CEF prevê liberação de mais de R$ 70 bilhões para crédito imobiliário em 2010
A Caixa Econômica Federal (CEF) deverá liberar mais de R$ 70 bilhões em 2010 em financiamento habitacional, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (9) pelo banco. Caso confirmada, a previsão significará um crescimento de cerca de 48% sobre os R$ 47,05 bilhões liberados em todo o ano de 2009. O banco é responsável por 52% dos recursos destinados ao mercado de crédito imobiliário.
A presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho, atribuiu o aumento à política habitacional do governo e a boa conjuntura econômica do país. “São os fundamentos macroeconômicos em relação ao trabalho e a renda das famílias, que possibilitam que a gente tenha essa perspectiva não só para 2010, mas também o prosseguimento disso nos próximos anos”, declarou.
No total já foram fechados pela CEF neste ano 778.717 contratos para financiamentos de imóveis, 355.358 relativos ao programa Minha Casa, Minha Vida. No total, o programa habitacional já atingiu, segundo a presidente da instituição, 63% da meta de 1 milhão de moradias, com 630.886 contratos.
Desses, 292.229 são referentes a habitações para famílias com renda de até três salários mínimos. Essa faixa é, no entanto, a que teve menor número de unidades entregues até o momento, com 3.588 moradias concluídas. No balanço total do programa, 160.883 unidades já estão nas mãos dos novos donos.
O vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, atribuiu os números ao tempo de conclusão dos novos projetos. Segundo Hereda, uma construção nova demora de 12 a 24 meses para ser terminada, por isso ainda não houve tempo suficiente para finalizar as novas unidades.
Até o final do ano devem ser entregues mais 101.494 moradias do Minha Casa, Minha Vida, 78.086 delas para famílias com rendimento de até três salários mínimos.
Rede Brasil Atual
Minha Casa, Minha Vida: municípios já podem aderir ao programa
A Caixa Econômica Federal disponibiliza aos estados e municípios, a partir de hoje (13), o termo de adesão ao Programa Minha Casa, Minha Vida, que tem como meta a construção de 1 milhão de casas. O banco também fornece o modelo de instrução de doação de terreno. As construtoras e os movimentos sociais interessados em participar podem apresentar as propostas nas 78 superintendências regionais da Caixa.
Segundo o banco, para as famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos, serão priorizados projetos de regiões que recebam impacto de grandes empreendimentos de infra-estrutura, como usinas, hidrelétricas, porto e de áreas atingidas por catástrofes definidas pela defesa civil.
Também terão preferência empreendimentos de estados e municípios que ofereçam maior contrapartida e desoneração fiscal de ICMS, ITCD, ITBI e ISS, entre outros critérios.
De acordo com a Caixa, as propostas deverão apresentar casas térreas ou prédios, de acordo com as especificações publicadas na cartilha.
Os empreendimentos destinados às famílias com renda de 3 a 10 salários mínimos não obedecerão às especificações pré-estabelecidas e serão aqueles oferecidos normalmente pela indústria da construção civil.
Fonte: Ag. Brasil
Habitação: Presidente Lula vai anunciar pacote de 1 milhão de casas
O presidente Luiz Inácio Lula Silva confirmou nesta sexta-feira (20) que o pacote de habitação com o objetivo de construir um milhão de casas para famílias com renda de até dez salários mínimos (R$ 4.650,00) será anunciado na próxima quarta-feira, dia 25 de março. Lula não deu detalhes sobre como o programa irá funcionar e quando as obras terão início.
“Na quarta-feira, vamos anunciar um grande programa de habitação no Brasil para construir um milhão de casas”, disse ele, no encerramento do seminário “Oportunidades de Comércio, Negócios e Investimentos entre Argentina e Brasil”, ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
“Esperamos ser um desafio extraordinário para a indústria da construção civil brasileira, que passou 50 anos reclamando e agora vai ter um milhão de casas para serem construídas, casas para pessoas de zero a dez salários mínimos”, acrescentou.
O presidente afirmou que essa não será a única medida do governo com o objetivo de combater os efeitos da crise internacional no País, mas não entrou em detalhes sobre quais seriam as demais ações. “Certamente outras medidas vão ser anunciadas na medida em que vá sendo necessário a gente fazer o ajuste da economia.”
O presidente disse que o crédito no País já está sendo retomado, diferentemente do que está ocorrendo nos países desenvolvidos, “onde o crédito desapareceu”. “Trabalho com a confiança de que nós teremos um segundo trimestre melhor que o primeiro, e um terceiro trimestre melhor, e a partir daí a economia brasileira, argentina e da América do Sul e no mundo inteiro comece a se recuperar”, declarou.
Lula admitiu que a economia brasileira teve um “problema sério” nos meses de outubro, novembro e dezembro, mas ponderou que ela já começa a dar sinais de recuperação. “Certamente, nós não cresceremos o tanto que queríamos crescer, mas com o passar do tempo nós vamos perceber que o Brasil estará entre os países que tiveram crescimento positivo no PIB, diferentemente dos países que estão em recessão, economias fortes como Estados Unidos, países europeus e Japão”, afirmou.
Como exemplo, ele citou o caso da indústria automotiva brasileira, que passou por uma “crise medonha” no último trimestre de 2008. “Algumas empresas já estão convocando os trabalhadores para fazer hora extra no sábado. Eu acho isso importante”, exemplificou.
Lula disse ainda que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vão gerar muitos empregos no País. “Portanto iremos recuperar parte dos empregos, no mês de fevereiro. Já tivemos crescimento positivo dos empregos formais criados em fevereiro”, destacou.
Da Agência Estado
Um em cada três brasileiros não tem moradia digna
Em todo o Brasil, 54 milhões de pessoas, o equivalente a 34,5% da população urbana, ainda vivem em condições de moradia inadequadas. Os dados fazem parte de estudo feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, divulgado hoje (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo a pesquisa Pnad 2007: Primeiras Análises, praticamente um em cada três brasileiros que vivem nas cidades não tem condições dignas de moradia.
O estudo mostra que indicadores habitacionais como domicílios urbanos providos de paredes e teto construídos com materiais duráveis apresentam índices de cobertura superiores a 98,6%, considerados pelo estudo como “bastante elevados”. Há registros também de banheiros de uso exclusivo do domicílio para 97,5% das pessoas que vivem em áreas urbanas, de iluminação elétrica em 99,8% das moradias e de conexão com a rede de telefonia fixa em 75,6%.
Os principais problemas habitacionais, segundo o Ipea, estão relacionados ao grande adensamento de pessoas, ao ônus excessivo com o pagamento de aluguel, à proliferação de assentamentos precários e aos casos de mais de uma família vivendo em uma mesma residência.
O número de pessoas que moram em domicílios urbanos onde há superlotação domiciliar – com densidade superior a três pessoas por cômodo usado como dormitório –, por exemplo, é de 12,3 milhões de habitantes, o que representa 7,8% da população urbana.
De acordo com o estudo, os brasileiros que sofrem com o adensamento excessivo estão concentradas nas regiões metropolitanas de São Paulo (2,2 milhões) e do Rio de Janeiro (1 milhão). Já em termos relativos, o problema é mais grave nas regiões metropolitanas de Belém, de São Paulo e de Salvador, onde os percentuais são de 16,6%, 11,7% e 10,6%, respectivamente.
No que diz respeito à população residente em assentamentos precários, a pesquisa verificou uma redução considerada “substancial” no número de pessoas que vivem em cortiços (domicílios do tipo cômodo), de 870 mil, em 1992, para 408 mil, em 2007. Ainda assim, no ano passado, o número de brasileiros em situação de irregularidade fundiária em áreas urbanas e cujas residências estavam construídas em terrenos de propriedade de terceiros ou sob outras condições de moradia, como invasão, era de 7,3 milhões.
“Não foi possível deter o crescimento da população residente em domicílios improvisados nem do número de pessoas residentes em favelas e assemelhados. No caso das favelas, o crescimento absoluto foi de mais de 2 milhões de pessoas, alcançando a cifra de quase 7 milhões em 2007, dos quais 4 milhões são moradores da Região Sudeste, concentrados em termos numéricos nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro”, destaca a pesquisa do Ipea.
Fonte: Ag. Brasil