Negros são responsáveis por movimentar bilhões em renda por ano

Publicado por Administrador 17 novembro, 2011 Nenhum Comentário Imprimir

A população negra é responsável, hoje, pela movimentação de R$ 673 bilhões em renda por ano, de acordo com estudo do Data Popular, a partir dos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio). Desse total, 37% vêm da renda de mulheres negras.

O estudo divulgado nesta quinta-feira (17) ainda mostra que o percentual da massa de renda pertencente aos negros continua sendo inversamente proporcional ao aumento de classe social: enquanto na classe A, 82,3% da massa de renda pertence a não negros e apenas 17,7% a negros, na classe E, 76,3% é de negros e 23,7%, de não negros.

Ao olhar para os números da população não negra, também observa-se um inchaço da população situada na classe C, que passou de 50,5% em 2004 para 56,9% em 2009. Nas classes D e E, por sua vez, também entre a população não-negra, houve um recuo: de 31,5% para 24% e de 3,8% para 2,3%, respectivamente.

“O Brasil de verdade é negro”

Com esse título, uma das subdivisões da pesquisa mostra o quanto a população negra “se tornou” maioria em terreno verde e amarelo. Isso porque, enquanto em 2004 os negros correspondiam a 48,3% da população brasileira, em 2011, esse número pulou para 51,7%.

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Desemprego é maior em cidades com mais negros ou pardos

Publicado por Administrador 8 novembro, 2011 Nenhum Comentário Imprimir

Uma pesquisa divulgada nesta segunda (7) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que o desemprego é maior em metrópoles com maior número de pessoas negras ou pardas. O estudo, coordenado pelo economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, dissociou a questão de escolaridade do desemprego, mostrando que a falta de trabalho tem relação com a cor, sem relação obrigatória com os anos de estudo. 

“A gente sabe que a taxa de desemprego dos brancos é mais baixa do que dos outros grupos. Dado esse fato, quando se observa uma composição populacional majoritariamente branca, comparando com outros estados, como a Bahia, onde a participação de negros e pardos é muito mais elevada, isso acaba determinando o diferencial de desemprego entre essas duas regiões”. 

Segundo dados da pesquisa, enquanto a taxa de desemprego em Salvador chegava a 14,2%, em Porto Alegre o desemprego era 6,8%. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) de 2009, citada no trabalho, na Bahia 30% da população são formados por negros e 53% por pardos. No Rio Grande do Sul, os brancos são 80%, 7% são negros e 10,8% pardos. 

Barbosa Filho ressaltou que o estudo não deixa claro se o maior desemprego entre negros e pardos pode estar associado à questão do racismo, o que demandaria outra pesquisa, para aprofundar a questão. Segundo ele, também deve se levar em conta as estruturas econômicas de cada região. 

“Uma coisa que se percebeu no estudo é que, aparentemente, esse diferencial na taxa de desemprego explicada por raça não está diretamente relacionado somente à escolaridade, como se suspeitava. Quando se faz essa mesma análise separando por grau de escolaridade, isso explica muito menos a diferença de desemprego entre as regiões metropolitanas estudadas. O que implica que somente o investimento em educação não vai ser eficaz. Simplesmente universalizar a educação não vai solucionar o problema.” 

A íntegra da pesquisa pode ser consultada no endereço www.fgv.br/ibre.

Da Agência Brasil

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Renda de analfabetos e negros foi a que mais cresceu

Publicado por Administrador 3 maio, 2011 Nenhum Comentário Imprimir

A pesquisa sobre Desigualdade de Renda na Década, divulgada hoje (3) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a renda dos analfabetos cresceu 47% entre 2000 e 2009, enquanto a renda das pessoas com ensino superior incompleto caiu 17%.

O estudo mostra também que a renda dos negros cresceu duas vezes mais do que a dos brancos, nos últimos 10 anos. No primeiro grupo, a renda ficou 43% maior e, no segundo, o crescimento foi de 21%. A renda das pessoas pardas cresceu 48%. Os estados do Nordeste foram os que mais cresceram em termos de renda per capita (por pessoa).

O coordenador da pesquisa, Marcelo Neri, atribuiu os resultados à redução da desigualdade no país na última década, que caiu em mais de 50%. Em 2010, a desigualdade ficou 16% menor.

“A desigualdade no Brasil está no seu mínimo histórico, a um nível menor que na década anterior, a de 60. Ainda é um nível inaceitavelmente alto. Agora, a desigualdade no Brasil pode continuar caindo e os pobres poderão viver um crescimento chinês ainda por algum tempo, apesar da economia não apresentar uma dinâmica de crescimento tão forte”.

No Maranhão, o estado mais pobre apontado na pesquisa, a renda cresceu 46%, enquanto em São Paulo, o estado mais rico, o crescimento foi de 7%. Neri explicou que, com exceção do aumento da renda entre analfabetos, o efeito educação e de programas sociais foram as principais contribuições para a redução da pobreza na maioria dos casos.

“A renda dos 20% mais pobres em idade ativa teria crescido 55% só pelo efeito educação. Então, este é disparado o principal efeito, seguido de programas sociais”.

Segundo a pesquisa, a renda das mulheres em idade ativa cresceu 38% no período estudado enquanto o crescimento da renda dos homens foi de 16%. Os efeitos esforço de trabalho e contribuição de programas do governo foram os fatores identificados para esse crescimento.

“As mulheres estão mais presentes no trabalho e trabalhando mais horas e esse crescimento se reflete no aumento da renda. Mas auxílios como o Bolsa Família para as mulheres também contribuíram um pouco para esse resultado”, esclareceu o economista.

Agência Brasil

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Mobilização nacional pró-saúde da população negra

Publicado por Administrador 20 outubro, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

Aumentar o número de cidades engajadas na campanha pela mobilização nacional pró-saúde da população negra é uma das metas das entidades envolvidas na campanha. O movimento é coordenado pela organização não governamental Criola. Em entrevista à Agência Brasil, o articulador nacional da campanha, José Marmo da Silva, revelou que desde o ano passado o movimento foi estendido, unindo a mobilização com o Mês da Consciência Negra. “Então, ela começa em outubro e termina no dia 20 de novembro, data em que se comemora o herói negro Zumbi dos Palmares”.

Até o momento, o movimento já tem 40 cidades engajadas. “Até 20 de novembro, eu acho que a gente consegue chegar até 70 cidades brasileiras”. A campanha conta com a parceria das secretarias de Saúde e do Conselho Nacional de Saúde, entre outras entidades. “Nós estamos trabalhando, todo mundo junto, numa grande parceria, para que atinja até 20 de novembro várias cidades de todas as regiões do país”.
 

Hoje (19), o Encontro sobre a Saúde da Mulher Negra, no Rio de Janeiro, deu seguimento ao movimento de mobilização nacional pró-saúde da população negra. A campanha ocorre anualmente desde 2006 e tem seu auge no Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, comemorado na quarta-feira (27) da próxima semana.

Até novembro, serão realizados diversos eventos, incluindo seminários e uma audiência pública sobre a saúde da população negra. A ideia, disse Marmo, é dar uma visibilidade maior à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. “E também trazer à tona as desigualdades raciais em saúde, na medida em que a gente quer um Sistema Único de Saúde (SUS) com equidade”.

Segundo Marmo, nas cinco capitais do Norte do país, por exemplo, estão ocorrendo atividades. Para o próximo mês foi estabelecida uma agenda prioritária nessas cidades com temas sobre o assunto. “Foi importante para nós. É um ganho”.

Qualquer pessoa pode participar da campanha, seja reunindo os amigos para discutir o tema do movimento, seja exibindo vídeos institucionais que abordem a questão do racismo na área da saúde, entre outras formas. “O importante é participar, trazer à tona essa discussão”, destacou Marmo.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, as mulheres negras com idade entre dez e 29 anos apresentavam risco de morrer por câncer de colo de útero 20% maior do que o da mulher branca na mesma faixa etária, no período de 2007 a 2009. Segundo a mesma fonte, a população negra tem maior risco de morte por causas externas, especialmente por homicídios.

A mobilização pretende ampliar a cobertura de saúde e melhorar essas estatísticas. “Qualificar o atendimento do SUS e as decisões políticas em saúde, levando em consideração a qualidade da coleta raça/cor [nas estatísticas do Ministério da Saúde]. Nós queremos incluir também os temas de racismo e seu impacto na saúde mental, queremos fortalecer o controle social das políticas públicas de saúde pela população negra. É importante que a população negra acompanhe e monitore a Política Nacional de Saúde Integral nos estados e municípios, que hoje é lei”, afirmou Marmo.

A mobilização para sensibilização da sociedade e dos gestores na área de saúde deverá ter continuidade nos próximos governos, disse. “Mas, a gente também pensa nos desdobramentos depois da mobilização”. Citou o exemplo de Teresina, capital do Piauí., onde a Secretaria Estadual de Saúde já está incluindo o tema da saúde da população negra em suas áreas programáticas. “Isso é fundamental. Porque não adianta só você mobilizar e depois não ter um produto mais tarde”.

Agência Brasil

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Comitê de Promoção à Igualdade Racial realiza “Negras Memórias”

Publicado por Administrador 11 maio, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

Idosos negros que ajudaram na construção da história de Joinville serão homenageados num evento que leva o nome de “Negras Memórias” e é organizado pelo Comitê Gestor de Promoção à Igualdade Racial da Prefeitura de Joinville. A homenagem será na quinta-feira (13), a partir das 17 horas, na Estação da Memória de Joinville.

Segundo Raquel Alves dos Santos de Queiroz, coordenadora do comitê, será uma homenagem e um agradecimento público por tudo o que o grupo fez por Joinville. Ela destaca que eles tiveram participação efetiva na construção histórica da cidade. “Ocuparam espaços importantes nos movimentos sociais e profissionais de Joinville e, mesmo assim, passaram por diversos momentos de discriminação racial que marcaram suas vidas e de suas famílias”, finaliza.

Além do Comitê da Prefeitura de Joinville, este encontro festivo será apoiado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), órgão do Governo Federal, que tem como objetivo promover a igualdade e a proteção de grupos raciais e étnicos que passam por discriminação e demais formas de intolerância, com ênfase na população negra.

13 de Maio
No dia 13 de maio de 1888, Princesa Isabel, filha de D.Pedro II, passou para a história do país como a responsável pela assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888. Assim, no dia 13 de maio, o Brasil comemora a Abolição da Escravatura no Brasil.

Da Prefeitura de Joinville

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Para OIT, redução de salários é precarização do emprego

Publicado por Administrador 3 fevereiro, 2009 Nenhum Comentário Imprimir

A diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), Laís Abramo, disse que as propostas de redução da jornada de trabalho e a redução proporcional dos salários representam a piora no mercado de trabalho. Segundo ela, o risco de a América Latina e o Caribe passarem por um processo desses “é alto.”

“A OIT defende o diálogo [entre empresas e trabalhadores] para encontrar soluções para cada caso concreto. Mas, a solução não pode ser a precarizacão do trabalho. É preciso tomar cuidado para que medidas conjunturais necessárias não tenham efeito contrário. É preciso manter a capacidade de consumo para manter o mercado interno aquecido”, disse a diretora.

A diretora comenta ainda que há preocupação na OIT com o prejuízo do emprego de alguns segmentos da sociedade como negros, jovens e mulheres. Segundo dados do Panorama Laboral, divulgado pela Organização, o desemprego no Brasil, na América Latina e no Caribe é 1,6 vezes maior entre as mulheres.

Entre os jovens é 2,2 vezes maior do que entre os mais velhos. “Temos preocupação que o desemprego atinja primeiro e mais fortemente aqueles extratos da sociedade que sempre foram mais discriminados, como as mulheres e os negros”, disse.

Fonte: Sindicato do ABC

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Câmara aprova cotas para negros, índios e pobres em escolas federais

Publicado por Administrador 21 novembro, 2008 Nenhum Comentário Imprimir

O Plenário aprovou nesta quinta-feira projeto que reserva no mínimo 50% das vagas nas universidades públicas federais para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. A proposta – PL 73/99, da deputada Nice Lobão (DEM-MA) – foi aprovada na forma do substitutivo aprovado em 2005 pela Comissão de Educação e Cultura, elaborado pelo deputado Carlos Abicalil (PT-MT). O projeto segue para o Senado.

Os parlamentares aprovaram emenda que destina metade das vagas reservadas aos estudantes oriundos de famílias com renda per capita de até 1,5 salário mínimo (R$ 622,50). A outra metade deverá ser preenchida por alunos negros, pardos e indígenas. A divisão das vagas entre essas etnias seguirá suas proporções na população do estado onde é localizada a instituição de ensino, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, lembrou que hoje se comemora o Dia da Consciência Negra. Segundo ele, essa proposta tem todo o conteúdo de justiça social em relação a etnias. “O fato de ter havido um acordo entre os partidos para sua aprovação aumenta sua grandeza.”

Regras
De acordo com o texto aprovado, as universidades públicas deverão selecionar os alunos do ensino médio em escolas públicas tendo como base o coeficiente de rendimento, obtido através de média aritmética das notas ou menções obtidas no período, considerando-se o currículo comum a ser estabelecido pelo Ministério da Educação. As cotas deverão ser respeitadas em cada curso e turno das universidades.

O texto faculta às instituições privadas de ensino superior o mesmo regime de cotas em seus exames de ingresso.

Nível médio
O substitutivo de Abicalil também determina semelhante regra de cotas para as instituições federais de ensino técnico de nível médio. Elas deverão reservar, em cada concurso de seleção para ingresso em seus cursos, no mínimo 50% de suas vagas para alunos que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas. Nessas escolas, se aplicará o mesmo critério das universidades para a admissão de negros e indígenas.

Caberá ao Ministério da Educação e à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República, ouvida a Fundação Nacional do Índio (Funai), o acompanhamento e avaliação desse programa de cotas. Após dez anos, o Poder Executivo promoverá a revisão do programa.

As universidades terão o prazo de quatro anos para o cumprimento das regras, implementando no mínimo 25% da reserva de vagas determinada pelo texto a cada ano.

Extinção do vestibular
A autora do projeto original, deputada Nice Lobão, argumenta que o ideal seria a extinção do vestibular, mas, como tal objetivo ainda não pode ser alcançado, a proposta é estabelecer uma mudança gradual, deixando 50% das vagas no padrão convencional de ingresso na universidade.

Fonte: Câmara dos Deputados

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Negros: participação no mercado de trabalho aumenta, mas renda não

Publicado por Administrador 21 novembro, 2008 Nenhum Comentário Imprimir

A participação dos negros no mercado de trabalho brasileiro aumentou desde a segunda metade da década de 90. No entanto, as condições de trabalho e de renda ainda continuam muito aquém das registradas pela população branca.

De acordo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008, elaborado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 20,6 milhões de pessoas ingressaram no mercado de trabalho de 1995 a 2006. Desse número, apenas 7,7 milhões eram brancos. O restante, 12,6 milhões de pessoas, eram pardas e pretas.

No entanto, ao observar o rendimento mensal real do trabalho, a desigualdade de raça e a de gênero prevalecem. O vencimento médio dos homens brancos em todo país equivalia, em 2006, a R$1.164,00, valor 53% maior do que a remuneração obtida pelas mulheres brancas, que era de R$ 744,71. O rendimento dos homens brancos era ainda 98,5% superior ao dos homens negros e pardos, que era de R$ 586,26. Era ainda 200% superior ao rendimento das mulheres negras.

Para o pesquisador do Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Socioeconômicos (Dieese) Clemente Ganz Lúcio, que também integra grupo de trabalho do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) sobre políticas de eqüidade, a diminuição da desigualdade no mercado de trabalho depende de vários fatores, mas especialmente do acesso da população negra à educação de qualidade.

“Os avanços que podem ser conquistados dependem de vários fatores, entre eles, do crescimento econômico, do processo de desenvolvimento, dos ganhos políticos, da democracia. No caso específico dos negros, um dos fatores que contribuem para essa desigualdade é educação, ou seja o acesso à educação de qualidade. Enquanto os negros não chegaram no mesmo ritmo ao ensino universitário, ao ensino técnico, aos postos de trabalho de qualidade, a diferenciação de renda não vai cair.”

O aumento da participação da população negra nos últimos anos no Brasil na população economicamente ativa, na opinião de Clemente Ganz Lúcio, já pode ser reflexo da adoção do sistema de cotas nas universidades a partir de 2003.

“As cotas, em certa medida, geram a oportunidade para a população negra ocupar um espaço cujo acesso exclusivamente meritório, ou seja, pela capacidade, acabava excluindo esses alunos. O que a experiência tem mostrado é que essas pessoas estão tendo um desempenho equivalente ao dos demais estudantes e, portanto, um investimento continuado poderia propiciar essa mudança. As cotas são um remédio doído para a sociedade porque significam reconhecer uma discriminação, mas podem fazer diferença lá na frente. É evidente que, no futuro, se essa situação for superada, a própria política de cotas desaparece”, avaliou.

O diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mário Theodoro, aponta as razões históricas para a desigualdade, mas ressalta, na publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 Anos após a Abolição, o dilema vivido pelo Brasil moderno que “convive e vive da desigualdade”. “No país que convive e vive da desigualdade, o negro, ao perder o lugar central no mundo do trabalho, não deixou de exercer um papel social como o núcleo maior dos pobres, prestadores de serviços aos quais as classes médias recorrem ostensiva e sistematicamente”, destaca.

Para Clemente Ganz Lúcio, é importante destacar o reconhecimento da existência da desigualdade e sua redução ao longo dos últimos anos, um avanço a ser comemorado. “O que nós temos que observar é o fato de que temos uma redução da desigualdade. Ainda é grande, mas até pouco tempo não era nem reconhecida. À medida que se reconhece que a desigualdade é um problema estrutural, ou seja, ele não é momentâneo, faz parte da nossa história e da constituição da organização econômica e social do país, observarmos a mudança no sentido de que a desigualdade é um resultado a ser comemorado”, destacou.

“Deve ser comemorado no sentido de que caminhamos no sentido da redução dessa desigualdade. Deve nos preocupar, deve ser um alerta, deve ser um indicativo de que a gente deve estar o tempo todo combatendo, mas também identificando se as ações que estão sendo implementadas estão contribuindo para que ocorra uma diminuição dessa desigualdade”, acrescentou.

Ele lembrou que a luta contra a discriminação é recente no Brasil e que ainda há muito caminho a ser percorrido para eliminar o problema. “A história nos mostra que os processos sociais que levam a essa mudança não são imediatos, ou seja, é uma construção social que leva tempo. Mais ou menos o tempo de quanto as políticas publicas, os movimentos sociais e a organização da sociedade estão dispostas a promover a transformação daquela realidade. Mas, de todo modo, levam-se anos, gerações para que ocorram mudanças substantivas nesse aspecto. A própria questão da discriminação racial é uma luta dos últimos 100 anos. Pegando a história da humanidade, é uma luta de pouco tempo, assim como a luta pela igualdade entre homens e mulheres. São conquistas que não são pequenas”, avaliou.

Pesquisa divulgada nesta semana pelo Dieese e pela Fundação Seade mostra que os salários pagos na região metropolitana de São Paulo a profissionais não-negros ainda representam o dobro dos rendimentos dos negros. Em 2007, de acordo com a pesquisa, o rendimento médio por hora dos negros era de R$ 4,36, contra R$ 7,98 dos não-negros.

Fonte: Ag. Brasil

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Política de Cotas e ProUni aumentam número de estudantes negros

Publicado por Administrador 11 novembro, 2008 Nenhum Comentário Imprimir

O sistema de cotas sociais e raciais para ingresso nas universidades públicas e escolas técnicas não é regulamentado por nenhuma lei específica. As escolas, no entanto, têm plena autonomia para adotar esta política. Em 2003, a Universidade de Brasília e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro foram pioneiras na implantação de cotas raciais em seus vestibulares. E atualmente cerca de 60 instituições em todo País já implantaram diferentes modalidades de cotas.

“Acredito que com a formação de jovens pelo sistema de cotas e pelo ProUni, teremos condições de ter um debate massificado no que se refere às relações de trabalho. Evidentemente, um jovem que se forma engenheiro, advogado ou médico vai ingressar no mercado e não vai aceitar uma diferenciação salarial pelo fato de ser negro”, afirmou o ministro da Secretaria Especial de Políticas Públicas da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos.
  
ProUni – Em relação ao ProUni, o número de bolsistas declarados “pardos” e “negros” representam 45,39% do total. O Programa tem como finalidade a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior. Criado pelo governo federal em 2004 e institucionalizado em 13 de janeiro de 2005, oferece, em contrapartida, isenção de alguns tributos àquelas instituições de ensino que fazem adesão ao Programa.
  
De acordo com a Seppir, a adoção de políticas desta natureza beneficia a sociedade brasileira como um todo, uma vez que cria igualdade de condições para todos os indivíduos. Estas ações também fortalecem os instrumentos para a extinção das práticas discriminatórias e propicia às pessoas o exercício pleno de seus direitos fundamentais. A Secretaria defende que a política de cotas seja adotada em caráter provisório, até que a participação dos negros na educação superior seja proporcional ao peso da população negra.

PNUD - Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) de 2008 mostra que os negros no Brasil estão em desvantagem em relação aos brancos em itens como violência, renda, educação, saúde, emprego, habitação e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Em relação ao ensino superior, a proporção de brancos com curso universitário passou de 1,8% em 1960 (3% dos homens, 0,49% das mulheres) para 11,8% em 2000 (11,6% dos homens e 12% das mulheres). O percentual entre os negros subiu de 0,13% (0,21% dos homens e 0,04% das mulheres) para 2,9% (2,7% dos homens e 3,1% das mulheres) no mesmo período.
Cotistas e não-cotistas têm desempenho semelhante

Estudo realizado junto às instituições de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro, que adotaram o sistema de cotas, demonstra que o coeficiente de rendimento médio dos alunos cotistas é tão bom quanto o dos demais alunos. Quanto à evasão escolar, o mesmo levantamento demonstra que as taxas de evasão são semelhantes. Relatório da Assessoria de

Diversidade e Apoio aos Cotistas (Adac), da Universidade de Brasília (UnB), também mostra que o desempenho acadêmico dos estudantes da instituição que entraram pelo sistema de cotas para negros é semelhante ao do sistema universal.
  
De acordo com o relatório, média dos cotistas da UnB é de 2,1 para as notas, em uma escala de 0 a 5. O número de trancamentos é de 0,3 e reprovações são duas por período. A nota média dos não-cotistas é de 2,3. Eles trancam em média uma disciplina ao longo do curso e 3,5 são reprovados por período. Deve-se considerar que o número de estudantes universalistas é muito maior que o de cotistas. “Não há separação entre os jovens cotistas e os não-cotistas. As relações são as melhores possíveis. Além disso, o rendimento desses jovens cotistas tem sido comprovadamente superior à média da universidade”, afirmou o ministro.

Do Em Questão

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Zerar desigualdade de renda entre brancos e negros levará 20 anos

Publicado por Administrador 14 outubro, 2008 Nenhum Comentário Imprimir

Estudo divulgado hoje (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem caindo nos últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser zerada em 2029.

De acordo com o Ipea, a renda per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar per capita dos brancos. “Trata-se de uma desigualdade particularmente detestável, na medida em que não é atribuível a nenhuma medida de mérito ou esforço, sendo puramente resultado de discriminações passadas ou presentes”, informa o documento.

Essa desigualdade, no entanto, começou a cair a partir de 2001. Até 2007, um quarto da diferença foi retirada. “Isto quer dizer que ainda faltam outros três quartos. Se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar per capita apenas em 2029”.

A redução da desigualdade até agora não pode ser atribuída à redução da discriminação racial necessariamente, segundo o Ipea. Por causa do grande percentual de negros nas camadas mais pobres da população, a melhoria na distribuição geral da renda teve reflexos diretos na redução de desigualdades por raça.

“É possível que que a redução da razão de rendas não seja conseqüência de uma redução nas práticas discriminatórias e sim do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, dos benefícios previdenciários indexados ao salário mínimo, do Benefício de Prestação Continuada e dos outros mecanismos de redução da desigualdade geral”, avalia o Ipea.

Segundo a análise, 72% da queda da desigualdade de renda entre negros e brancos se deve à redução generalizada da desigualdade na sociedade brasileira e apenas 28% aconteceu em razão da mobilidade social dos negros, com migração para para classes mais altas. A ausência de políticas de ação afirmativa “de grande envergadura” é apontada pelo Ipea como causa principal desse desequilíbrio.

“A pobreza é predominantemente negra e a riqueza é predominantemente branca”, ressalta o estudo.

Fonte: Ag. Brasil

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