China se consolida como principal parceira comercial do Brasil
O governo federal informou no primeiro dia útil do ano que o país fechou 2011 com saldo comercial próximo dos US$ 30 bilhões, no melhor resultado dos últimos quatro anos. Chama a atenção a mudança de perfil dos parceiros comerciais do Brasil. Dez anos atrás, a China representava apenas 3% das exportações brasileiras.
Agora, o gigante asiático é o principal destinos dos nossos produtos – a participação da China atingiu 17,3% no ano passado. Situação inversa se deu com os Estados Unidos, que em 2001 representavam 24% das vendas do Brasil e em 2011 corresponderam a apenas 10%. Entre os países não desenvolvidos, o Brasil aumentou suas vendas para a África, que subiram de 3% para 5%.
Nos países do Mercosul, cuja participação nas exportações brasileiras havia caído de 11% para 5,5% entre 2001 e 2002, as vendas têm se mantido entre 10% e 12% do total – em 2011, por exemplo, fechou em 10,9%. Também se mantêm estáveis com a Argentina, recuando ligeiramente de 9,2% para 8,9% entre 2010 e 2011 (chegaram a 8,6% em 2001).
As exportações do Brasil para a União Europeia passaram 21,4% para 20,7% do total no ano passado. Chegaram a 25,5% em 2001 e ultrapassaram os 30% do total nos anos 1990. Para o Oriente Médio, essa participação subiu de 3,5%, em 2001, para 4,8% em 2011.
A Ásia corresponde hoje a 30% das exportações brasileiras e a 31% das importações – apenas a China corresponde a 17,3% das vendas e a 14,5% das compras. A América Latina e o Caribe são responsáveis por 22,3% das vendas de produtos brasileiros e 16,7% das nossas importações. Na sequência, vem a União Europeia, com 20,7% do total de exportações e 20,5% das importações. Os Estados Unidos respondem por 10,1% das vendas e 15,1% das compras.
Por país, os principais destinos das exportações do Brasil em 2011 foram China (US$ 44,3 bilhões), Estados Unidos (US$ 25,9 bilhões) e Argentina (US$ 22,7 bilhões).
Para a China, o Brasil vende, principalmente, minério de ferro, soja em grão, petróleo em bruto, celulose e equipamentos siderúrgicos. Para os Estados Unidos, petróleo, siderúrgicos, máquinas e equipamentos, café e químicos orgânicos. E para a Argentina, automóveis e autopeças, máquinas e equipamentos e óleo combustível.
CNM/CUT
Indústria nacional quer reter no país os ganhos do petróleo
Enquanto os estados e a União brigam pelos royalties do petróleo, as indústrias e a Petrobras atuam de forma mais pragmática. Tratam de lutar pelo conteúdo nacional nos investimentos a serem feitos pela estatal e pelos grupos privados – nacionais e estrangeiros, na próxima década. Incluindo-se o pré-sal, a Petrobras pretende aplicar US$ 220 bilhões até 2014. Mas grupos privados, nacionais e estrangeiros, também farão maciças inversões. Estima-se que só o pré-sal exigirá 97 plataformas de produção, 510 barcos de apoio e 49 navios.
Os estaleiros já estão duplicando sua capacidade anual de processamento de aço, hoje em 600 mil toneladas. As indústrias de base, como a do aço e os produtores de equipamentos e peças se defrontarão com uma demanda que corresponde, a grosso modo, ao dobro do que é movimentado anualmente pelo mercado de eletrodomésticos. Mas há ameaças, como a distorção cambial, o Custo Brasil em geral e os subsídios de grandes nações e de emergentes como a China.
Nesse cenário, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), tendo à frente Ariovaldo Rocha, e a Fundação ARO vão realizar, dia 5 de agosto, no J.W. Marriot, na Zona Sul carioca, o I Fórum Conteúdo Local. Já estão confirmados no evento o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o titular de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine e altos dirigentes do BNDES e Petrobras.
O conteúdo local é mais do que uma exigência da política do Governo Federal e dos contratos de concessão da Agência Nacional do Petróleo (ANP). É o caminho para tornar os ganhos que serão obtidos com o pré-sal em desenvolvimento efetivo, com incentivo à melhoria da produção, maior qualificação dos trabalhadores e produção de tecnologia nacional. Este caminho já vem sendo trilhado por muitas empresas, mas não sem percalços.
Alguns questionam a capacidade do empresariado nacional; outros acham que o caminho é simplesmente buscar o melhor preço, no exterior; outros, ainda, enxergam obstáculos e divergências artificiais. Petróleo é riqueza, mas precisa ser bem trabalhado. Países como Noruega e Inglaterra usaram esse produto básico para se consolidar como líderes em indústria e tecnologia. Outros, como Holanda e Venezuela, se extasiaram com o lucro fácil e deixaram escorrer pelas mãos os benefícios caídos do céu – ou tirados da terra e da água. O Brasil quer seguir o caminho certo e esse Fórum pretende ser um importante passo rumo a lucros econômicos e sociais.
Monitor Mercantil
Brasil deve liderar demanda mundial de petróleo
Os objetivos mais citados dos investimentos internacionais das estatais chinesas de petróleo e gás são aumentar suas reservas, expandir a produção e diversificar suas fontes de abastecimento. Atualmente, as maiores compras são feitas na Arábia Saudita, Angola, Irã, Rússia, Sudão, Omã, Iraque, Kuwait, Líbia e Cazaquistão. A voracidade com que a China tem consumido energia justifica o aumento da dependência do país por petróleo e gás importados.
Em 2009 a produção doméstica chinesa de petróleo foi de 4 milhões de barris/dia, o que é o dobro da produção atual da Petrobras, maior empresa da América Latina. Mesmo assim, a produção não consegue atender à demanda interna desde 1993, quando o país se tornou importador líquido de petróleo. Em 2010, a China importou 4,8 milhões de barris por dia de petróleo bruto, 17,5% mais que em 2009, e nos próximos cinco anos deve responder por quase metade da demanda mundial por petróleo, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
O consumo de gás natural, que começou a ser importado apenas em 2006, sobe a cada ano. A China produziu 83 bilhões de metros cúbicos em 2009 a quantidade insuficiente para atender a demanda de 87,5 bilhões de metros cúbicos naquele ano. No primeiro semestre de 2010 a demanda cresceu 22% e deve chegar a 340 bilhões de metros cúbicos em 2020.
Os números mostram que não é por acaso que as estatais de petróleo chinesas têm hoje participação na produção de 20 dos 31 países onde operam, segundo a AIE, em associação com outras estatais e também empresas internacionais, como a BP e Total. A AIE mostra que as petroleiras chinesas estão se tornando empresas competitivas globalmente, sem no entanto estar claro ainda qual o compromisso delas com o suprimento do país. Nem toda a cota de produção chinesa em diversos países é enviada para a China, sendo vendida no mercado internacional.
A China deve chegar a 2030 importando o equivalente a 79% do seu consumo de petróleo bruto. Em 2010, as estatais chinesas investiram US$ 15,74 bilhões em empresas de petróleo da América Latina, segundo dados da AIE. O valor é um pouco menor do que todos os gastos em fusões e aquisições realizados por empresas chinesas em 2009, que somou US$ 18,2 bilhões, o que, segundo levantamento da AIE, representou 13% de todo o investimento (US$ 144 bilhões) com fusões e aquisições mundiais do setor naquele ano.
China
As estatais chinesas têm forte presença na África, Ásia e Oriente Médio. Em 2009 a China foi o destino de 52% da produção de petróleo (465 mil barris/dia) do Sudão. Da Venezuela foram importados entre 155 mil e 400 mil barris/dia no primeiro semestre de 2010, mas o volume vai aumentar quando ficar pronta uma refinaria da PetroChina (subsidiária da CNPC) capaz de processar petróleo venezuelano no sul da China.
O furacão chinês chegou na América Latina em março de 2010, quando a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) comprou 50% da Bridas Corporation, que tinha 40% da Pan American Energy, as duas maiores exportadoras de petróleo da Argentina, também com uma base de ativos na Bolívia e Ásia Central. Em novembro a CNOOC comprou da BP os outros 60% da Pan American.
A entrada da chinesa State Grid na transmissão de energia, pagando US$ 1,7 bilhão em maio do ano passado por sete empresas de transmissão reunidas na Plena Transmissoras ainda não foi totalmente compreendida. A operação foi recebida com preocupação por alguns empresários brasileiros, que temem a concorrência porque a empresa tem acesso a equipamentos mais baratos e financiamentos a taxas muito mais atraentes do que as que podem servir a empresas brasileiras. Até hoje não estão claros os planos da State Grid e se ela vai entrar no setor de geração de energia ou se manter na transmissão. A empresa fez vários contatos com a Eletrobras em busca de parcerias.
Com informações da Petrobras/FEM
Serra prometeu mudar regras do pré-sal para privilegiar petroleiras
Candidato garantiu a executiva da Chevron que sistema de partilha seria derrubado e empresas retomariam a posse exclusiva dos lucros
Matéria da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (13), a partir de conteúdo publicado pelo Wikileaks, mostra que o candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB), prometeu que tomaria medidas para satisfazer os interesses das petroleiras americanas em relação ao marco exploratório do pré-sal.
“Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, teria dito Serra a uma diretora da Chevron, segundo relata um dos telegramas obtidos pelo Wikileaks junto ao serviço diplomático norte-americano.
Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o governo da petroleira norte-americana, relatou a conversa ao consulado dos EUA no Rio de Janeiro. A troca de telegramas cita ainda que há previsão de que o Brasil se tornará um grande “player” no mercado de petróleo, a partir das descobertas dos campos do pré-sal.
O jornal diz também que um dos responsáveis pelo programa de governo do candidato tucano, o economista Geraldo Biasoto, confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo anterior.
A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara vinha sendo discutida desde 2009. Até a aprovação, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão, em que a empresa vencedora da licitação era considerada proprietária do petróleo extraído e pagava royalties ao Brasil.
Mas com a descoberta dos campos na camada do pré-sal, o governo alterou o modelo para o de partilha, o que obriga o vencedor a dividir o óleo com a União. Além disso, a Petrobras será a única a operar o pré-sal e, em caso de formação de consórcios com outras empresas, sua participação mínima será de 30%.
CUT BRASIL
Caixa vai investir R$ 70 bilhões no setor de petróleo e gás até 2014
A Caixa Econômica Federal vai investir R$ 70 bilhões, entre 2011 e 2014, no setor de petróleo e gás. Em 2010, primeiro ano em que o banco direcionou recursos ao setor, foram destinados R$ 3 bilhões. Para o próximo ano, o valor deve ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. As informações foram divulgadas hoje (7) pelo superintendente regional da Caixa no Rio, Edalmo Porto Rangel, durante o 4º Fórum de Óleo e Gás do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).
A maior parte do dinheiro será usada para financiar empresas fornecedoras da cadeia produtiva, além de permitir a construção de infraestrutura habitacional para os trabalhadores de estaleiros e indústrias petrolíferas. Rangel citou o exemplo do Porto de Suape, em Pernambuco, onde serão construídas 1,2 mil casas.
Ele adiantou que, a fim de aumentar a proximidade com o setor, 20 agências da Caixa serão inauguradas no próximo ano em municípios que abrigam instalações ligadas à exploração de petróleo e gás.
O superintendente disse que esse novo nicho de mercado não compete com a missão original do banco, de atendimento ao varejo e financiamento habitacional. “A Caixa tem como missão facilitar e fomentar o processo produtivo brasileiro. Cada empresa que se viabiliza e que aumenta sua capacidade de investimento está gerando emprego, com isso, essa pessoa vai comprar a casa própria, é tudo muito interligado. Queremos o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social.”
Agência Brasil
Blog da Cidadania: Serra e a “privatização” do petróleo pelo PT
A estratégia de Serra para fugir à pecha de privatista é a de tentar confundir o eleitor acusando a adversária de ter “privatizado” áreas de exploração de petróleo. Mente e confunde tanto que até o jornal que o apóia explicitamente, o Estadão, viu “esquizofrenia” em seu discurso sobre Dilma ser mais privatista do que ele.
O menos ético – ou mais antiético – no discurso tucano é a acusação ao governo Lula de ter privatizado alguma coisa, no que diz respeito a jazidas de petróleo. Isso porque o marco regulatório vigente até a descoberta do pré-sal – e que o governo atual, por respeito aos contratos, teve que manter – foi criado pelo PSDB.
Fernando Henrique Cardoso, quando presidente, propôs e sancionou a Lei do Petróleo, uma lei ordinária que revogou a Lei N° 2004 e, assim, acabou com o monopólio estatal do petróleo no Brasil e criou o modelo de concessão, que o governo Lula rejeita para a exploração do pré-sal.
Faz-se necessário explicar à sociedade por que o regime de concessão até poderia ter alguma lógica quando foi criado e por que não pode ser mantido para o pré-sal. Além disso, há que explicar que a “privatização” de que Serra acusa Dilma decorre do modelo criado pelo governo que o tucano integrou.
O regime de concessão foi implantado no Brasil em 1997. Àquela época, o preço do barril do petróleo era de US$19, pouco atraente para investidores. E como o país já estava sufocado pela crise cambial que explodiria dois anos depois (1999)e a Petrobras, conseqüentemente, estava descapitalizada – apesar de que o governo vendera 30% das ações da empresa por um valor irrisório, US$5 bilhões –, houve que recorrer a modelo que vigeu até há pouco no Brasil.
Sem dinheiro para explorar petróleo, com o país fortemente dependente de importações da commoditie em um momento em que já praticamente não tínhamos mais reservas em dólares que não fossem emprestadas pelo FMI, pelos EUA ou pelo Clube de Paris, foi necessário criar o regime de concessão.
Para simplificar – e é necessário fazê-lo, porque as explicações de Dilma sobre o assunto têm sido muito tecnocráticas, do que Serra tem se aproveitado –, basta dizer que, no regime de concessão de campos de petróleo, a empresa assume o risco de não encontrar petróleo algum naquela área. Mas se localiza, fica com a parte do leão e paga somente uma “comissão” ao Estado, ou seja, ao povo.
O governo Lula tratou de capitalizar a Petrobrás e de investir pesadamente em pesquisa, o que redundou na descoberta do pré-sal. Como os campos de petróleo descobertos no litoral entre Espírito Santo e Santa Catarina já foram confirmados, explorar petróleo ali representa risco bastante reduzido, para não dizer inexistente.
Nesse momento, o governo Lula propõe ao Congresso que seja mudado o marco regulatório (as leis sobre permissão a empresas privadas para extraírem petróleo) de concessão para partilha, modelo que melhor se adequaria à quase inexistência de risco nos campos do pré-sal.
Como é desprezível o risco de não se obter petróleo nos campos a serem entregues à iniciativa privada – o que terá que ser feito porque nenhuma empresa petrolífera, nem a gigante Petrobrás, tem capacidade de explorar sozinha área tão extensa – não é possível que as empresas privadas – praticamente todas multinacionais – fiquem com parte tão grande do que extraírem do subsolo brasileiro.
No regime de partilha, inverte-se a equação. Em vez de as empresas privadas ficarem com a parte do leão e darem uma comissão ao Estado, é este que fica com o grosso do petróleo extraído e paga uma comissão à empresa extratora pelo serviço prestado.
Enquanto Serra acusa o governo Lula de ter privatizado alguma coisa, seu partido e seus aliados no Congresso lutam para entregar o pré-sal às empresas privadas no regime criado por FHC, o regime de concessão, o que seria uma barbaridade porque não terão custos de prospecção.
É extremamente difícil explicar tudo isto em uma resposta de dois minutos. Serra sabe disso e se aproveita do fato para tentar confundir o eleitorado. Apesar da percepção da sociedade de que privatista é o PSDB, e de o discurso de Serra, como saiu no Estadão, estar parecendo “esquizofrênico”, a estratégia tucana confunde, em alguma medida.
ABC
Petrobras inicia até o fim do mês exploração comercial do petróleo do pré-sal
A Petrobras inicia no fim deste mês a exploração comercial do petróleo da camada pré-sal. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, afirmou hoje (18) que as operações comerciais no Campo de Tupi devem começar entre os dias 27 e 28. O anúncio foi feito após a inauguração de novas unidades da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP). A cerimônia contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Gabrielli, a exploração experimental de Tupi começou em maio. Atualmente, são extraídos do campo cerca de 14 mil barris de petróleo por dia. Com o início da exploração comercial, a extração pode chegar a 100 mil barris por dia. “Claro que isso não será obtido logo no início, mas é a capacidade”, disse Gabrielli.
O presidente da Petrobras também falou sobre a queda no preço das ações da companhia verificada nos últimos meses. Segundo ele, o motivo foi a taxação dos investimentos estrangeiros imposta pelo governo para conter a desvalorização do dólar e não por desconfiança dos investidores no processo de capitalização da estatal.
“As ações caíram essencialmente no momento em que grandes investidores quiseram usar uma brecha da mudança do IOF [Imposto Sobre Operações Financeiras]“, justificou. “Quando aumentou o imposto, existia a possibilidade de você vender os investimentos em ações, transformá-los em reais e comprar títulos de renda fixa. No momento em que isso foi alterado, as ações voltaram se recuperar.”
ABC
Petrobras reforça segurança para evitar acidentes como o do Golfo do México
A consciência de que o melhor tratamento a ser dado para vazamentos como o corrido em um bloco exploratório da British Petroleum (BP), na parte americana do Golfo do México, é evitar que eles ocorram. A afirmação foi feita pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, durante a apresentação do Plano de Negócios 2010-2014, que prevê investimentos de US$ 224 bilhões nos próximos cinco anos – média de US$ 44,8 bilhões por ano no período.
Ciente desta realidade, Gabrielli informou que, a partir do vazamento de petróleo nas águas do Golfo, a estatal promoveu a revisão de todos os procedimentos preventivos adotados, a análise de todos os equipamentos e reforçou os mecanismos de acompanhamento dos procedimentos operacionais adotados.
Segundo Gabrielli, o acidente no Golfo do México é um acontecimento “trágico e lamentável” e que precisa ser estudado de forma detalhada para que se aprenda com ele.
“Mas o fato é que os dados já conhecidos indicam que foram realizados alguns procedimentos com padrões não adequados para aquela atividade na região”.
Gabrielli disse que o acidente no Golfo já ensina de forma clara que a prevenção é a principal iniciativa para evitá-lo.
“É por isso que entendemos que nossos procedimentos e nossa disciplina operacional precisam ser reforçados, e que nós precisamos dar ainda maior ênfase do que já damos aos cumprimento dos procedimentos prévios sobre cada atividade”.
O executivo entende que o acidente, nas proporções em que ele ocorreu, é um problema muito mais grave do que a resposta de curto prazo que seria necessária para esse tipo de situação.
“O melhor tratamento para o acidente é evitar que ele ocorra e eles podem ser evitados se trabalharmos preventivamente nas causas deles. Acreditamos que os nossos procedimentos e a nossa disciplina operacional a ele ligado podem evitá-los. Temos confiança de que o que estamos fazendo é o mais seguro que pode existir”.
Da Petrobras
Movimentos Sociais na luta para que o petróleo seja nosso
Os movimentos sociais estão se articulando para uma nova batalha no Congresso Nacional, em defesa do projeto de lei construído pelos trabalhadores para garantir que todo o petróleo e gás do país seja controlado pelo Estado, em benefício do povo brasileiro.
Após a disputa travada na Câmara dos Deputados Federais, onde as propostas dos movimentos sociais foram debatidas na Comissão Especial que analisou o projeto do Executivo para o novo modelo de exploração do pré-sal, os trabalhadores agora enfrentam uma nova luta no Senado.
O projeto dos movimentos sociais (PLS 531/09) entrou em tramitação na Casa antes dos projetos do governo e, portanto, deve dar um novo impulso à campanha nacional por uma nova lei que garanta que o petróleo seja de fato do povo brasileiro e a Petrobrás uma empresa 100% estatal e pública. O PLS 531/09 se encontra na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) e tem como relator o senador Delcídio do Amaral (PT/MS).
Plenária no Rio
Os movimentos sociais do Rio de Janeiro participam nesta sexta-feira, 12, da plenária estadual da Campanha “O Petróleo Tem que Ser Nosso”. Um dos principais pontos de pauta será a organização da luta para garantir a votação no Senado do projeto assinado pelos trabalhadores.
Comitê em Santa Catarina
A regional da CUT em Florianópolis criou um comitê em Santa Catarina para ampliar a campanha “O petróleo tem que ser nosso”. Os integrantes do Comitê têm como meta coletar 50 mil assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular em defesa do monopólio estatal do petróleo e gás, através da Petrobrás 100% pública.
Ato dia 22 no Rio
Várias entidades, inclusive a FUP, estão organizando uma grande manifestação, no próximo dia 22, no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro. O ato será em defesa do monopólio estatal do petróleo, tendo a Petrobrás como empresa 100% estatal e pública, como prevê o projeto de lei dos movimentos sociais. O ato também tem por objetivo barrar a continuação dos leilões de petróleo e gás.
Pré-Sal: Plenário começa a discutir marco-legal nesta terça (10/11)
Os quatro projetos de lei que regulamentam a exploração do petróleo na camada pré-sal são o destaque da pauta das sessões extraordinárias do Plenário desta semana. A discussão das propostas deve começar amanhã, em cumprimento ao acordo feito com o Executivo para a retirada da urgência constitucional dessas matérias.
Dois dos projetos já foram aprovados pelas respectivas comissões especiais. O PL 5940/09 cria o Fundo Social com recursos da exploração do petróleo. De acordo com o substitutivo do relator Antonio Palocci (PT-SP), todos os recursos da União relativos a royalties e à participação especial por grande volume de produção dos blocos do pré-sal já licitados serão direcionados ao novo fundo.
O objetivo dessa reserva é fazer uma poupança de longo prazo para financiar projetos e programas de desenvolvimento social e regional nas áreas de educação, saúde pública, ciência e tecnologia, enfrentamento das mudanças climáticas e cultura.
Quarentena na Petro-Sal
O segundo projeto de lei já aprovado em comissão especial é o PL 5939/09, que cria a Petro-Sal para gerir os contratos de exploração e de comercialização do petróleo e do gás natural encontrados na camada pré-sal.
Uma das novidades do relatório do deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG) é a quarentena de quatro meses para os dirigentes da empresa que se desligarem dela. Durante esse período, eles não poderão atuar no mercado de petróleo e gás e vão receber os mesmos salários dos cargos que ocupavam. Os integrantes dos conselhos Fiscal e de Administração da Petro-Sal terão mandato de quatro anos, permitida uma recondução.
Royalties menores
O projeto (PL 5938/09) que institui o regime de partilha para a exploração do pré-sal ainda não foi votado na comissão especial devido à polêmica sobre a nova divisão dos royalties proposta pelo relator Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O relator e líder do PMDB propõe o aumento da alíquota total de royalties a serem pagos pelas empresas, de 10% para 15%, mas diminui os percentuais dos maiores estados produtores.
A nova distribuição privilegia todos os estados e municípios da federação, que passariam a ficar com 44%, ao invés dos 7,5% que recebem hoje. A mudança foi muito criticada pelos parlamentares dos estados do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo, que podem ver suas fatias reduzidas dos atuais 22,5% para 18%.
Saques do FGTS
Também com votação adiada na comissão especial, o PL 5941/09 prevê o repasse de 5 bilhões de barris de petróleo à Petrobras, com pagamento em títulos emitidos pela União. Essa capitalização reforçará o caixa da empresa para ela realizar investimentos necessários à exploração do pré-sal.
Conforme o substitutivo apresentado pelo deputado João Maia (PR-RN), a subscrição de novas cotas da empresa pelos acionistas minoritários não poderá ser feita por meio de saques das contas do FGTS. Os trabalhadores que já são cotistas da empresa poderão participar do aumento de capital apenas com recursos próprios.
Fonte: Câmara dos Deputados