Montadoras de caminhão vão estocar Euro 3 para 2012
Representantes das fabricantes de veículos comerciais garantiram nesta segunda-feira 14 que o Proconve 7, equivalente à Euro 5, entrará, sim, em vigor a partir do primeiro dia de janeiro de 2012, tal qual prevê a legislação. Entretanto, acreditam também que estoque considerável de unidades Euro 3 estará à disposição do consumidor na mesma data. “É uma corrida que será vencida pela empresa mais capitalizada para suportar a geração de grande volume de estoque”, disse o diretor de operações da Ford Caminhões, Oswaldo Jardim, durante painel no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2011.
O diretor de vendas de veículos comerciais da Mercedes-Benz, Gilson Mansur, por sua vez, acrescenta que aquela montadora que tiver o maior estoque de unidades Euro 3 à venda no início de 2012 será largamente beneficiada no ranking de vendas do primeiro trimestre. O diretor de vendas e marketing da Iveco, Alcides Cavalcanti, e o diretor de vendas e marketing da MAN Latin América, Ricardo Arouche, também participantes do painel, concordaram que a mudança de produção para o padrão Euro 5 ocorrerá impreterivelmente em janeiro.
Os executivos, entretanto, demonstraram preocupação com a elevação de custos que, não necessariamente, será repassada integralmente aos clientes, “a depender do cenário” na avaliação de Cavalcanti. Para Mansur o mercado mais competitivo, com mais concorrentes, deve dificultar o repasse de preços. A solução, para Alouche, é explicar aos frotistas as vantagens dos Euro 5. “Precisamos repassar preços.”
Para os executivos, a Petrobras garantirá a distribuição do combustível. Alouche: “O grande desafio é entregar no Interior do Brasil, mas as empresas distribuidoras estão dizendo que o farão e não há porquê questionar”.
A opinião dos executivos mostrou-se variada com relação às projeções de vendas em 2011: foram de crescimento de 2% a 15%, sendo a mais conservadora a da Mercedes-Benz e a mais otimista a da Ford Caminhões.
CNMCUT
“Caminhando sobre camada de gelo fina”
Alguns países da União Européia seguem “caminhando sobre camada de gelo fina” em relação à possibilidade de eclosão de uma crise financeira de grandes dimensões. A Grécia foi mais uma vez rebaixada por agências de avaliação de risco na primeira quinzena de junho.
Vários países adotam programas pesados de austeridade, envolvendo forte ajuste do setor público, cortes de gastos sociais, reformas previdenciárias, cortes de salário do funcionalismo público e cortes de pessoal do setor
público.
Esses programas são adotados tanto em países onde a crise é evidente (Países Bálticos, Grécia, Portugal, Espanha), quanto em países em que as fragilidades financeiras não estão tão explícitas, como a Alemanha (este país anunciou no fim do mês passado cortes de gasto público da ordem de US$ 80 bilhões).
O receio é que os programas de ajuste abortem a recuperação das economias que estavam começando a dar alguns sinais, após a crise aguda em 2008, ampliem o desemprego que seguiu elevado mesmo quando aconteceram sinais de recuperação, e coloquem ainda mais incerteza sobre a recuperação da economia mundial, prolongando a crise.
Além disso, os movimentos especulativos em relação às economias européias têm provocado instabilidades financeiras no mundo, esporádicas até aqui, mas que podem se tornar mais permanentes.
A crise da Europa não acalmou nem após a mobilização de cerca de US$ 1 trilhão de dólares, talvez, neste caso, pela demora de resposta da UE, o que ajudou na instalação do pânico entre os investidores, especialmente quando estes perceberam que os bancos europeus eram os principais detentores dos títulos dos países mais atingidos pela crise, chamados depreciativamente de “Pigs” (“porcos”, em inglês, referindo-se a Portugal,
Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).
Segundo dados do BIS (Banco de Compensações Internacionais), os bancos europeus (basicamente alemães e franceses) detêm US$ 1,58
trilhão, ou 62% de toda a exposição de instituições internacionais junto a residentes na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. Em face de números como estes são normais as dúvidas acerca da capacidade de recuperação da economia mundial.
É crescente o temor, inclusive, de que as medidas de austeridade fiscal provoquem uma segunda recessão no Continente, com possível contágio para o resto do mundo. A crise na zona do euro está colocando em xeque a própria recuperação da economia dos Estados Unidos, em função de sua gravidade e pelo potencial de contaminação da economia mundial.
Os números da economia dos EUA são positivos no primeiro semestre, com crescimento da massa salarial e recuperação do nível de atividade. Mas é uma retomada ainda muito lenta, comparada com crises anteriores e o desemprego permanece em quase 10% da População Economicamente Ativa (PEA).
Não está descartada uma nova recessão decorrente do efeito-contágio da crise na Europa. A dúvida é saber que tipo de medidas podem ser tomadas, considerando que os juros anuais já são zero e o déficit fiscal atinge os dois dígitos.
O dilema dos EUA não é brincadeira: com o déficit atual, um novo pacote de estímulos fiscais pode provocar uma tremenda crise de confiança, com resultados imprevisíveis; por outro lado, cortes de gastos para melhorar a situação fiscal, podem matar a discreta retomada da economia.
Um aspecto que piora a situação dos EUA é o aumento das políticas de controle no mundo, especialmente na zona do euro, como forma de redução do déficit público. Medidas de controle começam a pipocar em vários países, como mecanismo de defesa em relação a eventuais movimentos especulativos e volatilidade financeira.
No último dia 13 a Coréia do Sul voltou a ativar mecanismos de controle sobre o câmbio, buscando deter a valorização do won, e o efeito negativo sobre a sua balança comercial. É possível que, além da Coréia do Sul e da Indonésia, que já trilharam esse caminho, outros países estejam, ao menos na área da Ásia, avaliando a implementação de medidas similares (vale lembrar que na China e Índia vigoram medidas de controle sobre fluxos cambiais).
Reunião de Ministros de Fazenda preliminar à reunião do G-20 (realizada em 25 a 27 de junho no Canadá) aponta apoio a pacotes de ajuste europeus, orientação contrária a de anteriores reuniões do G20 que falavam da necessidade de manter as políticas de ativação de gastos para suplantar a crise econômica mundial.
Outra possibilidade que também complica a economia estadunidense é uma eventual forte desvalorização do euro, o que certamente melhoraria a situação dos países exportadores da Europa, especialmente Alemanha, Itália e França, mas reduziria a competitividade dos produtos exportados pelos EUA.
Está para ser aprovada no Congresso dos Estados Unidos uma das maiores mudanças na regulamentação do sistema financeiro daquele país desde a década de 1930. Esta proposta, gestada e negociada no interior do Partido Democrata, irá aumentar consideravelmente o controle do governo sobre os bancos e mercados financeiros, questão fundamental na eclosão da crise de 2008.
Os comentários veiculados na mídia indicam que a legislação que está sendo proposta é bastante rígida, e o seu objetivo é proteger mais as pessoas físicas e evitar a necessidade de socorrer as empresas do setor
financeiro. A proposta visa também aumentar o poder das autoridades perante as atividades das grandes instituições bancárias, que teriam poder inclusive para obrigá-los a conservar reservas de capital maiores para se proteger das crises.
É um projeto ousado para o atual estágio do capitalismo nos EUA – autocraticamente gerido pelos donos do capital financeiro –, e avançado inclusive para os atualmente rebaixados padrões liberais dos EUA, ao tentar diminuir o risco sistêmico e proteger o consumidor. Mas, com forte
oposição dos republicanos, a aprovação da lei ainda está sendo garantida.
* Artigo escrito por Adhemar Mineiro e José Álvaro Cardoso, respectivamente Técnico do DIEESE da equipe do RJ e Técnico do DIEESE da equipe de SC.