Reforma do telhado da Sede do Sindicato está pronta
A tempestade que destruiu dezenas de carros, casas, empresas e ruas em Joinville no dia 8 de fevereiro passado deixou marcas também no Sindicato dos Mecânicos: parte do telhado da sede central (auditório e salas do piso superior) foi danificado, e também o muro lateral, um prejuízo que passou dos R$ 60 mil. Depois do grande susto e que não deixou feridos, a direção correu atrás para recuperar o patrimônio dos trabalhadores.
Passados dois meses, a reforma está pronta. Além da recuperação do telhado, forros, paredes e toda a estrutura de madeira da cobertura, e do novo muro, agora a sede central conta com um beirado que evita que as águas escorram pela parede do prédio, e dá um pouco mais de segurança quando as chuvas e ventos chegam forte.
O investimento foi feito emergencialmente, e com muito esforço feito pela diretoria. Segundo o presidente João Bruggmann, o Sindicato fez ginástica para arcar com essas despesas porque não recebe os valores devidos pela Busscar com imposto sindical e outros descontos das folhas de pagamento dos seus funcionários. “A Busscar nos deve o imposto sindical de 2009 e outras taxas que fazem falta para a manutenção do Sindicato. Mas fizemos tudo para recuperar o patrimônio”, explicou o Presidente.
Carbono do desmatamento colocaria o país como maior poluidor
As emissões de carbono provenientes do desmatamento são significativas e colocariam o Brasil, caso fossem contabilizadas, na quarta ou quinta posição entre os maiories emissores de carbono do Mundo.
Por causa disso, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc), Flávio Gazani, os países industrializados deverão exercer forte pressão para incluir os projetos de conservação florestal no novo acordo que deverá substituir o Protocolo de Quioto, a partir de 2012. “Por isso, eu acho que o país vai sofrer uma pressão muito grande nas próximas negociações”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Para o presidente da Abemc, as nações industrializadas procuram incluir esse tipo de projeto no protocolo “mais preocupadas com a nossa floresta, ainda com grandes áreas preservadas. Porque as suas [florestas] quase não existem atualmente”.
O governo brasileiro é contra a inclusão dos projetos de conservação florestal no acordo, por uma questão de soberania nacional, explicou Gazani. “A posição do Itamaraty tem sido historicamente contra a inclusão de projetos de desmatamento ou de conservação florestal. Até por receio de algum tipo de moção anti-desenvolvimentista, conservacionista, imposta ao nosso país”, afirmou.
Nenhum país pode, atualmente, incluir projetos de conservação florestal no Protocolo de Quioto como projetos de redução de emissões de gases poluentes, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O protocolo permite apenas duas modalidades de projetos de MDL na área florestal: reflorestamento de áreas degradadas ou aflorestamento, ou seja, o plantio em áreas que nunca tiveram árvores. “Conservação florestal, ou desmatamento evitável, não é elegível como projeto de MDL”, disse Flávio Gazani.
Os projetos que não são aceitos pelo Protocolo de Quioto são aceitos pelo mercado voluntário, que funciona em paralelo ao mercado regulado, e é movido pelas iniciativas de empresas que têm medidas voluntárias de redução de emissão.
Um exemplo é o projeto do governo do Amazonas que recebeu financiamento do Bradesco, por meio do programa Banco do Planeta. Foi criada a Fundação Amazonas Sustentável, considerada uma ferramenta fundamental na implementação da Política Estadual de Mudanças Climáticas no estado. Ela tem por objetivo combater o desmatamento, além de contribuir para a construção de uma relação harmônica entre o homem e a floresta, por meio da promoção de projetos de uso sustentável dos recursos florestais.
O novo tratado climático que substituirá o Protocolo de Quioto deve ser concluído até dezembro próximo, na reunião da Organização das Nações Unidas, programada para ocorrer em Copenhague, na Dinamarca.
Fonte: Observatório Social
Amazônia: Projeto avalia impacto do desmatamento no clima
O vapor d’água gerado na Amazônia e transportado pelas massas de ar tem impacto decisivo sobre o clima nas demais regiões do Brasil, principalmente sobre o ciclo de chuvas no Sul e no Sudeste. Essa é uma das constações do Projeto Rios Voadores, coordenado há dois anos pelo engenheiro e ambientalista Gérard Moss, com patrocínio de R$ 3,45 milhões do Programa Petrobras Ambiental e parceria da Agência Nacional de Águas (ANA).
O estudo revela a existência de uma forte recirculação de água entre a superfície e a atmosfera, causada pela transpiração das plantas que compõem a floresta, o que contribui para os altos níveis de precipitação na Amazônia, que chegam a ultrapassar 2.400 mm/ano.
Por isso, de acordo com Moss, a destruição da floresta provoca alterações, ainda difíceis de quantificar. “Uma árvore de grande porte coloca cerca de 300 litros de água por dia na atmosfera. Isso não atinge somente a Amazônia, mas todas as outras regiões para onde a água é transportada pelos ventos. Tivemos no Brasil cerca de 600 mil quilômetros de terras desmatadas nos últimos 30 anos. Ainda não sabemos mensurar com precisão qual o impacto sobre o clima”, afirmou.
Segundo o pesquisador, apesar da Amazônia Legal representar, em média, 10% da população e do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (soma de todas as riquezas produzidas pelo do país), recebe pouco investimento em tecnologia.
“É justamente lá que deveria haver muito mais investimento. O clima de São Paulo não tem impacto sobre a Amazônia, mas a Região Amazônica faz toda a diferença para o restante do Brasil e até mesmo para outros países”, argumentou Moss.
As informações recolhidas pela equipe do pesquisador permitirão mostrar até que ponto o desmatamento da região amazônica pode afetar o clima brasileiro e como essa degradação pode alterar o ciclo hidrológico, que se refere à distribuição e circulação da água na natureza. O objetivo é compreender melhor as causas, tanto das grandes tempestades, quanto dos extensos períodos de seca.
“O objetivo do estudo é entender melhor o trajeto percorrido por esses verdadeiros rios voadores, que viajam sobre nossas cabeças e podem ter volume maior que a vazão de todos os rios do Centro-Oeste, Sudeste e Sul”, diz Gérard, que já fez 12 viagens sobrevoando o Brasil em um avião monomotor recolheu cerca de 500 amostras de vapor d’água em diferentes camadas atmosféricas.
As amostras, são recolhidas em um coletor externo instalado no avião que capta o ar ambiente e o direciona a um tubo de vidro, onde é resfriado em gelo seco (-80ºC), para condensar a umidade em uma gota dentro do tubo. As amostras são analisadas no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), em Piracicaba (SP) e com base nas propriedades dessa gota d’água são definidos origem, dinâmica e deslocamento da água carregada pela massa de ar.
A coordenação científica do Projeto Rios Voadores é de Enéas Salati, agrônomo e ex-professor da Universidade de São Paulo. Estudos realizados por ele há 30 anos revelaram que 44% do fluxo de vapor d’água que penetra na região amazônica vindo do Oceano Atlântico condicionam o clima da América do Sul e atingem as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
As pesquisas são usadas até hoje como base para o conhecimento hidrológico da região e foram fundamentais para a elaboração do Projeto Rios Voadores, que é um desdobramento do Projeto Brasil das Águas, selecionado pelo Programa Petrobras Ambiental em 2003.
Fonte: Amazonia.org.br
América Latina e Caribe devem sofrer mais com mudanças no clima
A região da América Latina e Caribe é uma das mais vulneráveis às consequências das mudanças climáticas no planeta. Algumas das razões que confirmam essa afirmativa se encontram no relatório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) “Mudanças Climáticas e Desenvolvimento na América Latina e Caribe. Uma resenha”, divulgado ontem (11), em Santiago do Chile.
Por estar em uma faixa de furacões com numerosos estados insulares e áreas costeiras baixas; por depender dos degelos andinos para fornecimento urbano e agrícola de água; e por estar sujeita a inundações e incêndios florestais, a região pode ser mais afetada que outras partes do mundo. A Cepal recomenda que as autoridades se concentrem na adaptação às mudanças climáticas, uma vez que a emissão de gases de efeito estufa na região são baixas, ficando em torno de 11,7% do total mundial em 2000.
Segundo a entidade, uma política de adaptação deve prever as perdas desde o setor primário até as finanças públicas. O país deve ainda quantificar os impactos econômicos para enfrentar consequências das mudanças, como secas, inundações, epidemias, ondas de calor e perdas de infraestrutura. A Cepal enfatiza que, para desenvolver a capacidade de adaptação, o Estado deve enfrentar desafios como distribuir os custos entre agentes privados e públicos, assim como especificar e focalizar medidas.
Para a Cepal, é essencial captar a atenção das áreas econômicas dos governos da região para combater os efeitos das mudanças climáticas. Quanto mais preparadas essas áreas, menores serão as pressões imprevistas sobre os gastos e maior a governabilidade econômica dos países.
“Os países em desenvolvimento deverão antecipar que a competitividade de produtos baseados em processos produtivos intensivos em emissões se verá afetada à medida que o crescente preço de emitir o carbono se transfira para seus custos operativos. A proteção das exportações deve incluir melhores processos de produção assim como uma melhora gradual e coordenada nas normas relativas à eficiência energética para insumos (motores elétricos, por exemplo) e produtos comercializáveis (linha branca)”, afirma o documento.
A Cepal ressalta que a América Latina e o Caribe, apesar da vulnerabilidade mostrada, de sua singularidade em matéria de emissões provenientes da mudança do uso do solo e de corresponder a uma das regiões das Nações Unidas mais bem delimitadas por afinidades, não tem uma voz própria no marco das negociações de mudanças climáticas.
O documento cita a articulação, chamada de G-5, que integra México e Brasil à África do Sul, China e Índia, formalizada em 2007, com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, a Cepal lembra que a situação não é nova, uma vez que a região tem estado regularmente absorvida dentro do G-77 e sua vasta heterogeneidade e que, mesmo assim, não conseguiu construir uma identidade regional e um espaço próprio para a reflexão e para compartilhar informação.
Fonte: Instituto Observatório Social