Emprego industrial em SC sofre queda em agosto
Dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE indicam que o emprego industrial avançou 0,4% em agosto de 2011 frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, após mostrar variação negativa de 0,1% em junho e em julho. Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral assinalou variação positiva de 0,1% na passagem dos trimestres encerrados em julho e agosto e permaneceu com o quadro de estabilidade verificado desde setembro do ano passado. Na comparação com agosto de 2010, o total do pessoal ocupado assalariado apontou acréscimo de 0,6%, décimo nono resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto. O índice acumulado nos oito primeiros meses do ano avançou 1,6%, mas com ritmo ligeiramente abaixo do observado nos últimos meses. A taxa anualizada, medida pelo índice acumulado nos últimos doze meses, ao registrar expansão de 2,3% em agosto de 2011, prosseguiu com a redução na intensidade do crescimento iniciada em fevereiro último (3,9%).
Em Santa Catarina, o indice relativo ao pessoal ocupado caiu (-0,25%); nos primeiros oito meses de 2011, cresceu 1,1% e no acumulado de 12 meses avançou 2,1%. Ainda em SC, a folha de pagamento cresceu 1,25 em relação à julho e no mesmo periodo decaiu (- 1,0%) o número de horas pagas. Nos útimos 12 meses a folha de pagamento apresentou incremento de 5,7% e as horas pagas + 1,7%. De janeiro a agosto, a evolução foi de 3,6% e 0,5% respectivamente.
Em relação a agosto do ano passado, o emprego industrial mostrou acréscimo de 0,6%, com o contingente de trabalhadores registrando crescimento em nove dos 14 locais pesquisados. As principais contribuições positivas sobre o resultado global vieram do Paraná (6,7%), região Norte e Centro-Oeste (3,0%), Pernambuco (7,6%), Minas Gerais (1,6%) e região Nordeste (1,2%). A principal influência negativa veio de São Paulo (-1,6%).
Setorialmente, ainda no índice mensal, o emprego industrial avançou em 10 dos 18 ramos investigados, com destaque para alimentos e bebidas (4,4%), meios de transporte (6,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,1%), outros produtos da indústria de transformação (3,5%) e máquinas e equipamentos (2,2%). Já papel e gráfica (-8,4%), calçados e couro (-7,5%), madeira (-10,7%) e vestuário (-2,9%) exerceram os principais impactos negativos.
No índice acumulado nos oito primeiros meses de 2011, o nível do pessoal ocupado na indústria foi 1,6% maior do que em igual período do ano anterior, apoiado em grande parte no crescimento de 11 dos 14 locais e em 10 dos 18 setores investigados. Entre os locais, Paraná (5,3%), Minas Gerais (2,9%), região Norte e Centro-Oeste (3,3%), região Nordeste (2,2%) e Rio Grande do Sul (2,6%) exerceram as maiores influências positivas sobre o total da indústria, enquanto São Paulo (-0,3%), Ceará (-1,3%) e Espírito Santo (-0,4%) apontaram as taxas negativas no índice acumulado no ano. Setorialmente, as contribuições positivas mais relevantes vieram de meios de transporte (7,5%), alimentos e bebidas (2,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,2%), máquinas e equipamentos (4,3%), produtos de metal (4,5%), outros produtos da indústria de transformação (5,0%) e metalurgia básica (6,3%). Por outro lado, os ramos de papel e gráfica (-9,0%), de vestuário (-3,4%), de madeira (-8,5%) e de calçados e couro (-3,3%) responderam pelos principais impactos negativos.
Número de horas pagas é 0,4% maior que em julho
Em agosto de 2011, o número de horas pagas no setor industrial avançou 0,4% na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após apontar variação positiva de 0,1% em julho e queda de 0,6% em junho. Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral mostrou estabilidade entre os trimestres encerrados em julho e agosto (0,0%), após três taxas negativas consecutivas, período em que acumulou perda de 0,6%.
Nas comparações contra iguais períodos de 2010, os resultados permaneceram positivos: variação de 0,1% em agosto de 2011 e expansão de 1,3% no indicador acumulado dos oito primeiros meses do ano. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 2,7% em julho para 2,2% em agosto, manteve a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (4,5%).
No confronto com igual mês do ano anterior, o número de horas pagas foi positivo em 10 dos 14 locais pesquisados, com as principais influências sobre a média global vindas do Paraná (3,3%) e da região Norte e Centro-Oeste (3,0%). O principal impacto negativo foi verificado em São Paulo (-2,1%).
Em nível setorial, ainda no confronto com agosto de 2010, houve aumento no número de horas pagas em oito dos 18 segmentos pesquisados, com alimentos e bebidas (2,7%) exercendo o principal impacto positivo sobre a média global, seguido por meios de transporte (5,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,0%), máquinas e equipamentos (3,6%) e outros produtos da indústria de transformação (4,1%). Entre os 10 ramos que apontaram taxas negativas, calçados e couro (-8,6%), papel e gráfica (-8,6%), madeira (-11,3%), vestuário (-2,7%) e têxtil (-3,2%) exerceram as pressões negativas mais relevantes sobre o total da indústria.
No índice acumulado nos oito primeiros meses do ano (1,3%), observou-se crescimento no número de horas pagas em 10 setores e em 12 locais. Entre os ramos, as principais contribuições positivas no resultado global da indústria foram observadas em meios de transporte (7,0%), alimentos e bebidas (2,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,9%), máquinas e equipamentos (4,8%), produtos de metal (3,8%) e outros produtos da indústria de transformação (5,1%), enquanto papel e gráfica (-9,7%), vestuário (-3,6%), calçados e couro (-4,6%) e madeira (-8,6%) registraram os impactos negativos mais relevantes. Regionalmente, a região Norte e Centro-Oeste (4,1%) exerceu a principal influência sobre o total da indústria, vindo a seguir Minas Gerais (3,0%), Paraná (3,3%), região Nordeste (1,7%) e Rio Grande do Sul (1,9%). Por outro lado, São Paulo (-0,6%) e Ceará (-3,0%) apontaram os resultados negativos no número de horas pagas no índice acumulado dos oito meses do ano.
Valor da folha de pagamento real varia 3,3% em agosto
Em agosto de 2011, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria ajustado sazonalmente cresceu 3,3% frente ao mês imediatamente anterior, quarta taxa positiva consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando nesse período ganho de 4,3%. Vale destacar que o resultado desse mês foi particularmente influenciado pela indústria extrativa (56,7%), impulsionado sobretudo pelo pagamento de participações nos lucros e resultados em importante empresa do setor, já que a indústria de transformação mostrou crescimento mais moderado (0,7%). Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral apontou expansão de 1,3% na passagem dos trimestres encerrados em julho e agosto e manteve a trajetória ascendente iniciada em dezembro de 2010.
No confronto com iguais períodos do ano anterior, o valor da folha de pagamento real cresceu 7,1% em agosto de 2011 e 5,2% no acumulado do período janeiro-agosto deste ano. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 6,3% em julho para 6,2% em agosto, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em maio último (7,6%).
No índice mensal de agosto de 2011, o valor da folha de pagamento real mostrou expansão de 7,1%, com resultados positivos nos 14 locais pesquisados. As maiores contribuições sobre o total da indústria foram observadas no Rio de Janeiro (25,6%), região Nordeste (15,7%), Minas Gerais (11,1%), região Norte e Centro Oeste (14,1%), São Paulo (1,9%) e Paraná (10,2%).
Setorialmente, ainda no confronto com igual mês do ano anterior, o valor da folha de pagamento real cresceu em 12 dos 18 setores investigados, com destaque para indústrias extrativas (62,8%), meios de transporte (8,6%), refino de petróleo e produção de álcool (42,3%), alimentos e bebidas (4,7%), máquinas e equipamentos (6,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,1%) e metalurgia básica (6,2%). Por outro lado, os impactos negativos mais relevantes sobre o total da indústria foram assinalados por papel e gráfica (-7,6%), calçados e couro (-5,0%), produtos químicos (-1,6%) e madeira (-6,8%).
No índice acumulado nos oito meses do ano, o valor da folha de pagamento real avançou 5,2%, com taxas positivas em todos os locais investigados. As influências mais relevantes sobre o total nacional foram observadas em São Paulo (3,3%) e Minas Gerais (11,2%). Vale citar também os resultados positivos vindos de Paraná (9,0%), região Nordeste (5,8%), região Norte e Centro-Oeste (6,8%) e Rio de Janeiro (5,7%).
Setorialmente, ainda no índice acumulado no ano, o valor da folha de pagamento real avançou em 13 das 18 atividades pesquisadas, sustentado, principalmente, pelas taxas positivas vindas de meios de transporte (11,7%), máquinas e equipamentos (9,0%), alimentos e bebidas (5,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (8,1%), metalurgia básica (7,6%) e indústrias extrativas (6,6%). A principal pressão negativa sobre o total nacional foi exercida pelo setor de papel
ABC DIGITAL
Dúvidas trabalhistas? Ligue para a ouvidoria do Ministério do Trabalho gratuitamente
Cidadãos com dúvidas trabalhistas podem solucioná-las pelo telefone 158, o número da Ouvidoria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A ligação é gratuita quando realizada de telefones públicos ou residenciais fixos. A Ouvidoria do MTE é um canal direto de comunicação com a população, que permite ao cidadão fazer reclamações, sugestões, críticas, elogios e denúncias, referentes a procedimentos e ações de agentes, diretamente ligados ou subordinados ao MTE.
O papel da Ouvidoria é proteger o cidadão contra a violação de direitos, contra erros, negligências, abuso de poder ou contra a má administração do serviço público, com o propósito de melhorar a administração pública e tornar a ação governamental mais transparente e os agentes públicos mais responsáveis por suas ações, omissões e decisões.
Como atua a Ouvidoria
A ouvidoria recebe, analisa e encaminha as manifestações dos cidadãos aos setores do MTE. Acompanha as providências adotadas, cobra soluções e mantém o cidadão informado acerca de suas manifestações. Atua sugerindo mudanças, de acordo com as demandas dos cidadãos. Elabora relatórios que sugerem melhoria e subsidiam os gestores na tomada de decisões. Funciona como um canal de comunicação rápido e eficiente, estreitando a relação entre a sociedade e o MTE.
Fonte: Meu Salário
Dilma diz que inflação está sob controle e país tem plenas condições de enfrentar crise
Em pronunciamento oficial, por meio da rede nacional de rádio e TV, a presidenta Dilma Rousseff afirmou na noite da terça-feira (6) que a inflação está controlada e que o Brasil tem plenas condições de combater os efeitos da crise econômica que atinge o mundo. É a terceira vez que a presidenta convoca a rede nacional.
“Aqui o emprego e a renda batem recordes históricos, nossas reservas internacionais estão mais sólidas do que nunca, o crédito continua crescendo e a inflação está sob controle. Os juros voltaram a baixar e estabilidade da economia esta garantida”, disse Dilma.
A presidenta enfatizou que o conceito de independência, comemorado nesta quarta-feira (7), precisa ser “renovado” para que o país possa dar resposta à crise. “Temos uma grave crise econômica que cobra respostas novas para seus problemas.”
“Amanhã é 7 de Setembro o significado não precisa ser explicado a nenhum de nós, mas necessita ser a cada dia renovado por todo o brasileiro. 189 anos atrás, quando o Brasil se libertou, o mundo passava por grandes mudanças políticas, sociais e econômicas, agora também vivemos um momento de transformação. O mundo enfrenta os desafios de uma grave crise econômica e cobra respostas novas para seus problemas. Apesar de ter a mesma raiz, a crise atual é mais complexa que aquela de 2008 da qual nós saímos muito bem”, lembrou Dilma.
A crise, de acordo com a presidenta, será uma oportunidade de ampliar o mercado interno. Segundo ela, o governo não vai permitir ataques à indústria nacional e aos empregos e a concorrência desleal de produtos estrangeiros.
“No caso da atual crise internacional nossa principal arma é ampliar e defender nosso mercado interno, que já é um dos mais vigorosos do mundo, por isso quero deixar claro que meu governo não irá permitir ataques às nossas indústrias e aos nossos empregos. Não vai permitir que artigos estrangeiros venham concorrer de forma desleal com os nossos produtos”.
Dilma disse ainda que é decisão de seu governo continuar investindo em infraestrutura e em programas sociais. Segundo a presidenta, a situação do Brasil diante de muitos países é privilegiada, mas ela reconhece que “estamos aquém do que podemos e necessitamos. É preciso crescer na melhoria de qualidade e ampliação do serviço público”.
Sobre as denúncias de corrupção que atingiram ministérios, ela disse que o combate à corrupção é um valor. “Um país em que com o malfeito não se acumplicia jamais, e que tem a defesa da moralidade e o combate à corrupção uma ação permanente, inquebrantável”.
Dilma disse ainda que as áreas de saúde, educação e segurança não podem ser “motivo de insônia”, mas de um motivo de “despertar de uma nação”.
“Saúde, educação e segurança tem que deixar de ser motivo de insônia dos brasileiros, para ser motivo de um novo despertar desta nação. O círculo virtuoso que precisamos implantar no nosso país é o da qualidade dos nossos serviços públicos, pois já implantamos o grande círculo virtuoso do crescimento com inclusão social e distribuição de renda”, disse a presidenta.
Agência Brasil
Qualidade do emprego melhora com oferta maior
A forte redução da taxa de desemprego tem sido acompanhada por melhores condições de trabalho no país.
A fatia de empregados com carteira assinada atingiu patamar recorde nos primeiros sete meses do ano. Os trabalhadores temporários nunca foram tão poucos. E os que continuam no setor informal pelo menos estão conseguindo manter o mesmo emprego por mais tempo.
A estudante Monique Pires se surpreendeu com a rapidez com que conseguiu emprego. “Terminei o ensino médio e comecei a trabalhar no dia seguinte”, conta ela, contratada por um pet shop.
Os trabalhadores com carteira assinada eram 53% da população ocupada entre janeiro e julho de 2011, nível mais alto já alcançado na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2002.
Outros indicadores confirmam a melhora no mercado. A fatia de empregados temporários, por exemplo, nunca foi tão baixa: 3,5% do total, na média do ano.
“O mercado melhorou e parte disso tem a ver com o bom desempenho da economia. Outra, com a maior institucionalização nas relações”, diz o economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ e da Opus Gestão.
A maior estabilidade estimula empresas a tomar decisões, como contratar funcionários com registro e por tempo indeterminado -pensando no longo prazo.
“Com a estabilidade e as perspectivas de grandes eventos esportivos, cresceu muito a confiança dos empresários”, diz Carlos Eduardo Dias, sócio da Asap, que recruta executivos .
Além disso, a adoção de um regime tributário menos oneroso para pequenas e médias empresas e bancos de horas reduzem custos e estimulam a formalização.
Mesmo quem está no setor informal convive com melhores condições. O tempo médio de permanência de empregados sem registro no mesmo emprego bateu o recorde de 190 semanas.
As fatias de empregados sem registro em carteira e de trabalhadores por conta própria (muitos informais) são de 16,7% e 17,7% do total. O restante os ocupados são empresários, militares e funcionários públicos.
“A melhora não resulta de um boom, tem sido gradual. Nem a crise global de 2008 conseguiu derrubar o processo de maior formalização”, diz Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.
Especialistas acreditam que a atual tendência de desaceleração da atividade econômica deverá levar a um aumento da taxa de desemprego -que recuou para 6% em julho. Mas apostam que isso não provocaria forte reversão nas relações trabalhistas.
Da Folha Online
Trabalhador acidentado impedido de retornar ao emprego será indenizado
O empregado detentor de estabilidade provisória decorrente de acidente de trabalho, cujo motivo da rescisão do contrato se deu em virtude do encerramento das atividades da empresa no local da prestação de serviços, tem direito à indenização correspondente ao período de estabilidade. Decisão nesse sentido prevaleceu na Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho, no julgamento de recurso de revista proposto pela empresa Cisam Siderurgia Ltda.
O empregado perdeu parte do dedo indicador da mão direita em um acidente de trabalho ocorrido em dezembro de 2005. Após afastamento para tratamento médico, recuperou-se e foi considerado apto para o trabalho a partir de fevereiro de 2006. No mesmo mês de retorno foi dispensado, sem justa causa, em virtude do encerramento das atividades do estabelecimento no município de Divinópolis (MG), onde o trabalhador estava lotado.
O trabalhador ajuizou reclamação trabalhista pleiteando o pagamento de indenização correspondente ao período de estabilidade acidentária, de 12 meses, conforme previsto no artigo 118 da Lei nº 8.213/91. A empresa, em contestação, alegou que o empregado abriu mão da estabilidade acidentária ao recusar lotação em cidade diversa da que foi contratado, no caso, a cidade de Pará de Minas.
Tanto a sentença quanto o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) foram favoráveis ao trabalhador: “em que pese o direito assegurado ao empregado estável ser o retorno ao trabalho e não a percepção de indenização, sem a equivalente prestação laboral, não se pode olvidar que a própria empresa, em sua defesa, alegou ter sido a dispensa ocasionada pela extinção do estabelecimento comercial em Divinópolis, inviabilizando, materialmente, o retorno do empregado ao trabalho”, destacou o TRT, ao conceder a indenização postulada.
A empresa, insatisfeita, recorreu, sem sucesso, ao TST. O relator do acórdão na Segunda Turma, ministro Renato de Lacerda Paiva, destacou em seu voto que a renúncia de direitos pelo trabalhador deve ser admitida apenas como uma exceção, não sendo aceita a renúncia tácita, como pretendia a empresa. Segundo ele, a simples recusa da oferta de reintegração proposta em audiência, para que o empregado despedido anteriormente por ato unilateral do empregador preste serviços em município diverso daquele para o qual foi contratado, ainda que em razão do fechamento da filial da empresa, não importa renúncia tácita do trabalhador à estabilidade provisória da qual é detentor em razão de acidente de trabalho. O ministro destacou que a estabilidade acidentária é norma de proteção coletiva, de natureza cogente, e, por isso, não pode ser anulada pela vontade das partes.
O ministro considerou correta a decisão regional no sentido de que, na impossibilidade de reintegração do trabalhador pelo encerramento das atividades empresariais, deve o empregador pagar-lhe indenização substitutiva, após a cessação do recebimento do benefício previdenciário, pois a finalidade maior insculpida no art. 118 da Lei n° 8.213/91 é, exatamente, a proteção do empregado acidentado, na volta ao trabalho.
TST
Brasil encara mais uma crise financeira internacional ’sem tremer’
A presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (8) que, pela segunda vez, uma crise financeira internacional atinge o mundo e, pela segunda vez, o Brasil “não treme”. Dilma disse que o país está forte, com os bancos brasileiros sólidos, um mercado interno robusto e mais reserva de depósitos compulsórios do que na crise financeira mundial enfrentada em 2008.
“Demos passos muito grandes na direção de uma estabilidade. É a segunda vez que a crise afeta a mundo e pela segunda vez o Brasil não treme”, disse em entrevista a jornalistas após reunião com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harpe, em visita oficial ao Brasil.
Na avaliação de Dilma, para manter a posição favorável do país é preciso uma ação conjunta entre governo, empresários e sociedade. “Uma ação de seriedade, firmeza e percepção de que não podemos, neste momento, brincar e sair por aí gastando o que não temos. Temos que continuar consumindo o que consumimos porque não passamos por nenhuma ameaça. Não estamos fragilizados e isso é reconhecido nacional e internacionalmente.”
Questionada sobre a possibilidade de o governo adotar novas medidas na área econômica, por causa dos últimos acontecimentos na economia mundial, Dilma respondeu que não vê a necessidade da adoção de nenhuma medida nesta semana e que o governo agirá baseado na observação do cenário internacional e com cautela. “O Brasil será muito criterioso no seu posicionamento. Cautela e observação são fundamentais. Não temos necessidade de nenhuma precipitação.”
A presidenta também disse não acreditar que o Brasil esteja ameaçado, mas garantiu que irá tomar todas as medidas para fortalecer o país. Ela pediu a todos os segmentos “muita tranquilidade, calma e nenhum excesso”.
Emergentes
Em vez de pensar em medidas recessivas, Dilma disse que os países emergentes e ricos devem unir-se em busca de soluções, de um entendimento comum, para conter os impactos da crise. Ela ressaltou que o governo brasileiro implementou ações para o “desenvolvimento sustentado, fiscalmente equilibrado, robusto, democrático e justo” e que não deve ser punido por erros alheios.
“Repudiamos todas as soluções recessivas para a crise mundial porque elas acirram o custo social dos ajustes, transferindo-os para os segmentos menos protegidos, com destruição do emprego e do bem-estar.”
Dilma lembrou ainda que o ideal é que os países emergentes e os ricos busquem uma coordenação multilateral para obter soluções para a crise global. Segundo ela, é uma questão de encontrar o consenso em nome do bem comum. “Precisamos incorporar a voz e os pontos de vista de um número maior de países emergentes e países desenvolvidos no enfrentamento global”, disse.
Para a presidenta, o Brasil cumpriu as medidas adequadas, mas nem por isso irá furtar-se de unir forças para buscar a solução contra as depreciações competitivas e os impactos sobre a população, causados pela crise financeira. Segundo ela, os que cumpriram as tarefas não podem ser punidos pelos erros de outros países.
“Temos que nos coordenar multilateralmente contra as depreciações cambiais competitivas que anulam os esforços empreendidos pelos países em desenvolvimento. Os países que se protegeram dos efeitos da crise com políticas econômicas prudentes, no caso brasileiro, socialmente inclusivas, que levaram ao desenvolvimento acelerado, não podem ser escoadouros para os bens e serviços que deixam de ser consumidos nas potências econômicas em crise.”
Participação do trabalho na renda nacional cresceu 14% entre 2004 e 2010
A participação do rendimento do trabalho na renda nacional aumentou 14,4%, entre 2004 e 2010. Isso foi possível porque a renda per capita anual dos brasileiros cresceu em média 3,3% e houve melhora do índice da situação geral do trabalho a um ritmo de 5,5% ao ano.
A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que divulgou nesta quinta-feira (4) o estudo Natureza e Dinâmica das Mudanças Recentes na Renda e na Estrutura Ocupacional Brasileira, que também constatou uma queda de 10,7% no grau de desigualdade na distribuição da renda do trabalho no período.
O estudo cobre um período de 50 anos, abrangendo as transformações na estrutura social brasileira a partir dos anos 1960 até o atual momento, destacando as características das mudanças, suas causas e efeitos e a singularidade do momento recente. Ele analisou o comportamento do emprego e da renda no país, dividido em três períodos: 1960 a 1970, 1981 a 2003 e a partir de 2004.
O estudo constatou, por exemplo, que na década de 1960, embora o país apresentasse um ritmo de expansão da renda per capita extremamente forte, média de 4,6% ao ano, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional caiu 11,7%, enquanto o grau de desigualdade ns distribuição da renda do trabalho aumentou 21,9%.
O período de 1981 a 2003 apresentou uma renda praticamente estagnada para o conjunto da população, com média anual de apenas 0,2% de alta, o mesmo ocorreu com a distribuição de renda que apresentou redução de 0,1%.
Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o padrão de transformação social vivido pelo Brasil é positivo devido à redução da desigualdade e ampliação da participação dos salários na renda nacional, com a elevação do emprego, especialmente o formal.
Na avaliação de Pochmann, as transformações estão associadas a razões diversas que incluem alterações na estrutura produtiva do país. “Hoje o setor terciário responde pela principal fatia da geração de emprego. No entanto, estas ocupações geradas são ocupações vinculadas a remunerações relativamente baixas – em torno do salário mínimo – e chegam a responder por 95% dos postos de trabalho que o Brasil gerou na década de 2000”.
Pochmann ressaltou, no entanto, que foi exatamente o aumento do nível de emprego em torno do valor do salário mínimo que exerceu influência positiva na redução da pobreza. “Nós tivemos uma ampliação do número de postos de trabalho com salário menor, em torno do salário mínimo, e foi este conjunto de vagas que permitiu a entrada no mercado, do trabalhador oriundo de uma condição de extrema pobreza. É preciso lembrar, ainda, que o salário mínimo teve uma recuperação real, permitindo que esses trabalhadores e suas famílias saíssem da condição de extrema pobreza”.
Ele alertou, porém, para o fato de que a sustentação dessas “transformações exitosas” que o Brasil vive no período recente, depende, cada vez mais, da preparação e qualificação da mão de obra para a ocupação dos postos de trabalhos, mas também da capacidade de antecipar quais setores gerarão mais empregos, “porque se não tivermos bons empregos, muitas vezes a qualificação da mão de obra não será suficiente para manter este padrão de redução das desigualdades e ampliação da participação da renda do trabalho no conjunto da renda nacional”.
Da Agência Brasil
Crescimento econômico estimula doméstica a mudar de emprego
O crescimento econômico brasileiro vem estimulando a migração de empregadas domésticas para outros setores da economia, como empresas de telemarketing, supermercados ou clínicas hospitalares.
Nas seis principais metrópoles do país, onde mais de 1,6 milhão desempenham serviços domésticos, a tendência tem sido de queda consecutiva no número de empregados no setor desde setembro, aponta o economista Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) com a possível migração para outros setores. Nos últimos 12 meses, após alguns anos de sobe-desce, as estatísticas mostram que a categoria perdeu 81 mil pessoas, a maioria em empregos sem carteira assinada.
“Ao longo da última década, houve um encolhimento do setor informal da economia, e acredito que as domésticas também estejam seguindo este caminho. É provável que outros setores estejam ‘roubando’ essas trabalhadoras, que estão procurando emprego com carteira assinada”, analisa.
Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), relaciona o fenômeno ao fato de o Brasil estar perto do pleno emprego e assistindo à ampliação do chamado ´apagão de mão-de-obra´, mas com características bem específicas.
Enquanto a expressão costuma ser usada para designar a falta de mão-de-obra qualificada, neste caso, diz Neri, é o mercado de trabalho das categorias de base que está pressionado. “No fundo, temos um apagão de mão-de-obra não qualificada. Está faltando peão de obra, agricultor, garçom, empregada. Não há sinais na base de haver uma reserva de mercado e os salários estão sendo pressionados”, diz.
Fuga da nova geração
Com maior escolaridade, renda e desejo de ingressar no mercado de trabalho formal, sobretudo mulheres mais novas têm buscado empregos em outras áreas. É o que indica, por um lado, a redução do percentual de jovens entre empregadas domésticas, e, por outro, o aumento da idade média das domésticas em atividade, hoje de 39 anos.
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o contingente de mulheres jovens de 18 a 24 anos empregadas no setor caiu pela metade entre 1999 e 2009, passando de 21,7% para 11,1%. Já as mulheres de 30 a 44 anos passaram a representar 42,5% das trabalhadoras do setor, contra 37% em 1999.
“Estamos vendo um envelhecimento da categoria. As mais jovens, em função do aumento da escolaridade, vão se deslocar para outras ocupações”, diz Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea. “O trabalho doméstico é um trabalho precário, de baixa qualidade. Se a pessoa tem a possibilidade de se ocupar em outros lugares com a sua qualificação, é evidente que vai optar por isso.”
“O trabalho doméstico é um trabalho precário, de baixa qualidade. Se a pessoa tem a possibilidade de se ocupar em outros lugares com a sua qualificação, é evidente que vai optar por isso.”
Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular – instituto de pesquisas e consultoria em São Paulo – diz que a categoria perde trabalhadoras de duas formas: há tanto as domésticas que conseguem migrar para outras carreiras após alguns anos na profissão quanto pessoas que, pelo perfil sócio-econômico, seriam historicamente levadas ao trabalho doméstico, mas que já entram no mercado de trabalho por outros caminhos.
A história da carioca Bárbara José Antunes Baptista, de 24 anos, é um exemplo bem-sucedido dessa mudança de rumo. O investimento da mãe, que trabalhou como doméstica até falecer em 2005, na educação da filha rendeu frutos. Formada em biotecnologia, a jovem faz hoje mestrado em imunologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“Eu não segui a profissão da minha mãe, mas isso porque ela me deu muito apoio e uma direção para que eu buscasse uma profissão que pudesse me dar um retorno melhor na vida, e melhores condições financeiras”, diz Bárbara.
“A nova geração foge do emprego doméstico”, reitera Meirelles. “Não é pelo salário, é pela perspectiva de crescimento. Com o emprego formal, podem até ganhar menos quando se conta na ponta do lápis, mas passam a ter benefícios, a segurança da carteira assinada e, principalmente, perspectiva de crescimento profissional.”
Para ele, a mudança se dá, sobretudo, pela democratização do ensino. Entre 2002 e 2011, a pesquisa do Data Popular mostra que a proporção de trabalhadoras com ensino médio completo quase dobrou (passando de 12,7% para 23,3%).
“Com uma renda maior, elas estão investindo em educação, e ao investir em educação elas deixam de ser domésticas”, diz Meirelles.
A renda da categoria teve aumento acima da média entre 2002 e 2011. Enquanto o brasileiro médio teve aumento de 25% no período, no caso das domésticas, o incremento foi de 43,5%. A categoria movimenta hoje R$ 43 bilhões com o dinheiro do próprio salário, um salto de 66% em relação a 2002 (quando a renda somava R$ 25,9 bilhões).
A educação foi o caminho da carioca Leila Ramos Barbosa para deixar o serviço doméstico em busca de ascensão profissional.
Filha de uma família destroçada após o abandono da mãe e o alcoolismo do pai na infância, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ela começou a trabalhar como empregada doméstica aos 13 anos. Depois de já ter sobrevivido de restos de feira livre catados nas ruas e rejeitado a escolha de amigas da adolescência que seguiram o caminho da prostituição, Leila voltou para a escola aos 17 anos para completar o ensino fundamental e médio. Hoje é técnica de enfermagem. “Eu não me envergonho de ter trabalhado em casa de família, mas eu tinha um sonho, o sonho de melhorar.”
Serviço de luxo
Para Rodrigo Leandro de Moura o Brasil pode estar caminhando para uma realidade mais próxima à dos países ricos. O serviço doméstico, outrora amplamente acessível à classe média, pode vir a se tornar um “serviço de luxo”, considera.
Na semana passada, o ministro da Economia, Guido Mantega, afirmou em Londres que as empregadas domésticas são uma parte subutilizada do mercado de trabalho no Brasil, e começam a preencher empregos gerados pelo aquecimento da economia no país.
“As empregadas domésticas são algo que quase não existe mais nos países avançados, e é uma reserva de trabalho que o Brasil tem”, disse.
BBC Brasil
Cid: trabalhadores conquistam plano de cargos e salários
Os trabalhadores da Cid Produtos Metalúrgicos já comemoram a conquista de um grande avanço para suas carreiras: a implantação do plano de cargos e salários na empresa, uma política clara que mostra a todos de onde partem nas funções assim que entram na empresa, até o final dos degraus de crescimento, com os valores salariais respectivos.
Essa é mais uma ação do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região que ouviu os trabalhadores da empresa, e trabalha há mais de ano pela solução que agora é realidade. Agora o trabalhador que entra no cargo inicial na produção recebe R$ 3,73 por hora, e após efetivado R$ 4,03 – podendo chegar até R$ 5,53 a hora, sem contar os aumentos salariais conquistados nas campanhas salariais pelo Sindicato.
Para o presidente do Sindicato, e também funcionário da empresa licenciado para dirigir a entidade, João Bruggmann, a nova política poderia ser melhor e maior. “Esse é um trabalho do nosso Sindicato, e uma conquista dos trabalhadores, unidos e ao lado da gente, que marca um novo momento. É certo que poderia e deve ser bem melhor, mas é o início. Outras empresas tem planos melhores, e isso pode levar a empresa a perder profissionais. Mas é a lei da oferta e procura, do melhor espaço. Parabéns a todos que acreditaram mais uma vez”, comentou o Presidente.
Recentemente o Sindicato conquistou as mesmas políticas – cada uma com seus valores e patamares diferenciados – na Schneider/Franklin e Metalúrgica Duque. Esse trabalho vai continuar firme.
Aumenta número de brasileiros que têm medo de perder emprego
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o número de brasileiros que têm medo de perder o emprego aumentou 3,1% em março deste ano ante o resultado de dezembro de 2010. Em comparação a março de 2010, o resultado é 0,3 ponto percentual mais baixo.
No mês passado, o Índice de Medo do Desemprego subiu para 81,7 pontos ante os 79,3 de dezembro, quando alcançou o menor nível da série história iniciada em 1996. O índice vai de zero a 100. Quanto maior o número, maior o medo das pessoas em perder o emprego.
A explicação da CNI é que com a queda na atividade industrial, registrada desde dezembro do ano passado, cresceu o receio em relação à estabilidade nos empregos. Mesmo assim, “o indicador mostra que as pessoas confiam na manutenção dos postos de trabalho”.
Para a CNI, mesmo com o aumento no medo do desemprego, o índice permanece baixo, pois 54% dos entrevistados disseram, entre as respostas consideradas válidas, não estar com medo do desemprego ante os 56,7% em dezembro de 2010.
O percentual de entrevistados que afirmou estar com muito medo do desemprego atingiu 15,7% em março, ante 13,6% na pesquisa anterior e a proporção de entrevistados que afirmou estar com pouco medo manteve-se praticamente estável, passando de 29,7% para 30,3%, informou a CNI.
A pesquisa trimestral que mede o Índice de Medo do Desemprego foi realizada entre os dias 20 e 23 de março, com 2.002 pessoas.
Agência Brasil