Busscar: 22 meses sem pagar salários e virando as costas para a sociedade
Pois é. Agora já são 22 meses que a Busscar deixa de pagar salários aos seus trabalhadores, mais dois décimos terceiros e meio (2011/2010 e parte de 2009), sem contar férias, INSS, FGTS, rescisões contratuais, acordos na Justiça do Trabalho, e tampouco os impostos federais, estaduais e municipais. E é assim que aquela que já foi uma das maiores encarroçadoras de ônibus pensa em sair da crise com um Plano de Recuperação Judicial mirabolante, sem qualquer critério econômico e financeiro que se sustente.
Enquanto isso os diretores ainda tentam confundir os trabalhadores que tem, ou já tiveram algum vínculo com a Busscar, de que é possível sair do lodaçal em que se meteram. Mostram números que jamais existirão, por pura falta de espaço, e falta de dinheiro novo, investidores e administração nova, comprometida com o sucesso. Agora chega a notícia da possível vinda da Marcopolo e Caio Induscar, em uma união estratégica de negócios, para produzir em Joinville (SC). Se vier a acontecer, é a pá de cal no orgulho e empáfia que levaram a Busscar à bancarrota.
Para o presidente João Bruggmann, os trabalhadores devem olhar para a frente, acreditar no Sindicato e se preparar para as reuniões que a entidade está organizando, e votar firmemente pelo não diante desse plano sem pé nem cabeça que só vem adiar o fim de uma bela história que foi construída com o suor dos trabalhadores.
“Se se confirmar a vinda dessas duas grandes encarroçadoras, penso que é o fim. Quem sabe uma fusão das duas com a Busscar poderia ser uma solução. Mas diante de tanta teimosia e orgulho, acredito que não há interesse nem de um lado nem de outro. Entendemos que a vinda das duas encarroçadoras vai ser positivo para a cidade, e para os trabalhadores, caso aconteça”, comentou Bruggmann.
Busscar: Sindicato marca reuniões preparatórias para trabalhadores
A partir de março o Sindicato dos Mecânicos convoca reuniões preparatórias para informar, esclarecer e debater propostas com os trabalhadores da Busscar envolvidos nesse processo doloroso e injusto causado pela empresa, que já vai para 22 meses sem pagar salários, usando todos os artifícios possíveis para adiar o pagamento de suas dívidas, e insistindo com um plano de recuperação judicial que não tem nenhuma viabilidade e já foi denunciado pelo Sindicato.
Segundo o presidente João Bruggmann, o Sindicato já pediu a impugnação do plano apresentado pela Busscar, mostrando todos os furos e falhas no que se chama de uma bela obra literária, mas fraquíssima em termos financeiros, econômicos e de mercado. “Nós estamos defendendo de todas as formas os direitos dos trabalhadores desde o início dessa crise. Agora após a impugnação, esperamos que eles modifiquem tudo, já apontamos todos os erros e saídas, caso contrário o final será mesmo a desaprovação do plano que eles criaram sem qualquer base real. Enquanto isso vamos orientar a todos os trabalhadores que tem algo no processo da Busscar, informando o passo a passo, e ao mesmo tempo, debatendo as novas medidas que tomaremos até a assembleia de credores em abril”, explica Bruggmann.
Todas essas reuniões estão sendo preparadas pelo departamento jurídico do Sindicato, e serão realizadas antes da Assembleia Geral dos Credores que vai decidir o futuro da empresa, e dos seus salários. Já há datas definidas para essas reuniões que acontecerão na sede central do Sindicato, localizada na rua Luiz Niemeyer, 184 – centro de Joinville (SC). Anotem as datas e participem ativamente: dia 5 de março (segunda-feira) às 9 horas; dia 7 de março (quarta-feira) às 15 horas e dia 17 de março (sábado) às 9 horas. Acompanhe tudo no site aqui em nosso site – www.sindmecanicos.org.br, a fonte das notícias verdadeiras aos trabalhadores. A hora de decidir está chegando! Fique ligado com a gente.
Busscar: Sindicato pede impugnação do Plano de Recuperação Judicial
Atento aos procedimentos da Busscar e seus representantes legais com a apresentação do Plano de Recuperação Judicial, e atitudes que aumentaram o descrédito sobre a atual administração familiar da empresa mesmo nesse momento agudo que beira à falência, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região decidiu pedir a impugnação do Plano apresentado pela empresa à Justiça Comum, com base em análise criteriosa dos números apresentados, e com base na Lei vigente.
A intenção é como sempre, proteger os direitos dos trabalhadores, e por consequência também de outros credores, haja vista o fraco e inconsistente Plano apresentado à Justiça e que tem sido tentado enfiar goela abaixo dos trabalhadores e credores em geral. São 20 objeções divididas em duas impugnações que em resumo, apresentam o seguinte:
a) Não há menção de saída da família Nielsen da administração da sociedade;
b) Plano de alcançar boas margens (24,7% em 2014) deve estar atrelado à pratica de preços do mercado. Ocorre que o plano desconsidera o fato de que o produto está desatualizado e que o market share perdido já foi ocupado por concorrentes;
c) Plano baseado em operação com a Guatemala, o qual não tem perspectiva imediata de retomada dos embarques, a curto prazo. No plano esta operação representa mais de 70% da produção de 2012;
d) Credores são novamente convidados a bancar a operação com descontos, carências e taxas de juros subsidiadas, que reduzem seu crédito para até 15% do valor de face (aplicando-se o ajuste a valor presente);
e) O plano concede tratamento diferenciado para credores de mesma classe;
f) O plano de pagamento aos credores trabalhistas em prazo superior a 1 ano, em violação ao art. 54 da Lei de Falências;
g) Não há plano para pagamento da dívida tributária, na monta de aproximadamente R$ 477 milhões, sendo que os programas de parcelamento do Governo se estendem a no máximo 60 meses, gerando um comprometimento de receita mensal superior a R$ 5 milhões;
h) A administração da sociedade ainda acredita na obtenção do crédito prêmio de IPI em relação às exportações após 1990, ainda que em descompasso com inúmeras decisões judiciais, inclusive do STF;
i) Com a aprovação do plano, a Administração ficará autorizada a vender ativos (imóveis, Tecnofibras, etc) que hoje são a garantia dos credores;
j) Mantendo o mesmo estilo de gestão do passado, a empresa não alcançará as margens planejadas, e consumirá o capital de giro eventualmente aportado ou obtido com as alienações;
k) A situação ficará pior que está atualmente, pois não mais se terá os ativos para garantia do pagamento dos débitos;
l) Na realidade, serão os mesmos atores, no mesmo cenário, realizando as mesmas ações, bancados pelos credores, que ao final, além de não receberem seus créditos, estarão sem bens passíveis de garantí-los;
Agora é aguardar o posicionamento do juiz Maurício Póvoas e do administrador judicial Rainoldo Uessler nos próximos dias. O Sindicato dos Mecânicos reafirma seu compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras que foram e ainda estão sendo lesados pela Busscar, e que vai lutar até que tudo se normalize, os direitos e salários sejam devidamente quitados, e se possível, a empresa volte a produzir e gerar empregos nas mãos de novos investidores e administradores, com um plano realmente viável e verdadeiro.
Caso Busscar – Sindicato esclarece pontos em nota oficial a sociedade
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região, diante dos recentes fatos divulgados em relação à pretensa recuperação judicial da empresa Busscar, à liberação antecipada de um terreno – antes da assembleia geral de credores que dirá se aceita ou não o referido plano – e algumas ilações da equipe de advogados que agora representa a empresa, informa que se reuniu na manhã desta segunda-feira (20) e decidiu esclarecer sobre alguns temas e ações que vai tomar, como segue:
1 – A reunião com os advogados que representam a empresa na última sexta-feira (20) se revelou infrutífera diante da falta de diálogo e novidades em relação ao que os trabalhadores pretendem, ou seja, mudanças reais no comando, na gestão, no modo de administrar, e de novos investidores, coisas que o Sindicato já cobrava há anos. Diante da negativa de negociação, a diretoria do Sindicato se retirou da mesa por não haver mais o que conversar diante do descaso reinante, mais uma vez.
2 – Diante da proposta constante do Plano de Recuperação Judicial de até 37% dos valores que os trabalhadores tem a receber da Busscar, proposta absurda diante do atraso de 21 meses de salário, mais décimos terceiros, o Sindicato apresentou sim sua proposta: pagamento de todos os direitos dos trabalhadores, com juros e correção monetária como já está na sentença da Justiça do Trabalho. Essa é a proposta do Sindicato diante da manutenção do atual status da empresa, com manutenção de tudo o que a levou a essa fase terminal.
3 – Em nome dos trabalhadores, o Sindicato não pode concordar com uma proposta que retira direitos de quem não recebe um centavo há quase dois anos, e que além de conceder descontos, teria que aguardar mais seis meses de carência para início do pagamento. Resumindo: os trabalhadores teriam que aceitar receber com descontos o que lhes devem em um prazo que pode chegar a cinco anos! Inadmissível.
4 – Do quadro atual dos credores da Busscar, os únicos que não vêem a cor do seu dinheiro há quase dois anos são os trabalhadores. Outros credores e fornecedores já receberam partes em algum momento, alguns até ainda enviam pedidos e matérias primas para manter esse estado falimentar que desrespeita direitos básicos dos trabalhadores. Mais uma razão para a negação deste plano.
5 – Não só o Sindicato e trabalhadores estão contra esse Plano, mas outros credores, fornecedores, que darão a resposta na Assembleia Geral que ainda não tem data marcada. Esse Plano tem de mudar, e muito, mas só mudará quando mudar a administração, a gestão, os processos, e com novos investidores. Da forma que está, nada mudou e nada mudará na Busscar. Haja vista as atuais propostas, e jogo via mídia e imprensa para tumultuar e confundir os trabalhadores e a sociedade. A atual forma e comando são filmes antigos. Aliás, até o laudo da famosa Deloitte se exime de garantir o plano!
6 – Há denuncias vindas da Tecnofibras, que serão apuradas junto com o Sindicato dos Plásticos que é comandado com força e capacidade por seu presidente Reinaldo Schroeder, de que já houve até uma manobra para “engordar” a votação na assembleia com aqueles trabalhadores: parte dos salários teria sido atrasada propositalmente para que essa dívida entrasse no quadro de credores! E mais, que isso teria sido pago por fora recentemente. Se isso for confirmado, de que recuperação judicial estaremos participando? Uma fraude? Juntamente com o Sindicato dos Plásticos, o Sindicato vai investigar e interferir com os meios legais disponíveis.
7 – E ainda sobre a Tecnofibras: além dessa manobra que tem como objetivo manobrar os trabalhadores para que votem a favor, há outro ensaio em vista: a venda da empresa antes mesmo do plano ser analisado pela Assembleia Geral de Credores, assim como já foi conseguida a liberação do terreno! A Justiça não pode permitir que mais um bem que visa garantir direitos dos trabalhadores seja vendido sem que os trabalhadores sejam integralmente pagos.
8 – O Sindicato também alerta as empresa Gidion e Transtusa, que enviaram pedidos para a Busscar, que elas estão apoiando ilegalidades flagrantes da empresa que burla as leis trabalhistas pagando um “mensalinho”, diárias apenas a alguns trabalhadores que ainda estão no chão de fábrica. Não fica bem para grandes empresas como elas apoiarem tamanhas ilegalidades, em um mundo que exige cada vez mais transparência, legalidades, leis de qualidade (ISO).
9 – O Sindicato informa a todos os trabalhadores que são associados, ou que tenham ingressado com ações judiciais via departamento jurídico do Sindicato, que enviará carta a suas residências informando todos os passos já tomados, e os próximos que virão antes da famosa assembleia geral de credores, de forma correta, direta e em defesa dos seus direitos. Quem estiver com os dados incorretos no endereço, deve informar ao sindicato e buscar essas informações na sede central.
10 – O Sindicato informa, finalmente, que está organizando reuniões preparatórias com todos os trabalhadores da Busscar, ligados, desligados, em processo e os que ainda estão atuando na empresa – os trabalhos estão praticamente parados – para realizar em data a ser marcada, a Assembleia Geral dos Trabalhadores da Busscar que ainda terá pauta específica a ser construída. O Sindicato alerta também para que todos os trabalhadores não assinem quaisquer documentos, cartas e outros que a empresa enviar para suas casas, para evitar problemas jurídicos futuros com informações sem o aval do seu Sindicato.
11 – E para encerrar: o Sindicato quer que a empresa inicie o pagamento correto mensal a todos que estão ligados a ela, conforme manda a lei de recuperação judicial. Antes de exigir cortes de direitos, de pagar mensalinhos, a Busscar tem de cumprir a lei, pagar o que deve a todos os trabalhadores, os grandes responsáveis por fazer dela a marca forte que agora está nesta situação.
Então atenção aos trabalhadores e trabalhadores que tenham alguma ligação com a Busscar, fiquem atentos aqui no site e divulguem para seus companheiros sobre as atividades do Sindicato. Está em jogo os direitos e salários que lhes devem há quase dois anos, e é preciso estar informado, e não ser confundido com as informações que a empresa passa por carta, ou mesmo em matérias da imprensa.
Busscar: Sindicato estranha liberação de bens sem recuperação aprovada!
Reunida hoje (16/1) a diretoria do Sindicato dos Mecânicos avaliou a decisão judicial que liberou o terreno da Busscar Ônibus, bem este que é um dos bens bloqueados , para garantia de pagamentos dos débitos trabalhistas com milhares de trabalhadores lesados pela empresa. Segundo o presidente João Bruggmann, a diretoria “estranha” a decisão de liberar o terreno para uma recuperação que sequer foi ainda avaliada, e mais, aprovada ou não pela assembleia geral.
“O que causa preocupação e apreensão entre os trabalhadores é que está se liberando um bem que estava bloqueado para garantir o pagamentos dos salários atrasados há 21 meses! E que essa liberação abre um precedente, e isso é estranho, antes mesmo que a pretensa proposta de recuperação judicial seja analisada, debatida e aprovada ou não pela assembleia geral de credores. Afinal a recuperação já está valendo então?”, afirma o presidente Bruggmann.
A diretoria também está atenta aos fatos porque a liberação ocorreu entre um juiz e outro sem que sequer o Sindicato, autor da ação que defende os trabalhadores, ter sido citado para se manifestar sobre o pedido feito pela empresa e seus advogados. “A rapidez na liberação também estranha porque os trabalhadores estão há quase dois anos sem receber um centavo, e não tem a mesma deferência. Outra situação que avaliamos é para onde vão esses recursos? Será que vão para pagar também os trabalhadores, ou só para pagar alguns privilegiados? Vai acabar com a farra das diárias, ilegais e imorais?”, questiona o presidente e sua diretoria.
Segundo Bruggmann, o Sindicato vai se reunir com os advogados da Busscar para esclarecer também o famoso plano de recuperação judicial, e os tais descontos lineares que são propostos para todos os trabalhadores em faixas salariais, e também o uso desses recursos arrecadados da venda deste terreno, onde e como serão aplicados.
“Reiteramos que não concordamos com essa proposta de plano de recuperação. E também não concordamos com a venda de bens bloqueados em garantia de pagamentos dos salários atrasados a milhares de trabalhadores. Entendemos que os bens devem ser mantidos até que tudo seja resolvido. A saída para a Busscar é a entrada de novos acionistas, com dinheiro, mudança da administração, de processos, reconquista da confiança. Retirar as garantias para os trabalhadores não é o caminho correto, leal e legal, e certamente não será a redenção da empresa. Estamos atentos, estamos agindo para proteger os trabalhadores”, finaliza o presidente João Bruggmann.
A diretoria do Sindicato e o departamento jurídico estão reunidos permanentemente para atender à situação da Busscar, alertando mais uma vez que ainda não há plano nenhum aprovado para que a recuperação aconteça, e que vai tomar as providências cabíveis para a defesa dos trabalhadores. Mais dúvidas dos trabalhadores devem ser tiradas na sede central do Sindicato, ou pelo fone 3027.1184, ou 3027.1183.
Busscar: Sindicato orienta sobre cartas enviadas aos trabalhadores
O Sindicato dos Mecânicos alerta a todos os trabalhadores que ainda têm, ou já tiveram ligação com a Busscar, e estão com processos trabalhistas em andamento para que prestem atenção nas cartas que estão sendo enviadas pelo administrador judicial, Rainoldo Uessler, a todos os credores da empresa, inclusive os trabalhadores.
Nesta carta estão informando oficialmente a todos sobre os valores que supostamente a Busscar deve aos seus trabalhadores, bancos, fornecedores, etc. Esses valores são os mesmos que foram divulgados em edital publicado nos jornais. A diretoria do Sindicato e departamento jurídico orientam que os trabalhadores busquem se orientar sobre isso com seus advogados – para o caso em que buscaram apoio jurídico fora do Sindicato – e no caso das ações coletivas com o departamento jurídico.
No caso das ações coletivas movidas pelo Sindicato, que obrigaram a empresa a pedir a recuperação judicial, a entidade já impugnou todos os valores, ou seja, não acatou os valores escritos ali, por entender que há divergências. Portanto, nada de ficar intranquilo com as tais cartas, que são obrigatórias nos casos de recuperação judicial.
Segundo o presidente João Bruggmann, todos os processos dos trabalhadores que estão nas ações coletivas estão sendo acompanhados de perto, mas é preciso que os trabalhadores busquem informar ao departamento jurídico, e também se informar sobre o andamento. “Nossas advogadas tem total controle da situação. Graças a essas ações a Busscar ainda tem seus bens bloqueados para pagar o que deve aos seus trabalhadores”, explica Bruggmann.
Faltando 10 dias para que a empresa apresente o plano de recuperação judicial conforme a decisão do juiz, até o momento não se tem notícias de que algo tenha sido formulado, principalmente com bases sólidas, investidores de peso, algo consistente.
“Os trabalhadores, e nós do Sindicato, esperamos ansiosos em conhecer as linhas gerais que eles pretendem para sair do atoleiro. Ainda não fomos ouvidos, e teremos que ser ouvidos, mas a verdade é que nada mudou. Pela lei da recuperação judicial, inclusive já era para estarem pagando os salários em dia, mas o que se vê é apenas uns privilegiados recebendo diárias para nada, enquanto o barco afunda”, afirma o presidente João Bruggmann.
O Sindicato entra em férias neste dia 22 ao meio-dia, retornando dia 9 de janeiro ao meio dia, com todos os serviços, mas a diretoria está de plantão para atender essa situação emergencial a qualquer momento.
Busscar: Sindicato diz não à proposta indecente da empresa
Está publicada hoje (7/12) no jornal A Notícia matéria sobre a última reunião dos representantes da Busscar com o Sindicato dos Mecânicos, administrador judicial e Justiça do Trabalho, onde a artimanha da empresa é – como já foi no passado – depositar a saída para seus erros nos trabalhadores e seu Sindicato. Ciente do sofrimento por que passaram, e ainda passam, milhares de trabalhadores e suas famílias, o presidente João Bruggmann negou a proposta, que não é objetiva, nem clara, que mais, coloca claramente a intenção da Busscar em se utilizar novamente da massa de trabalhadores para apoiar suas intenções com outros credores. Uma lástima. Segue abaixo a notícia que está na edição de hoje do diário joinvilense:
“O segundo encontro entre a Justiça do Trabalho, o Sindicato dos Mecânicos e representantes da Busscar evidenciou as tensões que envolvem as negociações das dívidas trabalhistas da empresa.
O advogado da Busscar, Euclides Ribeiro S. Júnior, apresentou ontem uma proposta inicial de pagamento de ações individuais que correm na 4ª Vara Trabalhista de Joinville.
O proposto era que os 2,1 mil trabalhadores que entraram individualmente com processos para reaver seus salários e benefícios receberiam R$ 9 milhões em 12 meses, pagos com o fluxo de capital que for entrando na companhia durante a recuperação judicial. Segundo Euclides, a intenção da Busscar é acelerar a negociação com os empregados. “Porque eles são extremamente importantes para que a empresa se reestruture. E também porque é muito difícil atrair investidores dessa forma.”
O presidente do Sindicato dos Mecânicos, João Bruggmann, entendeu que a proposta não era suficiente para as ações individuais, que estariam cobrando cerca de R$ 40 milhões juntas. Ele diz também que, antes de discutir esses processos, eles querem que se apresente uma proposta para liquidar a ação coletiva, que já estava com os bens da empresa prestes a ir a leilão quando a recuperação começou. “Nossa intenção é fazer com que o trabalhador não perca nada do que está esperando para receber”, lembra.
Do encontro de ontem, Bruggmann saiu com uma promessa de que a equipe responsável pela recuperação judicial apresentaria hoje o valor exato da dívida, que o sindicato calcula estar em R$ 120 milhões – sendo R$ 65 milhões em salários atrasados e R$ 55 milhões em débitos do FGTS.
Por outro lado, a Busscar espera receber nos próximos dias novas encomendas de ônibus. A meta, garante, é produzir 3,5 mil unidades anualmente a partir do terceiro ano de recuperação.”
Matéria do jornal A Notícia, com adaptações.
Lições de dignidade para a Busscar, por Marcos Galesi
O caso das Lojas G. Aronson
Os erros e acertos de Girsz Aronson que, depois de passar por uma falência e um seqüestro, recomeçou com mais de 80 anos e hoje tem uma rede com três lojas (matéria publicada em 2003)
Aos 85 anos, Girsz Aronson, lenda viva do comércio de rua de São Paulo que viu seu maior sonho desabar, não entrega os pontos. Em todos os dias úteis ele pode ser encontrado entre fogões e geladeiras de uma das três lojas da rede G.A., inaugurada há três anos . Mais do que uma maneira de ganhar a vida, essas três lojinhas são a materialização de uma impressionante história de persistência, com direito a momentos de glória e lances trágicos. Em 1998, depois de 36 anos de atividade, a G. Aronson, rede de 34 lojas de eletrodomésticos, foi à falência. Endividado, Girsz Aronson, o proprietário da marca, viu-se no fundo do poço – ainda mais depois de ter sido seqüestrado e só ser liberado depois do pagamento do resgate.
A G. Aronson era uma referência do comércio de rua de São Paulo. Sob o slogan “a inimiga número um dos preços altos” era uma campeã de vendas e chegou a empregar mil funcionários. Mas mesmo com toda sua experiência no varejo, Aronson deu um passo maior do que as pernas, endividou-se, não conseguiu administrar os papagaios e faliu. “Investi mais de R$ 400.000 na montagem de lojas em shoppings centers. Queria tudo muito bonito, com vitrines imensas e até mezanino” lembra Aronson.
“Foi um sonho equivocado de grandeza. Para vender eletrodomésticos, o segredo é ter estoque e preço bom. O cliente tem que ver a mercadoria exposta, não importa se ela está amontoada, com as televisões em cima das geladeiras . Além disso, meu forte sempre foi comprar e vender . Deveria ter prestado mais atenção à administração.” Sem alternativa, Aronson foi para casa e entrou em depressão. Para não sucumbir, reuniu as forças e foi à luta.
A superação da fase ruim
Assim que teve a falência decretada e perdeu as lojas, GIRSZ ARONSON FEZ QUESTÃO DE ACERTAR AS CONTAS COM OS EX-FUNCIONÁRIOS. Depois voltou para casa, desiludido e sem perspectiva . “Estava mofando, deprimido, num estado de nervos que não agüentava nem olhar para a minha esposa”, lembra Aronson. Ele diz que essa foi uma fase péssima na sua vida e que lhe dá arrepios até de lembrar. Em 2000, no entanto e dois anos após a falência, um imóvel que pertencia à suas duas filhas vagou no centro de São Paulo, justamente onde havia começado sua antiga rede de eletrodomésticos.
Foi lá, num ponto com pouco mais de três metros de fachada que ele abriu a G.A., sua nova loja de utilidades do lar . Hoje, três anos depois, tem mais dois endereços também em São Paulo. “MINHA MAIOR ALEGRIA FOI RECONTRATAR 54 EX-FUNCIONÁRIOS”, festeja. A loja está em nome das filhas e as compras também são feitas no nome delas. “Tenho o nome sujo porque ainda ficaram pendentes alguns impostos para pagar”, comenta Aronson. Isso não tem abalado Aronson. “Antes das 7 horas da manhã já estou aqui abrindo a loja. Ajudo os funcionários a vender e atendo os clientes. Apesar de tudo o que aconteceu, sei que sou querido e todo dia é Aronson para cá, Aronson para lá…” explica.
Escaldado, usa as lições do passado para não cometer os mesmos erros no atual negócio. Ele diz que logo que abriu a G.A. as vendas iam de vento em popa, mas que a atual situação do país causou uma forte queda no comércio em geral. “O que eu ganho hoje é suficiente para pagar as despesas e eu não tenho mais qualquer pretensão de ficar rico”, conclui. Ele só quer dar passos do tamanho das pernas possam alcançar.
O talento nunca quebra
Nascido na Rússia, Girsz Aronson chegou ao Brasil com sua família quando tinha dois anos. Seu pai morreu novo e ele ficou responsável com a mãe pelo sustento da casa. Começou a trabalhar aos 12 anos vendendo jornais pelas ruas da cidade paranaense de Curitiba, na qual morava. “Tinha que vender 50 exemplares para ganhar 400 réis”, recorda. Seu talento como vendedor não demorou a ser percebido. “O homem que vendia os bilhetes da loteria pediu para eu desencalhar um lote que ele tinha de apostas. Vendi tudo num só dia e na segunda vez em que trabalhei para ele vendi, inclusive, o bilhete premiado”, diverte-se.
As finanças começaram a melhorar e Girsz mudou-se para São Paulo para vender bolsas e cintos de couro. As mercadorias eram fornecidas por um primo do Rio de Janeiro. De bolsas passou também a vender casacos de pele e, quando juntou algumas economias, abriu uma loja de roupas infantis. “Trabalhava com os melhores fornecedores da praça”, diz. As coisas iam bem e os próprios comerciantes do centro, onde a loja estava instalada, se impressionavam com o dom para vender do imigrante.
Em 1962 um empresário da região lhe propôs que assumisse sua loja de fogões. Sem entender nada desse ramo, Aronson comprou o ponto porque costumava ver anúncios de vendas de eletrodomésticos nos jornais e achou que esse era um indicativo de que vendiam bem . Nascia assim a rede G. Aronson Companhia Ltda.
“Comprei mais alguns fogões do fornecedor e percebi que vendendo quase a preço de custo, ainda era mais caro que o mesmo fogão em outra loja da redondeza. Fui atrás do fornecedor e propus a compra de mais 500 peças desde que com um belo desconto. Comecei assim a ser o inimigo número um dos preços altos”, comenta. O problema é que o comerciante simpatizou tanto com a estratégia que muitas vezes depois a aplicou sem avaliar a real condição do seu negócio.
“Gosto de vender, mas sempre gostei mais de comprar”, assume. Com isso, montava estoques gigantescos nas lojas. Enquanto as vendas eram boas esse era um bom trunfo, pois tudo saía à pronta entrega . O lado ruim da história é que Aronson também comprava muita mercadoria mesmo quando a concorrência estava lhe tomando os clientes ou a crise econômica sumia com o dinheiro do mercado.
“Hoje na G.A., ainda tenho um bom estoque, mas pisei no freio. Só compro mercadoria à vista, para conseguir desconto, ou no máximo a um prazo bem curtinho. A bancos não recorro nunca mais e nada de contar com o dinheiro que ainda não entrou” diz ele que depois de 85 anos de vida, continua aprendendo como se fosse um jovem de dezoito.
Fonte : Revista Seu Sucesso – agosto de 2003 pg. 20 a 22
Bom, para iniciar minha matéria, fiz questão de ir atrás desta linda história, hoje o Saudoso Girsz Aronson não se encontra entre nós pois em novembro de 2007 descobriu que sofria de um câncer. Morreu em 19 de junho de 2008, aos 91 anos e esta matéria é antiga, mas que pode nos ensinar numa situação atual.
A G. Aronson chegou a falir, Girsz Aronson chegou a ser até seqüestrado, se machucou muito com o seqüestro, mas mesmo assim, este guerreiro não se deixou vencer, superou as dificuldades, dignificou seus funcionários, eu me lembro bem que Girsz Aronson dizia, “meus credores podem esperar, mas meus funcionários não, vou pagar primeiro meus funcionários e depois eu negocio com meus credores”, e graças ao seu senso de valorização dos funcionários venceu, mesmo ficando com três lojas e 54 funcionários.
Em suas palavras é nítido o quanto ele se alegrava com seus funcionários a ponto de ajudá-los a vender seus produtos. Sinceramente, vemos que hoje em dia há poucos Girsz Aronson que valorizam seus funcionários. Quando vejo o caso da Busscar, eu fico pensando, ela está passando uma situação semelhante, perto de uma falência, e nas reportagens não vi um pronunciamento ou uma nota ou mesmo um apoio às famílias. Tudo que vejo são disputas judiciais, recursos, enquanto isso pais de família passando fome, alguns até com dívidas financeiras e até alguns com dívidas até com pensão alimentícia e a Busscar não se sensibiliza em momento algum com seus funcionários.
Nas grandes empresas o maior patrimônio é o funcionário, pois sem ele a empresa não tem razão de sua existência. A grande questão: Por que a Busscar não sai em defesa de seus funcionários, os quais até fizeram abaixo assinado para que a Busscar permanecesse com as portas abertas?? Por que a Busscar em vez de pagar caro pelos recursos, não aproveita parte do valor e vai pagando os seus funcionários?? Até quando a Busscar vai fazer PAIS DE FAMÍLIA sofrerem e serem humilhados? Já que os donos são tão religiosos, será que se esqueceram??
Êxodo 16 com ênfase nos versículos 9 a 12 (Deus sustentou o seu povo). Deus não desamparou o povo no deserto, mas cuidou deles e sustentou com maná (pão) e codornizes (carne). Deus nunca vai deixar que as pessoas passem fome e que Ele vai suprir todas as necessidades básicas delas. O povo sempre vai ter o que comer, o que vestir e onde morar.
Mateus 6:25-34 que diz que os passarinhos não se preocupam com comida e os lírios do campo se vestem muito bem, e ensina que eles são mais importantes para Deus do que os passarinhos e os lírios. Se Deus não desamparou o povo e tanto nos ensinou, então porque uma empresa como a Busscar não tem a possibilidade de dar o sustento aos seus funcionários?
Se somos filhos de Deus, temos por dever seguir o seu exemplo e fielmente. Se Deus é Fiel, então porque a Busscar também não pode ser fiel com seus funcionários? Eu não sei de qual religião de Girsz Aronson, mas a sua atitude foi louvável, foi humano e seguiu o exemplo do verdadeiro cristão, e por isso muitos dos seus funcionários se lembram do senhor Girsz Aronson com muito carinho, pois ele deixou seu legado. E a Busscar, qual legado deixará para os filhos dos seus funcionários e para seus funcionários?
A Busscar tem uma história que se iniciou em 1949 e não pode acabar assim. Lembre disso Busscar, para sair de uma crise e até de uma falência, lembre-se seu PATRIMÔNIO não se resume em Galpões, em Maquinários, mas sim em seus FUNCIONÁRIOS. Quem luta contra seu PATRIMÔNIO MAIOR, luta contra si mesmo. Busscar, valorize para ser valorizado.
Marcos Galesi, técnico em transportes e vice-presidente do Movimento Respira São Paulo.
** Texto publicado no Blog Ponto de Ônibus, e reproduzido aqui com autorização de Adamo Bazani.
Busscar: Sindicato nega qualquer proposta de reduzir dívida com os trabalhadores
A diretoria do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região se reuniu e já decidiu sua posição em relação aos créditos trabalhistas que os mais de cinco mil trabalhadores da Busscar tem a receber: não aceitará qualquer proposta de redução da dívida nos processos coletivos movidos pela entidade. A posição foi tomada em virtude da divulgação feita na imprensa por representantes da empresa de que apresentaria uma proposta neste sentido.
Para o presidente do Sindicato, João Bruggmann, o sofrimento dos milhares de trabalhadores e suas famílias não pode ser esquecido, e que notícias largadas assim só servem para tentar confundir os trabalhadores. “Os trabalhadores chegaram a passar fome com suas famílias, e o Sindicato inclusive realizou campanha de arrecadação de alimentos que foi prontamente atendida pela sociedade. Eles assumiram dívidas com bancos, perderam carros, motos, estão com o nome sujo na praça, tudo por que a Busscar não pagou o que lhes era de direito. Não é justo, e seria desumano até, pedir aos trabalhadores que abram mão do que lhes devem para ajudar a empresa agora, só agora, na recuperação judicial”, afirma Bruggmann.
Ele ressalta ainda que todos deram seu suor e talento para render lucros ao negócio da Busscar, e o que receberam foi abandono, descaso, e não pagamento dos seus direitos. “E tem mais. É só olhar a lista de credores, dos trabalhadores, lá consta que a acionista majoritária e seu filho se credenciaram para receber cerca de um milhão e meio! Isso só pode ser brincadeira e de mau gosto. Mas ainda bem que agora está bem claro como se administrava a empresa”, dispara o líder sindical. A entidade lembra também que os trabalhadores tem a preferência na lista de credores, e que isso também motiva a empresa a tentar criar um fato para facilitar a negociação com outros credores maiores, como bancos, fornecedores e outros.
O Sindicato assinala ainda que não pode intervir em processos que alguns trabalhadores entraram individualmente, e que orienta a todos que não abram mão dos seus direitos, de cada centavo da dívida que está sendo apurada. “Não temos o poder de interferir nesses casos, mas orientamos a todos para que não abram mão de seus valores, porque é injusto cobrar ainda mais de quem já ficou sem nada, mas que vai receber sim, na recuperação, na falência ou em leiloes, tudo o que a empresa deve”, destaca João Bruggmann.
A posição da entidade representativa dos trabalhadores joga um balde de água fria na iniciativa midiática da Busscar via seus representantes na recuperação judicial. Para finalizar, João Bruggmann assinala também que a decisão dos acionistas da empresa em pedir a recuperação judicial só aconteceu porque o leilão do parque fabril estava com data marcada para acontecer.
“Lembramos que o leilão já tinha sido decretado, e graças às ações do Sindicato que iniciaram no início de 2010. Não fosse a ação firme do Sindicato, com grandes méritos ao nosso departamento jurídico, a novela que já virou filme longo demais, se transformaria em uma série de mau gosto, e sem fim”, conclui o presidente do Sindicato dos Mecânicos.
Busscar completa 16 meses sem pagar salários
A Busscar completa 16 meses sem pagar salários, fornecedores, impostos, INSS, FGTS e muito mais nessa crise que parece não ter mais fim. A Justiça do Trabalho em Joinville (SC) já sentenciou a empresa a cumprir com o pagamento dos atrasados, inclusive determinando que sejam iniciados os processos para leilão dos bens dos sócios e do grupo econômico para pagamento dos trabalhadores – ação decisiva feita pelo Sindicato -, sentença a qual a empresa teve a petulância de ainda recorrer para o TRT, cujo julgamento aguarda o retorno de vistas feita por um dos juízes.
Existe ainda o primeiro pedido de falência feito por um banco, o que pode levar todo o processo para a Justiça Comum prejudicando ainda mais os trabalhadores, já tão lesados e abandonados pela empresa. O Sindicato dos Mecânicos está atento e acompanhando tudo no Judiciário com seu departamento jurídico, que tem feito um trabalho perfeito na defesa dos direitos dos trabalhadores. A diretoria informa que todos esses processos servem de pressão junto aos empresários da Busscar, que precisam tomar a decisão definitiva de liberar os bens para venda e pagamento dos seus trabalhadores, ou venda a investidores interessados em retomar a produção com tratamento ético e humano aos seus trabalhadores.