mês passado, para pessoas físicas e pessoas jurídicas. É o caso, por exemplo, de quem tem dívida com cheque especial ou cartão de crédito e quita com um empréstimo mais alongado sob consignação em folha de pagamento ou pelo crédito direto ao consumidor (CDC).
Além dos dados semestrais, o BC apresentou nesta quarta os indicadores de julho, que confirmam o aumento do custo de empréstimo. Segundo o chefe do Depec, os empréstimos pelo sistema financeiro ficaram 0,8% mais caros, nos primeiros nove dias úteis de julho (até o dia 13); a taxa de juros aplicada chegou a 40,2% (variação de 0,7 ponto percentual) e o spread bancário teve aumento de 0,6%.
Rede Brasil Atual
Classe D já sonha com a casa própria
Com um poder de consumo de R$ 381,2 bilhões somente em 2010, o grande desejo da classe D é a casa própria. Segundo pesquisa da consultoria Quórum Brasil, obtida com exclusividade pelo ‘Estado’, 72% das famílias com renda de R$ 800 a R$ 1.020 por mês ambicionam comprar um imóvel.
O aumento da renda ampliou o consumo desse grupo da população e também chamou a atenção de algumas empresas e bancos. Para especialistas, porém, o acesso ao crédito de maiores valores, como o imobiliário, ainda é limitado.
“Essas pessoas que hoje estão na base da pirâmide são tomadoras de crédito para a compra do computador, moto, carro ou para financiar viagens. Mas são créditos de valores menores”, explica o diretor de crédito imobiliário do Bradesco, Cláudio Borges. “Agora é que eles começam a ter alguma participação em termos de financiamento imobiliário.”
Minha Casa Minha Vida supera mil financiamentos em um mês
O programa Minha Casa, Minha Vida completou um mês com 1.089 financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal (CEF), aprovação de dez projetos e 1.730 unidades habitacionais. As famílias mais beneficiadas até agora foram as com renda entre três e seis salários mínimos – 684 financiamentos obtidos e 645 moradias aprovadas. O total financiado chega a R$ 48 milhões, sendo que R$ 2,7 milhões são recursos do Orçamento Geral da União e R$ 8,2 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Segundo o superintendente regional da CEF em São Paulo, Válter Nunes, foi possível assinar empréstimos dentro das condições novas já no primeiro mês porque o banco possuía projetos em sua carteira que se enquadravam no perfil do programa. “Migramos projetos já avaliados pela Caixa para o Minha Casa, Minha Vida”, diz ele.
A segunda faixa de renda que mais obteve financiamento neste primeiro mês foi a de até três salários mínimos, com 211 assinaturas, enquanto a de seis a dez salários conseguiu 194 empréstimos. A Caixa não possui informação sobre onde ficam os empreendimentos comprados por essas famílias.
Dos dez projetos aprovados, com valor de venda total de R$ 90,7 milhões, dois atendem às famílias com renda até três salários mínimos e sete se destinam à faixa de três a seis mínimos. Apenas um projeto é voltado para famílias com renda entre seis e dez mínimos.
São Paulo receberá a maioria dos empreendimentos, com sete obras nas cidades de Piracicaba, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, Taubaté e na capital. Os projetos somam 647 unidades habitacionais no Estado: 560 para famílias com renda entre três e seis salários mínimos, e 87 (na capital) para a faixa de seis a dez.
Os dois únicos empreendimentos com subsídio total para quem ganha até três salários mínimos ficam no Mato Grosso. Os outros dois conjuntos para famílias na faixa de três a seis salários serão construídos em Minas e Rio Grande do Sul. Segundo a CEF, há mais 270 projetos sendo avaliados, somando mais 50 mil unidades. No Feirão da Casa Própria em São Paulo (21 a 24 de maio), 26,6 mil imóveis dos 38,6 mil inscritos se enquadram no Minha Casa, Minha Vida, e a expectativa é que o evento impulsione ainda mais as vendas.
Até o momento, 16 Estados e 340 municípios aderiram formalmente ao programa, mas segundo Nunes, todos os governadores e prefeitos das capitais já demonstraram disposição para ajudar a viabilizar os investimentos. “Recebemos manifestação de interesse de todos os Estados e das capitais, e muitos governos começaram a realizar eventos para a divulgação do programa”, diz Nunes. Entre as capitais, 12 já aderiram.
A CEF cadastrou até o dia 11 de maio 198 mil pessoas que querem obter financiamento pelo programa. O universo de pessoas interessadas, porém, é muito maior, considerando que famílias de até três salários mínimos devem fazer seus cadastros nas prefeituras.
Fonte: Folha de São Paulo