“Bola prá frente”
Os indicadores mais recentes (emprego, crescimento do Produto Interno Bruto, investimentos externos, comércio) permitem prever crescimento positivo da economia brasileira em 2009. Neste contexto, merece destaque a retomada do crescimento industrial, fundamental na recuperação da economia, e que se tornou mais vigoroso a partir de julho.
O comportamento do mercado formal de trabalho em Santa Catarina no mês de agosto é exemplo do que ocorre na economia neste momento. Foram gerados quase 12.000 novos empregos, o melhor resultado deste outubro de 2008, com franca recuperação em todos os setores, com exceção da indústria extrativa mineral, que apresentou pequena queda.
Mas a sustentação deste processo depende da retomada dos investimentos, que são os últimos a retornar em uma crise como a atual, muito caracterizada pelo abalo da confiança dos chamados agentes econômicos. As empresas em um primeiro momento usaram os seus estoques. Com o esgotamento destes elas retomaram a produção, utilizando a capacidade industrial que estava ociosa.
O investimento deve retornar quando o uso da capacidade instalada atingir níveis mais elevados – era de 86% antes do início da crise – o que possivelmente só irá ocorrer no início de 2010. O retorno do investimento é fundamental para garantir a oferta futura de bens, em um contexto onde a massa de salários continua expandindo, apesar dos percalços (além da retomada do emprego, em janeiro o salário mínimo será reajustado em quase 10%).
O investimento é fundamental, dentre outras razões, para a manutenção da estabilidade da inflação baixa, que é tão importante para os resultados das negociações coletivas – no primeiro semestre deste ano, apesar da crise, aumentou o número de categorias que obtiveram ganhos reais, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Os indicadores mais recentes, especialmente os de mercado de trabalho, coloca o processo de negociação entre capital e trabalho em uma perspectiva diversa daquela enfrentada entre outubro de 2008 e meados de 2009. A crise não prejudicou os resultados das negociações, aos poucos o mercado volta a gerar empregos de forma mais vigorosa, e a economia já ingressou em um ciclo de maior crescimento, inclusive pela aproximação das festas de final de ano.
Os acordos para a redução da jornada e de salários, realizados na indústria no primeiro trimestre do ano, vêm sendo finalizados em função da retomada da produção industrial e as expectativas, de uma forma geral, desanuviaram com os recentes resultados do PIB. A melhoria dos indicadores econômicos é fundamental para toda a sociedade. Mas o se o crescimento econômico é condição necessária para a melhoria de vida da população, ele é insuficiente.
A qualidade do emprego precisa melhorar muito. Os salários, por exemplo, são extremamente baixos: cerca de 80% dos empregos gerados no Brasil não superam 2 salários mínimos. Além disso, a rotatividade do trabalho é imensa, o que prejudica a elevação salarial e a própria qualidade do trabalho. A experiência recente nos mostra que o mercado, por si só, não resolve os problemas da sociedade. Há muito que fazer, é hora de avançar nas conquistas da sociedade.
*Escrito por José Álvaro de Lima Cardoso, economista e supervisor técnico do DIEESE em SC.
Mantega vê Brasil preparado para novo ciclo de desenvolvimento
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou nesta segunda-feira sua avaliação de que a economia brasileira está deixando a crise de forma antecipada e previu que o Brasil deve terminar o ano com de 600 mil a 800 mil novos empregos.
Em uma exposição sobre como o país enfrentou a crise econômica global, o ministro reafirmou que a economia brasileira estava bem preparada antes do abalo global e que por esse motivo o país é um dos primeiros a exibir uma recuperação.
“O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Já estamos deixando para trás os índices negativos de crescimento”, afirmou Mantega durante abertura de um seminário econômico.
“Já estamos no limiar de um novo ciclo de desenvolvimento. Tivemos um ciclo de 2003 a 2008 e estamos preparados para outro”, disse o ministro, acrescentando que apenas 32 por cento da população brasileira sentiram os efeitos da crise.
De acordo com o ministro, a inflação este ano ficará abaixo do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5 por cento e tem margem de tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Ele também afirmou que déficit nominal no final do ano será de 2,2 ou 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
Mantega disse ainda que o Brasil está entre os países que menos precisaram gastar em pacotes de estímulo econômico para sair da crise e citou o volume das reservas internacionais para exemplificar a recuperação da economia. Segundo ele, o país entrou na crise com 250 bilhões de dólares em reservas internacionais e este mês chegou a 213,7 bilhões de dólares.
O ministro também voltou a creditar a expansão do crédito por parte dos bancos públicos como fator importante para ajudar o país a sair da crise, na contramão dos bancos privados, que, segundo o ministro, “foram conservadores” na oferta de crédito. “Se não fossem os bancos públicos, a recuperação da economia brasileira teria sido muito mais demorada”, afirmou.
Fonte: Ag. Estado