Marcopolo e Caio Induscar procuram terrenos em Joinville (SC)

Publicado por Administrador 7 fevereiro, 2012 (3) Comentários Imprimir

Representantes da empresa que está sendo formada através da joint venture entre as fabricantes de carrocerias de ônibus Marcopolo, de Caxias do Sul (RS), e Caio Induscar, de Botucatu (SP), estiveram hoje pela manhã em Joinville. Em reunião com o prefeito Carlito Merss, o grupo pediu ajuda para encontrar terrenos e galpões na cidade. A nova empresa pretende investir R$ 110 milhões para fabricar carrocerias de ônibus para exportação, além de peças e acessórios para o mercado interno.

Segundo o prefeito, o objetivo da vinda da empresa para Joinville é aproveitar a mão de obra parada com a crise da Busscar. — Há uma consultoria local prestando serviços para esta joint venture e eles querem encontrar um local para se instalar o quanto antes. A chance de que o terreno escolhido seja em Joinville é muito grande, mas eles também consideram outros municípios da região —, afirma Carlito.

Matéria está no site de A Notícia e é assinada pela jornalista Larissa Guerra

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Mercado eleva projeção para crescimento da economia em 2012 e 2013

Publicado por Administrador 7 fevereiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

A estimativa de analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) para o crescimento da economia – Produto Interno Bruto (PIB) – neste ano e em 2013 foi ajustada para cima. Para 2012, a projeção passou de 3,27% para 3,3%. Para 2013, a previsão de expansão subiu de 4,15% para 4,2%.
A expectativa para o crescimento da produção industrial, neste ano, passou de 3% para 2,79%, e permanece em 4%, em 2013.
A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi mantida em 36,95%, este ano, e em 35,8%, em 2013.
A expectativa para a cotação do dólar ao final do ano caiu de R$ 1,8 para R$ 1,75. Para 2013, continua em R$ 1,75.
A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) caiu de US$ 19,8 bilhões para US$ 19,5 bilhões, em 2012, e de US$ 15 bilhões para US$ 14,5 bilhões, no próximo ano.

Compra e venda
Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa passou de US$ 65,9 bilhões para US$ 67,95 bilhões, este ano, e permanece em US$ 70 bilhões, em 2013.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 55 bilhões, neste ano e no próximo.

FEM-CUTSP

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Vendas de veículos no atacado têm melhor janeiro da história

Publicado por Administrador 6 fevereiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

As montadoras instaladas no Brasil venderam em janeiro deste ano 268,2 mil veículos, um aumento de 9,6% sobre o mesmo período do ano passado. Esse foi o melhor desempenho registrado em um mês de janeiro de toda a história da indústria automobilística no País. Esse volume, no entanto, foi 23% inferior ao de dezembro quando a indústria comercializou 348,4 mil veículos.

A participação dos importados teve ligeira baixa sobre dezembro e passou de 27% para 25,3%, índice que supera a marca de janeiro de 2011 (23,5%).
O destaque da comercialização coube aos fabricantes de máquinas agrícolas que obtiveram elevação de 16% sobre dezembro e 16,6% sobre janeiro de 2011, com um total de 4.687 unidades. As exportações de veículos também cresceram em relação a janeiro de 2011 com 33.075 unidades, 6,9% maior do que naquele período. Sobre dezembro, porém, houve queda de 31,7%.
A produção do setor em janeiro somou 211,8 mil veículos ante 262 mil em dezembro, um recuo de 19,2%. Na comparação com janeiro de 2011, a queda na produção foi 11,4%.

FEM-CUT

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Volkswagen vai investir R$ 160 milhões no País

Publicado por Administrador 2 fevereiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

A Volkswagen e a Pleuston Serviços vão investir R$ 160 milhões para construir uma pequena central hidrelétrica (PCH) entre as cidades de Ipuã e Ituverava, no Estado de São Paulo. Conforme a montadora alemã, que já possui uma PCH no país, sua participação no empreendimento, batizado Monjolinho, será de 51%. (Crédito: Raquel Camargo)
A previsão é a de que a nova PCH entre em operação em 2014. Em nota, o vice-presidente de Finanças e Estratégia Corporativa da Volkswagen do Brasil, Carsten Isensee, afirma que o investimento nessas centrais hidrelétricas também representa um meio de garantir energia elétrica de forma sustentável para o futuro.

A PCH Monjolinho será erguida no rio Sapucaí e terá capacidade instalada de 25,5 MWh, com três turbinas. Durante o período de obras, a expectativa é a de que sejam gerados 700 empregos diretos e 5 mil indiretos.
A primeira central hidrelétrica da Volks no país entrou em operação em março de 2010 e fica no rio Sapucaí, a 25 quilômetros do local que receberá o novo empreendimento. Com potência instalada de 22,68 MWh, a PCH Anhanguera também opera com três turbinas.

A montadora destaca que, somados, os investimentos nas duas centrais elétricas no país chegam a R$ 300 milhões. “Juntas, elas vão gerar cerca de 48 MWh, o que equivale a 40% do consumo total de energia elétrica da Volkswagen do Brasil”, informa.

FEM-CUTSP

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Até na indústria, a desigualdade impera no desempenho dos setores

Publicado por Administrador 31 janeiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

A indústria brasileira nunca esteve tão desigual como nessa crise que o setor enfrenta. Após um ano pífio, em que cresceu menos de 1% e abaixo de toda a economia (o IBGE divulga hoje os resultados fechados de 2011), o setor está produzindo 3,2% menos que em setembro de 2008, antes da crise do Lehman Brothers e espécie de ápice da produção do segmento no Brasil. Mas o desempenho é desigual. Enquanto os setores de material eletrônico e equipamentos de comunicações encolheram impressionantes 36% nestes 38 meses – ou seja, estão produzindo um terço menos que em setembro de 2008 -, e mais três registram queda na casa dos 20% (têxtil, calçados e artigos de couro e máquinas, equipamentos e material elétrico), outros segmentos crescem fortemente. O ramo de bebidas está com a produção 21,50% maior, o de equipamentos médico-hospitalares,11,73% e o de perfumaria, higiene e limpeza, 10,56%.

André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, afirma que esses números mostram que o segmento está vivendo um momento muito desigual:

- Em geral estão em melhores condições os segmentos que são mais protegidos da importação e que se beneficiam do aumento da renda e do consumo interno, além dos que investiram mais em inovação – conta.

Flávio Castelo Branco, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que essa heterogeneidade entre os setores industriais é uma realidade que pode se agravar:

- O setor vive um dispersão muito grande de setores e isso pode se intensificar em 2012.

Produto orgânico ganha valor aos olhos do consumidor
Para ele, o governo não enfrenta os verdadeiros motivos da redução da competitividade brasileira e mesmo medidas paliativas, como as presentes no programa Brasil Maior, em sua opinião, demoram para sair do papel.

Mas se os altos custos, a invasão de importados e os problemas de infraestrutura afetam todo o país, porque alguns setores industriais conseguiram se sair tão bem? A inovação pode ser uma resposta. Segundo Castelo Branco, há segmentos altamente inovadores, como a indústria de cosmético e perfumaria e fármacos.

- Em 2011 devemos ter superado o Japão e nos tornado o segundo maior mercado mundial de produtos de higiene e cosméticos, perdendo apenas para os Estados Unidos, que devemos superar em 2015 – afirmou João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

Segundo Basilio, cerca de 35% do faturamento das empresas decorrem de produtos lançados um ano antes. Ele citou como exemplo o ramo de desodorantes:

- Agora, sim, há produtos diferenciados para homens e mulheres, e uma variedade incrível de xampus.

Essa é a realidade, por exemplo, da Niely, fabricante de produtos de beleza de Nova Iguaçu. A empresa há alguns anos desbancou multinacionais no mercado de coloração e não para de investir para aumentar sua participação.

- O investimento em pesquisa e lançamentos de produtos tem um custo alto. Porém, esse investimento tem mais importância do que em mídia e celebridade – afirma Daniel de Jesus, presidente da empresa que deve faturar R$600 milhões neste ano e que está investindo R$50 milhões em uma nova fábrica.

Nessa busca por diferencial, o produto nacional pode ser um importante chamariz:

- Exportamos ativos para grandes empresas no exterior, e só agora, o consumidor e o empresário brasileiro começam a dar valor para produtos nacionais e orgânicos. Alguns desses produtos podem até ser um pouco mais caros, mas trazem um valor agregado altíssimo, que faz a diferença no setor – afirma Filipe Sabará, diretor de negócios da Beraca, empresa líder no fornecimento de ingredientes naturais e orgânicos da biodiversidade brasileira.

Gabriela Onofre, diretora de Assuntos Corporativos da P&G Brasil, responsável por marcas como Pantene, confirma que o Brasil cresce de importância e que a inovação é a chave para o sucesso:

- A busca por produtos novos é constante, precisamos atender ao consumidor.

Dificuldade de importação protege alguns ramos
O mesmo ocorre em outro setor que vive um bom momento: o farmacêutico. A Hebron Farmacêutica, empresa de Caruaru que agora começa a produzir nos Estados Unidos, cresceu com os investimentos em inovação em fitoterápicos (medicamentos à base de plantas). “Dedicamos 5% do faturamento bruto da empresa e nossa meta em cinco anos é chegar a 15%”, informou por e-mail a empresa, que espera faturar R$200 milhões até 2014.

Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, afirma que o sucesso de alguns setores, como bebidas, decorre da impossibilidade de importar grandes quantidades para abastecer esse segmento:

- O consumo cresce, e as importações de cerveja, também, porém nunca será em escala suficiente para abastecer todo o mercado local.

O Globo

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Abastecer com etanol continua desvantajoso em todo o País

Publicado por Administrador 31 janeiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

Os preços do etanol nos postos de combustíveis seguem sem competitividade em relação à gasolina em todo o Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referentes à semana terminada em 28 de janeiro de 2012, compilados pelo AE-Taxas.  Nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, a gasolina segue mais competitiva.

O preço médio da gasolina no Estado de São Paulo está em R$ 2,634 por litro, o que torna o etanol hidratado competitivo na região até R$ 1,8438. Na média da ANP, o preço do etanol em São Paulo ficou em R$ 1,869 por litro, 1,36% acima do ponto de equilíbrio entre gasolina e etanol, o que torna a gasolina mais competitiva. Na semana, os preços do etanol caíram 0,95% nos postos no Estado de São Paulo, acumulando uma queda de 3,06% no período de um mês.

A vantagem do etanol é calculada considerando que o poder calorífico do motor a álcool é de 70% do poder nos motores à gasolina. No cálculo, são utilizados valores médios coletados em postos em todos os estados e no Distrito Federal. Quando a relação aponta um valor entre 70,00% e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de etanol ou de gasolina no tanque de combustível.

Segundo o levantamento, em São Paulo, o preço do etanol está em 70,96% do preço da gasolina (até 70% o etanol é competitivo). Em Goiás, a relação é de 70,55% e em Mato Grosso de 76,31%. Em Tocantins, a relação é de 73,24%. A gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima(preço do etanol é 89,54% do valor da gasolina) e em Santa Catarina(+88,21%).

CNMCUT

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ThyssenKrupp aposta no potencial do Brasil e EUA

Publicado por Administrador 23 janeiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

A empresa alemã de siderurgia e engenharia ThyssenKrupp afirmou que ainda está convencida sobre o potencial de suas novas usinas no Brasil e nos EUA, apesar de a construção das fábricas ter sido muito mais cara do que o originalmente planejado. “Nós estamos convencidos de que o mercado americano oferece perspectivas promissoras para nossos produtos de aço plano premium”, declarou o executivo-chefe, Heinrich Hiesinger, aos acionistas da empresa durante a reunião anual geral realizada hoje.

No entanto, Hiesinger não respondeu diretamente a recentes relatos da imprensa que especularam que as unidades da ThyssenKrupp no Brasil e nos EUA poderiam ser vendidas. O executivo disse que a companhia está trabalhando duro para finalizar as fábricas e acrescentou que os custos das novas unidades terão de ser “otimizados”.

Hiesinger também reiterou que os resultados da ThyssenKrupp no primeiro trimestre fiscal de 2012 – que terminou em 30 de setembro – ficaram consideravelmente abaixo do nível do mesmo período do ano anterior. O desempenho fraco foi devido principalmente à queda nos volumes de vendas e nos ganhos em sua divisão de aço na Europa, que tem sofrido com a pequena demanda em razão do ambiente econômico incerto.

Um sólido desempenho na divisão de tecnologias – que fabrica produtos como elevadores e embarcações – foi contrabalançado pela redução dos lucros na unidade de aço europeia e pelas contínuas perdas na unidade de aço das Américas. As informações são da Dow Jones.

Da CNM/CUT

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A classe operária perto do paraíso

Publicado por Administrador 16 janeiro, 2012 Nenhum Comentário Imprimir

O estacionamento dos funcionários da fábrica da Mercedes-Benz na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, tem cerca de 3 mil vagas – e está sempre lotado. Como nos shopping centers, quem chega à Mercedes tem dificuldade para encontrar espaço.

O mesmo acontece no estacionamento da Volkswagen, perto dali. Se tudo der certo, em breve Bruna Oliveira, de 21 anos, será a próxima a disputar uma vaga no estacionamento da Mercedes. Há um ano e meio, ela trabalha na montagem de motores de ônibus e caminhões na fábrica.

Em 2012, Bruna quer um carro para facilitar o deslocamento do trabalho ao curso de engenharia de produção, que vai começar na Fundação Santo André, na cidade vizinha. Assim como Bruna, milhares de metalúrgicos melhoraram de vida nos últimos anos.

Seus reajustes salariais superam a inflação e geram ganhos financeiros que se tornaram a parte mais visível da boa fase atual. O salário médio dos metalúrgicos do ABC está em torno dos R$ 5 mil mensais – sem contar as horas extras. Operários de funções especializadas chegam a ter salários de R$ 9 mil.

Quase todos são obrigados, pelos recordes nas vendas, a fazer horas extras – e podem ganhar até R$ 800 adicionais por um único domingo de trabalho. Há ainda abonos salariais e bônus generosos, conhecidos pela sigla PLR (participação nos lucros e resultados).

No ABC, a média de remuneração variável no ano passado ficou entre R$ 10 mil e R$ 16 mil. Na fábrica da Renault, em Curitiba, Paraná, os metalúrgicos obtiveram um acordo para receber R$ 60 mil por três anos. Se não foi ao paraíso, como preconizava o título do filme do italiano Elio Petri, a classe operária brasileira está perto dele.
 
A categoria dos metalúrgicos, aquela que vem à mente de todo brasileiro que pensa num operário, passa também por uma profunda mudança. A imagem de homens semianalfabetos, com as mãos sujas de graxa, segurando faixas em greves nas portas das fábricas nada mais tem a ver com a realidade. Os metalúrgicos de hoje não apenas ganham mais, mas têm mais autonomia dentro da fábrica, têm mais colegas mulheres e estudam mais.

Em 1994, metade dos metalúrgicos não tinha completado o ensino fundamental. Hoje, mais da metade completou o ensino médio, e 18% está cursando ou terminou a faculdade, de acordo com uma pesquisa recente feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Eu e o Lula não seríamos metalúrgicos hoje”, afirma o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, de terno, no cafezinho da Câmara dos Deputados. É uma referência bem-humorada ao fato de ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terem estudado poucos anos.
 
Também não há notícia de falta de emprego no setor. Nos anos 1980, havia o temor de que a crescente automação da produção reduzisse os postos de trabalho. Apesar disso, o número de empregos para metalúrgicos tem crescido todo ano, graças à expansão da economia e à instalação de novas montadoras no país a partir do final da década de 1990.

“O metalúrgico ganha bem porque é uma categoria que exige mais qualificação que o normal”, diz o economista especializado em mercado de trabalho José Pastore, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Tem um sindicalismo muito bem organizado e está ligada a produtos de alto valor agregado e exportáveis.”

Tantas particularidades conferem privilégios aos metalúrgicos. Enquanto as centrais sindicais fazem campanha no Congresso pela adoção da jornada de 40 horas semanais para todos os trabalhadores, boa parte deles já desfruta essa carga horária.

O sindicalismo metalúrgico foi o canal que levou Lula à política, e dezenas de outros colegas seus – como o deputado Paulinho e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) –, a posições de destaque na administração federal. Os metalúrgicos de hoje devem a Lula a situação que causa inveja a tantas outras categorias profissionais. Não só à distante atuação sindical de Lula, mas principalmente a sua gestão na Presidência.

O nível de emprego no setor começou a melhorar em 2003, mas o melhor da festa veio em 2008. Aos primeiros sinais de desaquecimento provocado pela crise financeira que ainda arrebata Estados Unidos e Europa, o governo federal tomou uma série de medidas para estimular a economia. Reduziu impostos e expandiu o crédito para aumentar o consumo. O prazo de financiamento para compra de carros subiu para até 72 meses.

A indústria automobilística, setor de origem de Lula, foi obviamente a mais beneficiada. A produção e as vendas de veículos bateram recordes. No ano passado foram produzidos 3,3 milhões de carros, o dobro do volume de 2003. Os metalúrgicos colhem, portanto, os frutos desse impulso estatal.

Um deles é André Luís dos Santos. Aos 28 anos, ele comprou seu primeiro apartamento em novembro. O imóvel está na planta. Serão dois quartos, em 63 metros quadrados, onde ele vai morar com a mulher e a filha daqui a 20 meses. “Ainda não tenho carro, mas consegui dar mais de 50% do valor do apartamento de entrada”, diz Santos. Ele trabalha na fabricante de motores MWM, na Zona Sul de São Paulo.

Outro que se beneficiou do impulso dos anos Lula foi José Roberto Nogueira da Silva. Com quase 27 anos de profissão, todos na Volkswagen, ele viveu as recessões das décadas de 1980 e 1990 na profissão. Não tem dúvidas de que os tempos atuais são os melhores que já viu na fábrica.

“A situação melhorou graças às medidas de crescimento no governo Lula”, diz Roberto. Há um ano, ele comprou uma casa própria maior, onde mora com a mulher e os dois filhos. Na garagem tem um carro novo, usado pela mulher. Ele prefere se deslocar em um Fusca bege 1968, bem cuidado. Diante das boas perspectivas, seu filho mais velho vai fazer um curso técnico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e, quem sabe, tentar seguir os passos do pai.

A tradição da metalurgia como profissão promissora faz com que, no ABC paulista, esteja surgindo uma segunda geração de metalúrgicos. Os filhos dos metalúrgicos dos anos 1970 e 1980 conhecem de perto as diferenças entre passado e presente. Filho de um metalúrgico, Aroaldo Oliveira da Silva, de 33 anos, está na Mercedes desde a adolescência. Veste-se com moletom e tênis, usa um BlackBerry, e a única característica que o aproxima do estereótipo do metalúrgico é a barba.

“Na minha idade, meu pai pagava aluguel, não tinha carro e o dinheiro era contado”, diz. Silva tem seu carro e acaba de comprar uma casa maior, onde mora com a noiva. “O metalúrgico hoje é de classe média e está no nível de profissionais liberais, como médicos ou advogados. O padrão de vida melhorou”, diz Silva. Ele gosta de usar um laptop em casa. Colegas seus preferem falar em iPhones, usam tablets dentro da fábrica e estão comprando TVs de LED.

O dissídio coletivo que levou os trabalhadores da Renault, em Curitiba, a conseguir um acordo de três anos para receber reajuste salarial real de 20%, abonos de R$ 5 mil e o tal PLR que vai chegar a R$ 60 mil chamou a atenção. O comércio local gostou e faz ofertas. “O trabalhador está comprando casa própria, carro”, diz Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região. “O comércio da região oferece móveis, carros e imóveis aos trabalhadores.”

Os metalúrgicos estão nessa situação porque seus empregadores também têm vantagens com isso. Do ponto de vista financeiro, as empresas estão satisfeitas com o atual modelo de pagar horas extras e participações nos lucros – ainda que gordas. Dividir os lucros é um bom negócio num país que ainda opera sob uma arcaica legislação trabalhista. Um salário maior implica, para a empresa, gastar mais com encargos sociais – leia-se, pagar mais impostos. Cada R$ 100 que o trabalhador recebe custam outros R$ 103 para a empresa. A participação nos lucros não implica pagamento de encargos sociais.

É um acordo de cooperação entre duas partes e vai direto do caixa da empresa para o bolso do trabalhador. “Para mim, é a flexibilidade mais sadia do mercado de trabalho brasileiro”, afirma o economista José Pastore. Aumentos salariais, por menores que sejam, se tornam um custo fixo. A vantagem da participação é ser transitória e proporcional ao resultado obtido: ela só é paga se – e quando – os objetivos financeiros são alcançados. Se a demanda cai e as metas não são alcançadas, não há o que pagar. O incentivo de receber parte do lucro faz com que o trabalhador se esforce mais, se preocupe com o desempenho e, no conjunto, participe mais da empresa.

O método de produção de veículos em série foi criado por Henry Ford no início do século XX. Consiste na produção especializada, na qual cada trabalhador é responsável por uma parte minúscula do produto. A sátira mais conhecida a esse sistema é o filme Tempos modernos, de Charles Chaplin, de 1936. Numa das cenas, Chaplin mostra o trabalhador que passa o dia apenas apertando parafusos, numa tarefa repetitiva e monótona. Nos anos 1980, o modelo da linha de montagem “fordista” foi aperfeiçoado com o advento do “toyotismo”.

O método estabelecido pela fabricante de carros japonesa Toyota consiste num modo de produção mais flexível, preocupado em evitar desperdícios de tempo e material. A fábrica recebe apenas as peças necessárias, na quantidade e na hora certas. Monta e distribui o produto. Não há espaço para estoques ou perdas. Os trabalhadores só usam as ferramentas específicas para cada tarefa. Até a posição delas é calculada para dinamizar o trabalho. O resultado são custos menores – e lucro maior. Numa palavra: produtividade.

Até a abertura econômica da década de 1990, “produtividade” era uma palavra que preocupava pouco as montadoras brasileiras. Elas produziam poucos modelos de veículos aqui. Ao consumidor competia pegar ou largar. O aumento da concorrência as obrigou a sair da pasmaceira. As exigências do consumidor ampliaram a oferta de modelos. O desempenho de cada um deles nas concessionárias obriga a mudanças quase diárias na produção.

Cabe ao metalúrgico de hoje aliar as exigências de fabricar diversos modelos e mudar rapidamente para atender às vendas – sem desperdícios ou erros. “O trabalhador tem de saber a sequência do veículo que está montando, qual das variantes vai executar”, diz Aroaldo da Silva, da Mercedes. “A sincronia do pit stop numa corrida de Fórmula 1 se repete na linha de montagem.”

As mudanças práticas são grandes. Antigamente, o operário apertava um parafuso. Se espanasse, era só jogar fora. Hoje há especificações para as peças. O operário tem de apertar o parafuso no torque exato para determinada parte do motor. Um eventual desperdício pode afetar as metas e prejudicar o PLR. “É uma responsabilidade tremenda”, diz André dos Santos, da MWM.

No documentário Entreatos, de João Moreira Salles, o ex-presidente Lula lembra que, no seu tempo, as fábricas tinham supervisores. Eles não participavam da produção. Eram vistos como aliados dos patrões e quase adversários dos trabalhadores. O sistema mudou. Nas linhas de produção das maiores empresas, há um planejador que passa aos operários as tarefas que precisam ser realizadas e o prazo. São formados grupos de metalúrgicos para executá-las. Em cada equipe, um dos operários exerce a função de líder. “Tem um plano de processo, mas o trabalhador tem autonomia para decidir como executar”, afirma Aroaldo da Silva.

Quase um em cada cinco metalúrgicos está na faculdade
As funções antes desempenhadas por semianalfabetos ficaram mais complexas. As máquinas dos tempos de Lula eram basicamente mecânicas, pesadas. Exigiam habilidade, mas também muita força. A tecnologia sofisticou as máquinas – a maioria delas opera por software. Os metalúrgicos precisam programá-las para o serviço. Isso exige algum conhecimento de informática.

Quando começou a trabalhar na área, há quase três décadas, José Roberto fazia um trabalho com grande componente manual no setor de tapeçaria. Ele fez curso técnico de processo de produção numa faculdade para se manter na profissão. Hoje, na ferramentaria, José Roberto opera máquinas programáveis. “Colegas que não estudaram perderam oportunidades”, diz. “A busca de conhecimento é uma necessidade e está na cabeça do metalúrgico.” Durante cinco dias por mês, José Roberto tem licença da empresa para fazer um curso de extensão em economia na Universidade de Campinas (Unicamp).

Quase um em cada cinco metalúrgicos está na faculdade ou terminou um curso universitário. A tendência para o futuro é que a formação seja cada vez mais exigida. André Luís dos Santos, que acaba de comprar seu apartamento, tem uma rotina duríssima. Ele acumula a jornada de oito horas diárias com a atividade de professor no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Santos levanta às 5 horas da manhã, pega dois ônibus e o metrô para dar aulas das 8 horas ao meio-dia. Depois vai para a fábrica, onde almoça salada e frutas em meia hora, antes de começar a trabalhar. Volta para casa perto das 23 horas. Trabalha ainda dois sábados por mês. Formado em automação industrial, neste ano incluirá nessa dura rotina a faculdade de relações sociais na Universidade de Santo Amaro (Unisa). Pensa também em entrar para o 0,1% da categoria – segundo o Dieese – que tem pós-graduação. “Não dá para ficar aqui sem estudar”, afirma Santos. “É o quesito mais cobrado nas avaliações de desempenho.”

Em novembro, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC realizou em São Bernardo do Campo seu sétimo congresso. Sentado numa mesa de ferro, daquelas de bar, no pavilhão onde o evento aconteceria, Aroaldo da Silva explicou seu trabalho enquanto cumprimentava os colegas que passavam. Formado em ciências sociais, ele afirma ter 650 livros em casa. É um sujeito alto, de voz calma, que expõe seus pontos de vista com a clareza de um professor, sem ser pedante.

Discorre com fluência sobre mecânica, métodos de produção, um pouco de economia e sociologia. Diz gostar de ler marxistas como o historiador inglês Eric Hobsbawm ou o escritor americano Leo Huberman. “Há mais liberdade na fábrica hoje do que em outros lugares”, afirma Silva.

Lidar com profissionais com mais anos de estudo – e, consequentemente, mais esclarecidos – mudou as relações no ramo. Sindicatos e empresas tiveram de se adaptar. Os sindicalistas hoje não se sustentam apenas com palavras de ordem e a obviedade da luta por aumentos salariais. Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre ocupa a cadeira que já foi de Lula.

Sua função exige, além de conhecer a situação macroeconômica, estar a par das particularidades de cada fábrica e ficar atento a novas tendências, como o impacto de metas ambientais na vida dos trabalhadores. “O trabalhador hoje é muito mais informado e é mais crítico”, diz Nobre. Ele guarda fotos do tempo em que, de macacão, segurava faixas em greves. Quando começou no sindicato, há mais de 20 anos, precisava ser didático para explicar as condições de negociações aos colegas. “A gente tinha de fazer desenhos, historinhas”, diz ele. Era procurado para explicar os contracheques.

“Era uma tarefa cotidiana. Hoje não é preciso ensinar mais ninguém.” Suas atribuições mudaram. Hoje, o sindicato planeja outras coisas. Estuda negociar a criação de uma cota para incentivar a contratação de mais mulheres metalúrgicas.

Os metalúrgicos não querem ficar a vida toda na fábrica. Querem estudar e seguir outras carreiras
As décadas de 1980 e 1990 foram marcadas por greves duras. As paralisações organizadas na gestão de Lula tinham objetivos salariais e também marcaram posição contra a ditadura militar. Em meio à bagunça econômica causada pela inflação e pela estagnação, a intransigência imperava. As paralisações ainda ocorrem, mas o relacionamento é melhor. Em 2011, a Mercedes-Benz alugou as instalações de um hotel para preparar a negociação com os trabalhadores.

Contratou uma consultoria para elaborar a apresentação sobre o cenário macroeconômico e o cenário para o setor automotivo. Foram tratados temas como a estrutura tributária, que faz um carro no Brasil custar mais caro que no México. A estrutura de custos foi desdobrada. “Ninguém usa tática de guerrilha nas negociações”, diz Amilton Rocha, gerente de recursos humanos da Mercedes.

“Há um alinhamento de interesses.” A função de Rocha é uma criação recente. Ele atua como mediador numa reunião de duas horas, realizada todas as quartas-feiras, entre representantes dos funcionários e da diretoria da empresa. “Se deixar os assuntos acumularem, perde-se o foco nas discussões maiores”, afirma Rocha. “Muitas vezes o pau quebra, mas não existe intransigência.”

Um dos efeitos imediatos de uma economia aquecida é a melhora no mercado de trabalho. Pressionadas pela demanda, as empresas tratam melhor os metalúrgicos hoje porque eles representam um tipo de mão de obra especializada e mais difícil de contratar. Outro efeito da economia em expansão ocorre no comportamento humano. As boas perspectivas geram nas pessoas o desejo de não apenas conservar seus ganhos, mas de ampliá-los.

Elas passam também a buscar novos horizontes pessoais e profissionais. Na prática, a boa situação atual faz com que os metalúrgicos encarem a profissão de modo diferente. Há 20 anos, a maior parte deles queria se aposentar na empresa em que trabalhava. Hoje, a maioria está na faixa dos 30 anos. Com o aumento dos anos de estudo, eles estão mais ambiciosos.

Veem a profissão como uma fase, um trampolim, um modo de pagar estudos e depois migrar para outra área no mercado de trabalho. “O trabalhador não está na empresa para ficar o resto da vida”, afirma Sérgio Butka, do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. “Ele está mais engajado no projeto pessoal do que no projeto da empresa.”

A operária Bruna Oliveira poderia ter buscado outro emprego. Mas fez o concorrido teste para estudar na escola do Senai, atraída pelos salários nas montadoras. Agora, vai estudar engenharia para mudar. “Quero uma profissão melhor”, afirma. “Gostaria de trabalhar na área administrativa, que tem a ver com meu curso na faculdade.” Para isso, aos sábados, Bruna também estuda inglês. Com sua formação de cientista social, Aroaldo é um quadro cobiçado.

Já exerce uma função no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O futuro pode lhe reservar um cargo de dirigente. Não seria uma trajetória inovadora numa categoria tão mobilizada e com tantos dirigentes sindicais conhecidos. Provavelmente, para a profissão mudar, alguns de seus representantes precisam repetir o passado. Mas de um jeito diferente.

Época/ SMABC

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País cria 2,3 milhões de empregos formais no ano

Publicado por Administrador 21 dezembro, 2011 Nenhum Comentário Imprimir

O Brasil gerou 2.320.753 postos de trabalho com registro em carteira entre os meses de janeiro a novembro deste ano, equivalentes a expansão de 6,46% em relação ao estoque de empregos de dezembro de 2010. O resultado – que incorpora as informações declaradas fora do prazo (série ajustada) – foi o segundo melhor na série do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para o período, sendo menor apenas do que em 2010, quando foram abertos 2.918.549 novos postos. Somente em novembro deste ano, foram criados 42.735 empregos formais, alta de 0,11% em relação ao estoque de empregos celetistas do mês anterior.

“É importante ressaltar que o resultado dos meses de janeiro a novembro de 2011, considerando a série ajustada, foi bastante favorável ao atingir a criação de mais de 2,3 milhões de empregos, o segundo melhor desempenho da série histórica para o período. Porém, os dados do CAGED, no mês de novembro, ao apontar a criação de 42.735 postos de trabalho, mostram que o emprego formal continua crescendo, confirmando, porém, uma diminuição de dinamismo que já vinha sendo sinalizada nos últimos meses. Esse comportamento pode ser justificado, em parte, pela presença de fatores sazonais, como também, conjunturais, em razão da repercussão dos efeitos da crise internacional“, explica o ministro interino do Trabalho e Emprego, Paulo Roberto dos Santos Pinto.

Nesse período, a expansão do emprego foi influenciada pelo desempenho positivo em quatro setores de atividade econômica, sendo destaque o Comércio, com 107.920 postos e alta de 1,30%, a maior taxa de crescimento entre os setores e o terceiro maior saldo para o mês na série do Caged; e Serviços, com 53.999 postos e crescimento de 0,36%. Já a Administração Pública contribuiu com 250 postos (+0,03%) e Extrativa Mineral com 129 postos (+0,06%).

Na contramão, tiveram desempenho negativo os setores da Indústria de Transformação, com retração de 54.306 postos (-0,65%) devido a fatores conjuntural e sazonal; Agricultura, com -42.297 postos (-2,55%), devido a fatores sazonais; Construção Civil, com -22.789 postos (-0,82%), resultado influenciado por fatores sazonais (climáticos) e conjunturais; e Serviços Industriais de Utilidade Pública, com perdas de 171 postos de trabalho (-0,04%).

No recorte geográfico, houve elevação do emprego em vinte e uma Unidades da Federação, com três delas apresentando recordes, uma registrando o segundo melhor saldo e duas apontando o terceiro melhor desempenho para o mês. Os destaques, em números absolutos, couberam aos estados do Rio de Janeiro, com 24.867 postos (+0,70%), o segundo melhor desempenho para o mês; Rio Grande do Sul, com 12.875 postos (+0,52%); Santa Catarina, 12.089 postos (+0,66%); Minas Gerais, 5.825 postos (0,14%) e; Paraná, com 5.663 vagas (0,22%).

Já os estados que apresentaram desempenhos recordes foram: Pará, com 4.226 postos (+0,62%); Amapá, 496 postos (+0,76%) e Roraima, com 451 postos ou +1,13%. Influenciados por fatores sazonais e conjunturais, dentre os estados que tiveram desempenho negativo estão: São Paulo (-29.145 postos ou -0,24%); Goiás (-10.466 postos ou -0,96%) e Mato Grosso (-5.791 postos ou -1,02%).

O Caged também mostra expansão do emprego em quatro das cinco grandes regiões: Sul, com 30.627 postos; Nordeste, com 20.089 postos; Norte, com 4.870 postos e Sudeste, com 3.261 empregos. Devido a motivos sazonais e conjunturais, o Centro-Oeste foi a única região a apresentar redução no nível de emprego, equivalente a 16.112 postos (-0,57%).

Caged - Em doze meses, a geração de empregos atingiu 1.900.571 postos de trabalho, correspondendo ao aumento de 5,23%. No período de janeiro de 2003 a novembro de 2011, tomando como referência os dados da RAIS (que abrange Celetistas e Servidores Públicos Federais, Estaduais e Municipais) e do Caged, foram gerados 17.705.195 empregos formais.

MTE

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Dilma defende Piso de Proteção Social para enfrentar a crise

Publicado por Administrador 19 dezembro, 2011 Nenhum Comentário Imprimir

A presidente Dilma Rousseff defendeu na manhã desta quinta-feira a adoção de um Piso de Proteção Social nos países desenvolvidos que enfrentam problemas por conta da crise econômica. A declaração de Dilma ocorreu durante a entrega do documento em português sobre o Piso feito pela ex-presidente do Chile e atual diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet. Dilma apregoou que é necessário romper com a diferença entre a voz dos mercados e a voz das ruas, numa referência aos protestos espalhados pela Europa contra medidas de austeridades implementadas em países como Grécia, Itália, Espanha e Irlanda. O Piso de Proteção Social é um conjunto integrado de políticas sociais concebido para garantir a segurança de renda e o acesso universal a serviços sociais, como atenção especial a grupos vulneráveis.

Dilma observou que a crise econômica nos países mais ricos pode significar a perda de direitos sociais e o desemprego.

-Estamos vivendo uma situação econômica nos países desenvolvidos muito dramática e, de um certo ponto de vista, prejudicial para suas populações – declarou Dilma, lembrando que esses países conquistaram um padrão elevado de proteção social.

- Hoje nós estamos preocupados para que os processos de ajuste não signifiquem redução de direitos, perdas de garantias e,inclusive, extremamente preocupados com o fato de não só o desemprego estar crescendo, mas estar crescendo entre os jovens – declarou.

Para a presidente, o desemprego e a perspectiva de retrocesso nas políticas sociais nos países desenvolvidos coloca no centro da discussão a necessidade de implementar o Piso de Proteção Social nesses lugares. Dilma não deu a receita do que deve ser mantido ou implementado, mas reconheceu que não se pode colocar no mesmo patamar as políticas sociais adotadas pelos países ricos e outros mais pobres, como os da África e América Latina.

- Hoje estamos vendo processos de desemprego dramáticos que levam necessariamente a processos de perda de qualidade de vida e de condições de sobrevivência. Por isso, acho que os governos precisam romper com a dissonância cada vez maior entre a voz do mercado e a voz das ruas. Diminuindo essas diferenças e levando essas diferenças para propostas pró-ativa no sentido de soluções e para garantir que as pessoas não sofram toda a magnitude dela (da crise).

Em seu discurso, Bachelet afirmou que durante a elaboração do documento sobre o Piso de Proteção Social, feito por um grupo consultivo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), presidido por ela, comprovou-se que a adoção de políticas de proteção social têm evitado os piores efeitos da crise econômica, principalmente entre os mais vulneráveis, além de impulsionar a recuperação econômica em países como o Brasil e outros emergentes. Bachelet lembrou que 1,4 bilhão de pessoas vivem em situação de extrema pobreza, com menos de US$ 1,25 por dia e 925 milhões sofrem de fome crônica. Além disso, 884 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, enquanto 2,6 bilhões carecem de acesso a saneamento.

- Mais proteção social não se trata somente de uma questão de respeito aos direitos humanos, mas também uma necessidade econômica. A persistência de um grande número de pessoas excluídas representa um enorme desperdício de potencial humano e econômico – disse Bachelet.

CNMCUT

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