Um quinto das empresas consome R$ 300 mil com burocracia
Pesquisa Ibope realizada com 211 empresas em dez grandes cidades do País, encomendada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e divulgada hoje, apontou que 20% das companhias gastam pelo menos R$ 300 mil por ano com rotinas burocráticas, considerando despesas com funcionários, profissionais terceirizados e emissão de documentos. De acordo com o estudo, feito de 28 de abril a 17 de maio, 36% dos entrevistados apontaram que os lucros seriam superiores a pelo menos 6%, se todas as rotinas exigidas pelo poder público fossem removidas – desses 36%, 23 pontos porcentuais falam que seriam maiores que 10%.
Na avaliação dos empresários, entre os elementos que poderiam ser adotados pelo governo para diminuir os entraves burocráticos, estão o aumento da eficiência da gestão de administração, banimento de redundâncias, pena a infratores de maneira rápida e eficaz para acabar com a corrupção e políticas unificadas definidas pela União e adotadas por Estados e municípios. Um outro fator importante, segundo os dirigentes de companhias, é a recriação do Ministério da Desburocratização, que indica que os entrevistados têm pouca confiança que a atual estrutura do Estado reduzirá as barreiras de processos que prejudicam as atividades comerciais.
Conforme o levantamento, 78% dos entrevistados apontam que, entre os entraves burocráticos, há o tempo exigido para cumprimento de tais obrigações junto ao poder público. Para 77% das empresas, outra dificuldade é a necessidade de emissão de diferentes certidões e documentos. Para 63% das companhias, os custos caudados pela burocracia também são obstáculos. Na apreciação de 91% dos entrevistados, existem conflitos burocráticos que atrapalham o ambiente de negócios.
A sondagem também questionou quais são as exigências burocráticas que mais emperram a concretização de negócios: 43% enunciaram as documentais, como, por exemplo, as que devem ser obtidas na Junta Comercial ou relativas a alteração de contrato social. Na análise de 39%, merecem destaque os pedidos oficiais relacionados a regras de contabilização de operações e, para 10%, há requisições em transações imobiliárias que envolvem, por exemplo, cartórios (como certidões e atestados).
Estorvos
De acordo com a pesquisa Ibope/Amcham, 67% apontaram que os estorvos burocráticos que prejudicam os negócios das empresas estão vinculados, na maior parte das vezes, a normas e exigências federais, 20% aos Estados e 7%, às prefeituras. Para 77% das empresas ouvidas, por outro lado, o excesso de procedimentos burocráticos poderia ser diminuído com a unificação de tais processos entre as esferas federal, estadual e municipal.
No julgamento das empresas entrevistadas, há impactos sérios nos negócios provocados pela burocracia que requerem a contratação de advogados, contadores e despachantes para se desvencilharem de tais entraves. Segundo 57% dos entrevistados, impacta muito a necessidade de contratação de tais profissionais a fim de atender às exigências regulatórias requeridas e as atualizações.
No conceito de 46% das empresas abordadas, são elevados os efeitos provocados para o emprego desses segmentos de profissionais ou técnicos. Como alternativa para reduzir os processos burocráticos, 89% das empresas entrevistadas investem em tecnologia a fim de tornar ágil a execução de tais tarefas. Na opinião de 58% das empresas, são excessivos o controle e a fiscalização do governo sobre as companhias em relação às exigências burocráticas, enquanto 21% acham que as solicitações oficiais são insuficientes.
Por outro lado, para aqueles que acreditam que o controle do governo é exagerado, 77% creem que tais regras draconianas são usadas como instrumento de poder. De acordo com 35% das empresas entrevistadas em São Paulo, Campinas (SP), Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Ribeirão Preto (SP), Uberlândia (MG) e Goiânia, são dedicados pelo menos 26% do corpo de funcionários delas para lidar, diariamente, com rotinas burocráticas.
Funcionários
Das empresas ouvidas, 29% apontaram que dedicam pelo menos 11 funcionários em tais funções – do total de 29%, 10 pontos porcentuais empenham pelo menos 31 colaboradores nessas tarefas. De acordo com a Amcham, o estudo e as propostas serão direcionados aos candidatos a presidente para que sirvam como subsídios aos programas de governo e possam auxiliar a administração na tarefa de redução da burocracia, caso sejam eleitos.
Do Estadão
Embraer: conheça os absurdos praticados na empresa
A diretoria atual da Embraer ganharia um prêmio no quesito intransigência se tal prêmio existisse. Após demitirem 4,2 mil trabalhadores sem informarem o presidente da República e o Legislativo, os trabalhadores e seus representantes foram tratados sem o devido respeito.
Passados dois meses das demissões, a empresa anunciou um lucro de R$ 38,3 milhões no primeiro trimestre do ano. O lucro só não foi maior porque as verbas rescisórias dos milhares de demitidos chegaram perto da casa dos R$ 100 milhões.
Já o teto para bonificação dos seus executivos, diretores e membros do Conselho de Administração, algo próximo a 30 pessoas, não chega a R$ 50 milhões como está previsto na Bovespa. Mas as informações dão conta de que o valor das bonificações dados pela empresa gira em torno de R$ 40 milhões.
Sem as demissões, a Embraer somaria estes R$ 100 milhões aos lucros, totalizando R$ 138,3 milhões. Caso diminuísse um pouco esta bonificação teríamos um lucro maior do que R$ 150 milhões.
É por isso que as entidades sindicais filiadas à CUT continuam lutando contra absurdos, como os praticados pela Embraer ao demitir sumariamente 4,2 mil companheiros e reafirmamos que a preservação do emprego deve ser garantida por meio da legislação e ações sindicais.
Se o bom senso prevalecesse e o presidente Lula fosse ouvido, as unidades da Embraer não estariam com vários setores fazendo horas extras de sábado a domingo. Isso significa que as demissões foram precipitadas e, logo mais, haverá novas contratações na empresa. E o pior, com salários menores.
Como se não bastasse todo este problema, a diretoria da Embraer depende agora de um financiamento do BNDES que pode chegar à assustadora soma de mais de R$ 25 bilhões para financiar novos projetos militares, rearmamento das Forças Armadas e venda de aeronaves civis. Apesar de todos os erros, a diretoria da Embraer continua se orgulhando do que fez e do que deixou de fazer.
Fonte: CNM/CUT
Especialista cobra gestão compartilhada do Aqüífero Guarani
Representantes do Paraguai, Brasil, Uruguai e Argentina decidem hoje (25), em Foz do Iguaçu, os próximos passos para a gestão compartilhada do Aqüífero Guarani. As atividades do projeto, criado em 2003, terminam em janeiro de 2009. O assunto está em debate no Fórum de Águas das Américas, que se encerra hoje na cidade.
Segundo o coordenador do Programa do Aqüífero Guarani ( PAG), Luiz Amore, os resultados dos estudos indicam a necessidade da gestão compartilhada do manancial. O Aqüífero Guarani é um reservatório de água subterrânea, um conjunto de rochas arenosas e porosas. Esses materiais depositaram-se neste lugar entre aproximadamente 245 e 144 milhões de anos.
O aqüífero é transfronteiriço, pois está localizado por baixo do território de quatro países sul-americanos: na Argentina, a extensão é de 225,5 mil quilômetros, no Brasil, de 840 mil, no Paraguai de 71, 7 mil e no Uruguai 58,5 mil quilômetros. O que totaliza 1,2 milhão de quilômetros ao sudeste da América do Sul.
De acordo com o especialista, além do sistema de informação e do monitoramento, o PAG criou modelos matemáticos que permitem prever o comportamento do aqüífero em situações como exploração mais intensa, suscetibilidade à contaminação em áreas próximas da superfície ou uso para o turismo termal.
Ao todo, foram desenvolvidos quatro projetos-pilotos nas cidades de Concórdia (Argentina) e Salto (Uruguai) – para águas termais; Ytapua, no Paraguai – sobre o impacto da agricultura no aqüífero; Ribeirão Preto (SP), devido ao intenso uso da água do aqüífero para abastecimento público e industrial, Rivera (Uruguai) e Santana do Livramento (Brasil).
“Nessas duas cidades o aqüífero está em regiões de afloramentos e apresenta níveis da água bastante superficiais, o que o torna vulnerável a contaminação. Tal é o caso de Rivera, onde se fez necessário fechar os poços por apresentarem altos índices de nitratos. Em Livramento, apesar da cobertura de saneamento ser similar, não se registrou tal tipo de contaminação”, explicou.
Nesse sentido, o projeto mostrou que o aqüífero não é um mar de água doce, como chegou a ser difundido mas são como bolsões de água com diferentes características “ora águas quentes, ora acessíveis e vulneráveis, ora muito profundas e protegidas”.
Com a conclusão dos estudos, que envolveram US$ 26 milhões – US$ 13 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) do Banco Mundial e US$ 13 milhões de contrapartida dos países – a responsabilidade agora, segundo o coordenador, é com as lideranças, técnicos, pesquisadores, autoridades e populações dos países envolvidos para que este conhecimento seja disseminado.
Amore disse que um dos benefícios do PAG foi colocar na agenda política dos países a questão das águas subterrâneas e do Aqüífero Guarani. Um ponto importante foi a legislação que autoriza o uso (outorga) e até a cobrança, que já ocorre em algumas regiões no Brasil, como nas bacias dos rios Paraíba do Sul e Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Uma das propostas apresentadas no Fórum de Águas das Américas, que termina hoje em Foz do Iguaçu, foi a transformação do atual Conselho Superior do Projeto em Conselho de Cooperação para dar continuidade e estabelecer instâncias em cada país.
Fonte: Ag. Brasil