10° ConCut começa hoje e vai até 7 de agosto em São Paulo
Começa nesta segunda-feira (3 de agosto), em São Paulo, no Centro de Convenções – Expo Center Norte, o Seminário Internacional “Crise e Estratégias Sindicais” que abrirá a programação do 10° CONCUT. A abertura oficial será nesta terça-feira (4) e segue até sexta , dia 7.
Conforme o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, “o objetivo do evento é analisar o cenário atual de crise financeira e econômica e as perspectivas pós-crise, buscando construir estratégias sindicais de enfrentamento e disputa de um modelo de desenvolvimento alternativo ao hegemônico”.
PARTICIPAÇÕES - Entre outras importantes contribuições, o Seminário contará com a participação de Ladislau Dowbor, economista e professor da PUC São Paulo; ministro Luiz Dulci, Secretário Geral da Presidência da República do Brasil; Laís Abramo, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho – OIT no Brasil; Mark Weisbrot, Co-diretor do Center for Economic and Policy Research; John Evans, Secretário Geral da TUAC/OCDEl; Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário Geral do Itamaraty; Theotonio dos Santos, economista; Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da FEA; Sharan Burrow – Presidenta da ACTU e da integrante da CSI; Victor Baez, Secretário Geral da Confederação Sindical das Américas – CSA/CSI; Kouglo Lawson Body, Coordenador de Políticas Sociais e Econômicas da CSI África. Coordenarão as mesas, além de João Felício, o presidente da CUT, Artur Henrique; o secretário-geral, Quintino Severo e a secretária nacional da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva.
“A atuação internacional da CUT nos últimos três anos teve como principal fundamento o fortalecimento e a unificação do sindicalismo mundial em defesa dos empregos com salários dignos e respeito aos direitos sociais e trabalhistas, defendendo a solidariedade e auto-determinação dos povos no combate à globalização neoliberal”, acrescentou Felício.
No último período, ressaltou o dirigente, as relações com o continente africano tomaram dimensões maiores com parcerias com as centrais que fazem parte do grupo de Países Africanos de Língua Portuguesa. O aprofundamento e fortalecimento das relações Sul/Sul também foram reforçados com a aliança triangular CUT/COSATU/KCTU.
“Conjuntamente com as centrais sindicais das Américas que compõem a Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS), a CUT defendeu a consolidação de um Mercosul produtivo, econômico e social. A integração continental foi evidenciada pelo avanço da UNASUL, fortalecimento da CSA (Central Sindical dos Trabalhadores das Américas) e ações junto à Aliança Social Continental. A luta contra a ALCA e contra a Rodada de Doha foram exemplos claros da mobilização cutista contra a hegemonia da globalização neoliberal”, apontou.
Entre os avanços do período está o projeto CUTMulti, que potencializou a criação de redes sindicais na luta contra os abusos das multinacionais, estreitando o relacionamento com as Federações Sindicais Internacionais. O apoio à Universidade Global do Trabalho foi um dos instrumentos de formação para a base cutista. A defesa dos direitos dos trabalhadores/as migrantes também esteve na agenda internacional da CUT e parcerias foram firmadas para estimular a filiação sindical desses trabalhadores/as. A aliança com os movimentos sociais foi reforçada neste período e o Fórum Social Mundial continua sendo um grande espaço de debate e mobilização. A intensificação da participação da CUT nas ações da CSI (Confederação Sindical Internacional) contribuiu para a construção de um plano de lutas global pela manutenção e ampliação dos direitos laborais. Também ganharam destaque as intervenções da central junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“Em meio ao período de crise financeira internacional, em conjunto com o movimento sindical internacional, a CUT defendeu a criação de fóruns e organismos que tenham como objetivo a cooperação econômica para o desenvolvimento social, com sustentabilidade ambiental e soberania popular, colocando na ordem do dia a necessidade de uma nova ordem econômica internacional, com rígido controle do sistema financeiro e o fim dos paraísos fiscais. Ao mesmo tempo, a CUT redobrou esforços junto à OIT em defesa da manutenção dos direitos e participou ativamente das reuniões do G-8 e do G-20, sublinhando o papel dos Estados nacionais na defesa dos empregos e dos serviços públicos”, enfatizou.
Entre outras importantes ações solidárias, foram estreitados os laços com o povo cubano, com uma denúncia firme do criminoso bloqueio norte-americano; foi dado um amplo apoio ao povo boliviano em sua luta contra a tentativa da direita e do imperialismo norte-americano de dividir o país, e também ao povo haitiano, que busca a efetivação da sua soberania. Recentemente, a CUT se posicionou de forma enfática contra os golpistas de Honduras, exigindo a restituição da presidência a Manuel Zelaya.
PROGRAMA
Dia 03/08
14:00 – Abertura
Artur Henrique da Silva Santos – Presidente da CUT Brasil
João Antonio Felicio – Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil
14:30 – Mesa 1: O desenvolvimento necessário pós crise
Debatedores:
Ladislau Dowbor – Economista e Professor da PUC São Paulo
Luiz Soares Dulci – Ministro de Estado-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
Lais Abramo – Diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho – OIT no Brasil
Coordenador: Artur Henrique da Silva Santos – Presidente da CUT Brasil
Debate
16:15 – 16:30 – Pausa: coffee break
16:30 – Mesa 2: O sistema financeiro internacional e suas instituições: as transformações necessárias
Debatedores:
Mark Weisbrot - Co-diretor do Center for Economic and Policy Research – CEPR
John Evans - Secretário Geral da TUAC/OCDE
Marcos Cintra - Economista do IPEA
Coordenador: João Antonio Felicio – Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil
Debate
18:15 – Encerramento do dia 1
Dia 04/08
09:00 – Mesa 3: Estado e Sociedade: ações para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável
Debatedores:
Theotonio dos Santos, Economista
Ricardo Abramovay, Professor titular do Departamento de Economia da FEA
Coordenadora: Rosane Silva, Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT
Debate
10:45 – 11:00 – Pausa: coffee break
11:00 – Mesa 4: Estratégia e ações do movimento sindical
Debatedores:
Sharan Burrow – Presidenta da ACTU e da CSI
Victor Baez – Secretário Geral da Confederação Sindical das Américas – CSA/CSI
Kouglo Lawson Body – Coordenador de Políticas Sociais e Econômicas da CSI África
Coordenador: Quintino Marques Severo – Secretário Geral da CUT Brasil
Debate
12:45 – Encerramento e encaminhamentos
João Antonio Felicio – Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil
Fonte: CUT Nacional
“Os desafios do 10o. ConCut”
Já se fala numa suposta social-democracia global como o novo cenário para aquilo que o G-8 passou a chamar de “pós-crise”. Se a esquerda brasileira e latino-americana não estiver fortemente unida e constantemente mobilizada para enfrentar esse arremedo de alternativa que o capitalismo quer nos impingir, corremos o risco de ficar nos debatendo com uma proposta que não passa de mais do mesmo.
Apesar de contar com a participação de vários estados nacionais, essa proposta não entra na discussão realmente importante que é criar um novo paradigma, um novo modelo. Porque não enfrenta as questões essenciais que são, entre as mais importantes, o combate aos abusos do capital especulativo e das transnacionais, o cancelamento das dívidas externas dos países, uma nova matriz energética, a implementação de uma renda cidadã mundial, como já vem acontecendo em países como o Brasil, e a garantia do emprego decente.
A resolução da crise econômica se dará mais pelo socialismo ou mais pelo capitalismo a depender da capacidade de mobilização do movimento sindical e do movimento social em defesa do papel do Estado, do fortalecimento do mercado interno e de pesadas regras sobre o setor financeiro.
Em todo o debate que a CUT vai realizar durante seu 10º Congresso Nacional, que acontece entre 3 e 7 de agosto, em São Paulo, teremos sempre em perspectiva esses desafios citados acima. Com a presença de 2,5 mil delegados, representantes de todas as categorias, do campo e da cidade, de todas as regiões do País, vamos traçar as prioridades e a estratégia de ação da CUT para os próximos três anos.
Podem estar certos de que a Central Única dos Trabalhadores sairá desse Congresso ainda mais empenhada na defesa dos empregos, dos salários e dos direitos de nossa classe, condições essenciais para a superação da crise e para a construção de um novo modelo de desenvolvimento que tenha como prioridades a distribuição de renda e a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras.
Nossos instrumentos são a mobilização, desde os locais de trabalho até as manifestações de rua, as greves e as paralisações, e a maturidade de saber apresentar propostas e construir canais de diálogo. O primeiro semestre deste ano nos traz exemplos importantes de como a CUT tem desempenhado seu papel social. Com nossa oposição, implodimos uma proposta encabeçada pela Fiesp e por setores sindicais não-cutistas, que queriam impor redução salarial a todos os trabalhadores sob o argumento chantagista de que, se assim não fosse, a outra saída seria demissões em massa – três milhões de brasileiros nos quinze dias que se seguiriam, segundo os mentores do tal acordo.
Partimos em seguida para uma ofensiva que denunciava o grande acúmulo de excedente de capital em todos os setores de atividade, embalados por anos de crescimento econômico, e para exigir que esses setores fossem chamados à responsabilidade para defender os empregos e os salários. Reivindicamos alternativas ao oportunismo das demissões em massa, na verdade mero pretexto para arranjos produtivos que objetivavam a manutenção das taxas de lucros às custas de maior sofrimento de famílias brasileiras.
Essa ofensiva incluiu centenas de greves e paralisações, em pequenas empresas e em multinacionais, mobilizações de rua, panfletagens e apresentação de propostas de mudanças nas relações do Estado com o capital. E meio à crise e contra todas as vozes conservadoras, a CUT soube pressionar o governo também a manter os compromissos de reajustes e reestruturações de carreiras no serviço público, para nós imprescindível para a construção de políticas que distribuam renda para a maioria através de educação, saúde, segurança, cultura e previdência.
Junto com os movimentos sociais, estamos lutando neste momento por uma nova lei do petróleo, que acabe com os leilões das jazidas e que garanta a destinação de recursos da camada pré-sal para políticas públicas que saldem a dívida social do Brasil.
Sabendo aproveitar a conjuntura internacional, a CUT e suas entidades também foram capazes de construir um acordo nacional para garantir direitos trabalhistas aos cortadores de cana. Assinado no último dia 25, o acordo já nasceu com a adesão de 92% de todas as empresas do setor sucroalcoleiro.
Há várias outras ações igualmente importantes que as entidades cutistas estão tocando em todas as regiões do Brasil. Sempre em busca de novos instrumentos e políticas que enterrem definitivamente os resquícios neoliberais não só no Brasil mas, com a unidade das esquerdas, também em nosso continente.
Escrito por Artur Henrique é presidente nacional da CUT
Congresso Estadual da CUT nos dias 1, 2 e 3 de julho em Florianópolis
A CUT Santa Catarina realiza nos próximos dias 1,2 e 3 de julho na Escola Sul da CUT em Florianópolis, o 10o. CECUT – Congresso Estadual da CUT, movimentando lideranças de todo o estado para debater todos os temas e demandas dos trabalhadores e trabalhadoras, visando redefinir as pautas de lutas daqui para frente, inclusive na defesa junto ao Congresso Nacional da CUT.
O Sindicato dos Mecânicos participa com oito delegados: Betara (Valdir Moreira), Evangelista dos Santos, João Batista Souza, Liliana Piscki, Waldemar Bermudão, Jamir Rochadel, Marcos Joriatti e Nivaldo Sena. Haverá três dias de discussões sobre campanhas nacionais da CUT, direitos dos trabalhadores, saúde no trabalho e muitos outros temas importantíssimos para o futuro do movimento sindical.