Crise Busscar: Assembleia decide nesta quarta-feira (7/7) o futuro dos trabalhadores
Amanhã é o dia decisivo para os trabalhadores e trabalhadoras da Busscar Ônibus. O Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região convocou assembleia geral para as 9 horas em frente à fábrica para decidir o rumo e o futuro dos trabalhadores caso a empresa não pague os salários atrasados e do PDV, libere os trabalhadores para que encaminhem seguro-desemprego e FGTS, ou ainda abra mão do controle acionário para novos investidores.
Na semana passada o Sindicato realizou assembleia com cerca de 500 trabalhadores que, indignados, não aceitaram mais um pedido de paciência por parte dos acionistas que sequer estavam presentes na empresa para ouvir o apelo dos trabalhadores e sindicalistas. A empresa se limitou a mandar um comunicado dizendo nada. Agora a decisão será dos trabalhadores.
Agora já chega a três meses de salários atrasados, entrando no quarto mês seguido, mais sete meses do décimo-terceiro salário de 2009, além dos demitidos no PDV, FGTS e muitas outras dÃvidas. Segundo informações que o Sindicato apurou a empresa deve cerca de R$ 800 milhões para trabalhadores, bancos, INSS, FGTS, terceirizados, fornecedores e até para os ex-acionistas. Estes esperam receber R$ 250 milhões, mas a questão tamb~em está parada na Justiça.
Segundo o presidente João Bruggmann, que nas últimas horas e dias têm se desdobrado em reuniões buscando acabar com o sofrimento dos milhares de trabalhadores, chegou a hora dos acionistas da Busscar retribuÃrem aos trabalhadores o que eles deram à empresa até o momento.
“Nós nem precisamos pedir falência porque a empresa está falida, está parada. Os acionistas que comandam a empresa precisam dar aos trabalhadores pelo menos esse respeito, de liberar as carteiras para que possam tocar suas vidas. É uma retribuição mÃnima aos trabalhadores que ajudaram no que puderam realizando passeatas, ida a BrasÃlia, não recebem salários! A barriga não tem paciência, as contas não tem paciência. Em nome de todos os trabalhadores da Busscar nós pedimos: liberem quem quer sair, dêem essa saÃda a quem já deu tanto à empresa”, afirmou Bruggmann.
Até o momento a Justiça do Trabalho não deu sentença sobre a ação cautelar que pede a indisponibilidade dos bens do grupo econômico que comanda a Busscar – impede a venda dos bens para que garanta os direitos dos trabalhadores – e também da ação dos salários atrasados, em que pode ser decretado o pagamento em até 48 horas dos salários atrasados, o que pode viabilizar a médio prazo o recebimento dos salários.
“Nós, o Sindicato e os trabalhadores, nunca quisemos a falência da empresa. Temos ao longo de meses tentado ajudar, sugerindo saÃdas, mas não há receptividade, só teimosia, rumos errados, e os trabalhadores ficaram sem seus direitos, sem o salário sagrado no final do mês. Ainda temos esperança de que novos sócios possam assumir e reiniciar a produção, colocar a Busscar novamente no mercado. Mas para isso é preciso grandeza de espÃrito em favor da coletividade. Que Deus ilumine as cabeças desses dirigentes nessa hora tão difÃcil”, explica o presidente João Bruggmann.
Os diretores do Sindicato ainda trabalham por uma solução e resposta por parte da Busscar até a manhã de amanhã na assembleia geral. E também fazem contatos com a Justiça do Trabalho.