Saída para crise econômica é combater o desemprego, diz Dilma
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (7) que a saída para crise econômica mundial é enfrentar o desemprego. Segundo ela, essa foi a resposta defendida pelo Brasil durante a reunião do G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, na França, na semana passada.
“A crise econômica mundial, que está abalando, principalmente, os países da Europa e os Estados Unidos, não pode ser resolvida com desemprego e muito menos com a redução dos direitos trabalhistas. A questão do desemprego é extremamente preocupante”, disse em seu programa de rádio semanal, Café com a Presidenta.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que existam 200 milhões de pessoas sem emprego no mundo, a maioria jovens.
Para Dilma Rousseff, todos os países devem cooperar para encontrar uma solução à crise econômica. “O grande desafio para essa crise é o caminho para retomar o crescimento: o caminho do investimento, do consumo e da geração de empregos. Todos concordaram que nós temos de ajudar, fazendo a nossa parte. Ninguém ganha com a crise. Até agora, os países emergentes vêm sustentando o crescimento da economia mundial, eles também reduziram um pouco o seu crescimento, porque foram atingidos por efeitos indiretos. Mas quem sustenta o crescimento mundial são esses países, somos nós”, disse.
Na semana passada, a presidenta descartou uma contribuição direta do governo brasileiro para o Fundo Europeu de Estabilização.
Agência Brasil
CUT é contra decisão de aumentar superávit contra crise
O governo decidiu aumentar o superávit primário – economia que o governo faz para pagar os juros da dívida – para conter os efeitos da crise econômica mundial e permitir a redução dos juros. Para o governo, as medidas de aperto fiscal ajudam o Banco Central a iniciar mais rapidamente a redução da taxa básica de juros.
O anúncio foi feito pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, na manhã desta segunda-feira (29) para representantes da CUT e das demais centrais sindicais. Dilma disse aos sindicalistas que a decisão é necessária para que o governo possa enfrentar a crise sem abrir mão dos investimentos sociais.
Para o presidente da CUT, Artur Henrique, “essa decisão vai contra a visão da CUT de que é preciso fortalecer o mercado interno e manter as políticas públicas e sociais”. Durante a reunião, Artur, deixou claro que a central não concorda com o aumento do superávit e alertou que a manutenção das políticas públicas e sociais depende fundamentalmente do papel do Estado. Segundo ele, o governo quis dar um sinal de austeridade fiscal ao mercado como se, com isso, a redução da taxa de juros fosse automática.
“A presidenta acha que as medidas criam as condições para diminuir as taxas de juros e nós achamos que se não houver mobilização da sociedade, a taxa não cai. Por isso, a CUT vai realizar mobilizações esta semana para pressionar o COPOM a baixar a taxa”, disse Artur, que completou “o que sangra o Brasil é essa taxa de juro criminosa; é o dinheiro que sai do nosso orçamento e vai direto para o bolso dos especuladores. O que o país precisa é de uma redução drástica da taxa de juros”.
O COPOM - Comitê de Política Monetária do Banco Central, grupo quedefine as diretrizes da política monetária e a taxa básica de juros do País, se reúne nestas terça e quarta-feiras para decidir a nova taxa de juros.
Artur defendeu mais investimentos do Estado na manutenção e fortalecimento das políticas públicas e sociais. Para ele, programas como o “Minha Casa, Minha Vida” e “Combate a Miséria” não podem corre o risco de ser prejudicados por essas medidas de aperto fiscal.
Superávit primário
Até julho deste ano, o esforço do governo para pagar os juros da dívida cre
sceu 111%, atingindo 78% da meta de R$ 117,9 bilhões para o ano todo.
CUT
Desigualdade entre os sexos se agrava com crise econômica
A igualdade entre homens e mulheres no trabalho se tornou uma necessidade em todo o mundo. Mas a crise econômica iniciada em 2008 expôs as desigualdades entre os sexos e agrava a discriminação estrutural. Estas são as conclusões do Relatório Global “Igualdade no Trabalho: um desafio contínuo”, produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O documento aponta que em todo o mundo há 829 milhões de mulheres em situação de pobreza. No caso dos homens, esse número é de 522 milhões. Na relação salarial, para exercer o mesmo cargo, elas recebem aproximadamente 70% a 90% dos salários masculino.
A inserção no mercado de trabalho também é diferenciada entre os sexos. No Brasil, 15% do total das mulheres empregadas está no trabalho doméstico. Este trabalho é caracterizado pela precariedade de condições, como afirmou a ministra brasileira da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes.
A ministra deu essa declaração durante a 100ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada esta semana, em Genebra, na Suíça. Os 183 Estados-membros da OIT aprovaram neste encontro a Convenção sobre o Trabalho Doméstico, que pretende garantir condições de trabalho descentes a esta categoria, que conta com mais de 52 milhões de pessoas no mundo, em sua maioria mulheres
SMABC
Mantega: crise não acabou, mas talvez o pior tenha passado
A crise não acabou, mas talvez o pior tenha passado. Entre os fatores dessa melhora estão a consolidação do governo Obama nos Estados Unidos e as ações do G20 (grupo dos países em desenvolvimento), que melhoraram a confiança na economia. A avaliação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo ele, os chamados ativos tóxicos (papéis sem lastro que circulavam no início da crise financeira internacional) continuam presentes. Além disso, os bancos não estão liberando crédito suficiente para mover a economia mundial, embora alguns setores já estejam recebendo recursos.
Mantega fez as afirmações em audiência conjunta de quatro comissões do Senado, para falar sobre a crise financeira internacional e as medidas adotadas pelo governo brasileiro para minimizar os efeitos na economia.
Fonte: Ag. Brasil
Pesquisa mostra que das demissões, 80% são homens
Após três meses seguidos de baixas, o mercado de trabalho formal delineou o perfil do trabalhador brasileiro demitido pela crise econômica que varre o planeta. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) obtidos pela Folha mostram que o maior número de empregos eliminados ocorreu entre pessoas com renda de 1 a 3 salários mínimos.
Entre novembro de 2008 e janeiro deste ano, o mercado perdeu 797.515 postos de trabalho. Desse total, 79% são trabalhadores com ganhos entre R$ 415 e R$ 1.245 à época.
Os homens foram os principais afetados pelo encolhimento do emprego formal e respondem por 8 a cada 10 vagas fechadas no período -especialistas atribuem a tendência ao fato de que os setores que mais demitiram no período foram a construção civil e a indústria, atividades dominadas pelo sexo masculino.
Além disso, os números do cadastro revelam que as grandes empresas foram as que mais cortaram empregos com carteira assinada por conta da crise. Os estabelecimentos com mais de 500 funcionários responderam por 34% do saldo total de demissões. No período, essas empresas fecharam 271.015 postos de trabalho.
Especialistas consultados pela Folha avaliam que os sinais apontados por esse conjunto de informações são preocupantes e levam a crer que a crise no mercado de trabalho pode estar só no começo e, diferentemente de outras ocasiões, desta vez chegou mais rápido do que se esperava.
“Todos os dias estamos vendo nos jornais que são as grandes empresas que demitem mais, como é o caso da Embraer. Isso tem um efeito “bola-de-neve”. Agora, são as grandes. Depois, os provedores delas começarão a demitir. Pode ser só o começo da crise no mercado de trabalho”, afirma Janine Berg, especialista de emprego da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil.
Apesar de considerar o efeito “bola-de-neve” uma tendência, o professor da Unicamp José Dari Krein ressalta que muitos elos da cadeia produtiva já fizeram seus ajustes. “No setor automotivo, o segmento de autopeças já demitiu. O que é preocupante em relação a grandes empresas demitindo é que isso vai resultar em uma desestruturação do mercado de trabalho, como a que ocorreu nos anos 90.”
Baixa qualificação
Na avaliação de Krein, já era de esperar que o contingente de renda mais baixa fosse mais afetado pela crise. Historicamente essa é a parcela que mais entra e sai do mercado. “Há uma elevada rotatividade de mão-de-obra devido à baixa qualificação. Todos os anos, 40% dos trabalhadores são demitidos e recontratados.”
Fábio Romão, economista da LCA Consultores, pondera que, proporcionalmente, a crise teve efeitos mais devastadores entre os trabalhadores com renda acima de 20 salários mínimos. “Para os que ganham menos, há um impacto maior por conta do volume. Mas, se olharmos a proporção de admitidos e desligados no período, para a faixa acima de 20 salários, as demissões ficaram 118% acima das contratações.”
Segundo ele, isso é reflexo das fusões ocorridas na economia recentemente e, agora, da necessidade de enxugamento.
Pelos dados detalhados do Caged, o número de trabalhadores demitidos é maior entre aqueles com idade entre 25 e 39 anos. Eles representam mais da metade (57%) das vagas fechadas nos três meses analisados. Cerca de 70% dos postos de trabalho eliminados atingiram pessoas entre a quinta série incompleta e o ensino fundamental completo.
Fonte: CNM e Folha de São Paulo
A crise econômica é dos capitalistas, não dos trabalhadores!
Os lucros obtidos até outubro foram também rapidamente recolhidos e as empresas iniciaram uma série de ações, com o objetivo de pressionar e ameaçar o Governo para obter as tais “facilidades”. Porém, quando o governo fala em exigir a contrapartida de manutenção de empregos para essas empresas que foram beneficiadas no momento de crise, há uma chiadeira geral do empresariado.
A crise é o pretexto
Muitas empresas estão demitindo funcionários ou ameaçando demitir, outras ainda fala em redução de jornada com redução de salários, utilização do banco de horas, redução ou mesmo fim de planos de assistência médica, etc. Na verdade, a maioria dos empresários está usando a crise como pretexto para impor ao movimento sindical e à classe trabalhadora medidas que “flexibilizem” as relações do trabalho. Nós precisamos justamente do contrário: de uma legislação clara, com acordos que respeitem direitos sociais e econômicos, junto com medidas que garantam a estabilidade no emprego.
O movimento sindical está disposto a debater essas medidas e outras que surjam para combater a crise, desde que haja seriedade nas negociações. Não aceitaremos que a história se repita, de forma trágica, com os trabalhadores pagando, mais uma vez, pela crise dos capitalistas.
Acreditamos que será necessário que o movimento sindical inicie grandes mobilizações, seja nas portas de fábricas ou através de ações articuladas por ramos, CUTs estaduais, CUT Nacional e demais centrais sindicais, de forma coesa, com o objetivo de resistir às tentativas de golpe contra os direitos dos trabalhadores (as) e exigir que todas as empresas que forem beneficiadas pelo Estado, tenham a obrigação de garantir o emprego e a renda dos funcionários (as).
* Escrito por Aparecido Donizeti da Silva é coordenador Geral da CNQ-CUT