Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais está na pauta de prioridades da Câmara
A Bancada do PT na Câmara já definiu em seminário as prioridades do partido para votação na Câmara neste semestre. De acordo com o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), a lista das propostas será entregue ao presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), como sugestão para a pauta prioritária a ser apreciada pela Casa. Marco Maia anunciou que pretende elaborar um calendário de votação com as várias propostas sugeridas pelos partidos e deverá se reunir ainda nesta semana com os líderes partidários para definir os temas.
Além das reformas política e tributária, a bancada do PT defende a votação de projetos que são importantes para o desenvolvimento e a sustentabilidade econômica do País; para atender demandas históricas dos trabalhadores; para contemplar os setores de educação e saúde, para o combate à corrupção, além de propostas que contemplam a área dos direitos humanos e do meio ambiente.
Prioridades
São prioridades da bancada os projetos que tratam dos seguintes temas: tipificação dos crimes de extermínio; Vale-Cultura; PEC de combate ao trabalho escravo; redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; inclusão do Cerrado como patrimônio nacional; Supersimples; Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e Plano Nacional de Educação (PNE).
Também constam da lista de projetos elencados pelo PT, entre outros, a Regulamentação da Emenda 29, que garante recursos para o setor de saúde; a distribuição de royalties do petróleo do pré-sal; o Código Brasileiro de Aeronáutica; Agências Reguladoras; reestruturação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e extinção do fator previdenciário.
Estão entre as prioridades da Bancada do PT também: o combate à discriminação do portador do vírus HIV e o combate à discriminação das mulheres no local de trabalho. E, ainda, medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços; atribuições do Conselho Nacional dos Direitos Humanos; Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, a proposta para alterar a composição do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e a criação da Comissão da Verdade.
FEM/CUTSP
Lula: “sindicalismo me ensinou a negociar de cabeça erguida”
Em meio ao balanço de seus dois mandatos como presidente (2003/2006 e 2007/2010) e brincadeiras com o público, que levaram a platéia às gargalhadas diversas vezes, Lula aconselhou os sindicalistas a entrarem de cabeça erguida nas negociações com os empresários.
“Ninguém respeita a subserviência. Se entrar de cabeça baixa [nas negociações], o empresário vai subir no cangote de vocês”, afirmou. Para o presidente, exigir o respeito mútuo, não significa ser grosseiro. “[o dirigente sindical] pode ser agradável, gentil, delicado. Mas na hora de negociar tem que saber quem você representa. Aí, vão te respeitar”, explicou.
Lula disse que foi agindo dessa forma que, na presidência do Brasil, conseguiu respeito de lideranças do mundo inteiro, como os EUA, França e Alemanha, entre muitos outros países. “Foi assim, com respeito, mas de cabeça erguida, que tratei com todo mundo. [nos oito anos de presidência]. Assim, conquistei muitas amizades também. E isso, aprendi no movimento sindical”.
Governo Dilma
Sobre o governo de sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), Lula pediu apoio dos dirigentes metalúrgicos para “nossa querida companheira Dilma”, e acrescentou: “tem gente que fica criando intrigas, mas não existe possibilidade de divergência entre mim e a Dilma. E se um dia vier a existir, ela é que está certa”.
O ex-presidente lembrou que a oposição, durante a campanha eleitoral de 2010, acusou Dilma de ser terrorista, ser seqüestradora, defender o aborto, quando na verdade ela é uma mulher que foi torturada por 3,5 anos por defender a democracia no Brasil. E está provando ser uma ótima presidenta. “Agora, não tem coisa mais extraordinária um metalúrgico – retirante nordestino – terminar seu mandato e eleger essa mulher como presidenta da República para dar continuidade ao trabalho”.
Delegação internacional
Para a delegação internacional que está participando do congresso da CNM, Lula sugeriu que seus integrantes conheçam a experiência brasileira de relações entre governo e os movimentos sociais.
“É preciso conviver democraticamente na diversidade. Quando eu estava na presidência, nenhum segmento social deixou de ser ouvido, de ter sua conferência e participar da elaboração de políticas públicas”, afirmou Lula.
Somados os participantes de 73 conferências nacionais e seus desdobramentos estaduais e municipais, mais de 5 milhões de pessoas participaram da elaboração de políticas públicas durante o governo Lula.
“O movimento sindical é testemunha dessa participação (…). E muitas vezes os companheiros sindicalistas foram duros com o governo, e vice-versa. Mas nunca deixamos de ter consciência do nosso papel [de compromisso com a classe trabalhadora]. Mas na hora que foi preciso, o movimento sindical e popular assumiu a defesa do governo”, explicou o ex-presidente.
Balanço dos mandatos
A respeito dos seus oito anos como presidente, Lula afirmou que procurou governar para toda a sociedade, de banqueiro a morador de rua. “Mas não podemos perder de vista nossa preferência. Governar é como ter coração de mãe. Todos os filhos são iguais, mas aquele mais frágil, mais debilitado, na hora da refeição, vai ganhar um bife a mais”, afirmou.
Foi com essa referência social que, segundo Lula, foi possível conquistar avanços durante seus mandatos; e citou como exemplos os 36 milhões de brasileiros que saíram da pobreza e foram para a classe média, os outros 28 milhões que saíram da miséria, os 12 milhões de empregos criados no período, o programa “Luz para Todos”, que levou energia elétrica para 2,7 milhões de brasileiros da área rural, entre outros.
Preconceitos
Lula lembrou que, por ser de origem operária, enfrentou muito preconceito em suas candidaturas a presidente. “Diziam que eu não conseguiria fazer política de relações externas porque não sei falar Inglês. Diziam que a Marisa (esposa de Lula) não poderia ser primeira-dama porque não ia nem saber limpar os vidros do Palácio do Planalto, entre outras bobagens que os adversários diziam”.
“Mas foi este metalúrgico o presidente que mais fez universidades neste país”, lembrou sob aplausos. Na área econômica, Lula destacou os 325 bilhões de dólares que o Brasil possui de reservas internacionais e a quitação da dívida externa do país com o FMI (Fundo Monetário Internacional.
“Quem aqui, no passado, não carregou faixa ou cartaz dizendo Fora FMI (por que a dívida externa do Brasil era estratosférica) ?, perguntou Lula ao público. “Pois agora temos que dizer ‘Dentro FMI’, pois é o FMI que nos deve 14 bilhões”.
Dever Cumprido
“Do fundo do meu coração, sei que fizemos muito, mas sei que ainda há muito o que fazer”, disse Lula para concluir o balanço de seus mandatos. “Tenho a sensação de dever cumprido. Não tenho vergonha. E isso incomoda os adversários”, acrescentou.
Lula afirmou também que, desde que deixou o Palácio do Planalto, no início deste ano, tem vontade de participar de muitas atividades políticas e sociais. “Tenho vontade de fazer outra Caravana da Cidadania pelo país, de participar de plenárias, de reuniões com catadores [de recicláveis], de visitar quilombos. Tenho vontade de tudo, mas tenho que me controlar”.
Para ele é difícil o processo de se desligar da presidência. “Mas tenho que desencarnar e assumir meu papel como ex-presidente. Até para mostrar para certo ex-presidente como deixar o cargo e não ficar palpitando no governo do sucessor”, afirmou.
“A Dilma vai ter sua própria marca, sua identidade. Do passado eu posso falar, mas quem pode falar sobre o futuro é a companheira Dilma”, concluiu.
Homenagem
No final de sua exposição, durante a abertura do congresso da CNM, Lula homenageou o sindicalista metalúrgico Carlos Grana, que após o evento vai se desligar da confederação para se dedicar ao mandato de deputado estadual pelo PT-SP.
CNM/CUT
Nova classe média vai pautar eleições, afirmam analistas
A “nova classe média”, trazida ao centro do debate político pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na semana passada, e namorada pelo PT, que vê na presidente Dilma Rousseff a figura talhada para conquistá-la, chegou para mudar o cenário eleitoral do País, admitem analistas, marqueteiros e estudiosos.
O tema apareceu no artigo O Papel da Oposição, divulgado por FHC, e reforçou a condição desse grupo como objeto de desejo do mundo político. É um vasto universo de 29 milhões de pessoas – pobres que, nos últimos seis anos, subiram da classe D para a C e carregam consigo novos comportamentos e expectativas.
Analistas, líderes partidários, comunicólogos e marqueteiros já se esforçam para entender como atuará, diante das urnas, esse segmento que, ao subir, fez da classe média o maior grupo social do País, com 94 milhões de pessoas (51% da população).
“Não se trata de gente sem nada, que aceite qualquer coisa. É gente que trabalhou duro, subiu, sabe o que quer, tem mais informação e se torna mais exigente”, resume Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope. “Isso merece um discurso novo e FHC acertou ao mandar a oposição ir atrás dela”, disse.
Não por acaso, o economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas – primeiro a detectar esse fenômeno, num estudo de 2010 – considera essa iniciativa de Fernando Henrique “a segunda ideia mais inteligente da oposição em anos, depois do plano de estabilização dos anos 1994-2002″. Esse brasileiro, diz ele, “quer sonhar, e não apenas diminuir seus pesadelos”.
O impacto desse cenário já se faz sentir no mundo político, que ainda procura entender a enorme votação da candidata Marina Silva (PV) nas eleições presidenciais de 2010. “Mas é perda de tempo tentar adivinhar se é um grupo de esquerda ou de direita”, observa Antonio Prado, sócio-diretor da Análise, Pesquisa e Planejamento de Mercado (APPM), em São Paulo.
SMABC
Aos 31 anos, PT reafirma compromissos
O Partido dos Trabalhadores celebrou aniversário de 31 anos, na quinta-feira (10/02), com seu principal protagonista reconduzido à presidência de honra da legenda, após concluir dois mandatos consecutivos como presidente da República, com a aprovação de cerca de 80% dos brasileiros.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso emocionado no Teatro do Sindicato dos Bancários, em Brasília, destacou que a celebração é um motivo de orgulho e ponderou: “Mas na vida política ainda somos uma criança e temos muita coisa para fazermos juntos”. Sobre sua participação na vida pública, ironizou os adversários. “Se alguém achar que o Lula está aposentado, se escafedeu”. O ex-presidente discursou momentos antes da chegada da presidente Dilma Rousseff ao ato político.
Embora nascido dos movimentos de greves comandados por Lula no ABCD, sob forte influência dos movimentos sociais, lideranças ponderam que o partido precisa voltar às raízes.
“O PT precisou trabalhar mais nos congressos para poder governar, mas agora precisa buscar as bases e não decepcionar os eleitores e militantes, continuando o trabalho para os menos favorecidos”, observa Maurício Soares, que foi o primeiro prefeito a assumir a Administração de São Bernardo após a fundação do partido.
Bases – De acordo com discussões internas ao partido, “a necessidade de se assegurar governabilidade no Congresso, e em estados e municípios administrados pelo PT, fez com que a agremiação se distanciasse um pouco ‘das bases’ para governar com os legisladores e partidos aliados”.
O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), observa que a descentralização da legenda, que deixou de ser paulista para se enraizar pelo Brasil, precisa ganhar força com a filiação de novos militantes. “O fundamental é o partido investir em formação. Muitos não viveram essa história.”
Em Diadema, onde o PT elegeu em 1982 (um ano após sua fundação) o então líder sindical Gilson Menezes (hoje no PSB) como o primeiro prefeito do PT no País, a relação com as bases permaneceu no foco das prioridades das administrações petistas, há mais de 20 anos.
O presidente do diretório municipal, Josemundo Dario Queiroz, o Josa, destaca que os movimentos sociais participam do governo Mário Reali, mas sem ser “cooptados”.
Entretanto, há de se valorizar a política de aliança com a base governista na Câmara. “Entendemos que tem de ser um misto, existe a relação institucional pautada pela política de aliança, mas não abrimos mão de ouvir nossas bases”, observa.
Presidente do PT destaca momentos históricos
Memória viva do Partido dos Trabalhadores, o atual presidente da sigla, José Eduardo Dutra, enumerou diversos pontos históricos vividos pela militância. Dutra também fez questão de valorizar a militância e o povo brasileiro.
Confira alguns trechos da entrevista:
“Não há dúvida de que nesses 31 anos é uma trajetória de vitórias. Claro que há momentos difíceis, momentos de angústia, momentos em que nós tivemos que enfrentar inimigos poderosos, mas o PT ao longo desses 31 anos conseguiu superar todos os desafios que foram colocados à sua frente”.
“Desde o início nós tivemos que enfrentar preconceitos. Alguns que diziam que o PT vinha para dividir a oposição e fazer o jogo da ditadura, e outros que diziam que o PT era um partido radical, que pregava a violência no nosso País.
E o fato é que, ao longo desse período, o PT foi capaz de mudar, até porque mudou muito o Brasil, mudou o mundo, mas nós fomos capazes de mudar sem mudar de lado. Nós continuamos defendendo os trabalhadores, a maioria da população, e nesse período tivemos uma trajetória de pleno crescimento, desde a eleição de 1982”.
“O PT construiu a sua trajetória de respeitabilidade perante a população brasileira, iniciando nos municípios, introduzindo o modo petista de governar, mostrando que se é capaz de se governar com ética, com transparência, depois quando ganhamos o primeiro governo estadual, e chegamos em 2002 elegendo o primeiro operário para a Presidência da República”.
“Tivemos a capacidade de nos identificar profundamente com o povo brasileiro, com os movimentos sociais, nós crescemos institucionalmente, mas sem nos afastarmos de uma relação absolutamente inédita em termos de política brasileira, que é a nossa relação com o movimento social organizado”.
“Nesses 31 anos gostaria de deixar um abraço fraterno, um abraço companheiro, um abraço de alegria a todos aqueles que contribuíram e contribuem para o crescimento e o fortalecimento do nosso partido, que é a nossa militância, e ao povo brasileiro.” (Com informações do Portal Nacional do PT)
R.Pires elegeu 1ª prefeita da Região
Maria Inês Soares é considerada uma liderança regional do PT. Eleita prefeita de Ribeirão Pires, governou a cidade de 1997 a 2004 marcando sua administração e o município. Foi a primeira mulher petista eleita prefeita no ABCD e atualmente é coordenadora de Projetos Especiais da Prefeitura de Mauá.
Para Maria Inês, sua eleição foi resultado da união de fatores como a força do PT, aliada às propostas apresentadas para o município, e sua imagem, que já era conhecida na cidade pela atuação no movimento sindical da educação. “Esses fatores favoreceram o processo eleitoral e resultaram em um importante avanço para a cidade que, sem falsa modéstia, marcou Ribeirão Pires, por ter sido um governo com efetiva participação popular”, afirmou.
O presidente municipal da legenda, Antonio Carlos Pereira, o Carlão, garante que o partido está unido para enfrentar os próximos desafios. “O PT é um partido combativo, que luta pelo debate e não será diferente nos próximos anos. Por isso, já estamos organizando um planejamento para este ano e 2012”, disse. (Fabíola Andrade)
Em Sto.André, seminário marca festa
O PT de Santo André realizará, no último final de semana de março, um seminário para debater a conjuntura política no município. O evento também servirá como comemoração aos 31 anos do partido. Na pauta de debates, o seminário tratará o papel do PT como único partido de oposição em SantoAndré, a eleição municipal de 2012 e outros temas.
“Vamos nos reunir com várias forças políticas, tanto os demais partidos como nossa valorosa militância, os rumos do PT na cidade”, afirma Luiz Turco, presidente municipal do PT de Santo André.
Em São Caetano, apesar de não haver uma comemoração especial para a data, o clima é de otimismo total para os próximos anos. Para o presidente municipal da sigla, Edgar Nóbrega, independentemente dos resultados alcançados, o importante é o momento de reconstrução que o partido atravessa.
“Estamos reestruturando o partido na cidade e criando um programa voltado às eleições de 2012. O que importa é o PT estar bem organizado. Estamos em novo tempo”, afirmou o professor Nóbrega.
Na busca de voltar a comandar a cidade em 2012, o PT de Rio Grande da Serra quer aproveitar o momento de crescimento do partido e ganhar espaço entre os eleitores locais por meio do trabalho social.
Do ABCD Maior
Política do PSDB pôs Brasil “no acostamento”, diz Dilma
A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, alfinetou novamente hoje o adversário do PSDB, José Serra, e o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A uma plateia de caminhoneiros que lotou o auditório do Senado, onde foi realizado o congresso da categoria, Dilma recorreu a expressões usadas por motoristas, como “roda presa”, para provocar o rival e dizer que a política do PSDB pôs o Brasil “no acostamento”. “Se caminhão parado não tem frete, o Brasil parado também não tem desenvolvimento”, afirmou a petista. “Tenho certeza de que vocês não vão permitir a volta do atraso e da estagnação.”
Mesmo sem citar os nomes de Serra e de Fernando Henrique, Dilma não deixou dúvidas sobre quem se referia. “O Brasil precisa impedir a volta daquela política de roda presa, que engarrafou o desenvolvimento e congestionou o progresso, a política que colocou o País no acostamento.” Aplaudida pelos caminhoneiros, a quem chamou de “queridos companheiros e companheiras”, Dilma afirmou que a categoria tem uma “generosidade imensa”.
Ao lado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do pré-candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, a ex-ministra da Casa Civil fez promessas típicas de campanha: pregou a renovação da frota de caminhões e disse que o governo Lula foi o que mais atendeu às reivindicações da categoria, definidas por ela como “justíssimas”.
“Vamos pavimentar estradas da vida, e não da morte, estradas da liberdade, e não do sofrimento e dificuldades, estradas do desenvolvimento do nosso País, e não da estagnação”, discursou. Do Senado, a pré-candidata do PT foi para a Câmara, mas preferiu não caminhar do Salão Azul para o Verde. Embora o trajeto fosse curto, tomou um carro e, já no plenário da Câmara, participou da homenagem ao vice-presidente da República, José Alencar.
Dilma: o PT não tem medo do embate ético com tucanos
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (5), a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou que o foco sobre a “questão ética” proposto pelo pré-candidato tucano, José Serra, não assusta o PT.
“Esse debate é muito bom para a gente”, rebateu Dilma, ao citar o trabalho realizado nas operações da Controladoria-Geral da União com a Polícia Federal. “Acabamos com a figura do engavetador-geral”.
Dilma também afirmou que os rivais terão é que mostrar propostas para o Brasil não viver na estagnação: “O Serra que me desculpe, mas ele não foi só ministro da Saúde. Foi ministro do Planejamento. Planejou o quê, hein?”
Confira os principais trechos da entrevista:
O presidente Lula disse que espera que seu sucessor faça mais pela educação. Qual sua meta para o setor?
Ele tem toda razão. Ele construiu um alicerce. Vamos ter que aumentar ainda mais os investimentos.
Hoje, o investimento não chega a 5% do PIB. Educadores sonham com 7%. É possível investir 10%?
Não vou dizer porcentual porque não sou doida, mas dá para aumentar progressivamente os investimentos. Não podemos esquecer que teremos recursos da exploração do pré-sal.
Mas a proposta de investir o dinheiro do Fundo Social do pré-sal em educação encontrou resistência no Congresso. Os partidos querem repassar os recursos para outros setores.
Aí não está certo, distorce o que pode ser o nosso passaporte para o futuro. Apostar na educação não é só uma questão de inclusão e dar suporte à inclusão social. Temos que investir em educação para sermos de fato um país de liderança mundial.
No debate sobre saúde, a senhora não teme enfrentar José Serra, que é um ex-ministro da área?
Não tivemos na saúde, nos últimos 30 anos, um momento tão propício, como agora. Demos um grande salto quando estruturamos o SUS (Sistema Único de Saúde), ninguém pode negar. O SUS de um lado garantia a atenção básica e a partir de um certo momento, as unidades básicas de saúde, com saúde da família, que atendem a gestantes, crianças e aqueles que têm doenças como diabetes, hipertensão. E tinham os hospitais. Neste processo, entre as unidades e os hospitais não tinha nada, não tinha a média complexidade. Uma pessoa ficava em filas e filas. Isso não foi resolvido por ninguém. Acho que o grande passo foi dado com as UPAs, as Unidades de Pronto Atendimento, que garantem atenção 24 horas por dia e impedem que a fila se dê no hospital, transfere o atendimento de urgência e emergência para essas unidades. As UPAs, que estão programadas para uma população de 100 a 200 mil, chegando a 300 mil, têm níveis de cobertura diferenciada. Em vez de ir direto para o hospital, uma pessoa que teve um ataque cardíaco segue para uma UPA. A unidade faz a prevenção, dispensando a fila no hospital. Se o ferimento ou o problema não for grave pode ser tratado ali.
Mas a realidade ainda é outra…
Acho que vamos mudar esta realidade. O pessoal tem toda a razão quando se queixa. Não tinha fila no INSS? Nós não falamos que íamos acabar? Acabamos. Vamos mudar a situação da saúde.
José Serra saiu do governo de São Paulo com um discurso focado na questão ética. Pode prevalecer esse debate no processo eleitoral?
Esse debate é muito bom para a gente. Pode olhar tudo o que foi feito. Nunca se esqueça que foi a CGU quem descobriu a máfia dos sanguessugas. Tudo foi feito pela CGU, combinado com a Polícia Federal. Se teve um governo que levantou o tapete, foi o governo Lula. Antes não apareciam denúncias, porque ficavam debaixo do tapete, ninguém apurava. Estava vendo, outro dia, um levantamento da CGU que mostra que as principais descobertas e investigações neste governo foram de casos que ocorreram em governos anteriores. A apuração das denúncias levantadas pela Operação Castelo de Areia é um caso. E acabamos com a figura do engavetador-geral. Onde está o engavetador? A União não engaveta mais nada. Nos sentimos muito à vontade em fazer essa discussão. Agora, se me perguntarem se isso rende frutos, acho que não rende. Eles pensaram que ia render em 2006. Acho que eles não podem ter só esse discurso. Vão ter que mostrar qual é a proposta para o Brasil não viver estagnado. O Serra que me desculpe, mas ele não foi só ministro da Saúde. Foi ministro do Planejamento. Planejou o quê, hein? Ali, se gestou sabe o quê? O apagão. O apagão que eu falo é o racionamento. Porque o pessoal usa um pelo outro. Racionamento é ficar oito meses sem energia.
A senhora trabalha para estar no mesmo palanque de Ciro Gomes ainda no primeiro turno?
Tenho uma relação muito forte com Ciro. Por conta do fato de termos sido ministros no primeiro mandato do presidente Lula. Foi uma época muito difícil, havia muita tensão, muitas acusações. O Ciro foi um companheiro inestimável. Ele pensa semelhante a todo o projeto do governo. Agora, o que ele vai fazer só ele pode dizer. Não tem como fazermos suposições sobre qual é o caminho político do Ciro.
O País ficou 21 anos sob ditadura e, há 25 anos, não tem direito oficialmente à memória dos tempos do regime militar. A senhora já disse que não aceita o revanchismo. Há condições para abrir os arquivos militares?
Não tem revanchismo em relação à memória. Fizemos todas as tratativas na Casa Civil, quando mandamos ofícios a todos os órgãos arquivistas existentes na República. Pedimos que entregassem os arquivos. Foi dito que tinham sido queimados. Então, que se apresentassem as provas. A Aeronáutica entregou a parte do arquivo. As demais Forças disseram que não existem arquivos. O que pudemos fazer, nós fizemos.
Se a senhora for presidente, vai abrir o arquivo do CIEx, órgão de inteligência do Exército?
O Brasil está bastante aberto. Depende do que vai ocorrer daqui para frente. O aperfeiçoamento da democracia não é uma coisa que se faz de uma vez por todas. Faz a cada dia. É um processo de consulta a pessoas.
Há clima favorável ao fechamento de um ciclo, à abertura do arquivo?
Acho que esse ciclo está consolidado, bastante consolidado.
Qual a proposta da senhora para as Forças Armadas?
O Plano de Defesa que fizemos foi uma das melhores coisas do governo Lula. Um país deste tamanho tem de aparelhar e valorizar as suas Forças Armadas, tem de ter uma estratégia de defesa. É preciso estar presente na nossa imensa costa, até porque temos a questão do pré-sal, e daí a importância dos submarinos.
Ministra Dilma cresce oito pontos, Serra cai, diz Ibope
Uma pesquisa Ibope/Diário do Comércio, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo e realizada entre os dias 6 a 9 deste mês, indica que a corrida à sucessão presidencial de outubro continua polarizada pelos pré-candidatos do PSDB e do PT, respectivamente o governador de São Paulo, José Serra, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Nessa mostra, Serra tem 36% das intenções de voto e Dilma 25%. Em terceiro lugar está o deputado federal Ciro Gomes (PSB) com 11%, seguido da senadora Marina Silva (PV) com 8%. O porcentual de votos brancos e nulos somou 11% e dos que disseram não saber em quem vota atingiu 9%.
A última pesquisa divulgada pelo Ibope foi no dia 7 de dezembro do ano passado. Na mostra, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Serra registrava 38% das intenções de voto, seguido de Dilma Rousseff com 17%, Ciro Gomes com 13% e Marina Silva com 6%. Naquela pesquisa, o porcentual de votos brancos e nulos atingiu 13% e dos que disseram não saber em quem votar ou não quiseram responder somou 12%.
No cenário sem Ciro Gomes, a pesquisa Ibope/Diário do Comércio aponta José Serra com 41%, Dilma Rousseff com 28%, Marina Silva com 10%, brancos e nulos 12% e não sabem ou não opinaram 9%.
Na simulação de um eventual segundo turno entre José Serra e Dilma Rousseff, o tucano lidera com 47% e Dilma registra 33%.
A maior rejeição apontada pela pesquisa é de Ciro Gomes, com 41%, seguido de Marina Silva com 39%, Dilma Rousseff com 35% e José Serra com 29%.
A pesquisa Ibope/Diário do Comércio avaliou também o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 47% dos entrevistados, a administração de Lula é boa, para 29% é ótima, para 19% é regular, para 3% é péssima e para 2% é ruim.
A mostra indagou ainda o que os eleitores gostariam que o próximo presidente fizesse. Do total de entrevistados, 34% querem a total continuidade do atual governo, 29% querem pequenas mudanças com continuidade, 25% querem a manutenção de apenas alguns programas com muitas mudanças e 10% querem a mudança total do governo do País. Para 78% dos entrevistados, o presidente Lula é confiável, enquanto 18% disseram não confiar no presidente.
A pesquisa foi realizada com 2.002 eleitores em 144 municípios de todo o Brasil. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Esta pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o protocolo nº 3196/2010.
Agências
CPI da Petrobrás é atitude irresponsável da oposição, diz ministro
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, qualificou como irresponsável a atitude da oposição de insistir numa CPI para investigar possíveis irregularidades tributárias na Petrobras. Ele falou na manhã de hoje (18) ao chegar a uma audiência pública sobre o Programa Minha Casa Minha Vida, na Assembleia Legislativa do Paraná.
“No afã de dificultar as coisas para o governo, pode prejudicar uma das maiores empresas do mundo. Mas, não vão conseguir, porque o governo vai continuar investindo na Petrobras e na área do pré-sal para manter a Petrobras como a grande empresa que é.”
Apesar das considerações, Bernardo afirma que o governo vai fornecer todas as informações pedidas. “[Fazer a CPI] é um direito constitucional e que está no regimento do Congresso.”
Para Bernardo, o PSDB gostaria mesmo era de privatizar a Petrobras, o que não conseguiu no governo anterior. “Provavelmente está querendo desmoralizar a empresa para fazer isso no futuro”, disse. “Vamos acompanhar as ações da oposição sem paralisar as ações do governo. Nem as ações de investimento nem nem o Programa Minha Casa Minha Vida”, completou.
Fonte: Ag. Brasil