“É hora de banir o racismo no Brasil”
A escravidão negra já era praticada pelos povos europeus e africanos muito antes de chegar ao Brasil. Em meados do século XVI, entre 1559 e 1560, a cultura do açúcar teve seu apogeu. Isso nos leva a pensar que a luta pela igualdade racial está perto de 450 anos, desde a chegada dos primeiros africanos seqüestrados na mãe África e trazidos para o Brasil acorrentados nos porões degradantes dos navios negreiros. Neles, 40% morriam em virtude das péssimas condições de higiene e os maus tratos sofridos e, simplesmente, eram jogados ao mar.
O sonho de liberdade, entretanto, nunca foi abandonado. Mesmo nas condições adversas a luta sempre foi constante e corajosa. Foi construída até os tempos atuais por heróis e heroínas negros e negras que não se entregaram e passaram para a nossa geração a certeza de que não devemos em momento algum baixar nossas guardas. O inimigo é feroz e cheio de artimanhas. Usam armas poderosas, protegidos sempre pelo estado escravista, que consegue criar a discórdia e a controvérsia dentro da nossa população negra. Ora se utilizam da mídia burguesa, outra vezes, de propostas enganosas, da dissimulação, que diz que o racismo é inexistente no Brasil e nos acusam de querer dividir a nação.
A luta continua! A todo momento conseguimos vencer batalhas que nos levarão à vitória final. Nada nos deterá porque trazemos dentro do nosso sangue a coragem, a tenacidade de antepassados como Zumbi dos Palmares, Luiz Gama, Escrava Anastácia, Luiza Maihim, Mãe Hilda, Menininha do Gantois e muitos outros que deram suas vidas por esta luta e passaram seus ensinamentos para as gerações atuais.
Sabemos que a luta é árdua e que o inimigo é poderoso, como também sabemos que a nossa persistência e certeza do que fazemos nos levará à vitória final. Não importa que esta vitória venha aos poucos e com qualquer nome que seja. O importante é que estaremos sempre firmes e atentos para este combate constante. Se esperamos até agora, temos paciência para continuar vencendo os obstáculos, conquistando as etapas. Hoje, a aprovação do estatuto. Amanhã, a regularização das terras quilombolas, as cotas educacionais, a lei 11.645 e muitas outras conquistas que nos darão a certeza de que estamos no caminho certo.
A CUT, nesse percurso, sempre esteve junto do povo negro na batalha, lutando pela igualdade racial e procurando o diálogo com o governo em busca das políticas afirmativas. A Central se consolida como participante ativa nesta guerra com a criação da Secretaria de Combate ao Racismo Cutista. Este é um momento histórico. Fruto de muita luta travada pela nossa Central, que teve a paciência e perseverança para no momento certo transformar a Comissão Nacional de Combate ao Racismo (CNCDR) em Secretaria e, dessa maneira, se engajar totalmente nesta luta de suma importância para a sociedade civil.
Não podemos nos enganar e achar que tudo está resolvido. É necessário ter consciência de que a batalha é árdua e longa. Os avanços aparentemente são pequenos. Devemos redobrar nossos esforços e nos dedicar com amor e paixão a esta causa, com a certeza de que seremos vitoriosos e baniremos do nosso meio o racismo de qualquer tipo, seja ele institucional ideológico ou dissimulado. Pouco importa a roupagem. Estaremos atentos e seguros da nossa luta em busca da igualdade racial.
Escrito por Pedro Barbosa (Peu), secretário de Combate ao Racismo da CUT-BA