Reportagem mostra retirada ilegal de madeira na Amazonia
Gigantes internacionais dos ramos de beneficiamento e de comercialização de madeira estão ligados a um esquema milionário que transforma madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica em produtos legalizados. Entre os envolvidos estão órgãos ambientais e grandes exportadoras. A madeira é vendida para as maiores cadeias de vendas de pisos e móveis nos Estados Unidos, Europa, Asia e Oceania, muitas delas detentoras de selos de certificação de madeira. A reportagem completa está na próxima edição da revista do Observatório Social, que será lançada no dia 10, em São Paulo. A revista vai revelar quais são as empresas envolvidas, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo a revista, 70% de toda a madeira comercializada no estado do Pará, maior vendedor de madeira amazônica no Brasil, tem origem ilegal. Essa madeira passa por um processo de “esquentamento” que funciona dentro de órgãos do governo. Autoridades do Ministério Público Federal e do Ibama confirmam o esquema e apontam o envolvimento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Segundo eles, o mercado de madeira amazônica é movido por um mercado paralelo – o de créditos de madeira.
A descoberta do esquema leva à constatação de que o Pará é o segundo estado brasileiro que mais compra madeira, atrás apenas de São Paulo. O comércio, entretanto, não chega a ser consumado. O único produto que viaja é o papel que registra o crédito e que permite o esquentamento de milhares de metros cúbicos provenientes de terras indígenas, áreas de preservação permanente e demais regiões onde a exploração comercial é proibida.
Ao lado de empresas fantasmas, de empresas que devem milhões em multas ambientais e de empresários que respondem por falsidade ideológica e escravidão de trabalhadores, grupos internacionais se beneficiam com o esquema. Entre os maiores, a dinamarquesa DLH Nordisk, o grupo europeu Kingfisher, das marcas Castorama e Brico Dépôt, e a norte-americana Lumber Liquidators, do milionário Tom Sullivan, patrocinador de programas como Dream Home, do canal Home and Garden Television, Extreme Makeover: Home Edition e This Old House.
A lista completa das empresas que compram madeira brasileira resultante desse esquema será revelada na próxima edição do Observatório Social Em Revista. A revista também vai mostrar como funciona o mercado interno ligado à destruição da Amazônia, revelando quais empresas dos setores de madeira, carne e grãos tem vinculação ou estão implicadas na compra de produtos oriundos de empresas com problemas ambientais ou envolvidas em trabalho escravo. Dentre as organizações, gigantes como Tramontina, ADM, Marfrig, Quatro Marcos e Metalsider.
A apuração, que demorou nove meses, foi realizada por jornalistas do Observatório Social, da ONG Repórter Brasil e da Papel Social Comunicação. Essa pesquisa foi uma iniciativa do Forum Amazônia Sustentável, do Movimento Nossa São Paulo e do Observatório Social.
Fonte: Observatório Social
Esquema pode ter facilitado exportação de madeira ilegal
Um levantamento preliminar do Ministério Público Federal (MPF) indica que as empresas envolvidas em um esquema de fraudes de documentos no governo do Pará mandaram para o exterior 100 mil metros cúbicos de madeira ilegal, o suficiente para carregar cerca de 4 mil caminhões. O valor da madeira chega a aproximadamente R$ 30 milhões.
Funcionários da Secretaria de Meio Ambiente são acusados de colaborar com o crime. O servidor Marcelo Silva Auzier, que controlava e emissão de licenças para transporte de madeira, está sendo processado administrativamente pelo governo.
Segundo a secretaria, ele foi um dos funcionários que participaram de um esquema para adulterar documentos e aumentar a quantidade de árvores que poderiam ser extraídas da floresta. Por telefone, Marcelo negou envolvimento e não quis gravar entrevista. As investigações revelaram que o esquema funcionava dentro da secretaria.
O MPF informou que a corrupção na secretaria de meio ambiente do Pará é ainda maior. Os procuradores identificaram 30 empresas que teriam se beneficiado de documentação fraudulenta para exportar madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica.
Segundo o procurador Daniel Cézar Avelino, funcionários da secretaria receberam propina para inserir créditos falsos no sistema de comercialização de madeira do estado. Os créditos dão direito a uma documentação que serve para esquentar madeira ilegal.
“As grandes exportadoras estão se beneficiando desses créditos, ou seja, madeira destinada para fora do país”, diz o procurador da República Daniel Cézar Avelino. Como a documentação é original, não levantava suspeitas nos portos do Pará.
“A origem da madeira não é competência da Receita Federal, quando a mercadoria chega no porto de Belém, a receita já entende que todos os órgãos já realizaram a fiscalização necessária”, explica Plínio Matos Vieira, da Receita Federal/PA.
Fonte: Observatório Social