Acidentes fatais com motos aumentam entre mulheres
Embora os homens sejam maioria nos acidentes fatais com motocicleta no Brasil (90%), a quantidade de mulheres que perdem a vida nesse tipo de acidente vem aumentando cada vez mais. O Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde revela que, de 1996 a 2010, a quantidade de vítimas fatais do sexo feminino em acidentes com motocicletas cresceu 16 vezes, enquanto o número de homens que morreram nesses acidentes aumentou 13 vezes no mesmo período.
“Temos mais um motivo para defender uma conduta cada vez mais cuidadosa no trânsito e que a fiscalização seja rigorosa para salvarmos mais vidas”, enfatiza o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrando que cerca de 80% das vítimas fatais têm entre 15 e 39 anos.
Um dos fatores preponderantes é o aumento da frota de motocicletas, meio de transporte utilizado por 10,2 mil dos 41 mil brasileiros que perderam a vida no trânsito em 2010. “Especialmente em cidades com menos de cem mil habitantes, tem aumentado o número de motociclistas, inclusive do sexo feminino, tornando as mulheres mais vulneráveis aos acidentes de trânsito”, observa Alexandre Padilha.
Outro agravante é apontado pela pesquisa Vigitel (Vigilância de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2010. Os dados mostram que o percentual de homens que afirmaram ter dirigido após o consumo abusivo de álcool ainda é superior ao das mulheres – 3% contra 0,2% -, porém o consumo abusivo de bebidas alcoólicas por mulheres vem apresentando tendência de crescimento. “Embora o homem esteja mais vulnerável a este tipo de acidente porque costuma ser mais agressivo ao dirigir, as mulheres também devem ficar atentas para não associar álcool e direção”, considera a coordenadora de vigilância e prevenção de violências e acidentes do Ministério da Saúde, Marta Silva.
Além da associação entre direção e bebida alcoólica, a coordenadora lembra que o excesso de velocidade e direção imprudente também são fatores de risco. “Acidentes tornam-se ainda mais graves quando os motociclistas não utilizam equipamentos de proteção, como capacetes, casaco com proteção, calçados apropriados (botas, sapato fechado) e ainda desrespeitam a sinalização e fazem ziguezague entre os carros”, adverte.
Do Portal da Saúde
Falta de emprego é maior entre jovens, mulheres e inexperientes
O desemprego brasileiro tem uma cara jovem, feminina, de média escolaridade e inexperiente. Para pessoas com essas características, a taxa de desocupação no Brasil é bem superior à taxa global de 4,7% registrada em dezembro do ano passado segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último mês do ano passado, 1,1 milhão de pessoas estavam desempregadas nas seis capitais pesquisadas. Desses, 213 mil buscavam o primeiro emprego.
Karina Pereira, de 18 anos, é um exemplo desse perfil. Ela acabou de completar o ensino médio e está procurando o primeiro emprego. Karina gostaria de trabalhar como assistente-administrativo ou na área de informática, já que pretende começar neste ano uma faculdade de ciências da computação.
Encontrar um trabalho está entre as condições para cursar – e pagar – a faculdade. “Desde que me formei, meus pais, tios e amigos da família estão tentando me indicar trabalhos, mas até agora não encontrei nenhum. Estou ansiosa para começar”, diz a jovem, que foi ontem pela primeira vez a um Centro de Apoio ao Trabalho (CAT) em São Paulo montar o seu perfil profissional e buscar vagas disponíveis. Não conseguiu nada. A pretensão salarial de Karina é de R$ 1 mil, “mas acho que devo receber mesmo é R$ 900 no primeiro emprego”. Talvez a jovem esteja sendo muito otimista. Priscila Delphino, de Osasco, também tem 18 anos e procura o seu primeiro trabalho.
Ela já foi duas vezes ao CAT e ontem saiu com uma entrevista marcada para recepcionista de cinema em um shopping. O salário oferecido pela empresa é o mínimo (R$ 622), abaixo da sua pretensão (R$ 900). Entre as vagas compatíveis com o perfil de Priscila, essa era a única que não exigia experiência. Ela chegou a fazer ensino médio técnico em gestão de empresas, mas as oportunidades em recursos humanos, área de interesse da jovem, não consideram o curso técnico como experiência. Ela conta que menos de um terço da sua turma de 22 alunos conseguiu emprego até agora.
A taxa de desocupação entre as mulheres fechou o ano passado em 6%, mas entre os homens o índice é de 3,7%. Essa diferença é histórica, mas, segundo especialistas consultados pelo Valor, vem diminuindo. “Um exemplo desse fenômeno é a redução da oferta de empregadas domésticas. As mulheres [com menos qualificação] buscam empregos em serviços, sendo que a renda não é, necessariamente, maior, mas há a questão do status social e de o trabalho ser mais regulamentado, com condições mais claras”, afirma José Márcio Camargo, especialista em mercado de trabalho da PUC-Rio.
O pesquisador também aponta a falta de conhecimento sobre o novo profissional como um problema. “Há assimetria de informações entre a empresa que disponibiliza a vaga e o candidato que quer ser empregado. Oferecer um salário compatível com a produtividade do trabalhador em seu primeiro emprego é extremamente difícil”, diz.
Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, relata assim a dificuldade do jovem: “Não tenho experiência, logo não consigo emprego; mas se não tenho emprego, não adquiro experiência”. diz. “Além disso, muitos não querem a mesma profissão dos pais. Filho de peão, peãozinho não é, pois eles já cursaram o ensino médio”, diz ele.
O desemprego no Brasil também é mais baixo entre aqueles com poucos anos de estudo (3,7%) ou aqueles com ensino superior (4,5%). Para quem tem entre oito e dez anos de estudo, o que significa ter concluído pelo menos o ensino fundamental e, no máximo, o ensino médio, a desocupação é de 7%.
Para Luiz Scorzafave, professor de economia da USP em Ribeirão Preto, há três principais hipóteses que justificam o desemprego maior entre as pessoas com nível escolar médio. “A quantidade de pessoas com nível médio incompleto está aumentando no mercado de trabalho e não há geração de vagas suficientes para essa qualificação. Além disso, como as pessoas estão estudando mais, a quantidade de postos de trabalho para pessoas com baixa escolaridade consegue atender a oferta. Finalmente, o número de pessoas com ensino superior está aumentando e elas têm um leque de opções maior. A pessoa com ensino superior pode exercer funções de quem tem menos qualificação. O contrário não é verdadeiro.”
Para Camargo, calcular a produtividade do candidato está entre as dificuldades que influenciam na taxa de ocupação do profissional com nível de escolaridade média. “Sobre o profissional mais qualificado, é fácil conseguir informações da qualidade da universidade cursada, por exemplo. No nível intermediário, não há informações disponíveis”, diz ele.
Apesar de o desemprego maior entre os jovens ser comum aos mercados de trabalho em todo o mundo, a falta de medidas que evitem o agravamento desse cenário pode trazer frustrações e atrapalhar o andamento da economia brasileira. Scorzafave alerta para o risco da informalidade. “Essa busca frustrada pelo primeiro emprego pode incentivar a informalidade. Um profissional relativamente qualificado pode aceitar se inserir de maneira mais precária no mercado de trabalho.”
O professor da USP-Ribeirão destaca a importância de investimentos para manter os alunos na escola e aumentar os anos de estudo. “Com mais tempo na escola, o jovem retarda a procura do primeiro emprego, entra no mercado mais qualificado e começa a contribuir com a previdência mais tarde, retardando a aposentadoria. São vários os aspectos positivos para o país”, destaca.
Do Valor Econômico
Mulheres querem mais políticas a caminho da autonomia
A 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que começa na próxima segunda-feira, terá como principal objetivo a ampliação das políticas públicas para as mulheres brasileiras. O encontro vai acontecer em Brasília, entre os dias 12 e 15, e deve contar com a participação de 3 mil mulheres.
As conferências preparatórias envolveram 200 mil mulheres em 2 mil cidades do País. Entre as principais proposições levantadas, e que serão encaminhadas à conferência nacional, estão:
- ampliação da rede de apoio às mulheres como mais creches e mais vagas nos postos de trabalho.
- ampliação da licença maternidade.
- formalização do trabalho doméstico.
- fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.
De acordo com a ministra Iriny Lopes, da Secretaria das Mulheres, as propostas estarão voltadas à construção da igualdade, tendo como perspectiva o fortalecimento da autonomia econômica, cultural e política das mulheres.
“O fim das desigualdades estruturais, como as de raça e gênero, vai contribuir para a erradicação da extrema pobreza e para o exercício da cidadania das mulheres no Brasil”, comentou.
SMABC
Desigualdade entre homens e mulheres deixa Brasil atrás de 79 países
A desigualdade de condições entre homens e mulheres deixa o Brasil atrás de 79 países em um ranking de 146 nações, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgados hoje (2). O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) é um dos indicadores complementares ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), também divulgado hoje.
O IDG é uma medida composta que reflete a desigualdade entre homens e mulheres em três dimensões: saúde reprodutiva, capacitação e mercado de trabalho, de acordo com o Pnud. O índice considera variáveis como mortalidade materna, gravidez na adolescência, assentos do Parlamento nacional e taxa de participação na força de trabalho.
No Brasil, 48,8%s mulheres adultas têm alcançado pelo menos o nível de educação secundária, contra 46,3% dos homens. O país reduziu significativamente a taxa de mortalidade materna nos últimos anos, que caiu de 110 para 58 a cada mil nascimentos, entre 2010 e 2011. No entanto, apenas 9,6% dos assentos do Congresso Nacional são ocupados por mulheres. Na Suécia, por exemplo, essa proporção é 45%. Outro fator de desigualdade de gênero marcante no Brasil é a participação no mercado de trabalho: a taxa é 60,1% para as mulheres e 81,9% para os homens.
Os resultados no IDG deixam o Brasil na 80ª posição do ranking, atrás do Chile, da Argentina, do Peru, México, da Venezuela e até dos árabes como a Líbia, o Líbano e o Kuwait. Os melhores índices são da Suécia, dos Países Baixos e da Dinamarca. Os piores desempenhos, que refletem desigualdades mais profundas entre homens e mulheres, são do Iêmen, Chade e Níger. O Irã é o 92° colocado no ranking. A Arábia Saudita aparece na 135ª posição.
Agência Brasil
Câmara aprova multa para empresa que discriminar mulheres em relação a salário
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou na quarta-feira (26) o Projeto de Lei 6393/09, do deputado Marçal Filho (PMDB-MS), que estabelece multa para empresa que pagar salários menores às mulheres do que aos homens ocupantes da mesma função.
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, já havia sido aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Agora segue para a análise do Senado, a não ser que haja recurso para votação no Plenário da Câmara.
Segundo o texto, a multa será correspondente a cinco vezes a diferença salarial verificada em todo o período do contrato.
O relator, deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), defendeu a aprovação do projeto. Ele destacou que a Constituição prevê igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. “A nossa Carta Magna ainda determina proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”, disse.
Movimento de mulheres protesta e vê retrocesso no debate sobre aborto
Representantes de movimentos de mulheres reuniram-se nesta quarta-feira (28), Dia Latino-americano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do aborto, para protestar na capital paulista contra projetos que tramitam no Congresso Nacional. Segundo as ativistas, se aprovados, haveria retrocesso no país em relação a direitos reprodutivos das mulheres.
Para Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF), o debate no país fica restrito à punição e à criminalização das mulheres, em vez de se discutir questões relacionadas à saúde e ao direito da mulher de decidir se quer ou não ter filhos. “Uma mulher decide os rumos de nossa nação (como presidenta da República), mas as mulheres brasileiras não são consideradas responsáveis para tomar decisão sobre a sua vida, sobre o seu corpo”, critica.
Um abaixo-assinado contra projetos que tramitam no Congresso circulou durante a manifestação. As ativistas pretendem entregar as assinaturas colhidas em vários estados à Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Uma das ameaças citadas é o Estatuto do Nascituro – Projeto de Lei (PL) 478/2007, de autoria dos deputados Luiz Bassuma (PT-BA) e Miguel Martini (PHS-MG) –, que pretende, entre outras medidas, proibir todo tipo de aborto.
Outra proposta considerada polêmica é a “Bolsa Estupro”, apelido cunhado por organizações do movimento de mulheres ao PL 1.763/2007, do deputado Henrique Afonso (PV-AC) e e da agora ex-deputada Jusmari Oliveira, atual prefeita de Barreiras (BA). Pelo texto, vítimas de violência sexual que decidissem não interromper a gravidez teriam direito a uma remuneração mensal de um salário mínimo até que a criança completasse 18 anos. Casos de estupro são uma das possibilidades autorizadas pela legislação brasileira para a realização de aborto.
Pressão
A mobilização aconteceu em cidades do Brasil e da América Latina. Na internet, ativistas participaram de uma “blogagem coletiva” sobre o tema, além de difundir a hashtag (expressão precedida pelo símbolo “#” para delimitar o tema da mensagem em redes sociais) “#legalizaroaborto”. A expressão figurou entre as mais comentadas no Twitter durante o dia.
Em São Paulo, feministas aproveitaram a data para realizar uma panfletagem e uma intervenção cultural na praça da Patriarca, na região central. Uma peça de teatro mostrou uma mulher que, logo depois de realizar um aborto, era julgada simultaneamente por um bispo e um juiz. Os dois discutiam possíveis erros da mulher, enquanto ela pedia ajuda e socorro médico. Ao final, os três atores interagiam com o público, questionando se as mulheres merecem ser presas por realizar um aborto.
Entre os espectadores, a engenheira Renata Salvador disse ser a favor da legalização do aborto. Ela considera que é um direito de escolha da mulher e acredita que alguns políticos até têm boa vontade em relação ao assunto, mas acabam pressionados. “Dizem que o Brasil tem um Estado laico, mas ele é fortemente dominado por religiões, então fica difícil”, criticou. A funcionária pública Celina Aparecida Silva parou para a assistir a peça e disse ser contra o aborto por ser evangélica. “Não pode fazer, é um ser humano. Uma vida.”
Rede Brasil Atual
Mulheres criticam projetos de lei contrários a interesses femininos
Um dia após a “Marcha das Margaridas”, a Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher trouxe ao Senado, nesta quinta-feira (18), participantes do movimento para debater os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Queixas contra projetos de lei em tramitação no Congresso apontados como contrários aos interesses femininos – em especial à prática do aborto – pontuaram a discussão sobre esses temas, requerida pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA), vice-presidente da subcomissão.
A representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Silvia Camurça, foi quem primeiro protestou contra essas propostas. Inicialmente, ela criticou tentativas de mudanças na Lei Maria da Penha, que poderiam levar a um retrocesso em sua aplicação. Em vez de alterações no texto, Camurça defendeu o reforço nas verbas públicas destinadas ao combate a atos de violência contra a mulher.
A questão do aborto surgiu logo em seguida, durante abordagem sobre projetos que tangenciam os direitos reprodutivos. A lista de propostas rejeitadas pela AMB inclui a tipificação do aborto como ato de tortura e seu enquadramento como crime hediondo; a proibição de aborto mesmo em caso de risco de vida para mãe ou de estupro, práticas hoje legalizadas; a criação da “bolsa estupro”, uma ajuda financeira às mulheres estupradas que decidirem manter a gravidez; e até a derrubada de norma do Ministério da Saúde com orientações sobre atendimento a vítimas de violência sexual e prevenção à gravidez indesejada.
Direito ao corpo
Ao condenar a forma como o Congresso conduz a discussão sobre o aborto, o movimento reclamou da tentativa de se usurpar das mulheres o direito de decidir sobre sua vida, a maternidade e o próprio corpo. Essa consideração partiu da representante da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho Orellana, e contou com o respaldo da representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane Silva.
- Por que outros tentam decidir por nós aquilo que nós sabemos melhor sobre nós mesmas? Por que somos consideradas irresponsáveis na hora de tomar decisões? – indagou Sônia Coelho.
Interrupção
Rosane Silva considerou importante o Senado e a Câmara aprovarem leis que conferem direitos à maternidade. Mas reivindicou medidas de proteção às mulheres que engravidaram e querem interromper a gravidez por não se sentirem prontas para serem mães. Ainda nessa linha de argumentação, ela alertou para o fato de que as mulheres trabalhadoras e pobres continuam a morrer país afora por abortos mal feitos.
Raiz da discriminação
Para Lídice da Mata, o debate sobre o “pertencimento do corpo” está na raiz de toda a discriminação contra as mulheres. A parlamentar disse acreditar que a discussão sobre a legalização do aborto no Congresso deve ocorrer com a mesma liberdade conferida aos demais temas de repercussão nacional.
Já a presidente da subcomissão, senadora Ângela Portela (PT-RR), assinalou conquistas desta quarta edição da Marcha das Margaridas, como um acordo com o Ministério da Saúde nas áreas de gênero, saúde sexual e direitos reprodutivos. Esses avanços também foram saudados pela senadora Ana Rita (PT-ES), que não compareceu à audiência por causa de compromissos em seu estado, mas enviou mensagem aos participantes do movimento.
Da Agência Senado
Mulheres terão prioridade em Programa de Aquisição de Alimentos
O Ministério do Desenvolvimento Social publicou, na edição desta quarta-feira (18) do Diário Oficial da União, uma resolução que dará prioridade às mulheres na liberação de recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A medida atende reivindicações apresentadas pelas organizações reunidas nesta semana em Brasília para a Marcha das Margaridas.
A Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional determina que a participação de mulheres nas organizações envolvidas deva ser considerada um critério prioritário tanto para a seleção de projetos quanto para a liberação de recursos. Dos R$ 34 milhões concedidos neste ano ao Programa de Aquisição de Alimentos, 5% devem ser destinados a entidades compostas exclusivamente por mulheres ou, quando mistas, com no mínimo 70% de participação feminina.
Para as principais modalidades de compra do programa, passarão a ser exigidas a participação de ao menos 30% de mulheres, percentual que se transforma em condição imprescindível a partir de dezembro do próximo ano como forma de acessar o crédito.
O PAA foi criado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Cooperativas e associações têm direito a até R$ 1,5 milhão ao ano, sendo R$ 8 mil anuais para cada agricultor familiar. Este ano, o montante disponível foi atingido pelos cortes promovidos no início do governo Dilma Rousseff no Orçamento, caindo R$ 23 milhões em relação a 2010. Por isso, o Executivo trabalha com a ideia de atender 10 mil agricultores familiares, mil a menos que no ano passado.
Da Rede Brasil Atual
FEM negocia ampliação nos direitos para mulheres, jovens e deficientes
A melhoria e a ampliação nos direitos sociais para as mulheres metalúrgicas, jovens e pessoas com deficiência foram debatidas na rodada de negociação da Campanha Salarial da FEM-CUT/SP com a bancada patronal do Grupo 8 na manhã de segunda, dia 15, na sede do Sicetel (Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos), na FIESP.
O presidente da FEM-CUT/SP, Valmir Marques (Biro Biro), pediu aos empresários uma atenção especial às cláusulas sociais que reivindicam a ampliação na garantia de emprego de cinco para sete meses para a trabalhadora gestante e adotante; bem como o aumento nos percentuais do auxílio creche. No caso dos jovens, a Federação negociou a subvenção ao estudo e o não desconto nos dias que os jovens prestarem o vestibular.
Pessoas com deficiência
Com relação aos direitos das pessoas com deficiência, Biro Biro pediu à bancada do G8 que as empresas dos setores respeitem a Lei de Cotas que determina que as fábricas com mais de 100 empregados destinem de 2% a 5% de suas vagas para as pessoas com deficiência. “Uma prática irregular muito comum no nosso ramo é que as empresas incluem o trabalhador acidentado/portador de doença profissional na lei de cotas, e não cumprem a lei. Queremos mudar esta realidade”, disse Biro Biro.
Estão em Campanha Salarial 25 mil metalúrgicos nas empresas do G8 em todo o Estado, na base da FEM. A data-base é 1º de setembro.
Próxima rodada com G8
A FEM e o G8 continuarão na próxima sexta-feira, dia 19, às 10h, no Sicetel, a negociação dos direitos sociais. O G8 também apresentou à Federação um rol de cláusulas para ajustes que serão também debatidas nesta rodada.
Principais reivindicações dos metalúrgicos da CUT
Reposição integral da inflação;
Aumento real no salário;
Valorização nos pisos salariais;
Licença Maternidade de 180 dias;
Ampliação nos direitos sociais;
Organização Sindical no Local de Trabalho;
Jornada de 40h semanais, sem redução no salário.
Base FEM-CUT/SP
A FEM-CUT/SP tem 14 sindicatos metalúrgicos filiados, que representam 250 mil trabalhadores em todo o Estado. A data-base é 1º de setembro. A Federação negocia com sete bancadas patronais divididas nos seguintes setores:
Montadoras (ABC paulista, Taubaté e São Carlos);
Fundição;
Estamparia;
Grupo 2 (máquinas e eletrônicos);
Grupo 3 (autopeças, forjaria, parafusos);
Grupo 8 (trefilação, laminação de metais ferrosos; refrigeração, equipamentos ferroviários,
rodoviários entre outros);
Grupo 10 (reúne os sindicatos patronais dos setores de lâmpadas, equipamentos odontológicos, iluminação, material bélico entre outros).
Da FEM / CUT
Mulheres começam a ocupar Brasília para participar da Marcha das Margaridas
Brasília recebe, a partir desta segunda-feira (15), milhares de trabalhadoras do campo, da floresta e da cidade que seguirão em marcha pelas ruas da capital federal para apresentar as pautas da Marcha das Margaridas. Na quarta edição do ato, são esperadas 100 mil mulheres, na maior manifestação feminista da América Latina. A ação acontecerá na Cidade das Margaridas, instalada no Parque da Cidade, no Plano Piloto.
“Sairemos a partir desta segunda-feira de várias regiões do país e vamos cruzar as estradas, rios e céus do Brasil em marcha para transformar a vida de milhões de mulheres”, declara Carmen Foro, coordenadora geral da Marcha das Margaridas, secretária de Meio Ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entidade responsável pela marcha.
“Nós temos a absoluta certeza de que a pobreza no nosso país tem sexo, tem a cara feminina; tem cor, pois são negras as pessoas mais pobres; e tem lugar: estão no campo e na periferia das cidades. Portanto, nossa pauta não tem só apelo, mas também legitimidade”, pontua Carmem Foro.Serão dois dias de atividades, com início na manhã desta terça-feira (16), quando acontece o lançamento de uma campanha contra o uso agrotóxicos e um ato público no Congresso Nacional pela reforma política. Estão previstos ainda atividades culturais, painéis de debates sobre desenvolvimento sustentável e um show, no final da tarde, com a cantora baiana Margareth Menezes.
Na quarta (17), a partir das 7h, as mulheres seguirão em marcha à Esplanada dos Ministérios para a grande manifestação em frente ao Congresso Nacional. O ato de encerramento acontecerá na Cidade das Margaridas, às 15h, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.
A Marcha se consolidou na luta contra a fome, a pobreza e a violência de gênero a partir de grandes mobilizações nacionais realizadas em 2000, 2003 e 2007. Nesta edição de 2011, as mulheres marcharão com o lema “Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.
De acordo com a coordenação do evento, as pautas de reivindicações levadas ao governo partem da constatação de que a pobreza, a desigualdade, a opressão e a violência predominam entre as trabalhadoras do campo e da floresta. “Nós temos a absoluta certeza de que a pobreza no nosso país tem sexo, tem a cara feminina; tem cor, pois são negras as pessoas mais pobres; e tem lugar: estão no campo e na periferia das cidades. Portanto, nossa pauta não tem só apelo, mas também legitimidade”, pontua Carmem Foro.
Com isso, as mulheres construíram pautas de reivindicações baseadas em sete eixos, divididos em mais de 150 pontos, que abordam questões como democratização dos recursos naturais, atualização dos índices de produtividade, fim da violência no campo, maior participação política da mulheres e melhores condições de trabalho, com autonomia e igualdade
A pauta, com todas as reivindicações da Marcha das Margaridas, já foi entregue ao governo no dia 13 de julho, no Palácio do Planalto, com a participação dos ministros do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social, do Meio Ambiente, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Políticas para as Mulheres.
“A gente acredita muito neste mandato, acreditamos muito na presidenta Dilma e, acima de tudo, acreditamos na nossa pauta”, afirma Carmem.
Atos espalhados
No deslocamento das mulheres para a Marcha das Margaridas, atos políticos acontecerão nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, coordenados pelas federações de trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o país.
Confira o que acontece em cada região:
Centro-Oeste e Norte
Mais de 2 mil mulheres coordenadas pelas federações de trabalhadores rurais dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima realizarão, nesta terça, às 7h30, um manifestação no município de Anápolis (GO), q 48 quilômetros da capital, denunciando as diversas formas de exclusão e violência contra as mulheres do campo e da floresta.
Nordeste
As federações de trabalhadores e trabalhadoras na agricultura da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Alagoas, Piauí e Sergipe realizam, ainda na tarde desta segunda, na cidade de Barreiras (BA), a 853 quilômetros de Salvador, ato com 10 mil mulheres às 16h, na praça Landulfo Alves, às margens do Rio Grande.
As representações de estados nordestinos vão denunciar a agressão e a invasão do agronegócio nas cidades da região. Em Barreiras, segundo as ativistas, há avanço da ocupação de terras para o plantio de soja.
Norte e Nordeste
Cerca de 3 mil mulheres do campo e da floresta oriundas dos estados do Maranhão e do Pará, se encontram no município de Estreito (MA), a 750 quilômetros de São Luís, desde as 7h desta segunda, às margens da rodovia BR-110.
No local, representantes das comitivas fazem denúncias sobre os impactos negativos de grandes projetos na região, a exemplo da construção de uma hidrelétrica que vai remover comunidades para outras localidades.
Além disso, as mulheres denunciam também a violência da qual são vítimas, referindo-se aos conflitos nas áreas quilombolas e aos assassinatos de lideranças sindicais em seus respectivos estados.
Por que Marcha das Margaridas?
Marcha das Margaridas foi criada em homenagem ao legado de Margarida Maria Alves, dirigente sindical e símbolo da luta das mulheres por terra, trabalho, igualdade e justiça. Margarida rompeu com padrões de gênero em sua época ao ocupar, durante 12 anos, a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande (PB), município a 100 quilômetros a oeste da capital.
Ela fundou também o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural e teve a sua trajetória marcada pela luta contra a exploração, pelos direitos dos trabalhadores rurais, contra o analfabetismo e pela reforma agrária. Morreu aos 50 anos, em 1983, assassinada por um pistoleiro, que disparou um tiro de escopeta em seu rosto a mando dos usineiros da Paraíba.
O crime teve repercussão nacional. Porém, como tantos outros cometidos contra trabalhadores rurais, ficou impune. A Marcha das Margaridas foi criada como forma de dar visibilidade às lutas das mulheres do campo e da floresta e para denunciar a impunidade contra as mortes de trabalhadores rurais.
Da Rede Brasil Atual