“Um ano com bons resultados”

Publicado por Administrador 30 novembro, 2011 (1) Comentário Imprimir

O ano de 2011 começou com a crise da Busscar aumentando, mas os salários da categoria mecânica também. Na campanha salarial conquistamos 7,5% de aumento salarial, com 1,2 ponto percentual de ganho real sobre a inflação, o que representa 19% sobre o INPC do ano anterior. Ainda não é o ideal, mas mantém o poder de compra dos companheiros e companheiras. Agora já começamos a planejar a próxima campanha salarial 2012/2013. E vamos precisar muito da sua participação para avançar mais!

No caso Busscar, que além da dívida com os trabalhadores também deve muito ao Sindicato por descontos feitos em folha e não repassados para pagar os convênios, conseguimos pressionar com as ações fortes do nosso departamento jurídico, impecável na luta pelos direitos da nossa companheirada.

Graças às ações, a empresa se obrigou a pedir a recuperação judicial diante do inevitável leilão dos seus bens que já estavam até marcados pela Justiça do Trabalho. E ainda vamos avaliar se isso será bom ou não aos trabalhadores, com muita transparência e dinheiro no bolso de cada pai e mãe de família.

Realizamos os torneios de dominó, de futsal, melhoramos os atendimentos e convênios oferecidos, investimos em melhorias na Colônia de Férias para que os associados sejam ainda melhor recebidos, organizamos e realizamos as eleições para a nova direção do Sindicato, que assumirá em março de 2012, sem contar as assembleias nas empresas, conquistas de melhorias salariais e de carreira em várias empresas. Por isso concluímos que trabalhamos muito com toda a equipe para dar o melhor aos associados e toda a categoria mecânica.

Com desejos de um Feliz Natal e um ótimo Ano Novo, agradecemos a todos o apoio e atenção durante todo o ano. Que venha 2012 com muita paz, saúde e vitórias para todos e todas!

A Diretoria e Equipe do Sindicato

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“Erradicar o trabalho infantil no Brasil”

Publicado por Administrador 27 junho, 2011 Nenhum Comentário Imprimir

Preliminarmente, é importante contextualizar a questão do trabalho infantil no Brasil. Em que pese que essa exploração remonte ao processo de colonização e escravização no Brasil, sua manifestação atual adquire características próprias ao desenvolvimento do neoliberalismo.

No Brasil, em função do aguçamento da luta de classes no final da década de 1970 e durante a década de 1980, o neoliberalismo foi retardado em função da forte pressão popular e do período de transição democrática, o que não impediu um aumento da concentração de renda e de riqueza, agravando ainda mais as condições de vida da população durante todo esse período.

Nesse momento, enquanto a Constituição de 1988, resultado dos variados projetos em disputa, apontava para uma política de bem-estar social para o Brasil, a nova realidade econômica apontava para outros rumos. A acumulação do capital exigia medidas distintas das pretensões universalizantes de políticas públicas de saúde, educação, assistência social, entre outras.

Esse ajuste foi feito, principalmente, pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (1994 – 2002), com as privatizações, a flexibilização das relações trabalhistas e a abertura comercial. As conseqüências desse novo modelo foram sentidas no agravamento dos conflitos sociais, na contínua concentração de renda e riqueza e no aumento do desemprego no país. Isso colocou o movimento sindical e o conjunto dos demais movimentos populares na defensiva.

Verifica-se, também na esfera das políticas públicas concernentes à erradicação do trabalho infantil, o referido descompasso. Havia toda uma perspectiva de garantia de direitos. A Constituição de 1988, no artigo 227, que é baseado na Declaração Universal dos Direitos das Crianças (1959), estabelece nova diretriz para o atendimento à infância e adolescência, institui a “Doutrina de Proteção Integral”, substituindo a “Doutrina da Situação Irregular” do Código de Menores, e coloca esse segmento na posição de absoluta prioridade:

Art. 227 – É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL, 1998, p. 116).

Porém, o desenvolvimento econômico em curso exigia do Estado um novo papel. As esferas públicas tornaram-se novos espaços de lucratividade, as políticas públicas foram substituídas cada vez mais pelos serviços privados, como ONG’s (Organizações Não Governamentais), OSCIP’s (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), OS’s (Organizações Sociais), Fundações e demais entidades de direitos privados. O controle social se “democratizou”, a sociedade civil e os interesses privados assumiram “suas” responsabilidades sociais.

Com a eleição de Lula, abriram-se novamente as perspectivas de enfrentamento do trabalho infantil no país. Em 2002, a CONAETI foi instituída com o objetivo prioritário de viabilizar o Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, tendo como pontos de partida os trabalhos realizados pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI). As ações do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) cumprem papel importante na garantia de direitos.

Diante de novas possibilidades abertas, é preciso fazer o enfrentamento sem retóricas, porque os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE), de 2009, demonstram que a situação do trabalho infantil no Brasil ainda é grave. O estudo indicou que nesse ano 4,3 milhões de brasileiros com idade entre 5 e 17 anos estavam trabalhando, ainda que tenha representado uma queda em relação  amostra anterior.

Em relação ao número de horas trabalhadas, a maioria (30,5%) tinha uma jornada semanal de 40 horas ou mais. Em 2006, esse taxa era de 28,6%.

A PNAD também mostra que quanto mais nova a criança maior a chance de estar em atividades agrícolas(trabalho perigoso). Na faixa etária de 5 a 13 anos, 60,7% estão no setor, considerado o mais pesado devido ao manuseio de ferramentas de corte e aos riscos de contato com animais peçonhentos, além do problema da falta de fiscalização.

considerando os dados da Pnad, o Brasil não cumprirá os compromissos assinado perente a ONU com objetivos do desenvolvimento do milênio com metas até 2015; uma delas é erradicar as piores formas de trabalho infantil.

A CUT é membro efetivo da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (CONAETI), coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego; também do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), órgão da sociedade civil, com o objetivo de cobrar a aplicação das convenções 138 e 182 da OIT, além de ter contribuido na construção, acompanha a execução do II Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil.

Em Genebra na leitura do informe sobre o Trabalho Infentil na 100ª Conferencia Internacional do Trabalho – A OIT pediu aos países membros que sejam tomadas medidas urgentes para erradicar o trabalho infantil perigoso que, neste momento, afeta cerca de 115 milhões de crianças em todo o mundo.

Em novo relatório divulgado por ocasião do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, que se comemora em 12 de junho, a Organização Internacional do Trabalho destaca que este número representa mais da metade de todos os trabalhadores infantis do mundo, estimados em 215 milhões.

O relatório “Crianças em trabalhos perigosos: o que sabemos, o que precisamos fazer”, cita estudos de países industrializados e em desenvolvimento, indicando que a cada minuto durante o dia, uma criança que trabalha em algum lugar do mundo sofre um acidente de trabalho, doença ou trauma psicológico.

O relatório também afirma que, embora o número total de crianças entre 5 e 17 anos em trabalhos perigosos diminuiu entre 2004 e 2008, o número de crianças entre 15 e 17 anos nestas atividades teve um aumento real de 20 por cento no mesmo período, passando de 52 milhões para 62 milhões.

A companha para erredicar o trabalho infantil de 2011 começa agora no lançamento aqui em Genebra, no Brasil e no mundo. No Brasil foi lançada também a campanha do Brasil sem Míseria, são campanhas que se somam. Estamos firme na luta pela erradicação da miséria e do Trabalho Infantil.

* Escrito por: Expedito Solaney – Secretário Nacional de Políticas Sociais da CUT

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“A importância do Sindicato para os trabalhadores”

Publicado por Administrador 10 setembro, 2010 (1) Comentário Imprimir

Uma das maiores lutas dos trabalhadores brasileiros, e do mundo todo é verdade, tem sido garantir que seus direitos sejam respeitados e mantidos diante do avanço do capitalismo via globalização. Os Sindicatos existem e trabalham duro, a maioria deles, para que essa defesa seja do tamanho que a classe trabalhadora precisa. Infelizmente ainda existe o preconceito e o distanciamento dos companheiros e companheiras da entidade sindical que os representa. E isso é mortal para os interesses dos trabalhadores.

O caso da Busscar, matéria especial da edição da Tribuna dos Mecânicos do mês de setembro mostra o por quê é preciso cada vez mais fortalecer o seu Sindicato. Espertamente os acionistas da empresa criaram um grupo interno que se autodenominou de “representantes dos trabalhadores”, e a partir daí passaram a difundir idéias de salvar a empresa, mas nunca os direitos dos trabalhadores. Eles queriam salvar os acionistas e seus cargos, mas em nenhum momento os salários, FGTS, décimo-terceiro e empregos dos seus companheiros.

O que se viu em alguns momentos foi até um movimento contrário ao Sindicato, que a todo tempo alertava para as mentiras e desvios do foco principal que era a mudança da gestão da empresa com a entrada de novos sócios, novo capital, para reerguer a Busscar, manter empregos e produção, e assim pagar salários em dia, direitos garantidos e respeito a quem produz os trabalhadores. A diretoria não tinha dúvidas do que estava em jogo era a representação legal e moral da categoria.

Com toda a moderação que é necessária nestes casos, o Sindicato travou uma batalha via imprensa, e também internet, divulgando a verdade do caso. Realizou assembléias, acampamentos, entrou com ações na Justiça do Trabalho, e hoje se não há ainda uma solução real do caso, pelo menos os direitos dos que acreditaram na entidade estão garantidos. Os bens estão bloqueados, a Justiça determinou pagamento de salários, enfim, os passos foram dados. Por isso divulgue a seus amigos, filiem-se ao Sindicato. Ele é a única garantia da defesa dos seus interesses diante das empresas.

A Diretoria

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A propaganda enganosa e os mitos da carga tributária

Publicado por Administrador 22 junho, 2010 (1) Comentário Imprimir

Um certo tipo de crítica que se faz à carga tributária brasileira esconde propósitos muito egoístas, apesar da aparência patriótica. É uma campanha que tem até painel eletrônico numa rua da capital paulista – o “impostômetro” de uma associação empresarial – e humorista de televisão se fingindo de frentista de posto para vender gasolina mais barata, “sem imposto”. Algo que os patrocinadores dessas ações querem de verdade, mas tentam ocultar, é a diminuição dos investimentos do Estado em programas sociais ou em políticas de transferência de renda como o Bolsa Família.

Essa conclusão salta aos olhos diante de um levantamento divulgado recentemente pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Alguns de seus dados contrariam abertamente a mais comum das críticas, a de que o governo federal tem aumentado seus gastos com a folha de pagamento ou com o “inchaço” da máquina.

Em 2002, último ano de FHC, o governo federal gastava 4,8% do PIB (Produto Interno Bruto) com pagamento de pessoal. Em março de 2010, depois da “gastança”, do “aparelhamento” e outras imprudências atribuídas ao governo Lula, a folha de pagamento dos servidores consome… 4,8% do PIB. Houve, sim, aumentos salariais e contratações, essenciais para o processo de recomposição do Estado, mas dentro de uma lógica de acompanhamento da arrecadação e do crescimento da economia. Aliás, esses investimentos também funcionam como motivadores do crescimento econômico.

Por outro lado, os programas de transferência de renda, que em 2002 correspondiam a 6,4% do PIB, em março de 2010 saltaram para 9,1% do PIB, o que representa algo em torno de R$ R$29,6 bilhões de reais. Assim, se a carga tributária fosse simplesmente reduzida, como bradam analistas e empresários, as políticas públicas e sociais estariam entre as mais fortemente atingidas.

Para esses analistas, quando o Estado aplica recursos em programas e projetos para combater a fome, a miséria e diminuir as desigualdades sociais existentes, isso é de política assistencialista. Mas quando o estado fortalece os bancos públicos, garantindo recursos para os investimentos privados a juros subsidiados por toda a sociedade, aí eles aplaudem.

Outro dado do levantamento desfaz a crença de que o atual governo vem sistematicamente aumentando a carga tributária, enquanto o governo anterior – atualmente na oposição e querendo voltar – era mais comedido. Entre 1998 e 2002, período do segundo mandato FHC, marcado por momentos de forte retração da economia, de desemprego e doação do patrimônio público, a carga tributária da União subiu 3,32%. Em sete anos de governo Lula, a quantidade de impostos arrecadados pela União subiu 1,02%. Bem menos, e sem vender ou doar nenhuma empresa pública, ao contrário.

A carga tributária está em torno de 34% do PIB. Mas não se trata de loucura sem paralelo no mundo civilizado, como querem fazer parecer muitos analistas por aí. Essa proporção está na mesma faixa de países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha e muito, muito abaixo de nações com forte estrutura de bem estar social, como Suécia e Dinamarca. Sem os impostos, como investir no papel social do Estado, nas políticas públicas?

O debate correto seria discutir a qualidade dos gastos, as prioridades, o orçamento participativo, e outros instrumentos que garantam que o Estado esteja realmente a serviço da maioria da sociedade.

Para os trabalhadores e trabalhadoras, mais importante que a proporção dos impostos em relação ao PIB, é chamar a atenção para quem é mais penalizado. Segundo estudo do economista Amir Khair, famílias que ganham até 2 salários mínimos pagam quase 49% de sua renda mensal em impostos. Já os mais favorecidos, que ganham acima de 30 salários mínimos por mês, comprometem 26,3% de sua renda com impostos. Muito menos.

Então, o desafio é alterar essa lógica perversa e criar um modelo tributário progressivo: quem ganha mais, paga mais. Quem ganha menos, paga menos. Voltaremos ao assunto.

Escrito por Artur Henrique, presidente da CUT

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A retomada do mercado interno no Brasil

Publicado por Administrador 2 março, 2010 Nenhum Comentário Imprimir

No atual cenário da economia mundial, bastante turbulento e tenso, em função da possibilidade de insolvência de alguns orçamentos nacionais de países da União Européia e proximidades, são as economias emergentes que darão o tom do crescimento em 2010. A situação nesses países em geral é de crescimento e de uma situação fiscal muito melhor que a dos países desenvolvidos.

É o caso do Brasil. Embalado pela recuperação do emprego e pela ampliação da oferta do crédito, o comércio varejista brasileiro cresceu, em 2009, 5,9% em volume de vendas e 10% em receita, em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC-IBGE). Em dezembro de 2009 comparado com o mesmo mês do ano anterior, o incremento no volume de vendas foi de 9,1% e na receita nominal, de 11,9%. O segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou expansão no volume de vendas em 2009 de 8,3% em relação ao ano anterior, resultado que o levou a responder por um 67,8% da taxa anual do varejo, segundo o IBGE.

A base de comparação é fraca, devido ao auge do impacto da crise global, mas assim mesmo o resultado é muito expressivo, pois o comércio registrou uma retração bem menos brusca no começo do ano passado do que a indústria. Enquanto o comércio apresentou o citado desempenho nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado, a indústria ainda acumulava queda de 9,7% na produção. Informações veiculadas diariamente na mídia dão conta que a demanda continua firme mesmo depois do fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca no fim de janeiro, em função da formação de estoques pelas redes, com o imposto mais baixo.

Além das vendas de televisores, impulsionadas pela aproximação da Copa do Mundo, o consumidor tem adquirido outros produtos como câmeras digitais, e TVs com novas tecnologias. As compras através da internet, ou por catálogo, também respondem por parte desse vigor do setor varejista.

Este forte desempenho do comércio está diretamente relacionado à retomada do mercado interno causada pela: recuperação do crédito, inadimplência controlada, expansão da massa salarial e forte recuperação do mercado de trabalho. Mas este ritmo de elevação do consumo, apesar de surpreendente para este período do ano, não deve causar desequilíbrios, em função da retomada dos investimentos, que já vem correndo desde o terceiro trimestre de 2009.

Os sinais de recuperação do investimento no Brasil estão por toda a parte, anunciados pelos maiores grupos empresariais do país, tanto na indústria, quanto no comércio varejista. E não se limita às grandes redes, especialmente no comércio varejista. É esperado que a taxa de investimentos cresça 15% em 2010, atingindo 18% do PIB. Em função disso, um consumo elevado neste ano, de 10% ou mais, pode ser absorvido pela oferta interna de produtos, além da possibilidade de importação.

*Por José Álvaro de Lima Cardoso, economista e supervisor técnico do DIEESE em SC

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“É hora de banir o racismo no Brasil”

Publicado por Administrador 19 outubro, 2009 Nenhum Comentário Imprimir

A escravidão negra já era praticada pelos povos europeus e africanos muito antes de chegar ao Brasil. Em meados do século XVI, entre 1559 e 1560, a cultura do açúcar teve seu apogeu. Isso nos leva a pensar que a luta pela igualdade racial está perto de 450 anos, desde a chegada dos primeiros africanos seqüestrados na mãe África e trazidos para o Brasil acorrentados nos porões degradantes dos navios negreiros. Neles, 40% morriam em virtude das péssimas condições de higiene e os maus tratos sofridos e, simplesmente, eram jogados ao mar.

O sonho de liberdade, entretanto, nunca foi abandonado. Mesmo nas condições adversas a luta sempre foi constante e corajosa. Foi construída até os tempos atuais por heróis e heroínas negros e negras que não se entregaram e passaram para a nossa geração a certeza de que não devemos em momento algum baixar nossas guardas. O inimigo é feroz e cheio de artimanhas. Usam armas poderosas, protegidos sempre pelo estado escravista, que consegue criar a discórdia e a controvérsia dentro da nossa população negra. Ora se utilizam da mídia burguesa, outra vezes, de propostas enganosas, da dissimulação, que diz que o racismo é inexistente no Brasil e nos acusam de querer dividir a nação.


A luta continua! A todo momento conseguimos vencer batalhas que nos levarão à vitória final. Nada nos deterá porque trazemos dentro do nosso sangue a coragem, a tenacidade de antepassados como Zumbi dos Palmares, Luiz Gama, Escrava Anastácia, Luiza Maihim, Mãe Hilda, Menininha do Gantois e muitos outros que deram suas vidas por esta luta e passaram seus ensinamentos para as gerações atuais.


Sabemos que a luta é árdua e que o inimigo é poderoso, como também sabemos que a nossa persistência e certeza do que fazemos nos levará à vitória final. Não importa que esta vitória venha aos poucos e com qualquer nome que seja. O importante é que estaremos sempre firmes e atentos para este combate constante. Se esperamos até agora, temos paciência para continuar vencendo os obstáculos, conquistando as etapas. Hoje, a aprovação do estatuto. Amanhã, a regularização das terras quilombolas, as cotas educacionais, a lei 11.645 e muitas outras conquistas que nos darão a certeza de que estamos no caminho certo.

A CUT, nesse percurso, sempre esteve junto do  povo negro na batalha, lutando pela igualdade racial e procurando o diálogo com o governo em busca das políticas afirmativas. A Central se consolida como participante ativa nesta guerra com a criação da Secretaria de Combate ao Racismo Cutista. Este é um momento histórico. Fruto de muita luta travada pela nossa Central, que teve a paciência e perseverança para no momento certo transformar a Comissão Nacional de Combate ao Racismo (CNCDR) em Secretaria e, dessa maneira, se engajar totalmente nesta luta de suma importância para a sociedade civil.


Não podemos nos enganar e achar que tudo está resolvido. É necessário ter consciência de que a batalha é árdua e longa. Os avanços aparentemente são pequenos. Devemos redobrar nossos esforços e nos dedicar com amor e paixão a esta causa, com a certeza de que seremos vitoriosos e baniremos do nosso meio o racismo de qualquer tipo, seja ele institucional ideológico ou dissimulado. Pouco importa a roupagem. Estaremos atentos e seguros da nossa luta em busca da igualdade racial.

Escrito por Pedro Barbosa (Peu), secretário de Combate ao Racismo da CUT-BA

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“Por uma nova ordem financeira internacional”

Publicado por Administrador 29 junho, 2009 Nenhum Comentário Imprimir

Os trabalhadores não estão dispostos a pagar pela crise. A solução está na criação de empregos e na geração de renda. O Estado em nosso país desempenha um papel fundamental na organização da economia e na construção de políticas de distribuição de renda e valorização do trabalho.

Atualmente, a economia capitalista atravessa uma de suas mais graves crises desde 1929. Se trata de uma crise estrutural do sistema, que explora os trabalhadores e as trabalhadoras, concentra renda e condena milhões de pessoas à fome e à miséria.

Este sistema, desde as últimas décadas do século 20, tem se inspirado nas políticas de liberalização financeira e comercial. São as políticas de desregulação ou autorregulação do mercado que estão na origem, as responsáveis pela crise financeira que nos afeta atualmente.

O resultado desta liberdade sem controle é um processo de crescimento sem limites do setor financeiro, que abre um grande fosso entre a riqueza virtual produzida pelos papéis e a riqueza real obtida graças à produção e ao trabalho.

Frente ao número de instituições e empresas afetadas pela crise, frente à quantidade de valores que estão em jogo e aos riscos de propagação rápida dos efeitos da crise no investimento, na produção e no emprego, os governos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento têm adotado e aplicado um conjunto de medidas e mecanismos de auxílio às instituições prejudicadas.

Se injetou liquidez na economia, foram modificadas as taxas de juros e os tipos de câmbio. Porém estas medidas não vieram acompanhadas por contrapartidas claras e, desta maneira, isso se converteu numa simples transferência de dinheiro público para as mãos dos especuladores.

O governo do Brasil, por sua parte, tem adotado medidas para salvaguardar o funcionamento do sistema de crédito no país e para preservar a economia real da crise. Em particular, tem injetado reservas dos bancos e dado sua autorização para que os bancos públicos possam absorver as instituições financeiras e não-financeiras em dificuldades.

A Central Única dos Trabalhadores insiste que medidas como esta devem vir acompanhadas de contrapartidas para o Estado e os trabalhadores. Nossa organização sindical considera que a intervenção do Estado não pode significar uma socialização das perdas do setor financeiro, que prejudicaria o conjunto da sociedade, como se observou durante período recente com a crescente privatização dos lucros, que se traduziu em enormes benefícios anuais para os bancos, o que representou, no Brasil, dezenas de bilhões de dólares.

Nossa central sindical reafirma que todas as ameaças de perdas de emprego devem ser combatidas com a mobilização dos trabalhadores. A luta pelo emprego é fundamental para fazer frente à crise. Vamos continuar exercendo pressões sobre o governo para que se estabeleçam políticas destinadas à preservação dos postos de trabalho e dos salários dos trabalhadores. Para isso, se podem aplicar as Convenções 151 (direito à negociação coletiva no setor público), 158 (impedimento à demissão imotivada) e 102 (fixação de normas mínima de Seguridade Social) da Organização Internacional do Trabalho, que são fruto do diálogo social.

Temos conseguido um aumento real de salário mínimo para a grande maioria das categorias profissionais do Brasil. É o resultado do regime democrático que existe atualmente no país e das boas relações entre os interlocutores sociais e o governo. Para progredir nesta esfera, propomos a defesa do emprego e a valorização do trabalho. Para os próximos meses, estamos preparando propostas históricas com iniciativas compatíveis com o Programa de Trabalho Decente da OIT e da CSI (Confederação Sindical Internacional).

A CUT estabeleceu uma plataforma de ação integrada que procura aplicar programas de acordo com o Programa de Trabalho Decente. Também tratamos de estabelecer um programa nacional que recolha os temas que sempre defendemos e, em particular, que trate da valorização do trabalho, que segue sendo o eixo principal da nossa estratégia.

Além disso, defendemos o fortalecimento do papel do Estado em matéria de regulação e desempenho, sua luta contra o trabalho infantil e o trabalho precário e também contra as relações fraudulentas na esfera do emprego. Nossa central reivindica que se reforce o controle e a supervisão e exige que se ponham fim às fragilidades estruturais existentes.

No plano internacional, a CUT apóia e participa dos debates da CSI e da CSA (Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas) para criar uma nova ordem com um maior controle das operações das instituições financeiras e dos fluxos de capitais entre os países, a fim de minimizar as repercussões da crise financeira e econômica internacional nas economias nacionais.

Os trabalhadores e as trabalhadoras do mundo inteiro não querem pagar o custo da crise financeira do sistema neoliberal, que tanto dano fez a todos os países.

Escrito por João Felício é secretário de Relações Internacionais da CUT   

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