CUT defende terceirização só para trabalhos especializados
Em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, que analisa o projeto que regulamenta as relações de trabalho das empresas de terceirização, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divergiram sobre a proposta. O projeto define que as empresas terceirizadas não podem atuar em atividades-fim, que são as operações que têm relação direta com a finalidade da empresa contratante.
A representante da CUT, Denise Motta Dau, diz que a entidade concorda em cercear a terceirização na atividade-fim. “A súmula do Tribunal Superior do Trabalho 331 já diz isso, mas queremos que conste de legislação nacional para que a terceirização se limite ao trabalho especializado e não vire uma regra ou um meio que o empresariado encontrou para retirar direitos dos trabalhadores.” Os trabalhadores reclamam que as empresas, ao terceirizar parte de seus serviços, não se comprometem com a segurança dos trabalhadores, preocupadas apenas com a produtividade.
Já o representante da CNC, Laércio de Oliveira, acredita que não há problema com a terceirização. Para ele, a proposta que está sendo analisada contribui pouco para a solução do impasse com os trabalhadores, uma vez que ainda prevê muitas amarras para os empresários.
Oliveira defendeu rapidez na construção de uma regulamentação para essa atividade como forma de atrair mais investimentos. “Os projetos que surgiram têm muita trava. Transferem inclusive para os sindicatos a relação entre tomador e prestador de serviços. Na nossa opinião, isso é um absurdo. A gente precisa criar uma legislação rÃgida, mas de fácil cumprimento.”
O autor da proposta, deputado Vicentinho (PT-SP), defendeu o projeto: “Nós não estamos propondo que a terceirização seja submetida aos sindicatos. O sindicato é o organismo legÃtimo representante dos trabalhadores, tanto é que a CLT está recheada de recomendações para ouvir o sindicato, porque o sindicato faz parte da Constituição Brasileira, faz parte do arcabouço jurÃdico trabalhista do nosso paÃs.”
Além da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, a proposta será analisada pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se receber favorável nas três comissões, não precisará ser analisada pelo plenário e irá ao Senado.
Fonte: Agência Câmara
Para OIT, redução de salários é precarização do emprego
A diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), LaÃs Abramo, disse que as propostas de redução da jornada de trabalho e a redução proporcional dos salários representam a piora no mercado de trabalho. Segundo ela, o risco de a América Latina e o Caribe passarem por um processo desses “é alto.”
“A OIT defende o diálogo [entre empresas e trabalhadores] para encontrar soluções para cada caso concreto. Mas, a solução não pode ser a precarizacão do trabalho. É preciso tomar cuidado para que medidas conjunturais necessárias não tenham efeito contrário. É preciso manter a capacidade de consumo para manter o mercado interno aquecido”, disse a diretora.
A diretora comenta ainda que há preocupação na OIT com o prejuÃzo do emprego de alguns segmentos da sociedade como negros, jovens e mulheres. Segundo dados do Panorama Laboral, divulgado pela Organização, o desemprego no Brasil, na América Latina e no Caribe é 1,6 vezes maior entre as mulheres.
Entre os jovens é 2,2 vezes maior do que entre os mais velhos. “Temos preocupação que o desemprego atinja primeiro e mais fortemente aqueles extratos da sociedade que sempre foram mais discriminados, como as mulheres e os negros”, disse.
Fonte: Sindicato do ABC