Ford Brasil exporta tecnologia flex
A Ford do Brasil está colaborando na adoção da tecnologia dos motores flex-fuel (álcool e gasolina) para unidades da companhia em outras partes do mundo, entre as quais a Tailândia, que está estruturando processo de produção para ter carros com essa motorização.
Segundo o diretor de assuntos governamentais e corporativos da Ford América do Sul, Rogelio Golfarb, em termos financeiros, ainda não é possível precisar quanto isso deve gerar de resultados para a subsidiária, mas as perspectivas são positivas.
Embora a principal aposta da montadora no mundo para os próximos dez anos sejam os carros elétricos, no curto prazo, a empresa tem procurado melhorar a eficiência dos motores a combustão e investido também em difundir a tecnologia do etanol, apontou o diretor global de sustentabilidade, meio ambiente e segurança da companhia, John Viera, que participou na segunda, 5, do 1ª Seminário Ford de Sustentabilidade, em São Paulo.
Elétricos
Viera projetou que, em 2020, até 25% dos carros produzidos no mundo já terão alguma tecnologia de motor elétrico. E a montadora, que foi a primeira a trazer para o Brasil um carro 100% híbrido (que combina motor a combustão com outro a bateria) – o Fusion Hybrid, que desembarcou em 2010 – está reforçando seu portfólio nessa área. No ano que vem, introduz nos Estados Unidos outro modelo, o C-Max Plug-in, que tem 100 quilômetros de autonomia sem a necessidade de recarga da bateria. A empresa vê essa opção como tendência, que deve reduzir, na frota mundial, em 30% a emissão de CO2 entre 2006 e 2020.
Ter carros menos poluentes faz parte da estratégia da companhia para aliar a preocupação com questões socioambientais com o retorno financeiro. Utilizar material com maior conteúdo reciclável é outra preocupação da empresa. Atualmente 100% dos automóveis produzidos localmente utilizam PET reciclado no carpete do assoalho, forração dos tetos, caixas de rodas e mantas de proteção acústica. Em média, cada veículo utiliza 5 kg a 7 kg desse material.
Nas fábricas
Viera destaca que, além dos produtos, outro pilar em termos de sustentabilidade é a melhoria de indicadores ambientais nas fábricas. No Brasil, a companhia já conquistou nos últimos quatro anos reduções no consumo de energia (10%) e de água (22,5%) e de geração de resíduos (34%). Um exemplo de melhoria dos processos se deu na área de pintura da fábrica de São Bernardo, onde foi instalado equipamento (o regenerador de gases de pintura), que elimina em até 99% as partículas em suspensão geradas no processo de secagem, liberando na atmosfera somente vapor de água e menos de 1% de CO2.
Investimentos
A direção da Ford anunciou, em novembro, um investimento de R$ 500 milhões na fábrica de motores e transmissões de Taubaté, que deve gerar pelo menos 500 novas vagas. Segundo a empresa, com a expansão, a capacidade de produção de motores Sigma, que equipa alguns modelos de plataforma global da montadora norte-americana, será elevada a 500 mil por ano e a de transmissões a 520 mil.
Para o presidente da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT/SP), Valmir Marques (Biro Biro), o investimento já anunciado pela Ford reforça que a montadora está confiante no Brasil e na economia brasileira. “Esses investimentos acarretarão em mais postos de trabalho para os metalúrgicos e também alavancarão a economia local”, concluiu.
As novas contratações devem acontecer em duas etapas. O primeiro ciclo será entre dezembro deste ano e março do ano que vem, com a abertura de cerca de 400 postos de trabalho na unidade. Mais 100 vagas serão abertas no segundo semestre do próximo ano. Atualmente, a Ford emprega cerca de 1.700 trabalhadores na planta de Taubaté.
FEM/CUT
Produção de aço será recorde este ano
O Instituto Aço Brasil (IABr) reduziu a previsão de produção de aço bruto para 35,3 milhões de toneladas este ano, 1 milhão a menos que a previsão feita em agosto. Apesar de considerar que este está sendo “um ano difícil para a indústria do aço brasileira”, essa é uma previsão de recorde de produção. No ano passado foram fabricadas no Brasil 32,9 milhões de toneladas, o que significa que em 2011 a produção será 7,29% maior. (Crédito: Raquel Camargo)
As importações foram estimadas pelo IABr em 3,7 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 37,9% frente ao ano passado. Na comparação com a previsão anterior do IABr, feita em agosto, houve crescimento de 300 mil toneladas. Em valor, as importações devem fechar em US$ 4,4 bilhões, 20% abaixo de 2010.
As exportações deverão totalizar 10,7 milhões de toneladas em 2011, 19,4% acima do observado em 2010. A projeção anterior era de vendas ao exterior de 12,1 milhões de toneladas. Em termos de valor, as exportações deverão fechar o ano com US$ 8,3 bilhões, 43,1% acima de 2010.
O consumo aparente de aço deverá ficar em 25 milhões de toneladas este ano, 4,3% menor que o observado no ano passado. A projeção do IABr aponta para vendas internas de 21,5 milhões de toneladas em 2011, o que representa um crescimento de 3,8% em relação a 2010, mas, segundo o instituto, o patamar ainda está abaixo do nível alcançado antes da crise de 2008.
Para 2012, a previsão é de alta de 6,3% na produção sobre as 35,26 milhões de toneladas deste ano.
FEM/CUT
Produção de veículos cresceu 1,7% em outubro
A produção de veículos no mercado brasileiro somou 265.571 unidades em outubro deste ano, um crescimento de 1,7% ante setembro e uma queda de 9,5% na comparação com outubro de 2010. Os dados foram divulgados hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume considera automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Ainda no mês passado, as vendas totais de veículos no mercado interno, incluindo nacionais e importados, atingiram 280.567 unidades, uma queda de 10% ante setembro e um recuo de 7,5% em relação a outubro de 2010.
Já nos primeiros dez meses deste ano, 2.869.679 veículos foram produzidos, uma elevação de 1,9% sobre o mesmo período de 2010. Também no acumulado do ano até outubro, as vendas somaram 2.963.273 unidades, um crescimento de 5,6% na comparação com os veículos comercializados de janeiro a outubro de 2010.
Bicombustível
As vendas de automóveis e veículos comerciais leves modelo bicombustível (flex) somaram 218.844 unidades em outubro e representaram 83% do total comercializado na categoria no País. O resultado indica um recuo em relação ao desempenho de outubro de 2010, quando a fatia era de 85,9%, com 247.094 unidades.
Empregos
O setor automotivo encerrou o mês de outubro com 145.391 empregados, crescimento de 0,2% em relação a setembro, segundo a Anfavea. Na comparação com outubro de 2010, houve alta de 7,5% no contingente de empregados.
Esse número inclui as montadoras e o setor de máquinas agrícolas. Levando-se em conta apenas o setor de veículos, o número de empregados, em outubro, somou 125.492, estável ante setembro e crescimento de 7,6% sobre outubro de 2010.
CNMCUT
Manifesto por um Brasil com Juros Baixos: Mais empregos e Maior Produção
O Brasil é um caso único na história econômica de prática de taxa de juros reais de dois dígitos por 16 anos seguidos, de 1991 a 2006. Por conta disso, enquanto a economia mundial crescia 4,5% e os emergentes entre 7% e 8% ao ano, nosso crescimento era, em média, de 3%.
No final de 2008, com a crise econômica que se abateu sobre o mundo, os países centrais logo reduziram as taxas de juros para próximo de zero; o Brasil, que estava no início de um processo de aumento de juros após ter atingido o mínimo de 11,25%, agiu na contramão do mundo e manteve a taxa em 13,75% a.a. O BC só reduziu a taxa em janeiro, quatro meses depois da crise se abater sobre o mundo, trazendo uma contração na produção industrial brasileira de mais de 20%.
Um país como o Brasil, com urgente necessidade de crescer e se desenvolver, não pode se dar ao luxo de transferir enormes volumes de capital na forma de renda improdutiva. Capitais especulativos afluem ao nosso sistema financeiro buscando rentabilidade que nenhum outro país oferece. Cerca de 36% do Orçamento Geral da União são destinados ao pagamento de encargos da dívida, recursos estes que poderiam atender as enormes carências de infraestrutura, saúde, transporte, telecomunicações, educação, saneamento etc.
Os altos juros não consomem apenas recursos públicos; pelo contrário, espalham para toda a economia o alto custo do crédito, fomentando o comportamento rentista e improdutivo, corroendo o poder de compra das famílias e drenando recursos do setor produtivo.
A crise de 2008/9 não passou. Europa, Estados Unidos e Japão são testemunhas de que ainda não se encontrou sequer um caminho de consenso que faça a atividade econômica retornar ao curso normal. Mesmo a China, responsável pelo crescimento da economia mundial nos últimos anos, está reduzindo seu ritmo de atividade. Com o cenário internacional precário e incerto, a redução dos preços das commodities e uma projeção de crescimento do PIB em torno de 3,5%, não há porque temer a inflação. Além disso, com o aumento das metas fiscais, o governo sinaliza para um déficit nominal zero, alterando as expectativas futuras dos agentes econômicos, abrindo mais uma oportunidade de redução das taxas de juros.
Dado o quadro de incertezas que nos cerca, passou da hora de caminharmos para taxas de juros mais próximas ao padrão internacional. Menor taxa de juros implica em menor entrada de capitais especulativos, câmbio mais realista e competitivo, redução do custo de oportunidade do capital, maior equilíbrio das contas públicas e maior renda para as famílias.
O COPOM, em sua última reunião, em 31 de agosto, iniciou um processo de redução da taxa de juros SELIC. Acreditamos que reduções adicionais dos juros darão ao país a oportunidade de iniciar um movimento de combate a crise, apoiado na maior competitividade de nossas exportações e no dinamismo de nosso mercado interno.
Assim, a redução da taxa básica de juros aliada a uma política industrial ativa e realista são fundamentais para preservarmos postos de trabalho e continuarmos a crescer com mais emprego e renda.
E é na defesa da redução dos juros que lançamos este Movimento por um Brasil com Juros Baixos, que, articulando trabalhadores, empresários e intelectuais, tem o firme propósito de contribuir com o governo e com outros setores da sociedade na defesa de um Brasil com maior crescimento e oportunidades para a sua população.
Assinam este Manifesto todos os interessados, que autorizam a publicação de sua adesão e esperam que este Movimento seja levado ao conhecimento das autoridades competentes.
SMABC
Brasil enfrentará crise com consumo e produção, diz Dilma
A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que a crise econômica internacional não deve “atemorizar” o Brasil, e que o país enfrentará as turbulências mantendo o consumo e a produção.
“Nós sabemos que a melhor forma de resistir à crise no Brasil é… continuar consumindo, produzindo, investindo em infraestrutura, plantando e colhendo, e assegurando às nossas indústrias o seu componente nacional”, disse Dilma durante evento em Araçatuba (SP).
A presidente foi ao interior paulista participar do lançamento da pedra fundamental do Estaleiro Rio Tietê, cujas primeiras embarcações devem ser entregues em 2012.
Ela assinou ainda protocolo de intenções para investimentos em obras na hidrovia Tietê-Paraná, que conecta os cinco maiores Estados produtores de grãos do país –Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná. O aporte federal chega a 900 milhões de reais.
Os investimentos são parte do objetivo de “reconstruir a matriz de transporte no país”, segundo Dilma, e facilitar e baratear o escoamento da produção.
“Nós também estamos dando um passo para tornar o nosso país mais forte para enfrentar a crise internacional”, disse a presidente.
“Enquanto eles (países europeus) discutem como é que fica a crise da dívida dos seus bancos, nós estamos aqui gastando o nosso dinheiro em parcerias público-privadas, em parcerias entre o governo federal e o governo estadual para criar desenvolvimento, emprego e renda para o nosso país”.
Dilma também elogiou a relação com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), numa “parceria” de “princípio republicano”.
Ainda nesta tarde, Dilma assina, ao lado de Alckmin, termo que autoriza o início da construção do trecho norte do Rodoanel, em investimento de 6,11 bilhões de reais –1,75 bilhão de reais em recursos federais.
Exame.com
Atividade industrial cresce 0,3% em julho, aponta Fiesp
O indicador de nível de atividade (Ina) da indústria paulista avançou 0,3% em julho sobre junho, na série com ajuste sazonal.
Sem o ajuste, o índice foi de 0,6% na comparação com o mês anterior. No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria foi de 3,5%. De janeiro a julho de 2011, o índice acumula variação positiva de 2,5% em relação ao mesmo período de 2010.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30/8) pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).
Por sua vez, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) teve expansão de 0,5% se comparado a junho, saltando de 83 pontos para 83,1 pontos, com ajuste sazonal.
As vendas reais e as horas trabalhadas na produção recuaram 0,3% na mesma base de comparação.
Dos setores avaliados pela pesquisa, destaque para os segmentos de fabricação de artigos de borracha e plástico (+1,6%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+0,6%) que tiveram crescimento da atividade.
Em contrapartida, o setor de celulose, papel e produtos de papel apresentou variação negativa de 0,6% na leitura mensal.
Do Brasil Econômico
Indústria brasileira ainda registra crescimento moderado, avalia IBGE
Apesar de atingir patamar recorde em maio, ao avançar 1,3% na comparação com o mês anterior, a indústria brasileira ainda registra ritmo de crescimento moderado refletindo as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para redução do crédito, avalia o gerente da Coordenação da Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo.
“Com esse resultado, a indústria voltou a operar no patamar de março, após a queda de abril. Mas quando se olha mês a mês, o ritmo de produção é mais moderado. Em março, o setor havia avançado 0,3%, no mês passado, teve queda de 1,2% e em maio ele compensa esse recuo”, explicou.
Cenário
Segundo Macedo, esse cenário é confirmado pelo índice do acumulado nos últimos 12 meses, que permanece positivo, mas menos intenso com o passar dos meses.
“O índice de 12 meses permanece positivo, mas mostra uma trajetória menos intensa. Em maio, ele ficou em 4,5%, abaixo, por exemplo, dos 5,4% de abril e bastante inferior aos 11,8% de outubro do ano passado”, acrescentou.
Setores
Na passagem de abril para maio, o crescimento foi disseminado entre os diversos setores, atingindo 19 das 27 atividades, com destaque para alimentos (3,9%), produtos de metal (12,8%) e veículos automotores (3,5%). Macedo ressaltou que na indústria automotiva, a produção de caminhões e de autopeças aumentou, enquanto a de automóveis foi prejudicada em função de paralisações e dificuldade na obtenção de matérias-primas.
Em relação ao mesmo período de 2010 a produção da indústria subiu 2,7%. Nesta base de comparação, os destaques foram veículos automotores (6,0%), refino de petróleo e produção de álcool (8,0%).
FEM-CUT
Horas trabalhadas sobem em abril e massa salarial diminui
As horas trabalhadas na produção da indústria nacional aumentaram 1,5% entre março e abril, pelo critério dessazonalizado. Sem o ajuste sazonal, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) observou queda, de 2,7%. Em relação a abril de 2010, houve acréscimo de 0,7%. As horas trabalhadas são um indicativo da produção industrial.
Quanto à massa salarial real da indústria de transformação, foi registrada baixa de 3,5% na base mensal. No confronto anual, porém, o indicador apresentou avanço de 4,3%. De janeiro a abril de 2011, houve crescimento de 5,8%.
O nível de emprego industrial, por sua vez, encolheu 0,1% em abril, pelo critério dessazonalizado. Sem ajuste sazonal, foi verificado aumento, de 0,4%. Na comparação com abril de 2010, houve aumento de 2,8%; no ano; o indicador avançou 3,7%.
A CNI reclamou, em nota, que a alta de 1,5% nas horas trabalhadas não recupera a perda verificada en março, quando foi registrado recuo de 2,2% no indicador dessazonalizado.
Do Valor Online
Salários na indústria crescem mais que produção
Com sinais de estagnação rondando desde o segundo semestre de 2010, a indústria brasileira retomou a alta da sua folha de pagamentos no início de 2011 e já começa a levantar dúvidas em relação ao efeito sobre a produtividade. Na passagem de dezembro para janeiro, o tímido avanço de 0,2% da produção industrial foi acompanhado de alta de 5,1% na massa salarial, apesar do recuo de 0,1% nas vagas.
O avanço do custo de mão de obra na indústria foi registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) depois de uma queda acumulada de 4,4% nos dois últimos meses de 2010. Na comparação com janeiro de 2010, o índice é ainda mais expressivo: 7,1%. A taxa anualizada cresceu 0,4 ponto porcentual ante dezembro, atingindo 7,3%, nível mais elevado desde maio de 2005,
Em 2010, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 91% dos trabalhadores da indústria tiveram aumento acima da inflação. Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Souza, os acordos sindicais refletiram o forte ganho de produtividade (6,1%) do setor após a crise. No entanto, podem ter sido definidos com um horizonte que a produção não está confirmando.
“Não vai ser um problema se produzir e vender lá na frente”, observa Souza. “A produtividade foi alta em 2010, mas com uma base de comparação baixa. O quadro não é favorável para a indústria, que precisa avançar mais na produtividade não só para competir, mas também para manter a alta de salários.”
Fernando Sarti, professor do núcleo de economia industrial da Unicamp, pondera que a alta da folha da indústria em um mês é pouco para configurar uma tendência. Mesmo assim, diz que o desempenho da indústria em 2010 deixou espaço para a recuperação dos salários. “A atividade da indústria não está caindo. Há uma acomodação após um ano atípico. A análise sobre a produtividade é mais complexa”, advertiu. “O salário não coloca a rentabilidade em risco. Comprimi-lo seria um tiro no pé, pois reduziria o dinamismo do mercado interno que favorece a própria indústria”, afirma.
SMABC
Recorde na produção de autos puxa demanda interna por aço
O novo recorde esperado para a produção da indústria automobilística brasileira vai impulsionar a demanda interna por aços, contribuindo para melhorar as perspectivas para as siderúrgicas, num horizonte em que são esperados novos aumentos de custos com minério de ferro e carvão. Diante da maior demanda por aço e da expectativa de que sua importação continue em queda, já se considera a possibilidade de aumentos de preços dos produtos siderúrgicos em 2011.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) espera elevação de 1,1% na produção do setor, que deve somar 3,680 milhões de veículos em 2011. O crescimento projetado, entretanto, é menor do que no ano passado, quando foi produzida marca histórica de 3,64 milhões de veículos, 14,3% a mais do que em 2009.
A indústria automobilística responde por cerca de 30% das vendas do setor siderúrgico no Brasil. Já o aço responde por cerca de 50% do custo total de insumos de um veículo, segundo o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini. Com relação ao preço final do automóvel, equivale, em média, a 20%.
As siderúrgicas brasileiras pararam de reajustar o preço do aço para a indústria automobilística no ano passado, conforme Belini, que também é presidente da Fiat no Brasil. A interrupção das altas ocorreu quando as montadoras passaram a aumentar as importações do insumo, devido ao chamado prêmio, ou seja, diferença de preços nos mercados externo e interno.
Dados do Instituto Aço Brasil (IABr) apontam que as importações brasileiras totais de aço cresceram 154,2% em 2010, chegando ao recorde de 5,928 milhões de toneladas. A expansão foi puxada pela alta de 172,4% no volume de aços planos desembarcados, que somou 4,067 milhões de toneladas, de acordo com o IABr.
Cada montadora mantém negociações individuais com as siderúrgicas, conforme o presidente da Anfavea. Ainda hoje, de acordo com Belini, o aço importado é cerca de 40% mais caro que o nacional e, apesar disso, as siderúrgicas brasileiras não têm concedido descontos.
Segundo o setor de distribuição, responsável por aproximadamente 25% das vendas de aço no Brasil, as siderúrgicas adotaram a política de descontos em agosto de 2010, no enfrentamento da concorrência com os importados. O resultado foi a redução gradativa dos estoques. As usinas começaram a anunciar a retirada parcial dos descontos que vêm sendo aplicados aos preços do aço vendido à distribuição, conforme o presidente da Frefer, segunda maior distribuidora independente, Christiano da Cunha Freire.
Além da concorrência com as importações, a disputa por clientes na indústria automotiva pelas siderúrgicas brasileiras tem outro desafio. É que a quantidade de aço usada na produção de um carro vem diminuindo nos últimos anos e tende a continuar assim, já que o metal vem sendo substituído por alumínio e fibra de vidro, além de outros materiais menos pesados.
Um dos principais desafios do setor é tornar os veículos mais leves para, assim, reduzir seu consumo de combustível. Alguns estudos apontam que com a redução de 15% no peso de um automóvel é possível obter economia de 10% no consumo de combustível.
Numa tentativa de reverter esse quadro desfavorável, a indústria do aço tem apostado na nanotecnologia para desenvolver um aço mais leve, mas tão resistente quanto o tradicional. A maior siderúrgica do mundo, a ArcelorMittal, anunciou recentemente que, em cerca de três anos, será possível fornecer à indústria automotiva um aço tão leve quanto o alumínio a um preço competitivo. A ver.
Da Agência Estado