Empresas já reduzem exigências na hora de contratar
As posições começam a se inverter. Se no passado era o trabalhador que corria atrás das empresas para conseguir um bom emprego, hoje são as empresas que fazem qualquer negócio para contratar ou manter um funcionário. De acordo com pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral com 130 companhias, responsáveis por 22% do Produto Interno Bruto (PIB), 92% das empresas estão com dificuldade para contratar profissionais.
Nesse cenário, vale tudo para preencher uma vaga, desde importar mão de obra de países vizinhos e fazer anúncios de emprego durante a missa até designar profissionais para promover a imagem do grupo entre candidatos. Foi-se o tempo também que para encontrar um bom emprego era preciso ter pós-graduação, mestrado e doutorado, além de experiência na área. Hoje muitas companhias já abrem mão dessas exigências.
Dados da pesquisa da Dom Cabral mostram que 54% das companhias reduziram os requisitos na contratação de pessoal para a área técnica e operacional. Nos cargos estratégicos, 28% das empresas também diminuíram as exigências, como pós-graduação, fluência em idiomas e experiência. A solução tem sido contratar o profissional sem experiência, treiná-lo e capacitá-lo com cursos moldados à necessidade da companhia.
“O poder mudou de lado”, resume o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, responsável pela pesquisa. Na avaliação dele, hoje quem está dando as cartas no mercado são os trabalhadores, e não mais as empresas. “A situação é resultado de uma série de armadilhas criadas pela própria sociedade. Primeiro desvalorizou-se a mão de obra técnica. Depois inundamos o mercado com profissionais diplomados e baixa qualidade.”
Agência Estado
Empresas no Brasil lucraram mais em 2010
A safra de balanços de 2010 tem mostrado números recordes no Brasil. Levantamento feito pela consultoria Economatica, feito com base no balanço de 168 empresas não financeiras que já anunciaram resultados, revela que, somadas, elas alcançaram lucro líquido de R$ 64,953 bilhões – resultado 34,3% maior que o de 2009.
O faturamento cresceu 19,1%, para R$ 97,970 bilhões, enquanto o lucro operacional (antes do resultado financeiro e dos impostos) saltou 46,1%, para R$ 32,188 bilhões. O presidente da Economatica, Fernando Exel, disse que os números são “impressionantes”.
- São números impressionantes, mesmo considerando que a base de comparação seja um pouco retraída, já que 2009 foi ano de crise.
Segundo especialistas, são poucas as empresas no mundo que conseguem crescer em ritmo tão acelerado. O presidente do Ibri (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), Ricardo Florence, disse que alguns mercados emergentes – como China ou Índia – pdem ter registrados números parecidos, mas, “como média, sem sombra de dúvidas, não dá nem para comparar”.
O cenário macroeconômico favorável do país – com aumento da renda, do emprego, do crédito e da economia como um todo, que cresceu 7,5% em 2010 – já seria suficiente para explicar o bom momento das companhias brasileiras. Além disso, também contribuíram outros fatores positivos, como o desenvolvimento do mercado de capitais e das próprias empresas que o compõem, principalmente no aspecto de governança corporativa.
Mercado de capitais
O mercado de capitais brasileiro segue batendo recordes. O volume médio diário na BM&FBovespa cresceu 22,7% (de R$ 5,286 bilhões em 2009 para R$ 6,488 bilhões) em 2010. Neste ano, até 30 de março, a média já havia atingido R$ 6,734 bilhões.
Florence destacou que a abertura de capital e a consequente captação de recursos “amplia a perspectiva das empresas”.
Não é à toa que todas as 168 empresas analisadas pela Economatica tiveram lucro no ano passado, apesar de o dólar baixo continuar a comprometer tanto as exportações como a favorecer as importações. Em 163 companhias, o ganho foi maior que o do exercício anterior.
R7
ONU tira 2 mil empresas do Pacto Global; 72 são brasileiras
O Pacto Global, uma iniciativa das Nações Unidas, expulsou 2.048 de seus associados – equivalente a 25% do total de empresas, instituições e autarquias que publicamente prometeram defender os princípios de responsabilidade social propostos pela ONU. Dentre as descadastradas estão 72 brasileiras, a maior parte (17) do setor de mídia (agências de publicidade e de comunicação, jornais, rádios e TVs). O projeto conta agora com 6.066 adesões em 332 países; 369 são do Brasil.
Criado em 2000 pelo então secretário-geral da ONU Kofi Annan, e mantido por Ban Ki-moon, o Pacto Global tem como objetivo estimular a prática de responsabilidade social na iniciativa privada. Baseia-se em dez princípios relacionados a direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
Não se trata de regras – a adesão é voluntária. As empresas ou instituições que quiserem aderir ao pacto precisam enviar uma carta à ONU e tornar público seu compromisso, divulgando-o internamente e na comunidade em que atuam. Depois, têm de apresentar anualmente um relatório apontando o que fazem para integrar os dez princípios à sua estratégia e às suas operações.
As Nações Unidas não fiscalizam as empresas, apenas cobram que divulguem os informes anuais. Se isso não for feito por dois anos consecutivos, a empresa é desligada. Por não cumprirem a tarefa é que os cerca de 2 mil membros foram expulsos – 200 no fim de 2010, após uma prazo dado pela coordenação do projeto para que os associados de países menos desenvolvidos enviassem sua prestação de contas.
“Estamos avançando em transparência”, afirma o chefe de Relatórios de Progressos do Escritório do Pacto Global, Jerome Lavigne-Delville. “Por um lado, estamos sendo mais severos na aplicação de nossas medidas de integridade, para assegurar que todas as empresas participantes divulguem informações sobre seu progresso, todo ano. Por outro, introduzimos uma plataforma que dá incentivos e reconhecimento para empresas de todos os níveis fazerem progressos significativos em direção a uma implementação ampla dos princípios em suas estratégias e operações”, declarou.
A plataforma cria categorias diferentes de participação no Pacto Global, segundo o nível de transparência e de implementação dos dez princípios: básico, intermediário e avançado. A expectativa é que essa medida estimule melhorias contínuas nas empresas e crie parâmetros de comparação entre associados de tamanhos, setores e regiões semelhantes.
Fonte: PNUD
Um quinto das empresas consome R$ 300 mil com burocracia
Pesquisa Ibope realizada com 211 empresas em dez grandes cidades do País, encomendada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e divulgada hoje, apontou que 20% das companhias gastam pelo menos R$ 300 mil por ano com rotinas burocráticas, considerando despesas com funcionários, profissionais terceirizados e emissão de documentos. De acordo com o estudo, feito de 28 de abril a 17 de maio, 36% dos entrevistados apontaram que os lucros seriam superiores a pelo menos 6%, se todas as rotinas exigidas pelo poder público fossem removidas – desses 36%, 23 pontos porcentuais falam que seriam maiores que 10%.
Na avaliação dos empresários, entre os elementos que poderiam ser adotados pelo governo para diminuir os entraves burocráticos, estão o aumento da eficiência da gestão de administração, banimento de redundâncias, pena a infratores de maneira rápida e eficaz para acabar com a corrupção e políticas unificadas definidas pela União e adotadas por Estados e municípios. Um outro fator importante, segundo os dirigentes de companhias, é a recriação do Ministério da Desburocratização, que indica que os entrevistados têm pouca confiança que a atual estrutura do Estado reduzirá as barreiras de processos que prejudicam as atividades comerciais.
Conforme o levantamento, 78% dos entrevistados apontam que, entre os entraves burocráticos, há o tempo exigido para cumprimento de tais obrigações junto ao poder público. Para 77% das empresas, outra dificuldade é a necessidade de emissão de diferentes certidões e documentos. Para 63% das companhias, os custos caudados pela burocracia também são obstáculos. Na apreciação de 91% dos entrevistados, existem conflitos burocráticos que atrapalham o ambiente de negócios.
A sondagem também questionou quais são as exigências burocráticas que mais emperram a concretização de negócios: 43% enunciaram as documentais, como, por exemplo, as que devem ser obtidas na Junta Comercial ou relativas a alteração de contrato social. Na análise de 39%, merecem destaque os pedidos oficiais relacionados a regras de contabilização de operações e, para 10%, há requisições em transações imobiliárias que envolvem, por exemplo, cartórios (como certidões e atestados).
Estorvos
De acordo com a pesquisa Ibope/Amcham, 67% apontaram que os estorvos burocráticos que prejudicam os negócios das empresas estão vinculados, na maior parte das vezes, a normas e exigências federais, 20% aos Estados e 7%, às prefeituras. Para 77% das empresas ouvidas, por outro lado, o excesso de procedimentos burocráticos poderia ser diminuído com a unificação de tais processos entre as esferas federal, estadual e municipal.
No julgamento das empresas entrevistadas, há impactos sérios nos negócios provocados pela burocracia que requerem a contratação de advogados, contadores e despachantes para se desvencilharem de tais entraves. Segundo 57% dos entrevistados, impacta muito a necessidade de contratação de tais profissionais a fim de atender às exigências regulatórias requeridas e as atualizações.
No conceito de 46% das empresas abordadas, são elevados os efeitos provocados para o emprego desses segmentos de profissionais ou técnicos. Como alternativa para reduzir os processos burocráticos, 89% das empresas entrevistadas investem em tecnologia a fim de tornar ágil a execução de tais tarefas. Na opinião de 58% das empresas, são excessivos o controle e a fiscalização do governo sobre as companhias em relação às exigências burocráticas, enquanto 21% acham que as solicitações oficiais são insuficientes.
Por outro lado, para aqueles que acreditam que o controle do governo é exagerado, 77% creem que tais regras draconianas são usadas como instrumento de poder. De acordo com 35% das empresas entrevistadas em São Paulo, Campinas (SP), Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Ribeirão Preto (SP), Uberlândia (MG) e Goiânia, são dedicados pelo menos 26% do corpo de funcionários delas para lidar, diariamente, com rotinas burocráticas.
Funcionários
Das empresas ouvidas, 29% apontaram que dedicam pelo menos 11 funcionários em tais funções – do total de 29%, 10 pontos porcentuais empenham pelo menos 31 colaboradores nessas tarefas. De acordo com a Amcham, o estudo e as propostas serão direcionados aos candidatos a presidente para que sirvam como subsídios aos programas de governo e possam auxiliar a administração na tarefa de redução da burocracia, caso sejam eleitos.
Do Estadão
Governo encaminha projeto de lei para punir empresas corruptoras
O presidente Lula encaminha nesta segunda-feira (8/2) ao Congresso Nacional projeto de lei que responsabiliza administrativa e civilmente empresas que praticarem atos de corrupção contra a administração pública nacional e internacional. A cerimônia de assinatura da mensagem com o envio do PL ao Congresso ocorre às 19 hras no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Pela proposta, as novas punições vão da multa de 1% a 30% do faturamento bruto da pessoa jurídica, impedimento de que ela receba benefícios fiscais, suspensão parcial de atividades dela ou até a extinção da empresa. Na legislação atual, a principal sanção aplicável às pessoas jurídicas é a declaração de inidoneidade, que proíbe a empresa de participar de licitação e manter contratos com a administração pública.
A agenda de trabalho do presidente Lula também prevê audiência com o presidente do Conselho Editorial e vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, e, às 10h30, Lula comanda reunião de coordenação. Ao meio dia, recebe o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e à tarde, o presidente recebe os ministros Alfredo Nascimento (Transportes), Paulo Bernardo (Planejamento) e Hélio Costa (Comunicações).
Fonte: PT Nacional
Participação nos lucros revela receita das empresas
Mesmo com as queixas sobre queda na demanda, em decorrência da crise econômica mundial, empresas de todos os setores instaladas na região, pagam volumosas quantias a título de PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) aos trabalhadores.
“A crise econômica virou desculpa para tudo, tem muitas empresas se aproveitando do momento para demitir profissionais e readequar o quadro de funcionários, mesmo sem necessidade. A verdade é que, apesar de reduzido, o ritmo da economia ainda dá sinais positivos”, destacou o economista Ricardo Bonatto.
Exemplo dos bons resultados, algumas vezes ‘camuflados´´ pelas empresas, foi o valor da primeira parcela de PLR pago aos funcionários da Volkswagen: R$ 3.500. O valor, 15% maior do que o ano passado, mostra que os negócios não andam tão mal. “A PLR é um bom medidor de receita”, destacou Bonatto.
Na Scania, em São Bernardo, 2.900 trabalhadores receberam R$ 9.522,73 referentes a PLR no ano passado. Os valores a serem pagos neste ano, no caso das montadoras – com exceção da Volks -, ainda estão sendo negociadas com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Químicos – Os químicos, representados pelo Sindicato dos Químicos do ABC – cerca de 40.000 – recebem PLR. A categoria tem assegurado, em acordo, o pagamento mínimo de R$ 550 dividido em duas parcelas iguais, sendo metade até dia 31 de junho e a outra 30 de março.
No setor farmacêutico – com cerca de 5.000 trabalhadores na região -, a base de cálculo é diferente. Para empresas com até 100 empregados, o valor mínimo é de R$ 800. Para estabelecimentos com mais de 100 empregados, o benefício mínimo é de R$ 930.
História – O coordenador técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos), Airton Castilho Mello, destacou a importância do benefício. “A participação dos trabalhadores nos lucros ou nos resultados das empresas é um item presente na Constituição brasileira desde 1946, mas, fora algumas poucas experiências, só começou a ser negociada a partir de 1994″, explicou.
A PLR ganhou força em meados dos anos 90, em função da política de combate à inflação brasileira, baseada no aprofundamento da abertura da economia e no barateamento das importações. Essas medidas trouxeram impactos sobre as empresas, forçando-as a reduzir os custos e aumentar a produtividade. “O setor industrial foi o primeiro, mas o comércio e os serviços, também estão submetidos à lógica do aumento da competitividade”, lembrou o técnico.
Do Diário do Grande ABC
Empresas de SP inovam o dobro que as de outros estados, diz Ipea
Ter sede no Estado de São Paulo significa para uma empresa 2,423 vezes mais chance de conseguir criar produtos muito inovadores. Essa é uma das constatações do estudo do Ipea sobre inovações a partir de dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec). Os pesquisadores do Ipea Luís Fernando Tironi e Bruno Cruz afirmam que “esse resultado pode indicar uma forte presença de externalidades locais ligadas à inovação, ou seja, o fato de localizar-se em São Paulo significaria maior acesso a serviços, menor custo para se obter informação sobre novas tecnologias, entre outros.”
Além disso, apenas 148 empresas nacionais praticaram inovações radicais (inovaram em produto ou processo novo para mercado mundial), o que corresponde a 0,18% das firmas abrangidas pela Pintec. No entanto, indício da importância da inovação, essas empresas respondem por 15,53% do valor líquido de vendas e por 3,42% de todo o pessoal ocupado.
O trabalho chama a atenção para a distinção entre inovação incremental e radical. No tratamento empírico dos dados da Pintec, a inovação incremental é aquela cujo produto ou processo objeto da inovação, é novo apenas para empresa ou se trata de um aprimoramento de um já existente. Já na inovação radical o produto ou processo é novo para mercado nacional ou para o mercado mundial.
Ao considerar apenas a inovação em produto, o estudo constata que as empresas com principal mercado de atuação nacional têm aproximadamente 2,3 vezes mais chances de inovar radicalmente que as empresas voltadas para o mercado regional, ou estadual. Já as empresas cujo principal mercado de atuação é o exterior apresentam em torno de 3,6 vezes mais chances de fazer uma inovação radical que uma empresa voltada para o mercado regional ou estadual.
O trabalho aponta ainda que as empresas que desenvolvem o produto em cooperação com outras empresas do grupo têm 5,4 vezes mais chances de gerar uma inovação radical que as empresas que desenvolvem o produto sozinhas. Empresas envolvidas em arranjos cooperativos com outras organizações ou institutos para o desenvolvimento de inovações têm duas vezes mais chances de gerar inovação radical. A localização também impacta os resultados. Por isso as firmas com sede do laboratório de pesquisa localizado em São Paulo são mais inovadoras.
Do Ipea