Até na indústria, a desigualdade impera no desempenho dos setores
A indústria brasileira nunca esteve tão desigual como nessa crise que o setor enfrenta. Após um ano pífio, em que cresceu menos de 1% e abaixo de toda a economia (o IBGE divulga hoje os resultados fechados de 2011), o setor está produzindo 3,2% menos que em setembro de 2008, antes da crise do Lehman Brothers e espécie de ápice da produção do segmento no Brasil. Mas o desempenho é desigual. Enquanto os setores de material eletrônico e equipamentos de comunicações encolheram impressionantes 36% nestes 38 meses – ou seja, estão produzindo um terço menos que em setembro de 2008 -, e mais três registram queda na casa dos 20% (têxtil, calçados e artigos de couro e máquinas, equipamentos e material elétrico), outros segmentos crescem fortemente. O ramo de bebidas está com a produção 21,50% maior, o de equipamentos médico-hospitalares,11,73% e o de perfumaria, higiene e limpeza, 10,56%.
André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, afirma que esses números mostram que o segmento está vivendo um momento muito desigual:
- Em geral estão em melhores condições os segmentos que são mais protegidos da importação e que se beneficiam do aumento da renda e do consumo interno, além dos que investiram mais em inovação – conta.
Flávio Castelo Branco, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que essa heterogeneidade entre os setores industriais é uma realidade que pode se agravar:
- O setor vive um dispersão muito grande de setores e isso pode se intensificar em 2012.
Produto orgânico ganha valor aos olhos do consumidor
Para ele, o governo não enfrenta os verdadeiros motivos da redução da competitividade brasileira e mesmo medidas paliativas, como as presentes no programa Brasil Maior, em sua opinião, demoram para sair do papel.
Mas se os altos custos, a invasão de importados e os problemas de infraestrutura afetam todo o país, porque alguns setores industriais conseguiram se sair tão bem? A inovação pode ser uma resposta. Segundo Castelo Branco, há segmentos altamente inovadores, como a indústria de cosmético e perfumaria e fármacos.
- Em 2011 devemos ter superado o Japão e nos tornado o segundo maior mercado mundial de produtos de higiene e cosméticos, perdendo apenas para os Estados Unidos, que devemos superar em 2015 – afirmou João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).
Segundo Basilio, cerca de 35% do faturamento das empresas decorrem de produtos lançados um ano antes. Ele citou como exemplo o ramo de desodorantes:
- Agora, sim, há produtos diferenciados para homens e mulheres, e uma variedade incrível de xampus.
Essa é a realidade, por exemplo, da Niely, fabricante de produtos de beleza de Nova Iguaçu. A empresa há alguns anos desbancou multinacionais no mercado de coloração e não para de investir para aumentar sua participação.
- O investimento em pesquisa e lançamentos de produtos tem um custo alto. Porém, esse investimento tem mais importância do que em mídia e celebridade – afirma Daniel de Jesus, presidente da empresa que deve faturar R$600 milhões neste ano e que está investindo R$50 milhões em uma nova fábrica.
Nessa busca por diferencial, o produto nacional pode ser um importante chamariz:
- Exportamos ativos para grandes empresas no exterior, e só agora, o consumidor e o empresário brasileiro começam a dar valor para produtos nacionais e orgânicos. Alguns desses produtos podem até ser um pouco mais caros, mas trazem um valor agregado altíssimo, que faz a diferença no setor – afirma Filipe Sabará, diretor de negócios da Beraca, empresa líder no fornecimento de ingredientes naturais e orgânicos da biodiversidade brasileira.
Gabriela Onofre, diretora de Assuntos Corporativos da P&G Brasil, responsável por marcas como Pantene, confirma que o Brasil cresce de importância e que a inovação é a chave para o sucesso:
- A busca por produtos novos é constante, precisamos atender ao consumidor.
Dificuldade de importação protege alguns ramos
O mesmo ocorre em outro setor que vive um bom momento: o farmacêutico. A Hebron Farmacêutica, empresa de Caruaru que agora começa a produzir nos Estados Unidos, cresceu com os investimentos em inovação em fitoterápicos (medicamentos à base de plantas). “Dedicamos 5% do faturamento bruto da empresa e nossa meta em cinco anos é chegar a 15%”, informou por e-mail a empresa, que espera faturar R$200 milhões até 2014.
Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, afirma que o sucesso de alguns setores, como bebidas, decorre da impossibilidade de importar grandes quantidades para abastecer esse segmento:
- O consumo cresce, e as importações de cerveja, também, porém nunca será em escala suficiente para abastecer todo o mercado local.
O Globo
Emprego industrial em SC sofre queda em agosto
Dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE indicam que o emprego industrial avançou 0,4% em agosto de 2011 frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, após mostrar variação negativa de 0,1% em junho e em julho. Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral assinalou variação positiva de 0,1% na passagem dos trimestres encerrados em julho e agosto e permaneceu com o quadro de estabilidade verificado desde setembro do ano passado. Na comparação com agosto de 2010, o total do pessoal ocupado assalariado apontou acréscimo de 0,6%, décimo nono resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto. O índice acumulado nos oito primeiros meses do ano avançou 1,6%, mas com ritmo ligeiramente abaixo do observado nos últimos meses. A taxa anualizada, medida pelo índice acumulado nos últimos doze meses, ao registrar expansão de 2,3% em agosto de 2011, prosseguiu com a redução na intensidade do crescimento iniciada em fevereiro último (3,9%).
Em Santa Catarina, o indice relativo ao pessoal ocupado caiu (-0,25%); nos primeiros oito meses de 2011, cresceu 1,1% e no acumulado de 12 meses avançou 2,1%. Ainda em SC, a folha de pagamento cresceu 1,25 em relação à julho e no mesmo periodo decaiu (- 1,0%) o número de horas pagas. Nos útimos 12 meses a folha de pagamento apresentou incremento de 5,7% e as horas pagas + 1,7%. De janeiro a agosto, a evolução foi de 3,6% e 0,5% respectivamente.
Em relação a agosto do ano passado, o emprego industrial mostrou acréscimo de 0,6%, com o contingente de trabalhadores registrando crescimento em nove dos 14 locais pesquisados. As principais contribuições positivas sobre o resultado global vieram do Paraná (6,7%), região Norte e Centro-Oeste (3,0%), Pernambuco (7,6%), Minas Gerais (1,6%) e região Nordeste (1,2%). A principal influência negativa veio de São Paulo (-1,6%).
Setorialmente, ainda no índice mensal, o emprego industrial avançou em 10 dos 18 ramos investigados, com destaque para alimentos e bebidas (4,4%), meios de transporte (6,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,1%), outros produtos da indústria de transformação (3,5%) e máquinas e equipamentos (2,2%). Já papel e gráfica (-8,4%), calçados e couro (-7,5%), madeira (-10,7%) e vestuário (-2,9%) exerceram os principais impactos negativos.
No índice acumulado nos oito primeiros meses de 2011, o nível do pessoal ocupado na indústria foi 1,6% maior do que em igual período do ano anterior, apoiado em grande parte no crescimento de 11 dos 14 locais e em 10 dos 18 setores investigados. Entre os locais, Paraná (5,3%), Minas Gerais (2,9%), região Norte e Centro-Oeste (3,3%), região Nordeste (2,2%) e Rio Grande do Sul (2,6%) exerceram as maiores influências positivas sobre o total da indústria, enquanto São Paulo (-0,3%), Ceará (-1,3%) e Espírito Santo (-0,4%) apontaram as taxas negativas no índice acumulado no ano. Setorialmente, as contribuições positivas mais relevantes vieram de meios de transporte (7,5%), alimentos e bebidas (2,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,2%), máquinas e equipamentos (4,3%), produtos de metal (4,5%), outros produtos da indústria de transformação (5,0%) e metalurgia básica (6,3%). Por outro lado, os ramos de papel e gráfica (-9,0%), de vestuário (-3,4%), de madeira (-8,5%) e de calçados e couro (-3,3%) responderam pelos principais impactos negativos.
Número de horas pagas é 0,4% maior que em julho
Em agosto de 2011, o número de horas pagas no setor industrial avançou 0,4% na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após apontar variação positiva de 0,1% em julho e queda de 0,6% em junho. Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral mostrou estabilidade entre os trimestres encerrados em julho e agosto (0,0%), após três taxas negativas consecutivas, período em que acumulou perda de 0,6%.
Nas comparações contra iguais períodos de 2010, os resultados permaneceram positivos: variação de 0,1% em agosto de 2011 e expansão de 1,3% no indicador acumulado dos oito primeiros meses do ano. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 2,7% em julho para 2,2% em agosto, manteve a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (4,5%).
No confronto com igual mês do ano anterior, o número de horas pagas foi positivo em 10 dos 14 locais pesquisados, com as principais influências sobre a média global vindas do Paraná (3,3%) e da região Norte e Centro-Oeste (3,0%). O principal impacto negativo foi verificado em São Paulo (-2,1%).
Em nível setorial, ainda no confronto com agosto de 2010, houve aumento no número de horas pagas em oito dos 18 segmentos pesquisados, com alimentos e bebidas (2,7%) exercendo o principal impacto positivo sobre a média global, seguido por meios de transporte (5,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,0%), máquinas e equipamentos (3,6%) e outros produtos da indústria de transformação (4,1%). Entre os 10 ramos que apontaram taxas negativas, calçados e couro (-8,6%), papel e gráfica (-8,6%), madeira (-11,3%), vestuário (-2,7%) e têxtil (-3,2%) exerceram as pressões negativas mais relevantes sobre o total da indústria.
No índice acumulado nos oito primeiros meses do ano (1,3%), observou-se crescimento no número de horas pagas em 10 setores e em 12 locais. Entre os ramos, as principais contribuições positivas no resultado global da indústria foram observadas em meios de transporte (7,0%), alimentos e bebidas (2,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,9%), máquinas e equipamentos (4,8%), produtos de metal (3,8%) e outros produtos da indústria de transformação (5,1%), enquanto papel e gráfica (-9,7%), vestuário (-3,6%), calçados e couro (-4,6%) e madeira (-8,6%) registraram os impactos negativos mais relevantes. Regionalmente, a região Norte e Centro-Oeste (4,1%) exerceu a principal influência sobre o total da indústria, vindo a seguir Minas Gerais (3,0%), Paraná (3,3%), região Nordeste (1,7%) e Rio Grande do Sul (1,9%). Por outro lado, São Paulo (-0,6%) e Ceará (-3,0%) apontaram os resultados negativos no número de horas pagas no índice acumulado dos oito meses do ano.
Valor da folha de pagamento real varia 3,3% em agosto
Em agosto de 2011, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria ajustado sazonalmente cresceu 3,3% frente ao mês imediatamente anterior, quarta taxa positiva consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando nesse período ganho de 4,3%. Vale destacar que o resultado desse mês foi particularmente influenciado pela indústria extrativa (56,7%), impulsionado sobretudo pelo pagamento de participações nos lucros e resultados em importante empresa do setor, já que a indústria de transformação mostrou crescimento mais moderado (0,7%). Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral apontou expansão de 1,3% na passagem dos trimestres encerrados em julho e agosto e manteve a trajetória ascendente iniciada em dezembro de 2010.
No confronto com iguais períodos do ano anterior, o valor da folha de pagamento real cresceu 7,1% em agosto de 2011 e 5,2% no acumulado do período janeiro-agosto deste ano. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 6,3% em julho para 6,2% em agosto, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em maio último (7,6%).
No índice mensal de agosto de 2011, o valor da folha de pagamento real mostrou expansão de 7,1%, com resultados positivos nos 14 locais pesquisados. As maiores contribuições sobre o total da indústria foram observadas no Rio de Janeiro (25,6%), região Nordeste (15,7%), Minas Gerais (11,1%), região Norte e Centro Oeste (14,1%), São Paulo (1,9%) e Paraná (10,2%).
Setorialmente, ainda no confronto com igual mês do ano anterior, o valor da folha de pagamento real cresceu em 12 dos 18 setores investigados, com destaque para indústrias extrativas (62,8%), meios de transporte (8,6%), refino de petróleo e produção de álcool (42,3%), alimentos e bebidas (4,7%), máquinas e equipamentos (6,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,1%) e metalurgia básica (6,2%). Por outro lado, os impactos negativos mais relevantes sobre o total da indústria foram assinalados por papel e gráfica (-7,6%), calçados e couro (-5,0%), produtos químicos (-1,6%) e madeira (-6,8%).
No índice acumulado nos oito meses do ano, o valor da folha de pagamento real avançou 5,2%, com taxas positivas em todos os locais investigados. As influências mais relevantes sobre o total nacional foram observadas em São Paulo (3,3%) e Minas Gerais (11,2%). Vale citar também os resultados positivos vindos de Paraná (9,0%), região Nordeste (5,8%), região Norte e Centro-Oeste (6,8%) e Rio de Janeiro (5,7%).
Setorialmente, ainda no índice acumulado no ano, o valor da folha de pagamento real avançou em 13 das 18 atividades pesquisadas, sustentado, principalmente, pelas taxas positivas vindas de meios de transporte (11,7%), máquinas e equipamentos (9,0%), alimentos e bebidas (5,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (8,1%), metalurgia básica (7,6%) e indústrias extrativas (6,6%). A principal pressão negativa sobre o total nacional foi exercida pelo setor de papel
ABC DIGITAL
Indústria nacional quer reter no país os ganhos do petróleo
Enquanto os estados e a União brigam pelos royalties do petróleo, as indústrias e a Petrobras atuam de forma mais pragmática. Tratam de lutar pelo conteúdo nacional nos investimentos a serem feitos pela estatal e pelos grupos privados – nacionais e estrangeiros, na próxima década. Incluindo-se o pré-sal, a Petrobras pretende aplicar US$ 220 bilhões até 2014. Mas grupos privados, nacionais e estrangeiros, também farão maciças inversões. Estima-se que só o pré-sal exigirá 97 plataformas de produção, 510 barcos de apoio e 49 navios.
Os estaleiros já estão duplicando sua capacidade anual de processamento de aço, hoje em 600 mil toneladas. As indústrias de base, como a do aço e os produtores de equipamentos e peças se defrontarão com uma demanda que corresponde, a grosso modo, ao dobro do que é movimentado anualmente pelo mercado de eletrodomésticos. Mas há ameaças, como a distorção cambial, o Custo Brasil em geral e os subsídios de grandes nações e de emergentes como a China.
Nesse cenário, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), tendo à frente Ariovaldo Rocha, e a Fundação ARO vão realizar, dia 5 de agosto, no J.W. Marriot, na Zona Sul carioca, o I Fórum Conteúdo Local. Já estão confirmados no evento o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o titular de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine e altos dirigentes do BNDES e Petrobras.
O conteúdo local é mais do que uma exigência da política do Governo Federal e dos contratos de concessão da Agência Nacional do Petróleo (ANP). É o caminho para tornar os ganhos que serão obtidos com o pré-sal em desenvolvimento efetivo, com incentivo à melhoria da produção, maior qualificação dos trabalhadores e produção de tecnologia nacional. Este caminho já vem sendo trilhado por muitas empresas, mas não sem percalços.
Alguns questionam a capacidade do empresariado nacional; outros acham que o caminho é simplesmente buscar o melhor preço, no exterior; outros, ainda, enxergam obstáculos e divergências artificiais. Petróleo é riqueza, mas precisa ser bem trabalhado. Países como Noruega e Inglaterra usaram esse produto básico para se consolidar como líderes em indústria e tecnologia. Outros, como Holanda e Venezuela, se extasiaram com o lucro fácil e deixaram escorrer pelas mãos os benefícios caídos do céu – ou tirados da terra e da água. O Brasil quer seguir o caminho certo e esse Fórum pretende ser um importante passo rumo a lucros econômicos e sociais.
Monitor Mercantil
Ônibus fecham semestre com a maior alta da indústria: 23%
As vendas internas do mercado de ônibus fecharam o primeiro semestre com aumento de 23,1% sobre mesmo período do ano passado. De acordo com dados divulgados pela Anfavea na quarta-feira, 6, foram licenciadas 16 mil 261 unidades na primeira metade de 2011, ante 13 mil 210 dos seis meses iniciais de 2010.
Em junho os licenciamentos totalizaram 2 mil 627 unidades, aumento de 14,7% sobre igual mês de 2010, mas 8,8% menor do que o total negociado em maio.
As vendas no período anualizado, julho de 2010 a junho de 2011, somaram 31 mil 376 unidades, volume 22% maior do que o registrado em período imediatamente anterior.
No mesmo ritmo das entregas, a produção cresceu 4% no primeiro semestre, para 22 mil 66 chassis de ônibus montados, 847 unidades além do apurado em mesmo período do ano passado, 21 mil 219 ônibus.
Em junho as linhas de montagem produziram 4 mil 105 chassis de ônibus. O volume representou crescimento de 6,3% na comparação com idêntico mês do ano passado, mas retração de 2,9% ante maio.
Do total produzido no primeiro semestre 3 mil 685 unidades foram destinadas ao Exterior. No acumulado de janeiro a junho houve retração de 8,4% sobre o desempenho das exportações em iguais meses de 2010, 4 mil 25 chassis de ônibus.
No mês passado as exportações do segmento somaram 697 unidades, o que representou recuo de 8,2% com relação a junho de 2010. Ante maio o volume foi 14% menor.
CNMCUT
Indústria brasileira ainda registra crescimento moderado, avalia IBGE
Apesar de atingir patamar recorde em maio, ao avançar 1,3% na comparação com o mês anterior, a indústria brasileira ainda registra ritmo de crescimento moderado refletindo as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para redução do crédito, avalia o gerente da Coordenação da Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo.
“Com esse resultado, a indústria voltou a operar no patamar de março, após a queda de abril. Mas quando se olha mês a mês, o ritmo de produção é mais moderado. Em março, o setor havia avançado 0,3%, no mês passado, teve queda de 1,2% e em maio ele compensa esse recuo”, explicou.
Cenário
Segundo Macedo, esse cenário é confirmado pelo índice do acumulado nos últimos 12 meses, que permanece positivo, mas menos intenso com o passar dos meses.
“O índice de 12 meses permanece positivo, mas mostra uma trajetória menos intensa. Em maio, ele ficou em 4,5%, abaixo, por exemplo, dos 5,4% de abril e bastante inferior aos 11,8% de outubro do ano passado”, acrescentou.
Setores
Na passagem de abril para maio, o crescimento foi disseminado entre os diversos setores, atingindo 19 das 27 atividades, com destaque para alimentos (3,9%), produtos de metal (12,8%) e veículos automotores (3,5%). Macedo ressaltou que na indústria automotiva, a produção de caminhões e de autopeças aumentou, enquanto a de automóveis foi prejudicada em função de paralisações e dificuldade na obtenção de matérias-primas.
Em relação ao mesmo período de 2010 a produção da indústria subiu 2,7%. Nesta base de comparação, os destaques foram veículos automotores (6,0%), refino de petróleo e produção de álcool (8,0%).
FEM-CUT
Avanço das importações de bens de consumo abala a indústria local
O crescimento das importações de bens de consumo provoca um impacto negativo em toda a cadeia produtiva, porque reduz a demanda por insumos industriais feitos no País. Para os especialistas em comércio exterior, é um sinal de alerta para o risco de desindustrialização.
O setor de aço é um exemplo. Com o crescimento das importações de produtos feitos de aço, como carros, autopeças, eletrodomésticos, móveis, etc, as compras externas “indiretas” do setor atingiram 4,2 milhões de toneladas no ano passado.
Na outra ponta, o câmbio valorizado prejudicou as exportações desses bens, e as vendas externas “indiretas” de aço ficaram em 2,6 milhões de toneladas em 2010. Por esse cálculo, o setor registrou um déficit “indireto” de 1,5 milhão de toneladas.
O volume é significativo e chega a representar 7% do que as siderúrgicas venderam no mercado brasileiro no ano passado. Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) projeta que esse déficit indireto vai atingir 2,5 milhão de toneladas este ano.
As importações diretas de aço, em contrapartida, estão em queda. De janeiro a abril, o País importou 1,1 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos, 38% abaixo do mesmo período do ano anterior. Loureiro explica que isso é resultado da queda da produção industrial brasileira e também da redução da margem das siderúrgicas, que ofereceram descontos para competir com os importados.
Autopeças
O setor de autopeças é outro que sofre com a forte concorrência dos importados. O problema não é apenas a chegada dos carros prontos, que reduzem a demanda por peças locais, mas também é importação direta de autopeças.
Segundo o Sindipeças (entidade que representante os fabricantes instalados no Brasil), o déficit da balança comercial do setor vai chegar ao recorde de US$ 4,5 bilhões este ano. Em 2010, o saldo foi negativo em US$ 3,5 bilhões.
“O setor de autopeças é um dos casos mais impressionantes dos efeitos do câmbio, porque era superavitário”, diz Welber Barral, sócio da Barral M. Jorge Consultoria e ex-secretário de Comércio Exterior do ministério do Desenvolvimento. Em 2006, o setor registrava superávit de US$ 1,9 bilhão.
Da Agência Estado
Indústria alemã de autopeças está de olho no Brasil
Após perder para o Brasil a posição de quarto maior mercado de veículos do mundo no ano passado, a Alemanha busca novas oportunidades no mercado oponente. A VDA, entidade que reúne as empresas da indústria automotiva alemã, estará presente na Automec 2011, Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços, que terá início na terça-feira, 12, em São Paulo, visando ganhar espaço e representatividade no mercado nacional de reposição.
Em entrevista exclusiva à AutoData o diretor da VDA, Klaus Bräunig, justificou o interesse na mostra: “O crescimento do Brasil é muito importante para a Alemanha: não só é o quarto maior mercado do mundo, mas mantém um crescimento estável também no mercado de reposição”.
Bräunig acredita que empresas brasileiras e alemãs podem unir-se em parcerias e joint ventures em busca de inovação – para ele a única característica a tornar empresas competitivas.
“As empresas precisam investir em treinamento e novas tecnologias para competir neste mercado, porque muitos concorrentes estão chegando.”
As empresas alemãs que vêm para a Automec mostrarão novas tecnologias para automóveis relacionadas principalmente a redução de emissões e segurança. Bräunig adianta que as peças alemãs mostrarão o aumento da complexidade dos sistemas “e que os veículos estão menos mecânicos e mais mecatrônicos”.
Fonte: Autodata
Indústria de autopeças se prepara para demanda maior
A obrigatoriedade de instalação de sistemas de segurança nos automóveis brasileiros, especialmente airbags, freios ABS e rastreadores, movimenta a indústria de componentes e as montadoras. Este ano, 15% dos carros novos produzidos no País e importados precisam ter ABS e airbag para motorista e passageiro. Em 2012, essa fatia sobe para 30%, vai a 60% no ano seguinte e atinge a totalidade em 2014.
A Takata Petri, maior fornecedora local de airbags, passará de uma produção anual de 800 mil peças para até 6 milhões. Amanhã, a empresa lança a pedra fundamental de uma fábrica que produzirá bolsas para airbag em San José, no Uruguai, projeto orçado em US$ 10 milhões e com 100% da produção destinada ao Brasil. Hoje, as peças vêm do México, da Romênia e das Filipinas.
A Bosch, única fabricante de freios ABS na América do Sul, vai mais que triplicar a produção nos próximos três anos, além de nacionalizar o motor do equipamento. Inaugurada em Campinas (SP) em 2007, a fábrica de ABS opera com duas linhas de montagem e está perto do limite da capacidade de 650 mil módulos por ano. No início de 2012, a empresa inaugura uma terceira linha, com produção adicional de 800 mil peças e, dois anos depois, outra linha para mais 800 mil peças.
A Delphi está ampliando a produção de módulos eletrônicos para airbags e ABS e já tem pronto um sistema de rastreamento integrado que dificulta fraudes. No caso do rastreador, ainda não há data para o início da obrigatoriedade por questões de infraestrutura, como as antenas de transmissão de dados.
Agência Estado
Salários na indústria crescem mais que produção
Com sinais de estagnação rondando desde o segundo semestre de 2010, a indústria brasileira retomou a alta da sua folha de pagamentos no início de 2011 e já começa a levantar dúvidas em relação ao efeito sobre a produtividade. Na passagem de dezembro para janeiro, o tímido avanço de 0,2% da produção industrial foi acompanhado de alta de 5,1% na massa salarial, apesar do recuo de 0,1% nas vagas.
O avanço do custo de mão de obra na indústria foi registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) depois de uma queda acumulada de 4,4% nos dois últimos meses de 2010. Na comparação com janeiro de 2010, o índice é ainda mais expressivo: 7,1%. A taxa anualizada cresceu 0,4 ponto porcentual ante dezembro, atingindo 7,3%, nível mais elevado desde maio de 2005,
Em 2010, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 91% dos trabalhadores da indústria tiveram aumento acima da inflação. Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Souza, os acordos sindicais refletiram o forte ganho de produtividade (6,1%) do setor após a crise. No entanto, podem ter sido definidos com um horizonte que a produção não está confirmando.
“Não vai ser um problema se produzir e vender lá na frente”, observa Souza. “A produtividade foi alta em 2010, mas com uma base de comparação baixa. O quadro não é favorável para a indústria, que precisa avançar mais na produtividade não só para competir, mas também para manter a alta de salários.”
Fernando Sarti, professor do núcleo de economia industrial da Unicamp, pondera que a alta da folha da indústria em um mês é pouco para configurar uma tendência. Mesmo assim, diz que o desempenho da indústria em 2010 deixou espaço para a recuperação dos salários. “A atividade da indústria não está caindo. Há uma acomodação após um ano atípico. A análise sobre a produtividade é mais complexa”, advertiu. “O salário não coloca a rentabilidade em risco. Comprimi-lo seria um tiro no pé, pois reduziria o dinamismo do mercado interno que favorece a própria indústria”, afirma.
SMABC
Produção na indústria de motocicletas cresceu 12% em 2010
Depois de 2009 com crise e escassez de crédito para financiamentos, a indústria de motocicletas encerrará o ano muito melhor do que entrou em 2010. De acordo com dados do Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), o setor de duas rodas deve registrar faturamento de R$ 11,5 bilhões ante os R$ 10,4 bilhões do ano passado.
Com capacidade instalada para fabricar 2,5 milhões de motocicletas por ano, a indústria de duas rodas, segundo Laerte Rocca Herrero, diretor do Simefre, vai encerrar 2010 com produção de 1,7 milhão de unidades – volume que representa crescimento de 12% sobre o de 2009. Apesar da recuperação, a indústria não volta ao patamar de 2008, quando vendeu no mercado doméstico 1,9 milhão de motocicletas.
Para Herrero, a retomada gradual do crédito em níveis melhores que os obtidos em 2009 e o segmento de consórcio foram fatores importantíssimos para o bom desempenho do setor de motocicletas no exercício que termina. “As empresas de consórcio conseguiram colocar no mercado em torno de 330 mil unidades”, disse.
As vendas externas vão representar 4% da produção do setor.
ABC