Abono Salarial recorde injeta R$ 7,4 bilhões na economia
Em todo o país, 16.306.131 trabalhadores receberam o Abono Salarial referente ao Exercício 2009/2010, um recorde para o benefício. Esse número representa 96,31% dos beneficiários identificados nas cinco regiões brasileiras. Foram pagos mais R$ 7,4 bilhões com verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, comemorou o número recorde do Abono Salarial. “Este recorde mostra que o benefício é um instrumento eficiente no amparo ao trabalhador. É dinheiro diretamente no bolso do trabalhador, que entra imediatamente na roda da economia brasileira, trazendo benefícios para todos”.
O recorde anterior havia sido registrado no Exercício 2008/2009: R$ 6 bilhões pagos a 14,8 milhões de trabalhadores (95,31% de alcance).
Regiões - A Região Sul obteve a melhor taxa de cobertura, com 97,10% de identificados pagos, atingindo 3.007.730 de pessoas e R$ 1.366.166.815,66 em benefícios. Foi no estado do Rio Grande do Sul onde houve a maior cobertura (97,27%): 1.111.127 trabalhadores receberam o beneficio.
O Nordeste foi a segunda região onde os trabalhadores mais realizaram o saque. Os nove estados da região registraram 97,04% de cobertura, com resgate do benefício por 3.622.741 pessoas. A Paraíba foi o estado que mais se destacou, ao atingir cobertura de 98,44%, com R$ 124.094.668,34 pegos em benefícios. Com taxa bem próxima (98,03%), o Ceará pagou R$ 299.206.134,62 em abono salarial a 654.294 trabalhadores.
Já a região Sudeste ocupa a terceira posição, sendo que o abono foi pago a 7.652.786 trabalhadores. Na Região Norte, 794.011 pessoas receberam o beneficio, atingindo 94,26% dos participantes.
O Centro-Oeste, por sua vez, foi o estado com a menor taxa de cobertura, com 93,04%: de 1,3 milhão de pessoas identificadas, 1.228.862 receberam o beneficio.
Beneficiários – Têm direito ao Abono Salarial os trabalhadores cadastrados no Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Púbico (PASEP) há pelo menos cinco anos. Além disso, tem que ser informado corretamente na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), ter recebido em média até dois salários-mínimos de remuneração mensal no ano base e ter exercido atividade remunerada por, no mínimo, trinta dias do ano base.
Governo eleva projeção de crescimento da economia para 6,5%
A previsão oficial de crescimento da economia em 2010 saltou de 5,5% para 6,5%. Os números foram divulgados há pouco pelo Ministério do Planejamento que liberou o relatório de avaliação de receitas e despesas do terceito bimestre.
A nova estimativa está no limite mínimo previsto pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada. Após reunião com empresários da União Europeia, o ministro afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar o ano com crescimento de 6,5% a 7%.
O relatório também revisou para baixo a projeção da inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que caiu de 5,5% para 5,2%. A média da taxa Selic (que mede os juros básicos da economia) aumentou de 9,19% para 9,6% ao ano.
Da Ag. Brasil
“Caminhando sobre camada de gelo fina”
Alguns países da União Européia seguem “caminhando sobre camada de gelo fina” em relação à possibilidade de eclosão de uma crise financeira de grandes dimensões. A Grécia foi mais uma vez rebaixada por agências de avaliação de risco na primeira quinzena de junho.
Vários países adotam programas pesados de austeridade, envolvendo forte ajuste do setor público, cortes de gastos sociais, reformas previdenciárias, cortes de salário do funcionalismo público e cortes de pessoal do setor
público.
Esses programas são adotados tanto em países onde a crise é evidente (Países Bálticos, Grécia, Portugal, Espanha), quanto em países em que as fragilidades financeiras não estão tão explícitas, como a Alemanha (este país anunciou no fim do mês passado cortes de gasto público da ordem de US$ 80 bilhões).
O receio é que os programas de ajuste abortem a recuperação das economias que estavam começando a dar alguns sinais, após a crise aguda em 2008, ampliem o desemprego que seguiu elevado mesmo quando aconteceram sinais de recuperação, e coloquem ainda mais incerteza sobre a recuperação da economia mundial, prolongando a crise.
Além disso, os movimentos especulativos em relação às economias européias têm provocado instabilidades financeiras no mundo, esporádicas até aqui, mas que podem se tornar mais permanentes.
A crise da Europa não acalmou nem após a mobilização de cerca de US$ 1 trilhão de dólares, talvez, neste caso, pela demora de resposta da UE, o que ajudou na instalação do pânico entre os investidores, especialmente quando estes perceberam que os bancos europeus eram os principais detentores dos títulos dos países mais atingidos pela crise, chamados depreciativamente de “Pigs” (“porcos”, em inglês, referindo-se a Portugal,
Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).
Segundo dados do BIS (Banco de Compensações Internacionais), os bancos europeus (basicamente alemães e franceses) detêm US$ 1,58
trilhão, ou 62% de toda a exposição de instituições internacionais junto a residentes na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. Em face de números como estes são normais as dúvidas acerca da capacidade de recuperação da economia mundial.
É crescente o temor, inclusive, de que as medidas de austeridade fiscal provoquem uma segunda recessão no Continente, com possível contágio para o resto do mundo. A crise na zona do euro está colocando em xeque a própria recuperação da economia dos Estados Unidos, em função de sua gravidade e pelo potencial de contaminação da economia mundial.
Os números da economia dos EUA são positivos no primeiro semestre, com crescimento da massa salarial e recuperação do nível de atividade. Mas é uma retomada ainda muito lenta, comparada com crises anteriores e o desemprego permanece em quase 10% da População Economicamente Ativa (PEA).
Não está descartada uma nova recessão decorrente do efeito-contágio da crise na Europa. A dúvida é saber que tipo de medidas podem ser tomadas, considerando que os juros anuais já são zero e o déficit fiscal atinge os dois dígitos.
O dilema dos EUA não é brincadeira: com o déficit atual, um novo pacote de estímulos fiscais pode provocar uma tremenda crise de confiança, com resultados imprevisíveis; por outro lado, cortes de gastos para melhorar a situação fiscal, podem matar a discreta retomada da economia.
Um aspecto que piora a situação dos EUA é o aumento das políticas de controle no mundo, especialmente na zona do euro, como forma de redução do déficit público. Medidas de controle começam a pipocar em vários países, como mecanismo de defesa em relação a eventuais movimentos especulativos e volatilidade financeira.
No último dia 13 a Coréia do Sul voltou a ativar mecanismos de controle sobre o câmbio, buscando deter a valorização do won, e o efeito negativo sobre a sua balança comercial. É possível que, além da Coréia do Sul e da Indonésia, que já trilharam esse caminho, outros países estejam, ao menos na área da Ásia, avaliando a implementação de medidas similares (vale lembrar que na China e Índia vigoram medidas de controle sobre fluxos cambiais).
Reunião de Ministros de Fazenda preliminar à reunião do G-20 (realizada em 25 a 27 de junho no Canadá) aponta apoio a pacotes de ajuste europeus, orientação contrária a de anteriores reuniões do G20 que falavam da necessidade de manter as políticas de ativação de gastos para suplantar a crise econômica mundial.
Outra possibilidade que também complica a economia estadunidense é uma eventual forte desvalorização do euro, o que certamente melhoraria a situação dos países exportadores da Europa, especialmente Alemanha, Itália e França, mas reduziria a competitividade dos produtos exportados pelos EUA.
Está para ser aprovada no Congresso dos Estados Unidos uma das maiores mudanças na regulamentação do sistema financeiro daquele país desde a década de 1930. Esta proposta, gestada e negociada no interior do Partido Democrata, irá aumentar consideravelmente o controle do governo sobre os bancos e mercados financeiros, questão fundamental na eclosão da crise de 2008.
Os comentários veiculados na mídia indicam que a legislação que está sendo proposta é bastante rígida, e o seu objetivo é proteger mais as pessoas físicas e evitar a necessidade de socorrer as empresas do setor
financeiro. A proposta visa também aumentar o poder das autoridades perante as atividades das grandes instituições bancárias, que teriam poder inclusive para obrigá-los a conservar reservas de capital maiores para se proteger das crises.
É um projeto ousado para o atual estágio do capitalismo nos EUA – autocraticamente gerido pelos donos do capital financeiro –, e avançado inclusive para os atualmente rebaixados padrões liberais dos EUA, ao tentar diminuir o risco sistêmico e proteger o consumidor. Mas, com forte
oposição dos republicanos, a aprovação da lei ainda está sendo garantida.
* Artigo escrito por Adhemar Mineiro e José Álvaro Cardoso, respectivamente Técnico do DIEESE da equipe do RJ e Técnico do DIEESE da equipe de SC.
Produção mundial de aço sobe 18% em junho
A produção global de aço bruto subiu 18% em junho ante o mesmo mês do ano passado, para 119 milhões de toneladas. Nos primeiros seis meses do ano, a produção totalizou 706 milhões de toneladas 27,9% a mais que no primeiro semestre de 2009. Os dados foram divulgados hoje pela World Steel Association.
“Todas as regiões tiveram aumento na produção de aço bruto durante o primeiro semestre de 2010, comparado ao primeiro semestre de 2009″, informou a associação, cujos membros produzem cerca de 85% do aço no mundo. “Apesar da produção do primeiro semestre de 2010 ter sido 7,2% superior à do primeiro semestre de 2007, pouco antes da crise econômica global, a maior parte da produção mundial não se recuperou para os níveis pré-crise.”
O Brasil produziu 2,9 milhões de toneladas de aço em junho, 47% acima de junho de 2009. Os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas de aço em junho, alta de 65% ante junho de 2009. A produção de aço bruto na União Europeia, nos Estados Unidos e nos Canadá ainda está 15% abaixo dos níveis de 2007, mas a Ásia e o Oriente Médio mostraram crescimento em relação à produção de 2007, de acordo com a associação.
A produção de aço bruto da China cresceu 9% em junho ante junho de 2009, para o total de 53,8 milhões de toneladas. O Japão produziu 9,4 milhões de toneladas de aço bruto em junho, 35,9% a mais que em junho de 2009. Já a Coreia do Sul produziu 4,8 milhões de toneladas em junho, 22% acima do registrado em junho de 2009.
Na União Europeia, a produção de aço bruto da Alemanha foi de 3 9 milhões de toneladas em junho (alta de 53%). A Itália produziu 2,3 milhões de toneladas em junho (alta de 33%), enquanto a França produziu 1,5 milhão de toneladas (alta de 31%). A capacidade total de utilização foi de 80,6% em junho, abaixo dos 82% registrados em maio. As informações são da Dow Jones.
Fonte: Agência Estado
Balança comercial tem superávit de US$ 722 milhões
Nos cinco dias úteis da segunda semana de julho de 2010, a balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 4,161 bilhões, com média diária de US$ 832,2 milhões. Os destaques foram as vendas de açúcar em bruto, celulose, semimanufaturados de ferro e aço, óleo de soja em bruto e alumínio em bruto. Nos produtos básicos, as exportações minério de ferro, petróleo em bruto, farelo de soja, carne bovina, fumo em folhas e café em grão.
As importações, no período em análise, somaram US$ 3,439 bilhões, com média diária de US$ 687,8 milhões. As principais compras foram equipamentos mecânicos, aparelhos eletroeletrônicos, veículos automóveis e partes, siderúrgicos, farmacêuticos e adubos e fertilizantes.
Na segunda semana de julho, a corrente de comércio chegou a US$ 7,60 bilhões, com média diária de US$ 1,520 bilhão e saldo comercial de US$ 722 milhões (média diária de US$ 144,4 milhões).
No mês, primeira e segunda semanas de julho (sete dias úteis), as exportações foram de US$ 5,687 bilhões (média diária de US$ 812,4 milhões) e as importações de US$ 4,741 bilhões (média diária de US$ 677,3 milhões). No período, a corrente de comércio alcançou US$ 10,428 bilhões (média diária de US$ 1,489 bilhão) e, saldo comercial, de US$ 946 milhões (média diária de US$ 135,1 milhões).
No acumulado de janeiro a segunda semana de julho deste ano (130 dias úteis), as vendas ao exterior somaram US$ 94,874 bilhões (média diária de US$ 729,8 milhões), as importações, US$ 86,049 bilhões (média diária de US$ 661,9 milhões), e o superávit de US$ 8,825 bilhões (média diária de 67,9 milhões). A corrente de comércio acumulada no período em questão totalizou US$ 180,923 bilhões (média diária de US$ 1,391 bilhão).
Do MDIC
Crise Busscar: Assembleia decide nesta quarta-feira (7/7) o futuro dos trabalhadores
Amanhã é o dia decisivo para os trabalhadores e trabalhadoras da Busscar Ônibus. O Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região convocou assembleia geral para as 9 horas em frente à fábrica para decidir o rumo e o futuro dos trabalhadores caso a empresa não pague os salários atrasados e do PDV, libere os trabalhadores para que encaminhem seguro-desemprego e FGTS, ou ainda abra mão do controle acionário para novos investidores.
Na semana passada o Sindicato realizou assembleia com cerca de 500 trabalhadores que, indignados, não aceitaram mais um pedido de paciência por parte dos acionistas que sequer estavam presentes na empresa para ouvir o apelo dos trabalhadores e sindicalistas. A empresa se limitou a mandar um comunicado dizendo nada. Agora a decisão será dos trabalhadores.
Agora já chega a três meses de salários atrasados, entrando no quarto mês seguido, mais sete meses do décimo-terceiro salário de 2009, além dos demitidos no PDV, FGTS e muitas outras dívidas. Segundo informações que o Sindicato apurou a empresa deve cerca de R$ 800 milhões para trabalhadores, bancos, INSS, FGTS, terceirizados, fornecedores e até para os ex-acionistas. Estes esperam receber R$ 250 milhões, mas a questão tamb~em está parada na Justiça.
Segundo o presidente João Bruggmann, que nas últimas horas e dias têm se desdobrado em reuniões buscando acabar com o sofrimento dos milhares de trabalhadores, chegou a hora dos acionistas da Busscar retribuírem aos trabalhadores o que eles deram à empresa até o momento.
“Nós nem precisamos pedir falência porque a empresa está falida, está parada. Os acionistas que comandam a empresa precisam dar aos trabalhadores pelo menos esse respeito, de liberar as carteiras para que possam tocar suas vidas. É uma retribuição mínima aos trabalhadores que ajudaram no que puderam realizando passeatas, ida a Brasília, não recebem salários! A barriga não tem paciência, as contas não tem paciência. Em nome de todos os trabalhadores da Busscar nós pedimos: liberem quem quer sair, dêem essa saída a quem já deu tanto à empresa”, afirmou Bruggmann.
Até o momento a Justiça do Trabalho não deu sentença sobre a ação cautelar que pede a indisponibilidade dos bens do grupo econômico que comanda a Busscar – impede a venda dos bens para que garanta os direitos dos trabalhadores – e também da ação dos salários atrasados, em que pode ser decretado o pagamento em até 48 horas dos salários atrasados, o que pode viabilizar a médio prazo o recebimento dos salários.
“Nós, o Sindicato e os trabalhadores, nunca quisemos a falência da empresa. Temos ao longo de meses tentado ajudar, sugerindo saídas, mas não há receptividade, só teimosia, rumos errados, e os trabalhadores ficaram sem seus direitos, sem o salário sagrado no final do mês. Ainda temos esperança de que novos sócios possam assumir e reiniciar a produção, colocar a Busscar novamente no mercado. Mas para isso é preciso grandeza de espírito em favor da coletividade. Que Deus ilumine as cabeças desses dirigentes nessa hora tão difícil”, explica o presidente João Bruggmann.
Os diretores do Sindicato ainda trabalham por uma solução e resposta por parte da Busscar até a manhã de amanhã na assembleia geral. E também fazem contatos com a Justiça do Trabalho.
Pela 16ª vez seguida analistas elevam projeção do PIB
A projeção de analistas do mercado financeiro para o crescimento da economia foi elevada pela 16ª semana seguida. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – soma dos bens e serviços produzidos no país – este ano passou de 7,13% para 7,2%. Há quatro semanas, a projeção era de 6,6%. Para 2011, foi mantida a expectativa de crescimento do PIB de 4,5%. As informações constam do boletim Focus, sondagem semanal do Banco Central (BC) feita com base em projeções de analistas para os principais indicadores da economia. O estudo foi divulgado na manhã de segunda-feira (5).
A expectativa do mercado para o crescimento da produção industrial este ano se manteve praticamente estável, passando de 11,94% para 11,91%. Para o próximo ano, a estimativa foi mantida em 5%. A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi mantida em 41% em 2010 e 39,5% em 2011. A cotação do dólar, para os analistas, deve fechar o ano em R$ 1,80 e, no ano que vem, em R$ 1,90.
A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) foi ajustada de US$ 15,36 bilhões para US$ 15,72 bilhões este ano e de US$ 7 bilhões para US$ 7,83 bilhões em 2011. Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e de contratação de serviços do Brasil com o exterior), a estimativa foi alterada de US$ 47,78 para US$ 47 bilhões este ano. Para 2011, a projeção de déficit passou de US$ 58 bilhões para US$ 57 bilhões.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) permaneceu em US$ 35 bilhões este ano e em US$ 40 bilhões em 2011.
Política monetária
Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) estão divididos quanto à duração do período de elevação da taxa básica de juros, Selic. A mediana das estimativas para a Selic de dezembro está em 12,13% ao ano, o que indica que parte dos analistas espera por manutenção da taxa básica esperada para outubro (12% ao ano) enquanto outros projetam mais uma elevação, de 0,25 ponto percentual, no último mês do ano.
A divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, na semana passada, pode ter mudado o entendimento de alguns analistas. A expectativa predominante era de que o ciclo de aumento da Selic terminasse em outubro. Para a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a Selic, a expectativa é de elevação dos atuais 10,25% ao ano para 11% ao ano. A reunião está marcada para os dias 20 e 21. Na avaliação dos analistas, o ciclo do aperto monetário continua em setembro, com outra elevação de 0,75 ponto percentual, e também em outubro, quando a Selic deve subir para 12%. O Copom se reúne oito vezes no ano.
Com Rede Brasil Atual
Bens de capital lideram retomada de investimentos industriais, diz FGV
O setor de bens de capital é o que mais se recuperou do baque causado pela crise econômica na indústria brasileira no ano passado. Em torno de 41% das indústrias do setor pretendem expandir a capacidade produtiva este ano, enquanto o percentual chegava a apenas 20% em 2009, de acordo com a Sondagem de Investimentos da Indústria, realizada pela Fundação Getúlio Vargas.
O setor bateu recorde entre as empresas que não têm programa de investimento, com o percentual mais baixo da série histórica, iniciada em 1998. As indústrias de bens de capital que não vão investir somam apenas 7%. O recorde anterior, registrado em 2008, era de 14%.
“A recuperação do setor de bens de capital consolida totalmente a recuperação da indústria brasileira, não só em termos de produção, mas de retorno ao investimento. Isso mostra que todas as fases estão recuperadas”, disse o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre- FGV), Aloísio Campelo.
Outro recorde foi registrado pelo setor de bens duráveis de consumo. Muito voltados para o mercado interno, com a produção de eletrodomésticos de linha branca, dos bens duráveis que desejam expandir a capacidade produtiva chegam a 56% do total, enquanto no ano passado somavam apenas 36%. “Ainda estamos influenciados pela aceleração bem mais forte dos segmentos voltados ao mercado interno, que puxam os investimentos em expansão da capacidade produtiva”, disse Campelo.
Os não duráveis também tiveram grande avanço, passando de 23% para 40%. E as indústrias voltadas para os bens intermediários que desejam ampliar a capacidade produtiva passaram de 19% para 39%.
Entre os setores de uso, o de materiais de transporte – que inclui tanto montadoras como autopeças – foi o de maior percentual entre as empresas que estimam investir prioritariamente em expansão de capacidade produtiva. No setor, 96% das empresas planejam investir, sendo que 60% são para expansão da capacidade. Este é o segundo maior percentual, atrás apenas do registrado em 2008, quando foi de 68%.
Outro setor de destaque em expansão de capacidade produtiva foi o de materiais elétricos e telecomunicações, que inclui eletrodomésticos, eletroeletrônicos, televisores e celulares, registrou 39% das empresas buscando expansão da capacidade produtiva.
Fonte: Valor
Crise Busscar: suspensão de contrato de trabalho é sugerida
A cada dia que a crise sem fim da Busscar avança, sugestões de toda ordem aparecem sem no entanto apontar para o fim da agonia que deixa três mil famílias em situação quase desesperadora. Agora a tese da suspensão do contrato de trabalho de trabalhadores da empresa está sendo cogitada como forma de amenizar o sofrimento de pais e mães de família com o pagamento de uma bolsa pelo período em que o contrato estiver suspenso, em valores que variam de R$ 510 a R$ 880,00.
O trabalhador que aderir ao programa terá que frequentar curso de formação ofertado pela empresa com frequência mínima de 75%. É importante ressaltar aos trabalhadores que durante a suspensão do contrato de trabalho, os direitos relativos ao FGTS e outros também ficam suspensos, e que ao final do programa, caso a empresa feche ou os trabalhadores sejam liberados ou demitidos, não terão direito ao seguro-desemprego, já que essa proposta está atrelada a esses recursos que vem do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Para o Sindicato dos Mecânicos, essa medida é apenas paliativa e não atende aos anseios dos trabalhadores que precisam sim é dos salários em dia e a retomada da produção para manter seus empregos e um futuro na empresa.
“Seria vantagem se a empresa pagasse em dia, e não existisse produção a ser efetuada como aconteceu no caso da Renault. No caso da Busscar os trabalhadores estão sem salários a quase três meses, sem direitos, e ainda podem ficar sem o seguro-desemprego em caso de encerramento das atividades, algo que estamos lutando o tempo todo para que não aconteça, mas que não depende do Sindicato, depende exclusivamente dos acionistas”, destaca o presidente João Bruggmann.
A diretoria do Sindicato entende também que é preciso que a empresa finalmente apresente uma proposta robusta e verdadeira de reestruturação para que a marca Busscar se mantenha, a empresa produza e gere empregos, salários e lucros para todos. “Essa proposta não muda a vida dos trabalhadores, no máximo atende demanda imediata de aluguel, luz, água atrasada, mas que depois sem uma solução definitiva, pode ser pior sem o seguro desemprego. Os trabalhadores precisam refletir muito”, alerta João Bruggmann.
Assim que a empresa apresentar a documentação o Sindicato vai realizar uma assembleia geral de esclarecimento para que aí sim as pessoas decidam se aderem ou não ao plano. Não haverá votação, e quem entender aderir à proposta a fará por escrito. Um documento será produzido com os nomes dos trabalhadores e será protocolado no Ministério do Trabalho, que fiscalizará a realização dos cursos e presença em aulas.
Decisão esta semana
A falta de decisão dos acionistas, a intransigência e até falta de solidariedade para com milhares de trabalhadores que deram o seu melhor durante anos para que a Busscar estivesse no auge – e não são eles que colocaram a empresa em crise – e que hoje passam por seríssimas dificuldades financeiras a ponto de o Sindicato promover campanha para arrecadar alimentos, é inadmissível.
Para o Sindicato, não há mais tempo para nada. “Os acionistas têm de ter a coragem de definir se querem a empresa aberta, funcionando e gerando renda, impostos e movimentando a economia, ou se a querem fechada para Joinville, Santa Catarina e o país. Não há mais como aguentar com três salários atrasados, 90 dias sem receber, e sete meses sem ver a cor do décimo de 2009. Chegou a hora de decidir”, afirma o presidente do Sindicato João Bruggmann.
No final de semana o jornal O Estado de São Paulo – Estadão – publicou matéria especial sobre a crise da empresa mostrando o que essa falta de decisão implica para milhares de pessoas. A reportagem mostra que esse é um caso único no segmento que mais cresce e produz atualmente no país, em um momento de plena economia em alta. A Busscar é a única na contramão da história.
Mercado espera crescimento de 7,13% e inflação a 5,5% em 2010
O mercado financeiro segue otimista com relação à economia brasileira neste ano. Segundo relatório Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), os analistas entrevistados esperam que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 7,13% em 2010, alta comparada à previsão observada no documento anterior, 7,06%. Para 2011, a projeção se mantém a 5% de expansão há 17 semanas.
Por outro lado, houve uma queda na perspectiva para a inflação, passando de 5,61% para 5,5%, um ponto percentual acima da meta prevista para 2010 (4,5%). Para o próximo ano, os consultados aguardam alta de 4,80% do principal índice que me de a inflação, o IPCA (mesmo patamar há 11 semanas).
Queda também ocorreu na expectativa para o IGP-DI, ao passar de 9,09% para 9,05%. Também caiu o prognóstico para o IPC-Fipe, mas de forma bem menor (de 5,30% para 5,29%). Já o IGP-M apresentou ligeira alta na previsão alcançando 4,08%, ante 4,07%, verificada no último Focus. Com relação a 2011, as estimativas não foram alteradas. Tanto o IGP-DI (há oito semanas), quanto o IGP-M (há cinco semanas) estão na casa dos 5%, e o IPC-Fipe é previsto para fechar em 4,50% (há 23 semanas).
Sem muitas alterações sobre as expectativas para os índices inflacionários, a perspectiva para a taxa básica de juros (Selic) permanece a 12% ao ano para fechar 2010, e a 11,75% (há duas semanas) para 2011. As projeções para o câmbio deste ano estão estabelecidas em R$ 1,80 conforme os 14 últimos relatórios, porém sofreu alteração para 2011, passando de R$ 1,89 para R$ 1,90.
Segundo os especialistas entrevistados pelo BC, a dívida líquida do setor público deve terminar em 41% do PIB, enquanto no próximo ano deve ser de 39,50%, queda com relação ao registrado no documento anterior (39,70% do PIB).
O mercado projeta que a produção industrial deve apontar crescimento de 11,94% em 2010, ante 11,32% observado no último Focus, e expansão de 5% em 2011 (mesmo patamar há 17 semanas). Com relação à conta corrente, os consultados revisaram suas expectativas de déficit de US$ 47,57 bilhões para recuo de US$ 47,78 bilhões, em 2010. Para 2011, houve ligeira queda, ao passar de déficits de US$ 57,99 bilhões a US$ 58 bilhões. A balança comercial é esperada a encerrar este ano em US$ 15,10 bilhões, ante US$ 15,36 bilhões conforme previsão anterior, e 2011 em US$ 7 bilhões, alta comparada à estimativa passada de US$ 6 bilhões.
O relatório Focus do Banco Central mostra que o mercado elevou sua projeção para o crescimento econômico em 2010 de 7,06% na semana passada para 7,13% ontem.
Do Portal Gestão Sindical