Fórum Social Mundial – ênfase no desenvolvimento da África
Participantes de 123 países se reúnem a partir deste domingo em Dacar, no Senegal, para a 11ª edição do Fórum Social Mundial (FSM). A África e os problemas sociais enfrentados pelos povos da região deverão dominar as discussões durante os seis dias do evento. São esperados cerca de 50 mil participantes, a maioria deles de países da região.
Durante o chamado Dia da África e da Diáspora, marcado para segunda-feira (7), as mesas de debate vão incluir temas como crise alimentar, subdesenvolvimento, agricultura familiar, saúde, seguridades social, acesso à água e a saneamento. Mas Oded Grajew, também membro do grupo que fundou o fórum, acredita que a discussão irá se desdobrar para outros temas.
“Teremos muitos debates sobre a realidade africana, mas isso também vai levar o encontro a discutir uma série de outros temas como a distribuição de renda, a injustiça social no mundo, as mudanças climáticas. A África tem sido grande vítima dessas questões”, aponta o sociólogo Cândido Grybowsky, um dos fundadores do FSM.
Os conflitos no Egito e a questão da democracia no mundo árabe também devem ocupar espaço na agenda do fórum.
Delegação
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou de todas as edições do FSM no Brasil, estará presente em Dacar. Como representante do governo brasileiro, a presidente Dilma Rousseff vai enviar o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Integram a equipe ainda a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros.
O primeiro FSM ocorreu em 2001, em Porto Alegre, como uma alternativa ao Fórum Econômico de Davos. Desde então, o Brasil sediou a maioria das edições do evento que tem como slogan Um Outro Mundo É Possível.
Grajew acredita que as discussões do FSM foram importantes para as “mudanças de rumo” dos quadros políticos da América Latina e a ênfase desses governos nas questões sociais. “Nas primeiras edições do fórum, o neoliberalismo já era uma das grandes discussões até ele se desmoralizar e hoje nem em Davos se fala sobre isso. Hoje a discussão é sobre um novo modelo de desenvolvimento, a questão de democracia, da governança global”, pontua.
Da Rede Brasil Atual
Brasil vai liderar mudança no desenvolvimento global
O Brasil tem tudo para liderar a América Latina e o mundo na transformação do modelo econômico atual para um mundo para uma economia de baixo carbono, na opinião do economista britânico Nicholas Stern.
Autor do influente relatório que, em 2006, pela primeira vez calculou os custos econômicos das mudanças climáticas e do seu combate, Stern afirmou à BBC Brasil que a crise climática global representa uma oportunidade para a região como um todo.
“Na América Latina, você pode ter ganhos enormes provenientes das oportunidades das novas tecnologias, já que é esse o caminho que o mundo está tomando”, disse o inglês, em Cancún.
“Acho que a região será um dos motores da mudança.”
Nicholas Stern citou o Brasil como líder atual na produção de biocombustíveis e disse apostar que o país possa liderar também nas tecnologias de biocombustíveis de segunda geração, ou seja, a partir de restos da produção de cana-de-açúcar ou milho, por exemplo.
Potencial do Brasil
Outra tecnologia do futuro, a produção de combustível a partir de algas, também seria um dos possíveis potenciais do Brasil, que, segundo Stern, ainda tem a vantagem de ter uma comunidade científica expressiva e um centro tecnológico.
“O Brasil poderia ser uma das principais fontes de produtos que dependem da biomassa. Florestas têm um tremendo potencial como combustível, se forem bem administradas.”
“Acho que o Brasil realmente tem um potencial tremendo”, disse.
O economista destacou principalmente as oportunidades latino-americanas. Para ele, se exploradas sustentavelmente, as riquezas naturais podem alçar a região ao desenvolvimento.
Vulnerabilidade
No ano passado, Nicholas Stern participou da produção de um relatório encomendado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, sobre como levantar os US$ 100 bilhões anuais prometidos pelos países desenvolvidos às nações em desenvolvimento até 2020.
Ele também ressaltou a vulnerabilidade da região aos impactos da mudança do clima, como furacões, secas e subida do nível do mar.
Por isso, Stern acredita que todos os países latino-americano devem ser beneficiados com as verbas deste fundo verde bilionário.
Entre as principais tarefas futuras na região, segundo o inglês, está o fim do desmatamento na Amazônia.
“Não há forma de combater mudanças climáticas sem acabar com o desmatamento. Mas qualquer que seja a nossa forma de acabar com ela, tem que ser em parceria com o resto do mundo, liderada pelos países onde as florestas estão.”
Para Stern, o trabalho precisa ser feito de forma a eliminar também a pobreza e fomentar o desenvolvimento.
“Temos que combater pobreza e mudança climática – se falharmos em um, falhamos no outro”, afirmou.
Do site Ig
O torneiro mecânico e o economista
Celso Furtado, o mais influente e renomado economista brasileiro, lançou em 2002 a segunda edição do ensaio Em busca de um novo modelo, reflexões sobre a crise contemporânea. Naquele momento, suas angústias quanto aos problemas da miséria no Brasil ainda prevaleciam. Até então, seu esforço em apresentar alternativas não havia obtido êxito junto à ação governamental.
No ensaio, o economista apresentava três pontos a serem atacados para acabar com o problema da miséria no Brasil: a fome, a habitação e a educação. Para Celso Furtado, a fome poderia ser aliviada garantindo à população uma cesta básica de alimentos, tarefa que não era das mais difíceis, visto que no Brasil não havia ou não há problemas de escassez de comida.
Na habitação, citou países europeus que criaram políticas de financiamento à construção. Por fim, o que chamou de amplo programa social de combate à miséria e à pobreza, teria como elemento fundamental o investimento na formação de pessoas, ou seja, o fortalecimento da educação.
Resultado
Celso Furtado faleceu em novembro de 2004. Não teve a oportunidade de assistir aos resultados dos programas sociais implantados pelo governo Lula, tais como o Bolsa Família, com 13 milhões de famílias atendidas; o Minha Casa Minha Vida, com investimentos de R$ 34 bilhões e 1 milhão de moradias em 2010; o Pró-Uni, que conta com 705 mil bolsistas em universidades privadas e a criação de 14 novas universidades públicas.
A aposta do economista era que a eliminação da pobreza seria o principal instrumento pelo qual se desatariam os nós que amarram o Brasil ao subdesenvolvimento.
Hoje, com a retirada de 28 milhões de brasileiros da linha da pobreza e com o atual ciclo de crescimento da economia baseado em seu mercado interno, é possível concluir que a teoria do velho mestre encontrou no torneiro mecânico um caminho para sua realização, inaugurando uma nova etapa na história do Brasil
Subseção Dieese do Sindicato
Brasil pode acabar com a miséria em 2016, diz Ipea
Até 2016, o Brasil pode superar a miséria e diminuir a taxa nacional de pobreza absoluta (rendimento médio domiciliar per capita de até meio salário mínimo por mês), segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre pobreza e miséria. O levantamento apresentado hoje (13) no Rio de Janeiro alerta que, para atingir esse ideal, o país precisa equilibrar a desigualdade que existe entre os estados em relação às taxas de redução da pobreza.
Segundo o levantamento baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), entre 1995 e 2008 saíram da condição de pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas enquanto 13,1 milhões superaram a condição de pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo mensal).
O desafio, segundo o Ipea, é fazer com que os estados apresentem ritmos diferenciados de redução da miséria, justamente por apresentarem níveis diferentes de distribuição de renda e de riqueza. Entre 1995 e 2008, as taxas de pobreza extrema entre as unidades da federação foram bem desiguais. Em 1995, Maranhão (53,1%), Piauí (46,8%) e Ceará (43,7%) eram os estados com maior proporção de miseráveis em relação à população. Treze anos depois, Alagoas assumiu o topo do ranking, com a taxa de pobreza extrema de 32,3%. Na outra ponta da lista, Santa Catariana (2,8%), São Paulo (4,6%) e Paraná (5,7%) apresentaram os melhores resultados.
Em relação à pobreza absoluta, entre os estados que tiveram os melhores resultado nesse período estão Santa Catarina, que reduziu a taxa em 61% no período de 13 anos, Paraná (52,2%) e Goiás (47,3%). Já o Amapá (12%), o Distrito Federal (18,2%) e Alagoas (18,3%) tiveram as menores taxas de redução do universo de pessoas nessas condições.
Da Ag Brasil
PIB cresce 9% no primeiro trimestre, o maior resultado da série histórica
A economia brasileira cresceu 9% no primeiro trimestre deste ano em comparação a igual período de 2009, a maior alta da série histórica nesse tipo de comparação.
A indústria cresceu 14,6%, seguida pelo setor de serviços, com 5,9% e a agropecuária, 5,1%. A formação bruta de capital (investimentos em máquinas e equipamentos) aumentou 26%, a construção civil aumentou 14,9% e importações de bens e serviços, 39.5%
Na comparação com o quarto trimestre de 2009, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de bens e serviços produzidos no país – até março foi de 2,7%, o mais alto para o período desde 2004. A industria foi o setor que apresentou o maior avanço, com alta de 4.2%. O setor agropecuário teve expansão de 2,7% e o de serviços, de 1,9%.
Os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são das Contas Nacionais Trimestrais.
Da Ag. Brasil
Brasil deve registrar 2º maior crescimento global
O Brasil deve ocupar o segundo lugar no ranking das maiores taxas de crescimento do mundo no primeiro trimestre, à frente até mesmo da China. O dado oficial só será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira da semana que vem, mas, levando-se em conta as projeções do mercado financeiro, já é possível cravar que o País será um dos líderes em expansão no período.
O Itaú Unibanco, por exemplo, estima uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o quarto trimestre do ano passado. É uma das projeções mais elevadas de todo o mercado. Em um cálculo anualizado – ou seja, assumindo que o ritmo se manteria pelo resto do ano -, seria o equivalente a crescer 12,6% em 2010.
Para ter uma ideia, a China se expandiu a um ritmo anual de 11,2% entre janeiro e março. O líder do ranking deve ser a Índia, que avançou a uma taxa anual de 13,4%. Os Estados Unidos, que ainda lutam para se recuperar da forte crise que atingiu o país em 2008, cresceram 3%.
O economista- chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, observa que há risco de a expansão brasileira no trimestre ser ainda mais forte. O departamento econômico da instituição calcula a alta do PIB mensalmente. Considerando os resultados de janeiro, fevereiro e março nesse levantamento, o crescimento no trimestre seria de 3,6%.
Fonte: Agência Estado
Dieese: mais qualificação para sustentar crescimento econômico
Dar sustentação ao crescimento econômico deve estar entre os principais desafios da agenda sindical, afirmou Clemente Lúcio Ganz, diretor técnico do Dieese, ao apresentar na manhã deste sábado, 10, o estudo Emprego e Qualificação Profissional ao presidente Lula e à pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.
Essa sustentação, segundo ele, só ocorrerá se os trabalhadores conseguirem se apropriar dos expressivos ganhos de produtividade das empresas. “Caso isso não ocorra, o crescimento da economia poderá ser desigual”, alertou o economista.
Para ele, nos últimos seis anos a economia brasileira apresentou um conjunto de resultados positivos no mercado de trabalho, como a política de valorização do salário mínimo, os 12 milhões de empregos formais criados, a queda na informalidade etc.
“Esse cenário animador decorre de uma intencionalidade na estratégia de desenvolvimento do governo federal, mas permanecem desafios históricos e estruturais do mercado de trabalho como o desemprego, os baixos rendimentos, a informalidade e a rotatividade”, destacou Clemente.
Qualificação
O diretor técnico do Dieese lembrou que quatro entre 10 trabalhadores trocam de emprego em menos de um ano, numa estratégia das empresas de achatar rendimentos, ao passo que o crescimento dos salários está longe de acompanhar o crescimento da produtividade.
“Se a gente quiser sustentar o desenvolvimento com elevação dos salários, do emprego e participar do crescimento da produtividade temos de expandir investimento na qualidade da educação básica e na ampliação da oferta da educação profissional”, recomendou Clemente.
Conforme dados do Ministério da Educação, apresentado por ele, apenas 2% dos recursos em educação aplicados no País vão para a formação técnico-tecnológica, sendo que 85% dos recursos são federais. “É necessário ampliar esses recursos”, finalizou.
Do Sindicato do ABC
FMI deve elevar previsão de crescimento mundial
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou sua expectativa de expansão econômica para este ano. A economia mundial pode crescer 4,1%, ou 0,2 ponto porcentual a mais do que o estimado anteriormente, afirmou o FMI em seu último esboço do World Economic Outlook. A economia dos Estados Unidos deve crescer 3% este ano, ante os 2,7% previstos pelo FMI no relatório de janeiro, segundo a agência italiana de notícias Ansa e jornais que publicaram os dados do esboço ontem.
O FMI deve publicar seu próximo World Economic Outlook em 21 de abril, afirmou o jornal Il Sole 24 Ore. Segundo o rascunho, a zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) deve crescer 0,8%, 0,1 ponto porcentual menos que o estimado em janeiro. Em 2011, o número foi revisado para 1,5%, também com queda de 0,1 ponto porcentual. A Europa “está saindo da recessão mais lentamente que outras regiões”, aponta o esboço, porque há “muitas forças que estão freando a recuperação”, incluindo a Grécia.
A Alemanha, maior economia da Europa, deve crescer 1,2% em 2010 e 1,7% em 2011, diz o texto, segundo os jornais. Panorama. O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse ontem que a economia mundial “não está fora de perigo” apesar da recuperação mais rápida nos países emergentes do que o previsto. Ele disse que, apesar de a recuperação global ter voltado antes do esperado, “a demanda privada ainda não está forte o bastante para sinalizar o fim da prolongada recessão sentida pela economia mundial”.
“Você vê o crescimento retornando em quase todo lugar, mas em quase todo lugar esses números estão relacionados ao apoio público, e a demanda privada continua fraca, sem se fortalecer o bastante. Até que a demanda privada seja sustentável para oferecer crescimento, será difícil dizer que a crise acabou”, explicou. “A recuperação está chegando mais rápido que o esperado. Mas não estamos fora de perigo e temos de ser cautelosos”, acrescentou. As previsões para recuperação têm melhorado de maneira firme desde o ano passado, em linha com a recuperação no mercado acionário.
Fonte: CNM/CUT
PAC 2: Governo anuncia hoje programa com investimentos de R$ 1 trilhão
O Governo Lula anuncia hoje (29) um programa de obras e de serviços que compreendem investimentos públicos e privados de quase R$ 1 trilhão durante o período 2011-2014. O anúncio será feito pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
O PAC 2 deverá prever investimentos próximos a R$ 60 bilhões para obras e serviços de combate a enchentes e de saneamento básico em médias e grandes cidades; mais melhoria e ampliação de sistemas de transporte coletivo. Mais R$ 25 bilhões serão previstos para melhorar e ampliar nas cidades a oferta de serviços de saúde, educação, segurança, esporte e lazer.
Na área da saúde os investimentos estarão voltados especialmente para a construção e instalação de unidades de atendimento de urgência – as UPAs – e as chamadas UBS, unidades básicas de saúde, com o objetivo de fortalecer a assistência preventiva. Se o anúncio das metas do PAC 2, a ser feito hoje pela ministra Dilma Rousseff, confirmar o que o governo vinha discutindo nos últimos dias, a chefe da Casa Civil dirá que o governo pretende construir e implantar pouco menos de dez mil centros de pronto atendimento e postos de saúde.
A ministra Dilma Rousseff tem ressaltado a disposição do governo em investir fortemente na educação infantil. Essa disposição deverá ser traduzida pelo anúncio de investimentos na construção de aproximadamente 6.000 creches e pré-escolas, nos próximos quatro anos.
O governo deverá anunciar também, em favor das populações pobres e, em especial, dos jovens pobres, fortes investimentos para construção e melhoria de quadras de esportes e de áreas, como praças, equipadas tanto para atividades esportivas quanto de lazer e cultura.
Já na área de segurança pública a intenção é multiplicar postos de polícia comunitária. O PAC 2 vai prever investimentos para a construção de, pelo menos, 2.000 postos.
Moradia
Em execução desde o ano passado, o programa de moradias populares Minha Casa, Minha Vida deverá atender, até o fim deste ano, um milhão de famílias. A meta para o período 2011-2014, segundo tem declarado o presidente Lula, deverá ser de construção de mais dois milhões de casas e apartamentos, predominantemente para famílias com renda mensal de até três salários mínimos – as mais atingidas pelo déficit habitacional.
O PAC 2 deverá ainda prever aumentos expressivos nos financiamentos para construção, reforma e compra de imóveis novos e usados – algo entre R$ 180 bilhões e R$ 200 bilhões -, bem como para urbanização e regularização fundiária de favelas nas cidades grandes.
Também deverão fazer parte do PAC 2 novas metas para o programa Luz para Todos, que beneficia a população rural, e a ampliação da oferta de água tanto na zona rural quanto em favor de famílias que moram em áreas urbanas consideradas críticas.
Infraestrutura
Como o Programa de Aceleração do Crescimento que está em execução, o PAC 2 prevê investimentos de grande porte nas áreas de energia e de logística. Nesta, os investimentos previstos deverão superar a R$ 100 bilhões compreendendo obras e serviços em rodovias, portos, hidrovias, aeroportos e ferrovias.
Das agências e PT Nacional
Ministro propõe “IPI verde” para carros
O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, trabalha numa proposta polêmica. Ele defende o fim do incentivo tributário para o carro com motor 1.0, o “popular” – que desde 1993 paga menos imposto que os carros com motores mais potentes. O ministro propõe a transferência desse benefício para automóveis de baixo consumo de combustível. Os carros mais econômicos, diz Jorge, pagariam um Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor. O “IPI verde”, como foi apelidado, já está sendo adotado para alguns eletrodomésticos, como geladeiras e máquinas de lavar.
Jorge defende o mesmo mecanismo para os carros. Diz que a potência do motor não é um critério correto para definir quem vai pagar mais ou menos imposto. Os automóveis 1.0 são tributados com IPI de 7%, enquanto as outras categorias recolhem até 25%, dependendo do modelo. “Tem de rever isso. Foi feito em cima de uma aberração”, diz. Ele afirma que a mudança não seria feita agora, mas seu ministério e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) estão trabalhando há pouco mais de dois anos nesse projeto.
Um dos auxiliares mais discretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas últimas semanas Jorge ganhou evidência por causa das retaliações do Planalto às medidas protecionistas adotadas pela Argentina contra produtos brasileiros. Para forçar os vizinhos a recuar, o Brasil acionou entraves burocráticos e bloqueou caminhões com carga argentina na fronteira. Sobre esse confronto, a discrição do ministro chega a ser mordaz: “Briga? Não tem briga.”
Fonte: O Estado de S.Paulo