No mundo, mais de 5 bilhões de pessoas são excluídas dos direitos do trabalho
A Organização das Nações Unidas (ONU) informa que dois terços da população mundial, ou seja, cerca de 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex- presidenta do Chile.
Bachelet pretende apresentar o estudo completo durante as discussões da cúpula do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias mundiais), em Cannes, na França, nos dias 3 e 4. O relatório “Uma Proteção Social por uma Globalização Justa e Inclusiva” destaca que, por meio da garantia dos benefícios sociais, é possível avançar economicamente e atenuar as tensões sociais.
No começo deste mês, em Bruxelas, na Bélgica, a presidenta Dilma Rousseff defendeu a adoção de medidas que combatam a fome e a pobreza como meios de melhorar a qualidade de vida da população e proporcionar condições para os avanços econômicos.
Além disso, em visita a Brasília, a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Angela Holguín, sugeriu que os países latino-americanos se unam na tentativa de reagir coletivamente aos impactos causados pela crise econômica internacional. Para ela, o ideal é ampliar os acordos bilaterais e multilaterais. A chanceler veio ao Brasil para intensificar as parcerias em tecnologia, educação, combate à violência e à exploração sexual.
Da Agência Brasil
“Força do Brasil é cada vez mais respeitada no exterior”, afirma Dilma
Ao comentar sua participação na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda, 26, que a força do Brasil é cada vez mais respeitada no exterior. “O Brasil está mostrando ao mundo que é possível fazer a economia crescer e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas melhorem de vida. Foi assim que conseguimos driblar a crise econômica mundial em 2008 e é assim que estamos nos preparando para evitar impactos maiores da crise atual sobre o Brasil e sua economia”, disse. “Voltei muito animada da Assembleia da ONU”, destacou.
No programa semanal ”Café com a Presidenta”, ela lembrou que a posição defendida pelo país, na semana passada, durante o encontro em Nova York é que a saída para a crise econômica mundial seja discutida por todos os países, de forma conjunta.
“É claro que os países desenvolvidos têm uma responsabilidade muito maior, porque foi lá que a crise começou. Mas todos os outros países sofrem as consequências de alguma forma, ainda que indireta. Então, todos devem ter o direito de participar das soluções”, ressaltou.
A presidenta voltou a dizer que o Brasil está bem preparado para enfrentar o atual cenário econômico, citando as reservas internacionais em dólar, o fortalecimento do mercado interno e a manutenção das taxas de desemprego.
Dilma avaliou ainda que é preciso aumentar o espaço das mulheres nas decisões mundiais. Segundo ela, os caminhos para a participação feminina estão “cada vez mais abertos”, mas é preciso avançar.
FEM-CUTSP
ONU comemorou nesta segunda, 18, o Dia Internacional de Nelson Mandela
“Nós podemos mudar o mundo e torná-lo um lugar melhor. Está em nossas mãos fazer a diferença”. Esta frase é do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela.
Em homenagem a sua importante história de vida, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que nesta segunda-feira, dia 18 de julho, seja comemorado o “Dia Internacional de Nelson Mandela”. O dia escolhido, que entrou em vigor no calendário da ONU em 2010, também celebra o seu aniversário de 93 anos.
O ex-presidente ficou conhecido por ser o principal representante do movimento antiapartheid, como ativista e transformador da história africana.
Mandela envolveu-se na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano, conhecido no Brasil pela sigla CNA, em 1947, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, uma organização mais dinâmica, a Liga Jovem do NCA/ANC.
Prisão
Em agosto de 1962, Nelson Mandela foi preso e sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1967 foi sentenciado novamente, dessa vez a prisão perpétua, e escapou de uma pena de enforcamento, por planejar ações armadas, em particular sabotagem e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul. No decorrer dos vinte e seis anos seguintes, Mandela tornou-se tão famoso quanto à oposição do apartheid que o clamor “Libertem Nelson Mandela” se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos antiapartheid ao redor do mundo.
Presidência
Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul, eleito em maio de 1991 a junho de 2000, e comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa. Entre diversos prêmios recebidos no exterior está o Prêmio Nobel da Paz, que Mandela recebeu por seu trabalho pelo fim pacífico do regime do apartheid e por ter conseguido estabelecer os princípios para a democracia na África do Sul.
FEM-CUTSP
Na África, Lula pede reforma da ONU e parceria entre países do Sul
A articulação Sul-Sul, entre países pobres e emergentes, foi defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso nesta quinta-feira (30), durante a 17 ª Cúpula da União Africana, em Malabo, capital de Guiné Equatorial. A parceria entre essas nações foi apontada por ele como essencial para combater a insegurança alimentar, reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) e na busca por desenvolvimento.
Lula chefia a comitiva brasileira no evento, missão auferida pela presidenta Dilma Rousseff. No discurso, ele reforçou que o governo brasileiro continua, sob a gestão de Dilma, disposto a estabelecer ações de apoio em diversos setores. “É total a disposição brasileira em cooperar com o desenvolvimento da infraestrutura, em particular na geração de energia elétrica a partir de usinas hidrelétricas e também com a transferência de tecnologia na produção de etanol e de energia elétrica a partir da biomassa”, avisou.
O ex-presidente citou ainda a disposição brasileira de compartilhar tecnologia na área agrícola, tanto empresarial quanto na agricultura familiar. Durante visitas que fez ao continente, quando estava à frente do Executivo brasileiro, foram firmados acordos de transferência de conhecimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Em campanha
No discurso, Lula deixou claro que a missão brasileira também tinha interesses de política externa. O ex-presidente agradeceu o apoio dos países africanos na eleição de José Graziano – ex-ministro da Segurança Alimentar de Lula – como diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O brasileiro foi escolhido com apoio de países em desenvolvimento, em uma disputa decidida por quatro votos.
Ele lembrou que a crise econômica iniciada em 2008, “nasceu nos países desenvolvidos”, mas provocou danos no mundo todo. “Mas a conta desse ajuste não pode ser paga pelas nações pobres ou emergentes, que precisam atuar em conjunto para construir uma nova ordem econômica e uma nova governança mundial, que atenda ao atual cenário geopolítico, completamente diferente da realidade de 60 anos atrás”, disse.
O alvo é a necessidade de reforma dos organismos internacionais multilaterais. Embora tenha citado apenas a ONU e o Conselho de Segurança da entidade, instâncias como o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) são palcos nos quais países emergentes como o Brasil têm defendido maior divisão de poder decisório. No caso do conselho, o Brasil almeja, assim como Índia e Alemanha, um assento permanente.
“O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar”, filosofou. “Esta é a hora de reconstruir as instituições globais em bases mais democráticas, representativas, legítimas e eficazes”. E apontou: “Os países em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção dos organismos multilaterais. Sem isso não haverá efetiva mudança e crises maiores serão inevitáveis”.
A respeito da ONU, Lula citou o conflito na Líbia, que sofre há três meses uma intervenção comandada por uma coalizão de países articulada pelas Nações Unidas. “Precisamos de uma ONU suficientemente representativa para enfrentar as ameaças à paz mundial, com um Conselho de Segurança renovado, aberto a novos membros permanentes”, defendeu, em tom de campanha. Uma das primeiras tarefas seria negociar um cessar-fogo entre as forças de Muammar Khadafi, líder líbio, e rebeldes opositores.
Confira a íntegra do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva
17 ª Cúpula da União Africana
Malabo, Guiné Equatorial
30 de junho de 2011
Quero saudar Excelentíssimo Senhor Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Presidente da Guiné Equatorial e da União Africana e ao fazê-lo saúdo todos os Chefes de Estado e de Governo e as autoridades aqui presentes
É uma honra estar presente nessa Décima Sétima Assembleia Geral dos Chefes de Estado da União Sul Africana, que abordará um tema de caráter estratégico: a integração da juventude ao processo de desenvolvimento sustentável. Estou aqui como convidado e também representando o Brasil e a Presidenta Dilma Rousseff, que sabe da importância desse encontro, pela relevância do tema escolhido e por abrir mais uma oportunidade para estreitar as relações entre a África e o Brasil.
Inicialmente, quero agradecer o apoio dos países africanos ao processo que permitiu a eleição do meu ex-ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, para o cargo de Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.
Essa foi uma reafirmação da cooperação Sul-Sul, essencial para combater a insegurança alimentar que ainda afeta quase um bilhão de pessoas em todo o mundo.
A eleição de Graziano é um trunfo dos países em desenvolvimento e um reconhecimento do crescente papel que desempenham num mundo cada vez mais multipolar.
A escolha, pela União Africana, do tema da integração da juventude da África ao processo de desenvolvimento sustentável é muito oportuna, especialmente porque 60% da população africana têm menos de 25 anos e o continente passa por um acelerado processo de urbanização.
Aprendi nos oito anos que governei o Brasil, que além de investir na melhoria da educação e da oferta de empregos de qualidade para os jovens, o que os entusiasma é a esperança e a confiança de que terão um futuro melhor.
Foi o que conseguimos no Brasil, ao tratar a juventude não como um problema, mas como uma solução.
Criamos um processo virtuoso, de inclusão social e redução das desigualdades, num ambiente amplamente democrático.
Mostramos que é possível combater as desigualdades sociais, reduzir a pobreza, valorizar o emprego e os salários, fortalecer o mercado interno sem comprometer a solidez e a estabilidade macroeconômica.
Ao mesmo tempo, investimos muito na quantidade e qualidade da educação pública, desde a creche até os cursos de pós-graduação.
Como resultado, vinte e oito milhões de pessoas saíram da pobreza e 36 milhões ascenderam à classe média nos últimos oito anos.
E, o que é muito importante, aumentou a autoestima do povo brasileiro, especialmente entre os jovens. Uma pesquisa realizada no começo deste ano, em 25 países, pela Fundação de Inovação Política da França, mostra que a juventude brasileira é a segunda mais otimista do mundo em relação ao próprio futuro.
Minhas amigas e meus amigos.
A juventude não é uma simples passagem, uma mera ponte entre a infância e a maturidade. Não é, de modo algum, uma idade vazia. Ao contrário, é uma faixa etária singular, fortemente diferenciada. Poucas épocas na vida são tão marcantes e definidoras.
O jovem tem um imaginário particular e suas próprias necessidades objetivas e subjetivas, que devem ser contempladas por políticas públicas específicas, que lhes assegurem direitos e oportunidades.
Muitas vezes a juventude é tratada como um problema, um risco para a sociedade, quando deve ser encarada como parte da solução. A juventude é um ativo, um capital extraordinário. A sua capacidade de mobilização pelas grandes causas do progresso e justiça é inigualável. O seu potencial de solidariedade é imenso.
Desde que saibamos, é claro, reconhecer os direitos dos jovens, oferecendo-lhes autênticos canais de participação na vida social, política e econômica.
Na história do meu país, grandes conquistas populares foram obtidas graças à mobilização juvenil. Basta lembrar que o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial contra o nazi-fascismo pelo clamor da juventude. A luta pela criação da Petrobras, a nossa empresa estatal que já é a segunda do mundo em energia, foi liderada pela juventude.
Nossos rapazes e moças estiveram igualmente na vanguarda da luta contra a ditadura e pela redemocratização do país. Não há bandeira humanista e libertária que os jovens brasileiros não defendam com entusiasmo assim como certamente ocorreu e ocorre com os jovens africanos, que foram decisivos em todos os processos de libertação nacional do continente. É o que acontece em todo o mundo.
Por isso quero saudar essa iniciativa da cúpula dos Chefes de Estado da União Africana, de realizar uma assembleia geral especialmente para discutir a juventude, como fazê-la participar do processo de fortalecimento da economia e da democracia.
O papel da juventude é cada vez mais reconhecido como fundamental para o processo de desenvolvimento, o que levou a Organização das Nações Unidas a eleger o período de agosto de 2010 a agosto de 2011 como o Ano da Juventude.
Minhas amigas e meus amigos
O Brasil está muito atento às transformações em curso na África, um continente em que a economia vem crescendo a taxas muito mais altas do que nos países desenvolvidos.
Segundo o Banco de Desenvolvimento da Africa a classe média africana aumentou de 111 milhões para 310 milhões de pessoas nos últimos trinta anos, com um acelerado processo de urbanização que exigirá mais infraestrutura de energia, saneamento, habitação e transportes.
É total a disposição brasileira em cooperar com o desenvolvimento da infraestrutura, em particular na geração de energia elétrica a partir de usinas hidrelétricas e também com a transferência de tecnologia na produção de etanol e de energia elétrica a partir da biomassa.
O Brasil tem interesse em compartilhar sua tecnologia na área agrícola, tanto empresarial quanto na agricultura familiar.
A relação com a África é estratégica para o Brasil. Foi por isso que visitei tantos países africanos durante os oito anos do meu mandato como Presidente do Brasil. Ampliamos nossos vínculos diplomáticos, econômicos e culturais. Abrimos ou reativamos embaixadas em 19 países africanos e temos relações diplomáticas com os 53 países do continente africano. De outro lado, 33 países africanos já tem embaixadas em Brasília.
Um dos resultados desse processo de aproximação é o comércio bilateral entre Brasil e África ter aumentado de cinco bilhões de dólares em 2002 para 20,5 bilhões de dólares no ano passado. Um número crescente de empresas brasileiras passou a investir na África, gerando empregos e mais renda para o povo africano.
Agora a Presidenta Dilma Rousseff manda um sinal inequívoco, de que vai dar continuidade e aprofundar a relação do Brasil com o Continente africano. Minha vinda a Cupula da Uniao Africana, como representante do Brasil simbolila tal compromisso.
Minhas amigas e meus amigos.
A crise que nasceu nos países desenvolvidos em 2008 provocou efeitos danosos em todas as partes do mundo, mas a conta desse ajuste não pode ser paga pelas nações pobres ou emergentes, que precisam atuar em conjunto para construir uma nova ordem econômica e uma nova governança mundial, que atenda ao atual cenário geopolítico, completamente diferente da realidade de 60 anos atrás.
Esta é a hora de reconstruir as instituições globais em bases mais democráticas, representativas, legítimas e eficazes. Por que ficarmos atrelados a modelos criados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos hoje?
O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontem para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.
Os países em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção dos organismos multilaterais. Sem isso não haverá efetiva mudança e crises maiores serão inevitáveis.
Somente organismos mais representativos e democráticos terão condições de prevenir futuras crises, sejaqm politicas ou financeiras, e responder aos desafios de uma nova geopolítica mundial, multipolar, com a presença de novos atores.
Vivemos um período de transição no âmbito internacional. Caminhamos em direção ao mundo multilateral.
Precisamos de uma ONU suficientemente representativa para enfrentar as ameaças à paz mundial, com um Conselho de Segurança renovado, aberto a novos membros permanentes.
Precisamos de uma ONU capaz de negociar um cessar fogo e uma saida pacifica para a crise da Libia.
Quero encerrar ressaltando que fortalecer a unidade não significa desconhecer diferenças. Atuamos em cenários econômicos, políticos e sociais distintos.
Temos especificidades culturais e trajetórias históricas próprias. Não buscamos modelos únicos nem unanimidades. Nossa força está na capacidade de construir a unidade a partir de projetos soberanos. Mais do que nunca é hora de fortalecer o processo de cooperação solidária entre a África e o Brasil.
Muito obrigado.
Rede Brasil Atual
Brasil vai ajudar a implementar o Bolsa Família no Irã
O Brasil vai ajudar o Irã a implementar o Bolsa Família, programas equivalentes ao Brasil sem Miséria e programas de capacitação de trabalhadores. Em Genebra, os ministros dos dois países se reuniram, nesta terça-feira, 14, para acertar os detalhes da iniciativa, justamente em um momento em que o Irã começa a sentir o maior impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU.
Em Teerã, diplomatas confirmaram ao Estado que um dos temores do regime é de que crise social alimente ainda mais a tensão e pressione por uma queda do atual regime. Na Tunísia e Egito, governos que se mantinham no poder há décadas só foram derrubados quando a situação social de milhões de pessoas sem trabalho ficou insustentável. Os iranianos querem evitar a repetição desse cenário. Abdolreza Sheikholeslami, ministro do Trabalho do Irã, indicou que seu governo quer criar 2,3 milhões de postos de trabalho no País até 2012. Para isso, quer a ajuda dos programas sociais brasileiros e de treinamento.
Na terça-feira, 14, o governo brasileiro insistia que via com naturalidade a cooperação com Teerã. “Nós falamos com todos os países e vamos cooperar com quem nos peça cooperação, incluindo o Irã”, disse Carlos Lupi, ministro do Trabalho do Brasil, após a reunião de mais de uma hora com a delegação iraniana. Lupi evitou dar detalhes de como seria a adoção dos projetos. Mas indicou que o governo brasileiro ajudará o regime de Mahmoud Ahmadinejad a montar uma espécie de rede social. Lupi confirmou que o pedido veio de Teerã.
A diplomacia de Dilma Rousseff havia dado sinais de que adotaria uma nova postura em relação a ditaduras, como a do Irã. Na ONU, votou contra Teerã em relação aos direitos humanos e teceu críticas às violações de direitos humanos. Mas as ações do governo mostram que esse posicionamento não significa um rompimento com Teerã. Há uma semana, o Palácio do Planalto se recusou a receber a prêmio Nobel da Paz, a ativista iraniana Shirin Ebadi. Na terça-feira, fechou com Teerã o início dos trabalhos para exportar seus programas sociais ao país.
Diante de um bloqueio comercial e de uma economia cada vez mais fragilizada, o Irã soma hoje quase 15% de desemprego. Entre os jovens, a taxa de desemprego seria de quase 30%. Desde 2008, o Fundo Monetário Internacional vem alertando para uma ” fuga de cérebros ” do país. Parte seria por conta da repressão, mas parte também por conta da falta de postos de trabalho para aqueles que deixam as universidades. Segundo o FMI, cerca de 180 mil iranianos tem deixado o país a cada ano em busca de uma vida melhor no exterior. Lupi deixou a reunião com o iraniano com presentes: uma bolsa de estilo persa, pistaches e uma caixa com outro agrado de Teerã.
Da Agência Estado
Egito:Mubarak inicia transição com a instalação de duas comissões
Depois de 15 dias de manifestações de protesto contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o governo anunciou hoje (8) o começo do processo de transição, com a instalação de duas comissões que vão por em prática os acordos fechados com a oposição e tratar de mudanças constitucionais. Segundo o vice-presidente Omar Suleiman, que fez o anúncio, haverá um cronograma a ser seguido.
“Chegamos a um consenso com o diálogo em nível nacional. Um cronograma claro será anunciado para a transição pacífica”, disse Suleiman, que foi nomeado por Mubarak o mediador das negociações com a oposição. “O presidente [Mubarak] decidiu formar um comitê constitucional para examinar as emendas constitucionais que vêm sendo solicitadas.”
Porém, os vários segmentos oposicionistas defendem a saída imediata de Mubarak e insistem em manter os protestos até que o presidente abra mão do poder. No entanto, Mubarak informou apenas que não se candidatará em setembro à reeleição e que ficará até o final do seu mandato – que acaba em dezembro de 2011.
Apesar da controvérsia, o vice-presidente reiterou a importância das comissões. “[As comissões vão trabalhar de forma] transparente no que for concordado entre as partes envolvidas no diálogo nacional”, disse ele. Suleiman também garantiu que serão investigados os casos de violência registrados nos dias de protestos.
Para Suleiman, com diálogo, é possível encerrar a onda de protestos no país. “O presidente vê com bons olhos essa harmonia e acredita que ela nos coloca no caminho para sair da atual crise”, disse ele. No entanto, dezenas de milhares de manifestantes voltaram a ocupar hoje a Praça Tahir, no Cairo.
De acordo com a organização não governamental Human Rights Watch, o governo Mubarak, por meio do Serviço de Saúde, oculta o número de mortos e feridos nos conflitos registrados no país. Pelos dados das Nações Unidas, são pelo menos 300 mortos e cerca de 3 mil feridos.
Da Ag. Brasil
ONU tira 2 mil empresas do Pacto Global; 72 são brasileiras
O Pacto Global, uma iniciativa das Nações Unidas, expulsou 2.048 de seus associados – equivalente a 25% do total de empresas, instituições e autarquias que publicamente prometeram defender os princípios de responsabilidade social propostos pela ONU. Dentre as descadastradas estão 72 brasileiras, a maior parte (17) do setor de mídia (agências de publicidade e de comunicação, jornais, rádios e TVs). O projeto conta agora com 6.066 adesões em 332 países; 369 são do Brasil.
Criado em 2000 pelo então secretário-geral da ONU Kofi Annan, e mantido por Ban Ki-moon, o Pacto Global tem como objetivo estimular a prática de responsabilidade social na iniciativa privada. Baseia-se em dez princípios relacionados a direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
Não se trata de regras – a adesão é voluntária. As empresas ou instituições que quiserem aderir ao pacto precisam enviar uma carta à ONU e tornar público seu compromisso, divulgando-o internamente e na comunidade em que atuam. Depois, têm de apresentar anualmente um relatório apontando o que fazem para integrar os dez princípios à sua estratégia e às suas operações.
As Nações Unidas não fiscalizam as empresas, apenas cobram que divulguem os informes anuais. Se isso não for feito por dois anos consecutivos, a empresa é desligada. Por não cumprirem a tarefa é que os cerca de 2 mil membros foram expulsos – 200 no fim de 2010, após uma prazo dado pela coordenação do projeto para que os associados de países menos desenvolvidos enviassem sua prestação de contas.
“Estamos avançando em transparência”, afirma o chefe de Relatórios de Progressos do Escritório do Pacto Global, Jerome Lavigne-Delville. “Por um lado, estamos sendo mais severos na aplicação de nossas medidas de integridade, para assegurar que todas as empresas participantes divulguem informações sobre seu progresso, todo ano. Por outro, introduzimos uma plataforma que dá incentivos e reconhecimento para empresas de todos os níveis fazerem progressos significativos em direção a uma implementação ampla dos princípios em suas estratégias e operações”, declarou.
A plataforma cria categorias diferentes de participação no Pacto Global, segundo o nível de transparência e de implementação dos dez princípios: básico, intermediário e avançado. A expectativa é que essa medida estimule melhorias contínuas nas empresas e crie parâmetros de comparação entre associados de tamanhos, setores e regiões semelhantes.
Fonte: PNUD
Emissões brasileiras de gases estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005
As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005, passando de 1,4 gigatoneladas para 2,192 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente (medida que considera todos os gases de efeito estufa). O número foi apresentado nesta terça-feira (26) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, durante a reunião anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
O novo inventário nacional de emissões será apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas antes da próxima Conferência das Partes (COP), em novembro, em Cancún, no México. O balanço faz parte da Segunda Comunicação Nacional à Convenção – um relatório do que o Brasil tem feito para mitigar as causas e atenuar os impactos do aquecimento global.
O inventário anterior trazia os dados de 1990 a 1994. Para este ano, o compromisso assumido com a ONU era apresentar dados até 2000. Mas o governo brasileiro decidiu avançar e agregar números até 2005.
O desmatamento ainda é o principal vilão das emissões nacionais de gases de efeito estufa. O setor de mudança no uso da terra e florestas é responsável por 61% do total de emissões. A agricultura aparece em seguida, com 19% das emissões nacionais e o setor de energia é responsável por outros 15%.
O inventário também contabiliza emissões da indústria e do tratamento de resíduos, responsáveis por 3% e 2% do total nacional, respectivamente.
Rezende também apresentou uma estimativa das emissões brasileiras em 2009, que não será levada à ONU. Pelos cálculos, no ano passado, o Brasil teria emitido 1,775 gigatoneladas de CO2 equivalente, 33% a menos que em 2005. A queda, segundo o ministro, se deve principalmente à redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos, somada à manutenção do nível de crescimento de emissões nos outros setores.
Rede Brasil
Brasileiros valorizam bem-estar do próximo e estabilidade social
Pesquisa inédita do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) descobriu que o bem-estar do próximo e da humanidade e a estabilidade social são os valores mais importantes para os brasileiros. Os resultados, divulgados hoje (25), mostram que, pelo menos no discurso, o “jeitinho brasileiro” pode estar perdendo espaço para características como a honestidade e a lealdade. Mas a grande surpresa do levantamento foi a estabilidade social, apontada como o terceiro valor mais importante, à frente da autonomia e do êxito pessoal.
“É um elemento novo. Em levantamentos semelhantes, [a estabilidade social] costumava aparecer em sétimo lugar”, compara o economista e coordenador do relatório, Flávio Comim.
A justificativa para a estabilidade social ser um valor importante para os brasileiros pode estar na estabilidade econômica – que já permite o planejamento material, deixando para trás a preocupação com a inflação. Também pode ser explicada por um fator negativo: a falta de credibilidade em algumas instituições e o medo de que elas falhem.
De acordo com a pesquisa, as mulheres e os mais velhos são os mais que mais prezam valores como o bem-estar do outro, a tradição e a segurança. Do lado oposto, estão os homens jovens, que dão mais importância a valores como o poder, a realização e o prazer.
O levantamento, que ouviu 4 mil brasileiros em mais de 300 municípios, também traça perfis de valores de acordo com a inserção no mercado de trabalho, filhos e a escolaridade. Quem trabalha tende a valorizar mais a abertura a mudanças, relacionada à independência, à liberdade e à ambição. “Pessoas com filhos ficam mais conservadoras, dão menos importância a valores de autopromoção”, acrescenta Comin.
Um dado revela que a educação das mães influencia a escolha de valores importantes para os filhos. Quanto maior a escolaridade da mãe, mais autônomo e aberto a mudanças é o filho.
A pesquisa também avaliou quais os valores mais importante para os brasileiros de acordo com a região em que vivem. Os que vivem no Sudeste e no Centro-Oeste são os mais preocupados com o bem-estar da natureza, o chamado universalismo. No Nordeste, a segurança, a determinação e a conformidade são os valores mais admirados. No Sul, a realização é o valor principal.
O chamado Perfil dos Valores Brasileiros (PVB) fará parte do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009/2010, que deve ser lançado em agosto pelo Pnud. Pela primeira vez, os valores dos brasileiros serão considerados na sugestão de políticas públicas de desenvolvimento para o país.
Da Ag. Brasil
Relatora da ONU sobre trabalho escravo chega ao Brasil
A relatora especial das Nações Unidas (ONU) sobre formas contemporâneas de escravidão, a advogada armênia Gulnara Shahinian, chegou ontem(17/5) ao Brasil. Ela ficará até hoje (18/5) em Brasília; depois seguirá para São Paulo (dias 19 e 20); Cuiabá (21 e 22) e retornará à capital federal no dia 24, onde permanecerá até o final da missão no dia 28. No dia 27, Shahinian deverá apresentar relato da viagem à imprensa. A relatora visita o país a convite do governo federal.
Nenhum dos destinos da relatora da ONU lidera a lista de municípios onde são feitas as operações de fiscalização para erradicação do trabalho escravo. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Goiás, Pará e Paraná são os estados com maior número de autos de infração lavrados pelas fiscalização em 2009 e 2010.
No ano passado, foram resgatadas 3.769 pessoas em condições análogas à escravidão pela fiscalização do MTE. Este ano, até o dia 11 de maio, já foram libertas 653 pessoas.
Segundo o Centro de Informações da ONU no Brasil, Shahinian pretende reunir-se com autoridades do governo, membros do Poder Judiciário, acadêmicos, representantes de comunidades e organizações não governamentais.
Da redação com Agência Brasil