Aprovação do PEC do trabalho escravo, é prioridade em 2012
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, anunciou que uma das principais prioridades de sua pasta em 2012 é a aprovação da PEC 438, que prevê a expropriação de áreas onde for encontrado trabalho escravo.
A proposta de emenda constitucional data de 2001, já foi aprovada no Senado e em primeiro turno na Câmara, onde aguarda a segunda apreciação desde 2004. A inclusão por deputados de uma proposta que inclui áreas urbanas no escopo da PEC deve exigir uma nova votação pelos senadores.
De acordo com Maria do Rosário, a decisão de eleger a PEC como prioridade foi avalizada pela presidenta Dilma Rousseff, em reunião realizada na semana passada.
“A presidenta quis saber se a proposta contribuiria para o enfrentamento do trabalho escravo, deixamos claro isso e ela nos orientou a tratá-la como prioridade”, disse ela, ao participar de uma mesa no Fórum Social Temático sobre o tema.
Neste dia 28, é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Desde 1995, 42 mil brasileiros foram libertados dessa condição no país, sobretudo em fazendas de cana-de-açúcar e de pecuária.
Em sua intervenção, Maria do Rosário disse ainda que a estratégia de combate à escravidão contemporânea passa pelo envolvimento da sociedade civil com as políticas públicas.
A base dessa política está na criação de comissões estaduais de combate ao trabalho escravo, as coetraes, que reúnem representantes do executivo, do judiciário, de ONGs e movimentos sociais.
A ministra declarou também que deseja fortalecer a “lista suja”, cadastro de empregadores flagrados com irregularidades e produzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para isso, prometeu que o governo não autorizará mais acordos como que permitiu a saída da Cosan da relação, no ano passado.
Dilma Roussef anuncia tratamento contra câncer linfático
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou neste sábado (25) em São Paulo que deve passar por um tratamento contra câncer no sistema linfático, depois que foi retirado um tumor de dois centímetros de sua axila.
Em entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, a ministra afirmou que foi detectado um nódulo, que já foi retirado. Exames posteriores detectaram que o nódulo era o único foco da doença em seu organismo.
Segundo os médicos o tratamento de quimioterapia preventiva, para evitar o aparecimento de novos nódulos, deve durar quatro meses.
A ministra passou por uma cirurgia de implantação de um cateter de longa permanência embaixo do braço, para facilitar o tratamento de quimioterapia.
Durante a entrevista em São Paulo, Dilma afirmou que, apesar da quimioterapia, seu ritmo de trabalho seguirá inalterado.
“Vou manter minhas atividades no mesmo ritmo. Não há uma incompatibilidade entre o trabalho e tratamento. Esse tratamento não implica que eu tenha que me retrair ao deixar de comparecer à minha atividade. Acredito até que vai ser um fator para me impulsionar.”
Agradecendo aos médicos e funcionários do hospital, a ministra afirmou que se sente “muito segura” em relação à sua recuperação, mas admitiu que o tratamento não será fácil.
“A quimioterapia é sempre algo muito desagradável, mas como tantas mulheres e homens que enfrentam esse desafio e superam, tenho certeza que nesse caso vou ter um processo de superação dessa doença”, afirmou.
Os médicos afirmaram que como o linfoma está em estado inicial, o tratamento não é considerado agressivo. A perspectiva para o tratamento é a “melhor possível”, mais de 90% de chances de recuperação segundo o médico Roberto Kalil Filho, cardiologista de Dilma.
Dilma Rousseff está cotada para ser a candidata do PT nas eleições presidenciais de 2010, contando inclusive com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas, na entrevista coletiva deste sábado, a ministra preferiu não tocar no assunto repetindo a frase que já disse em entrevistas anteriores, de que não responde a perguntas sobre este assunto “nem amarrada”.
Surpreso
Em Washington, onde participa da reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda Guido Mantega contou que recebeu a informação na manhã deste sábado.
Fiquei surpreso, evidentemente, mas conheço bem a Dilma. Sei que ela é uma grande lutadora, e ela tem vencido os desafios e batalhas, é mais um desafio, uma batalha que ela vai vencer com facilidade – facilidade não, porque sempre combater um linfoma não é algo que seja fácil, mas ela tem uma garra e a determinação e ela vai superar isso com as suas qualidades.”
Indagado se ele acredita que a condição da ministra-chefe da Casa Civil poderá abalar a sua provável candidatura à presidência, Mantega afirmou: Não acredito que afete, porque, até onde eu sei, é um problema que está sob controle. Tenho a certeza e a segurança que isso não vai afetar a vida política dela, não vai afetar a ação dela no governo.”
Tanto o governo quanto a oposição se mostraram surpresos com a notícia. O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana, disse que é “inapropriado” falar de política nesse momento.
“Não é hora de falar de eleição. É um momento que exige solidariedade. Além disso, o diagnóstico foi precoce, o que aumenta muito as chances de cura”, disse Fontana. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, também afirmou ser “inadequada” uma discussão política e que ainda trabalha com a possibilidade de a ministra ser candidata em 2010.
Fonte: CNM/CUT