Campanha mundial contra a Vale ganha impulso em vários paÃses
A campanha do United Steelworkers (USW) – sindicato estadunidense dos trabalhadores siderúrgicos – para evitar que a Vale, gigante brasileira da mineração e siderurgia, promova a erosão das condições de trabalho e negue os direitos fundamentais dos trabalhadores em todas as suas operações pelo mundo está ganhando impulso com o apoio da Federação Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas (FITIM) e da ICEM (ramo da mineração) e o site LabourStart.
Membros das duas federações sindicais mundiais estão realizando uma série de ações ao redor do mundo visando operações de negócios da Vale e os investimentos. Já o LabourStart, site especializado em notÃcias para o movimento sindical internacional, lançou uma carta escrita em favor da campanha e já teve mais de 2,5 mil cartas enviadas ao presidente da Vale, Roger Agnelli, em poucas horas. Alinhado à campanha, a FITIM lançou a sua página de campanha global (www.imfmetal.org/vale) com informações sobre a luta em quatro idiomas.
Os afiliados da FITIM (entre eles a CNM/CUT no Brasil) e da ICEM estão sendo convocados para apoiar a campanha global e enviar cartas para a Vale. Cerca de 3,5 mil membros do USW no Canadá estão em greve desde 13 de julho depois recusarem concessões profundas da gigante brasileira da mineração. A empresa contratou trabalhadores substitutos para continuar a produção durante a greve.
Em 26 de outubro, os trabalhadores da maior mina da Vale no Brasil cruzaram os braços em resposta à proposta da empresa na mesa de negociação. Os trabalhadores na Vale no Brasil denunciaram a negação dos direitos fundamentais do trabalho, baixos salários e as condições precárias de saúde e segurança na empresa.
Em outubro, as afiliadas da FITIM e da ICEM, com a ajuda da Federação Internacional dos Trabalhadores no Transporte, interromperam uma transferência de cobre da Vale do Canadá para a Alemanha e a Suécia. Membros do sindicato realizaram um protesto no porto de Hamburgo e, na Suécia, reuniram-se com os membros do conselho de clientes da Vale Boliden AB, proprietária da fundição de cobre Rönnskär.
A campanha global está causando muito impacto e fazendo alguns executivos da Vale ficarem de com a pulga atrás da orelha. A empresa cancelou duas vezes seu “Vale Day” na Bolsa de Nova Iorque e em Londres, respectivamente. Mais ações globais estão previstas até que uma solução seja alcançada.
Para mais informações sobre a campanha global da FITIM e ICEM em apoio aos trabalhadores da USW na Vale, acesse www.imfmetal.org/vale.
Fonte: FITIM – tradução de Valter Bittencourt
Greve na Vale canadense já atinge 3,6 mil trabalhadores
 greve dos trabalhadores de Sudbury, provÃncia que reúne oito minas de nÃquel da Vale-Inco, no Canadá, conta a partir desta semana com a adesão dos 3,6 mil empregados de todas as operações de nÃquel da companhia naquele paÃs, que inclui a mina de Voyce´s Bay, na provÃncia de Labrador, e a refinaria de Port Colborne. A única exceção neste movimento é dos mineiros de Thompson, que fecharam acordo com a subsidiária da multinacional brasileira, informou ao Valor Wayne Fraser, diretor do 6º Distrito das provÃncias de Ontário e do Canadá Atlântico, do United Steel Workers (USW), sindicato que reúne os mineiros canadenses e americanos. O voto de adesão foi aprovado na última sexta-feira (31/07).
Fraser queixou-se da falta de diálogo com a Vale, da qual a Vale-Inco é subsidiária integral. A última reunião de representantes da empresa com os empregados de Sudbury aconteceu dia 5 de julho, antes do inÃcio da paralisação, que teve inÃcio em 13 de julho. Nessa data, as minas de Sudbury estavam paradas para manutenção por causa da crise econômica que derrubou os preços e a demanda do nÃquel. A retomada da atividade nessas minas estava marcada para acontecer no dia 27 de julho, o que até agora não sucedeu.
O sindicalista disse que foi pedido pelo USW um contato com a mineradora para nova rodada de negociações, mas até agora não houve resposta. Desde abril, segundo ele, a Vale-Inco não mudou sua proposta de um acordo que determina mudanças no fundo de pensão dos trabalhadores de algo como benefÃcio definido para contribuição definida (modelo chileno); aumenta o gatilho de preço do nÃquel de 2,25 libras para 5 libras para acionar o pagamento do abono e sugere cortes no Cost of Living Allowance (COLA), que repõe perdas inflacionárias e é pago todo dia 1º de junho.
Apesar do impacto da recessão nos negócios de nÃquel em todo o mundo, Fraser disse que os empregados de Sudbury “não estão dispostos a fazer concessão a uma proposta que lhes tira direitos, retira bonus e introduz um novo plano de fundo de pensão bem pior do que eles têm agora, além de estarem tentando retirar benefÃcios por tempo de serviço”.
A Vale-Inco “lucrou nos últimos dois anos US$ 4,2 bilhões com negócios de nÃquel” só na provÃncia de Ontário, onde fica Sudbury, disse Fraser. “Então, não é uma empresa que está sofrendo tanto assim”. O ambiente recessivo não favorece aos trabalhadores grevistas neste momento, reconhece o dirigente sindical do USW. Mas entende que esta queda-de-braço pode durar “meses”.
Fonte: CUT Nacional