Seminário vai debater relação entre trabalho, famÃlia e vida pessoal
O equilÃbrio entre a vida pessoal, o trabalho e a vida familiar dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros será tema de um seminário promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Secretaria Especial de PolÃticas para as Mulheres (SPM) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem). O seminário tripartite para discutir o assunto será realizado de 16 a 18 de março em BrasÃlia.
De acordo com a diretora do escritório da OIT no Brasil, LaÃs Abramo, o seminário vai preparar os representantes do governo e da sociedade civil brasileira para as discussões que irão ocorrer na Convenção Geral da OIT, marcada para junho deste ano em Genebra, na SuÃça.
Segundo ela, existe uma situação desigual entre homens e mulheres no que diz respeito à divisão de tarefas e de tempo livre para cuidar de assuntos pessoais. Por questões culturais, os cuidados com a famÃlia – crianças, idosos, familiares doentes – ainda ficam mais a cargo da mulher, mesmo quando ela trabalha e chefia a famÃlia.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios (Pnad) de 2007, 67% dos homens que são chefes de famÃlia são casados e têm filhos. Já entre as mulheres que são chefes de famÃlia, 49% têm filhos, mas não têm parceiros. Para LaÃs, os números demonstram que, mesmo quando chefiam as famÃlias, os homens dividem as responsabilidades financeiras e de cuidados, enquanto as mulheres acumulam as funções.
“O homem não está sozinho nesta tarefa. As mulheres que são chefes de famÃlia e não têm parceiros ou cônjuges estão sozinhas. Isso significa que elas mesmas vão ter que exercer essas tarefas ou elas vão ter que recorrer a outro membro da famÃlia, que em geral é uma mulher – pode ser a mãe, a irmã ou a filha mais nova”, afirma LaÃs. Na avaliação dela, isso explica porque 72% dos jovens entre 15 e 24 anos que não estudam e não trabalham na América Latina são mulheres. “Ou seja, esse estereótipo de que são as mulheres as responsáveis pela casa e a famÃlia prejudica também a inserção e a autonomia financeira das gerações futuras”, completa.
Mas, apesar dessa situação de desvantagem das mulheres no mercado de trabalho e na vida pública em geral – inclusive polÃtica – a vice-diretora do Unifem no Brasil, Júnia Puglia, defende que as empresas ofereçam oportunidades para que ambos os sexos tenham facilidade de conciliar os cuidados com a casa e a famÃlia com o trabalho. “É preciso promover a idéia de que os trabalhos domésticos e os cuidados com a famÃlia e os filhos são responsabilidades do pai e da mãe”, explica. Segundo ela, é preciso reforçar o conceito de “responsabilidade paterna” para que os homens sintam que as obrigações com a famÃlia também são deles.
Para elas, a melhora da percepção de divisão de responsabilidades virá com polÃticas públicas, como aumento da licença paternidade, expansão dos serviços públicos como acesso a creches e até eletricidade e água – o que facilita e diminui o tempo gasto com os trabalhos domésticos.
Além disso, a OIT e o Unifem defendem que as empresas também colaborem para a melhoria do equilÃbrio entre famÃlia, casa e trabalho. Segundo LaÃs e Júnia, os acordos coletivos devem incluir cláusulas de auxÃlio-creche para trabalhadores que tenham responsabilidades familiares, e não apenas as mulheres. As empresas também devem colaborar permitindo flexibilização de horários para trabalhadores com essas caracterÃsticas, de modo que tenham condições de acompanhar os filhos ao colégio ou ao médico, por exemplo.
Os organismos internacionais cobram ainda que os acordos coletivos de trabalho ampliem o conceito de famÃlia, eliminando cláusulas que reforcem a responsabilização exclusiva da mulher sobre famÃlia e filhos, e incluindo os homens.
Fonte: CNM/CUT e CUT