Artigo: Um 8 de março para entrar na história
Este é um 8 de Março para entrar na História. Afinal, nunca reunimos tantas e tamanhas condições polÃticas, econômicas e ideológicas para enfrentar – e derrotar – a chaga da discriminação e do preconceito ainda existentes contra a mulher.
O simples fato dos setores populares terem uma candidata como Dilma Rousseff à Presidência da República é prova de que o paÃs está evoluindo rápida e positivamente no reconhecimento da capacidade desta parcela majoritária da sociedade, que durante longo tempo foi colocada de lado por sucessivos governos.
Somos 51% da população brasileira. Somos avós, mães, filhas, companheiras e não podemos continuar sendo tratadas como minoria pelos setores reacionários, como seres inferiores, ou mero estereótipo de beleza com funcionalidade para campanhas publicitárias. Somos, acima de tudo, parceiras, braço amigo, ventre que gera vida e esperança, futuro, perspectivas… Â
Por isso, particularmente à s sindicalistas, cabe a importante responsabilidade de manter no alto a bandeira da luta pela igualdade de direitos, pelas cotas raciais, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Cabe a responsabilidade da condução da luta por polÃticas públicas, que se concretizam com campanhas vitoriosas como a da licença-maternidade de seis meses e o inÃcio dos debates sobre a importância da participação masculina no cuidado com os filhos e o ambiente familiar, no compartilhamento de tarefas, sejam elas domésticas ou no cuidado com os filhos. Cabe a responsabilidade de lutar por creche, por salário igual para trabalho igual, por ambientes sadios, livres do assédio moral e sexual.
Naturalmente, há ainda um longo caminho para construirmos uma sociedade efetivamente justa, livre dos anti-valores impostos pela desigualdade. Esta estrada será pavimentada com a ampliação das conquistas femininas a partir da participação consciente e ativa das mulheres nas entidades sociais, nos sindicatos, partidos, associações de bairro e em todos os espaços democráticos.
O que importa é abrir e ampliar os caminhos, para o bem e a felicidade de todos!
* Escrito por Cida Trajano é presidenta da CNTV (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Vestuário)