Após seis anos, Mercosul e União Europeia retomam negociações
O Mercosul e a União Europeia retomaram as negociações para um acordo de comércio, informou nesta terça-feira (27) o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Segundo ele, as tratativas estavam paradas desde 2006.
“O Mercosul já fez concessões. Vamos lá nos próximos dias para ver o que a União Europeia vai fazer”, disse ele, acrescentando que o processo acontece em paralelo com as negociações da rodada de comércio de Doha.
Miguel Jorge afirmou, porém, que as negociações com a União Europeia estão em “estágio inicial”. “Fizemos concessões na área de industrial e esperamos concessões na área agrícola. É preciso fazer um acordo, mas estamos no começo das discussões. Não esperamos fazer um acordo no curto prazo. É difícil sair ainda em 2010″, afirmou ele.
Investimentos
Miguel Jorge se reuniu nesta terça-feira, em Brasília, com ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha, Rainer Brüderle, para tratar de investimentos alemães no Brasil. Segundo ele, há interesse de empresas alemãs em investir em infraestrutura no país, o que incluiria os projetos para a Copa de 2014, para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, além de outros setores, como defesa.
Segundo o ministro brasileiro, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) vai ser o ponto de contato entre as empresas alemãs e brasileiras. “Ela fará os contatos necessários para saber quais são os interesses das empresas alemãs e as oportunidades que existem no Brasil. Tomamos decisões para operacionalizar os contatos entre as empresas, não só para Copa e Olimpíadas, mas para os outros projetos”, disse ele.
De acordo com o ministro alemão, Rainer Brüderle, os temas de transporte são importantes. “Há decisoes importantes que vão ter de ser tomadas, como sobre o trem de alta velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo. E aí levanta-se a questão se é melhor usar um trem de limitação mais magnética, ou um sistema roda trilho. Ainda estamos trocando impressões”, disse ele.
Fidel diz que Cuba é vítima de chantagem internacional
O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, afirmou hoje que Cuba não cederá à chantagem e ao que considera uma campanha internacional feita contra seu regime. Fidel disse num dos seus habituais artigos, chamados “Reflexões” e publicados na imprensa local, que a Revolução Cubana teve seus “erros e acertos”, mas que ele se manteve fiel a uma política baseada em princípios. A Revolução Cubana, afirmou, “nunca cedeu e não cederá ante à chantagem e ao terror midiático”.
Nas últimas semanas, o governo cubano denunciou uma suposta campanha, que seria orquestrada pelos Estados Unidos e a União Europeia, contra a ilha. Segundo as acusações de Cuba, a campanha teria sofrido uma escalada após a morte, por causa de uma greve de fome, do preso político Orlando Zapata, em fevereiro deste ano.
O presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel, afirmou em discurso no começo de abril que a morte de Zapata “foi algo manipulado com cinismo”, bem como a greve de fome de outro preso, Guillermo Fariñas, que está na terapia intensiva e sendo alimentado artificialmente.
Fidel dedicou também boa parte da coluna a seu amigo e aliado Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que visitou Cuba na quinta-feira e teve uma reunião com ele e com Raúl.
O ex-líder afirmou que Chávez é, atualmente, “a pessoa que mais preocupa ao império (aos EUA, segundo ele), pela sua capacidade de influenciar as massas” e pelos “imensos recursos naturais” do seu país.
Fidel não sai de casa desde que ficou gravemente doente há quase quatro anos. Em fevereiro de 2008, Raúl foi escolhido para governar a ilha, mas Fidel manteve o cargo de primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba.
Do Estadão
Criação de Fundo Internacional de Segurança Alimentar em debate
s programas sociais brasileiros, que estão diminuindo a desnutrição e a desigualdade e mudando a realidade das famílias brasileiras, foram destacados em encontro do ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Patrus Ananias, com o diretor geral das Organizações das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, e a diretora de Cooperação Internacional do Ministério de Assuntos Estrangeiros da Espanha. Os três participam da Reunião de Alto Nível sobre Segurança Alimentar para Todos, que começou nesta segunda-feira (26/01), em Madri.
“Está na hora do mundo, como fez América Latina e Caribe, assumir esse compromisso explìcito de erradicar a fome e agir energeticamente para alcançá-lo, traduzindo em ações e recursos efetivos esta decisão política”, afirmou o ministro Patrus Ananias, que representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na mesa de abertura do evento. “Dou meu apoio pessoal e o do Governo brasileiro à convocação de uma nova uma Cúpula Mundial de Chefes de Estado e de Governo sobre Segurança Alimentar, neste ano de 2009. Queremos uma cúpula com compromissos explícitos, acompanhamentos periódicos, metas e objetivos claros”, afirmou o ministro. O economista Jeffrey Sachs, diretor da ONU para os acordos internacionais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milenio, também participou da reunião.
Na solenidade de abertura, representantes de diversos países, ONGs e organismos internacionais concordaram que os investimentos para erradicar a fome – estimados em 30 bilhoes de dólares anuais – são relativamente modestos. Por isto, está em discussão a criação de um fundo financeiro para auxiliar os países com déficit em recursos agrários e segurança alimentar. O governo do Quênia, por exemplo, informou que 60% da população vive em regiões áridas ou semiáridas e que 10 milhoes de pessoas passam fome.
Em vídeo, Hillary Clinton informou que o governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Barack Obama, apóia as ações de erradicação da fome e a constituição de um fundo internacional. A expectativa de autoridades da FAO é que o presidente norte-americano participe da Cúpula das Américas, em abril.
O encontro de dois dias na capital espanhola é um desdobramento da Conferência de Alto Nível realizada em Roma em junho do ano passado, quando chefes de Estado discutiram a alta de preço dos alimentos. A Reunião de Madri será encerrada nesta terça feira (27/01) pelo presidente da Espanha, Jose Luis Rodrigues Zapatero, e pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon.
Experiência brasileira – Os programas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) atendem a 63,8 milhões de pessoas, em todos os municípios, e os investimentos – R$ 28,7 bilhões em 2008 – têm contribuído para que o Brasil avance no enfrentamento da pobreza, da fome e da desigualdade.
Na área internacional, o MDS já tem cooperação formalizada com diversos países e é parceiro de organismos internacionais como Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), Banco Mundial (BIRD), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), FAO, Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID), Fundo das Nações Unidas (UNICEF), Organização Internacional para o Trabalho (OIT) e Organização dos Estados Americanos (OEA).