Comunicação: Pré-Conferência Regional Sul da CUT define propostas

Publicado por Administrador 18 maio, 2009 Nenhum Comentário Imprimir

Entre as importantes intervenções de sindicalistas, técnicos e intelectuais na pré-conferência Regional Sul de Comunicação, realizada entre os dias 13 e 15 de maio, em Florianópolis, com as presenças das CUTs Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, destacamos na edição de hoje o debate Construindo um sistema público de comunicação – o papel das políticas públicas.

O tema “O que está em jogo na Conferência Nacional de Comunicação” (convocada pelo presidente Lula para os dias 1, 2 e 3 de dezembro) foi problematizado pelo professor Bernardo Kucinski, doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pelo Institute of Latin American Studies da London University e o jornalista José Torves, sociólogo, mestre em comunicação pela PUC-RS, doutorando em Comunicação pela UNB e diretor da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que sublinharam o papel da Central Única dos Trabalhadores e dos movimentos sociais na construção de propostas a serem encaminhadas unitariamente à Conferência, como referência para uma efetiva democratização da mídia.

IDEOLOGIA - Kucinski denunciou a exacerbação ideológica dos grandes meios de comunicação, citando o caso dos “jornalões” que, ao saírem no dia seguinte às notícias, “com pelo menos oito horas de atraso”, trazem cada vez menos informação e mais interpretação. “No Brasil, o problema se agrava, pois temos uma mídia altamente concentrada, oligárquica”, assinalou Kucinski, frisando que “o golpismo é uma síndrome desta mídia, cuja poderosa articulação traz risco à democracia”.

Exemplificando, o professor lembrou como os grandes meios acabam reproduzindo a mesma visão de mundo, colocando-se no campo oposto ao do interesse nacional e popular: “estão todos contra o Mercosul, contra o Programa Bolsa Família e o Pré-sal, é como se tivessem um comando supremo da burguesia, o que tem um efeito muito pernicioso para a democracia”. Da mesma forma, disse, a nível local, nos pequenos municípios, a “ética da malandragem” se reproduz, convertendo-se numa cultura dominante nos meios, “o que é muito grave”.

Entre as iniciativas que necessitam ser implementadas, defendeu Kucinski, encontra-se a criação de um sistema de distribuição de revistas pelos Correios, que é estatal, “para combater o monopólio no terreno comercial”, um “plano agressivo de inclusão digital, utilizando os recursos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que nós já pagamos nas nossas tarifas de telecomunicações” e o imediato recadastramento das rádios e televisões, com o governo assegurando que se cumpra a lei, disciplinando de uma vez por todas as concessões públicas.

Além destas medidas, o professor ressaltou a importância da pressão popular para que haja investimento do governo na imprensa alternativa, comunitária, estatal e pública, a fim de que se possa fazer um contraponto real e eficiente “ao mimetismo do sistema dominante”.

FINANCIAMENTO – A democratização das verbas publicitárias também foi objeto da análise de José Torves, que enfatizou a necessidade de se priorizar o financiamento de meios alternativos à mídia mercantil, para que haja investimento na diversidade e pluralidade.

“Precisamos consolidar nossas posições para confrontar os valores do sistema capitalista, para dar-lhe enfrentamento também na superestrutura, no ideológico. Hoje, esta é uma realidade distante, pois apenas oito famílias dominam a comunicação no país”, declarou o dirigente da Fenaj, expressando que esta concentração absurda e absoluta vai tolhendo a possibilidade da crítica.

Torves citou o projeto de cotas de produção regional, apresentado pela deputada Jandira Feghali, e que está engavetado na Câmara, como “uma das iniciativas a serem resgatadas” como proposta para a Conferência Nacional de Comunicação. “A diversidade tem que estar contemplada”, enfatizou.

Outro ponto importante na avaliação de Torves é a garantia de uma legislação de fiscalização dos grupos de comunicação, citando o caso da RBS (Rede Brasil Sul de Comunicações) com suas 22 estações de TV – quando a lei permite apenas 3 – e 25 emissoras de rádio. “Sem falar na péssima qualidade da informação e da programação das emissoras do país, que não cumprem os pré-requisitos fundamentais para uma concessão pública”, acrescentou o dirigente da Fenaj.

Na avaliação da secretária nacional da CUT, Rosane Bertotti, os elementos trazidos pelos dois painelistas foram fundamentais para consolidarmos propostas para a Conferência Nacional de Comunicação que sejam estratégicas na disputa de hegemonia.

“Uma das questões centrais é que necessitamos de instrumentos próprios para dialogar com a sociedade, para que não fiquemos reféns da mídia mercantil. Para isso, precisamos fazer um grande mutirão de debate, transformando o espaço proporcionado pela Conferência em construção, em consolidação efetiva de posições do campo popular, dos que defendem a democratização dos meios de comunicação”, explicou Rosane Bertotti.

LIVRO - Como atividade cultural da pré-Conferência, foi lançado o livro Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo (Editora Limiar, 110 páginas, 2ª edição), do assessor da CUT Nacional e editor do jornal Hora do Povo, Leonardo Wexell Severo, que aborda a manipulação dos meios de comunicação, a serviço das transnacionais e do capital financeiro contra a democracia na Bolívia e a integração latino-americana.

De acordo com o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, que faz o prefácio do livro, os textos foram colhidos no calor dos acontecimentos em meio aos conflitos em Tarija, La Paz e Santa Cruz de la Sierra – quando a direita tentou depor Evo Morales em 2008 -, “representando uma importante contribuição para que se possa avaliar a riqueza do processo em curso nesse país irmão, reforçando a necessidade da mobilização em solidariedade ao povo e ao governo bolivianos”.

FILME – Na oportunidade também foi exibido o filme “Arriba los de abajo – crónica de un pueblo em lucha”, produzido pela Secretaria de Relações Internacionais da CTA (Central de Trabalhadores da Argentina). Dirigido por Mariano Vásquez e Lúcia Martin, o documentário mostra como em poucos anos de revolução democrática e cultural, “a Bolívia tem colocado abaixo os cimentos coloniais, neoliberais e imperialistas que a aprisionaram ao longo de séculos. Esta construção se concretizou no povo, nos movimentos sociais e na liderança indiscutível de Evo Morales Ayma”.

Fonte: CUT Nacional

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Governo convoca a Conferência Nacional de Comunicação

Publicado por Administrador 22 abril, 2009 Nenhum Comentário Imprimir

Coroando um longo processo de pressão e luta dos movimentos sindical, social e pela democratização da comunicação, o governo federal publicou nesta sexta-feira (17) o decreto que convoca oficialmente a Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), cuja etapa nacional ocorrerá de 1 a 3 de dezembro. Antecedida por etapas regionais e distritais, a Conferência terá como tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital“.

O decreto estabelece que o Ministério das Comunicações será o órgão responsável pela coordenação do processo, tendo a colaboração direta da Secretaria-Geral e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Conforme informações do Ministério, nos próximos dias será publicada uma portaria que instituirá a Comissão Organizadora Nacional, instância responsável pela elaboração do regimento interno, que “disporá sobre a organização e o funcionamento da 1a CONFECOM nas suas etapas municipal, estadual, distrital e nacional”.

A reivindicação dos movimentos pela democratização é de que esta Comissão tenha necessariamente um caráter “tripartite”, com representantes do governo federal, dos empresários, do movimentos sindical, social e entidades da sociedade civil que debatem o tema.

Saudando a realização da Conferência como um “marco histórico”, a secretária Nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, acredita que “esta é uma oportunidade para a construção de políticas públicas para o setor, para a reformulação das leis que regem o sistema de comunicação em nosso país, há décadas obsoletas e cheias de brechas”. No Brasil, lembra, “o sistema de Rádio e TV é público, pertence à sociedade brasileira, porém são os interesses privados que imperam como numa terra sem lei, onde empresários reinam sozinhos e não cumprem o que determina a Constituição, inclusive no que se refere à legislação trabalhista”.

Na avaliação de Rosane Bertotti, é fundamental que a CUT, a partir dos acúmulos desenvolvidos sobre o tema, aprofunde as discussões nos Estados, incorporando o debate aos Congressos Estaduais (CECUTs). “Temos que nos apropriar deste debate estratégico de forma a garantir uma Conferência ampla, democrática e com participação popular em toda a sua diversidade e pluralidade”, ressalta.

O anúncio do decreto, destaca o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, reforça a importância do 5º Encontro Nacional de Comunicação da Central, convocado para os dias 8, 9 e 10 de julho em Salvador. Como uma das principais interlocutoras dos movimentos sociais neste debate, enfatiza Artur, a CUT tem o desafio de qualificar a sua intervenção em questões estratégicas como a construção de um novo marco regulatório para rádio e TV; a discriminação e criminalização desenfreada contra os movimentos sociais; a necessidade de financiamento público e de controle social, o respeito às realidades regionais e culturais, e à diversidade – gênero, raça, etnia, idosos, pessoas com deficiência física. “Democratizar a comunicação significa colocar os meios a serviço da sociedade como um todo e não apenas de grupos econômicos  que, infelizmente, tem feito da concessão pública um espaço mais do que privado, mercantil, para ditar regras, omitir ou deturpar informações”, concliui.

DECRETO DE 16 DE ABRIL DE 2009

Convoca a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição,

D E C R E T A:

Art. 1º Fica convocada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM, a se realizar de 1º a 3 dezembro de 2009, em Brasília, após concluídas as etapas regionais, sob a coordenação do Ministério das Comunicações, que desenvolverá os seus trabalhos com o tema: “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”.

Art. 2º A 1ª CONFECOM será presidida pelo Ministro de Estado das Comunicações, ou por quem este indicar, e terá a participação de delegados representantes da sociedade civil, eleitos em conferências estaduais e distrital, e de delegados representantes do poder público.

Parágrafo único. O Ministro de Estado das Comunicações contará com a colaboração direta dos Ministros de Estado Chefes da Secretaria-Geral e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, na coordenação dos trabalhos para a realização da Conferência.

Art. 3º O Ministro de Estado das Comunicações constituirá, mediante portaria, comissão organizadora com vistas à elaboração do regimento interno da 1ª CONFECOM, composta por representantes da sociedade e do poder público.

Parágrafo único. O regimento interno de que trata o caput disporá sobre a organização e o funcionamento da 1ª CONFECOM nas suas etapas municipal, estadual, distrital e nacional, inclusive sobre o processo democrático de escolha de seus delegados, e será editado mediante portaria do Ministro de Estado das Comunicações.

Art. 4º As despesas com a realização da 1ª CONFECOM correrão por conta dos recursos orçamentários do Ministério das Comunicações.

Art. 5º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 16 de abril de 2009; 188º da Independência e 121º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Hélio Costa

Fonte: CUT Nacional

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A grande mídia e o golpe de 64, por Venício A. de Lima

Publicado por Administrador 13 março, 2009 Nenhum Comentário Imprimir

No debate contemporâneo sobre a relação entre história e memória, argumenta-se com propriedade que a história não só é construída pela ação de seres humanos em situações específicas como também por aqueles que escrevem sobre essas ações e dão significado a elas. Sabemos bem disso no Brasil.

Ao se aproximar os 45 anos do 1º de abril de 1964 e diante de tentativas recentes de revisar a história da ditadura e reconstruir o seu significado através, inclusive, da criação de um vocabulário novo, é necessário relembrar o papel – para alguns, decisivo – que a grande mídia desempenhou na preparação e sustentação do golpe militar.

Referência clássica
A participação ativa dos grandes grupos de mídia na derrubada do presidente João Goulart é fato histórico fartamente documentado. Creio que a referência clássica continua sendo a tese de doutorado de René A. Dreifuss (infelizmente, já falecido), defendida no Institute of Latin American Studies da University of Glasgow, na Escócia, em 1980 e publicada pela Editora Vozes sob o título “1964: A Conquista do Estado” (7ª. edição, 2008).

Através das centenas de páginas do livro de Dreifuss o leitor interessado poderá conhecer quem foram os conspiradores e reconstruir detalhadamente suas atividades, articuladas e coordenadas por duas instituições, fartamente financiadas por interesses empresariais nacionais e estrangeiros (“o bloco multinacional e associado”): o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática e o IPES, Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais.

No que se refere especificamente ao papel dos grupos de mídia, sobressai a ação do GOP, Grupo de Opinião Pública ligado ao IPES e constituído por importantes jornalistas e publicitários. O capítulo VI sobre “a campanha ideológica”, traz ampla lista de livros, folhetos e panfletos publicados pelo IPES e uma relação de jornalistas e colunistas a serviço do golpe em diferentes jornais de todo o país. Além disso, Dreyfuss afirma (p. 233):

O IPES conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública. Através de seu relacionamento especial com os mais importantes jornais, rádios e televisões nacionais, como: os Diários Associados, a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde (…) que também possuía a prestigiosa Rádio Eldorado de São Paulo. Entre os demais participantes da campanha incluíam-se (…) a TV Record e a TV Paulista (…), o Correio do Povo (RS), O Globo, das Organizações Globo (…) que também detinha o controle da influente Rádio Globo de alcance nacional. (…) Outros jornais do país se puseram a serviço do IPES. (…) A Tribuna da Imprensa (Rio), as Notícias Populares (SP).

Vale lembrar às gerações mais novas que o poder relativo dos Diários Associados no início dos anos 60 era certamente muito maior do que o das Organizações Globo neste início de século XXI. O principal biógrafo de Assis Chateaubriand afirma que ele foi “infinitamente mais forte do que Roberto Marinho” e “construiu o maior império de comunicação que este continente já viu”.

A visão do USIA
Há outro estudo, menos conhecido, que merece ser mencionado. Trata-se de pesquisa realizada por Jonathan Lane, Ph. D. em Comunicação por Stanford, ex-funcionário da USIA, United States Information Agency no Brasil, publicado originalmente no Journalism Quarterly, (hoje Journalism & Mass Communication Quarterly), em 1967, e depois no Boletim n. 11 do Departamento de Jornalismo da Bloch Editores, em 1968, (à época, editado por Muniz Sodré) sob o título “Função dos Meios de Comunicação de Massas na Crise Brasileira de 1964″.

Lane enfatiza a liberdade de imprensa existente no país e a pressão exercida pelo governo sobre os meios de comunicação utilizando os recursos a seu dispor (empréstimos, licenças para importação de equipamentos, publicidade, concessões de radiodifusão e “recursos de partidos comunistas”). A grande mídia, no entanto, resiste, até porque “o governo não é a única fonte de subsídio com que contam os jornais. Existem outras, interesses conservadores, econômicos e políticos que controlam bancos ou dispõem de outros capitais para influenciar os jornais” (p. 7).

O autor, curiosamente, não menciona o IBAD ou o IPES e conclui que as ações do governo João Goulart e da “esquerda” retratadas nos meios de comunicação provocaram um “desgaste da antiga ordem baseada na hierarquia e na disciplina” que se tornou “psicologicamente insuportável” para os chefes militares e para a elite política, levando, então, ao golpe. 

O artigo de Lane, no entanto, traz um importante conjunto de informações para se identificar a atuação da grande mídia. Tomando como exemplo a cidade do Rio de Janeiro – “o centro de comunicações mais importante” – afirma:

“Apesar das armas à disposição do governo, Goulart passou um mau bocado com a maior parte da imprensa. A maioria dos proprietários e diretores dos jornais mais importantes são homens (e mulheres) de linhagem e posição social, que freqüentam os altos círculos sociais de uma sociedade razoavelmente estratificada. Suas idéias são classicamente liberais e não marxistas, e seus interesses conservadores e não revolucionários” (p. 7).

No que se refere aos jornais, Lane chama atenção para a existência dos “revolucionários”, de circulação reduzida, como Novos Rumos, Semanário e Classe Operária (comunistas) e Panfleto (Brizolista). O mais importante jornal de “propaganda esquerdista” era Última Hora, “porta-voz do nacionalismo-esquerdista desde o tempo de Vargas”. Já “no centro, algumas apoiando Jango, outras censurando-o, estavam os influentes Diário de Notícias e Correio da Manhã”. E continua:

“Enfileirados contra (Jango) razoavelmente e com razoável (sic) constância, encontravam-se O Jornal, principal órgão da grande rede de publicações dos Diários Associados; O Globo, jornal de maior circulação da cidade; e o Jornal do Brasil, jornal influente que se manteve neutro por algum tempo, porém opondo forte resistência a Goulart mais para o fim. A Tribuna da Imprensa, ligada ao principal inimigo político de Goulart, o governador Carlos Lacerda, da Guanabara (na verdade, a cidade do Rio de Janeiro), igualmente se opunha ferrenhamente a Goulart” (pp. 7-8).

Quanto ao rádio e à televisão, Lane explica: “Cerca de metade das estações de televisão do país são de propriedade da cadeia dos Diários Associados, que também possui muitas emissoras radiofônicas e jornais em várias cidades. (…) Os meios de comunicação dos Diários Associados, inclusive rádio e tevê, empenharam-se numa campanha coordenada contra a agitação esquerdista, embora não contra Goulart pessoalmente, nos últimos meses que antecederam ao golpe” (p. 8).

Participação ativa
A pequena descrição aqui esboçada de dois estudos que partem de perspectivas teóricas e analíticas radicalmente distintas não deixa qualquer dúvida sobre o ativo envolvimento da grande mídia na conspiração golpista de 1964.

A relação posterior com o regime militar, sobretudo a partir da vigência da censura prévia iniciada com o AI-5, ao final de 1968, é outra história. Recomendo os estudos de Beatriz Kushnir, “Cães de Guarda – Jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1988″ (Boitempo, 2004) e de Bernardo Kucinski, “Jornalistas e Revolucionários nos tempos da imprensa alternativa” (EDUSP, 2ª. edição 2003).

As Organizações Globo merecem, certamente, um capítulo especial. Elio Gaspari refere-se ao “mais poderoso conglomerado de comunicações do país” como “aliado e defensor do regime” (Ditadura Escancarada, Cia. das Letras, 2004; p. 452).

Em defesa da democracia
Não são poucos os atores envolvidos no golpe de 1964 – ou seus herdeiros – que continuam vivos e ativos. A grande mídia brasileira, apesar de muitas e importantes mudanças, continua basicamente controlada pelos mesmos grupos familiares, políticos e empresariais.

O mundo mudou, o país mudou. Algumas instituições, no entanto, continuam presas ao seu passado. Não nos deve surpreender, portanto, que eventualmente transpareçam suas verdadeiras posições e compromissos, expressos em editoriais, notas ou, pior do que isso, disfarçados na cobertura jornalística cotidiana.

Tudo, é claro, sempre feito “em nome e em defesa da democracia”. Por todas essas razões, lembrar e discutir o papel da grande mídia na preparação e sustentação do golpe de 1964 é um dever de todos nós.

Fonte: Portal da CUT

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Imprensa brasileira aposta no quanto pior, melhor, diz cientista

Publicado por Administrador 10 outubro, 2008 Nenhum Comentário Imprimir

O cientista político Emir Sader denunciou que a direta, com auxílio da grande imprensa, quer a todo custo trazer a crise norte-americana para o Brasil e aposta no quanto pior, melhor. A elite, primeiro, apostou na inflação, ao anunciar que ela iria se descontrolar e arrastar o País para a recessão. Mas não deu certo.

Agora, a elite não se conforma em ver o Brasil passar longe da crise e o presidente Lula com 80% de popularidade. “Lula precisaria fracassar, porque FHC, o queridinho dos grandes empresários e da imprensa privada, fracassou”, analisou Sader.

Sem comparação – O cientista político chamou FHC de apóstolo do caos, que aposta na crise e na recessão. “Ele quebrou o Brasil três vezes, foi três vezes ao FMI e depois elevou os juros para 49% ao ano, colocando a economia em recessão. E foi uma crise provocada e sofrida aqui, e não como conseqüência de uma crise internacional”, comentou.

Ele disse que os governos da América Latina que não rezam na cartilha neoliberal, como Brasil, Bolívia, Venezuela, têm maior capacidade de resistir diante da crise, pois deram preferência ao comércio entre seus países, com desenvolvimento dos mercados internos. Assim, dependem menos das exportações, conseguem recursos próprios de financiamento e sofrem menos as conseqüências da maior crise mundial desde 1929.

Mercado não faz – Para ele, a crise norte-americana é o fracasso das teorias de que a elite sabe mais, pode mais e faz melhor as coisas. Sader lembrou que, em nenhum momento a grande imprensa denunciou a “economia de cassino” dos Estados Unidos, e sim, preferiu culpar diretores das empresas financeiras. Para ele, a crise é da filosofia e doutrina da direita e das pregações sobre as virtudes do mercado.

Lula quer transparência – É por isso que Lula, ao falar na ONU no final do mês passado, defendeu a criação de mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras contra o que ele classificou como anarquia especulativa. Lula disse que a ausência de regras favorece os aventureiros e os oportunistas. “É inadmissível que os lucros dos especuladores sejam privatizados e suas perdas sejam socializadas”, afirmou. Ao final de seu discurso, Lula ensinou que “a economia é séria demais para ficar nas mãos de especuladores.”

Fonte: Sindicato do ABC

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