Congresso da CSI exige igualdade de gênero e respeito aos direitos de trabalhadores
“A igualdade de gênero é um objetivo chave na relação com os direitos humanos e um componente de justiça social”. Assim começa a resolução final sobre igualdade de gênero do Segundo Congresso Internacional da CSI, encerrado no último dia 25 em Vancouver, Canadá. A resolução é resultado de cinco dias de intensas discussões, e estabelece uma série de princÃpios para a luta das mulheres. Além dessa resolução, o Congresso da CSI liberou um segundo documento, tratando da promoção e defesa dos direitos fundamentais de trabalhadores e trabalhadoras.
Com essa resolução sobre igualdade de gênero o Congresso pede que a CSI, trabalhando junto com os sindicatos internacionais, intensifique a campanha por vida decente para a mulher trabalhadora. Para tanto, pede que sejam ampliados os esforços na busca pela igualdade de gênero no local de trabalho e nos sindicatos, além de estimular a organização das mulheres trabalhadoras.
A CSI aponta também a preocupante diferença de gênero que surge em estatÃsticas ligadas ao acesso ao mercado de trabalho, frisando que a mulher é vÃtima mais acentuada da onda de desemprego global. Pede que essa diferença de impacto seja levada em conta na elaboração de polÃticas econômicas e de emprego. Exige o respeito pleno aos direitos fundamentais dos trabalhadores nas zonas francas industriais (ZFIs), onde as mulheres chegam a representar 80% da força de trabalho. E conclama os sindicatos a uma integração maior das mulheres em seus quadros, tomando a iniciativa e incorporando mais a mais as demandas das mulheres trabalhadoras em seus planos polÃticos e de ação.
A segunda resolução da CSI é focada nos direitos fundamentais dos sindicatos e da classe trabalhadora em geral. Na abertura do documento, a CSI afirma que “os direitos sindicais são direitos humanos e a promoção e defesa dos direitos fundamentais dos trabalhadores deve ser uma prioridade essencial”.
A divulgação da resolução foi precedida por um vÃdeo da CSI, mostrando uma série de crimes, agressões e assassinatos cometidos contra sindicalistas durante o ano de 2009. Agnes Jongerius, da FNV holandesa, anunciou logo depois que, durante os cinco dias de Congresso Internacional da CSI, três companheiros sindicais haviam sido assassinados no mundo – um professor colombiano e dois iraquianos.
Em sua resolução, a CSI qualifica como inaceitável a situação de mais de 200 milhões de crianças ao redor do mundo, forçadas a trabalhar ao invés de cursarem a escola e se integrarem em atividades mais adequadas a um ser humano em formação. Sublinha a necessidade dos sindicatos de todo o mundo estarem unidos e engajados na luta contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. Por fim, propõe um plano de ação em caráter de urgência para combater os abusos ligados ao atual modelo de globalização.
Com informações da CSI
Igor Natusch – Instituto Observatório Social
Campanha mundial contra a Vale ganha impulso em vários paÃses
A campanha do United Steelworkers (USW) – sindicato estadunidense dos trabalhadores siderúrgicos – para evitar que a Vale, gigante brasileira da mineração e siderurgia, promova a erosão das condições de trabalho e negue os direitos fundamentais dos trabalhadores em todas as suas operações pelo mundo está ganhando impulso com o apoio da Federação Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas (FITIM) e da ICEM (ramo da mineração) e o site LabourStart.
Membros das duas federações sindicais mundiais estão realizando uma série de ações ao redor do mundo visando operações de negócios da Vale e os investimentos. Já o LabourStart, site especializado em notÃcias para o movimento sindical internacional, lançou uma carta escrita em favor da campanha e já teve mais de 2,5 mil cartas enviadas ao presidente da Vale, Roger Agnelli, em poucas horas. Alinhado à campanha, a FITIM lançou a sua página de campanha global (www.imfmetal.org/vale) com informações sobre a luta em quatro idiomas.
Os afiliados da FITIM (entre eles a CNM/CUT no Brasil) e da ICEM estão sendo convocados para apoiar a campanha global e enviar cartas para a Vale. Cerca de 3,5 mil membros do USW no Canadá estão em greve desde 13 de julho depois recusarem concessões profundas da gigante brasileira da mineração. A empresa contratou trabalhadores substitutos para continuar a produção durante a greve.
Em 26 de outubro, os trabalhadores da maior mina da Vale no Brasil cruzaram os braços em resposta à proposta da empresa na mesa de negociação. Os trabalhadores na Vale no Brasil denunciaram a negação dos direitos fundamentais do trabalho, baixos salários e as condições precárias de saúde e segurança na empresa.
Em outubro, as afiliadas da FITIM e da ICEM, com a ajuda da Federação Internacional dos Trabalhadores no Transporte, interromperam uma transferência de cobre da Vale do Canadá para a Alemanha e a Suécia. Membros do sindicato realizaram um protesto no porto de Hamburgo e, na Suécia, reuniram-se com os membros do conselho de clientes da Vale Boliden AB, proprietária da fundição de cobre Rönnskär.
A campanha global está causando muito impacto e fazendo alguns executivos da Vale ficarem de com a pulga atrás da orelha. A empresa cancelou duas vezes seu “Vale Day” na Bolsa de Nova Iorque e em Londres, respectivamente. Mais ações globais estão previstas até que uma solução seja alcançada.
Para mais informações sobre a campanha global da FITIM e ICEM em apoio aos trabalhadores da USW na Vale, acesse www.imfmetal.org/vale.
Fonte: FITIM – tradução de Valter Bittencourt